Relativamente falando o cérebro consome uma quantidade imensa de energia quando comparado ao resto do corpo. Os mecanismos envolvidos na transferência de energia dos alimentos para os neurônios são provavelmente fundamentais para o controle da função cerebral. Os processos corporais humanos, incluindo o cérebro, requerem tanto macronutrientes quanto micronutrientes.

Uma ingestão insuficiente de vitaminas específicas, ou certos distúrbios metabólicos, podem afetar os processos cognitivos através da interrupção de processos dependentes de nutrientes dentro do corpo e que estão associados à gestão da energia nos neurônios, o que pode, subsequentemente, acabar por afetar a plasticidade sináptica ou a capacidade de codificação de novas memórias.

Nutrientes necessários para o desenvolvimento da memória

Colina A Colina é um nutriente essencial e a sua função primária no corpo humano é a síntese das membranas celulares, embora também chegue a desempenhar outras funções. É uma molécula precursora do neurotransmissor Acetilcolina, o qual efetua uma ampla gama de funções, incluindo controle motor e memória. As deficiências de colina podem estar relacionadas a alguns distúrbios hepáticos e neurológicos. Tendo em vista o seu papel na síntese celular, nota-se a importância nutricional da colina durante o desenvolvimento pré-natal e pós-natal inicial da prole, devido sua contribuição no desenvolvimento cerebral. A ingestão de colina proveniente de alimentos para homens, mulheres e crianças pode estar abaixo dos níveis de ingestão recomendados. Mulheres (especialmente quando grávidas ou amamentando), idosos e bebês, estão sob risco de deficiência de colina. Bife de fígado, gérmen de trigo e gema de ovos são alimentos comuns provedores de colina.

Luteína e Zeaxantina Luteína e Zeaxantina são carotenoides que contêm antioxidantes extremamente fortes. A maioria das pesquisas até agora se concentrou no efeito desses carotenoides na visão e no aumento da velocidade de processamento ocular. Nos últimos anos, os cientistas mudaram seu foco para sua contribuição no desenvolvimento cerebral e cognitivo em razão à bioacumulação recém-descoberta de Luteína e Zeaxantina no cérebro. Alguns outros alimentos nos quais elas podem ser encontradas incluem ovos, brócolis, abobrinha, milho e couve de bruxelas. Para que a obtenção máxima de nutrientes seja alcançada, esses alimentos devem ser consumidos crus ou cozidos no vapor.

Ácidos graxos ômega-3 Os ácidos graxos ômega-3 são essenciais para o desenvolvimento do cérebro e auxiliam na cognição. Esses ácidos afetam como os receptores celulares reagem no interior das membranas celulares. O corpo humano não é capaz de produzir ou sintetizar ácidos ômega-3 ou DHA por conta própria, isso significa que a única fonte desses ácidos graxos vitais que possuímos vem diretamente dos alimentos que consumimos. Muitos estudos apontaram que pessoas as quais possuem grandes quantidades de peixes em sua dieta têm uma menor probabilidade de sofrerem de depressão. Os peixes, especialmente o salmão, contêm grandes quantidades de ácidos graxos ômega-3 e ácido docosahexaenóico (DHA). Nos últimos 100 anos, as civilizações ocidentais demostraram uma diminuição significativa na ingestão de DHA e ômega 3 e um aumento nas gorduras saturadas e trans. Em comparação, locais como os Estados Unidos e a Alemanha têm demasiados casos de depressão a mais do que locais como o Japão, onde sua principal fonte de alimento vem da indústria pesqueira.​

Alimentos para o desenvolvimento cerebral saudável em crianças Existem vários alimentos que contribuem no desenvolvimento saudável do cérebro. Diversos especialistas recomendam como apropriados alguns dos seguintes alimentos em sua alimentação diária:

Salmão O salmão é extremamente rico em ácidos ômega 3 e DHA. Existem outras carnes "brancas" e magras de peixe, tal qual o atum albacora branca, que é uma boa fonte de proteína, todavia carente em gorduras por ser mais magro. Sanduíches de salmão, em vez dos de atum, fornecem tanto proteínas quanto ácidos graxos ômega-3.

Linhaça Além de muitos outros nutrientes, apenas uma colher de sopa de linhaça contém 1.597 mg de ácidos graxos ômega-3.

Mirtilos e Morangos Diversas frutos silvestres de cores escuras e variadas melhoram a memória.

Manteiga de Amendoim/Nozes/Sementes A manteiga de amendoim é uma boa fonte de vitamina E (um antioxidante), ela também possui tiamina, a qual contribui no suporte cerebral e do sistema nervoso. As nozes também são uma ótima fonte de proteína pois fornecem energia e aumentam a concentração.

Cereais Integrais e Carne Magra Bovina Os cereais integrais são fontes ricas em glicose e fibras. A fibra dos grãos ajuda a regular a liberação de glicose no corpo. Os açúcares da glicose são utilizados pelo seu corpo na obtenção de energia. Demonstrou-se que níveis mais elevados de energia acabam por melhorar os níveis de concentração cerebral. A carne bovina magra é uma fonte excelente de ferro, o que, por sua vez, também fornece níveis de energia e aumenta a concentração.

Vegetais Coloridos Esses tipos de alimentos são ricos em antioxidantes fundamentais para a limpeza da corrente sanguínea e assistem na preservação das células cerebrais fortes.

Leite / Iogurte / Laticínios Alimentos lácteos fornecem ao corpo as vitaminas B e D. A vitamina B é essencial para o crescimento do tecido cerebral e no fornecimento de enzimas ao corpo.

Verduras Folhas verdes, à exemplo a couve, o espinafre, o repolho, a alface romana e a couve de folhas, são boas fontes de ácido fólico e extremamente ricas em vitaminas.

Deficiência de Vitamina B e cognição As vitaminas B, também conhecidas por complexo B, são um grupo inter-relacionado de nutrientes os quais frequentemente coexistem nos alimentos. O Complexo B é formado pela: tiamina (B1), riboflavina (B2), niacina (B3), ácido pantoténico (B5), piridoxina (B6), ácido fólico (B9), cobalamina (B12) e biotina. As vitaminas B não sãosintetizadas no corpo, portanto possuem a necessidade de serem obtidas a partir dos alimentos. As vitaminas do complexo B são solúveis em água, o que significa que não são armazenadas no corpo. Consequentemente, as vitaminas B precisam de uma reposição contínua. Há a possibilidade de identificar-se efeitos cognitivos abrangentes provindos de vitaminas B específicas devido seu envolvimento em vários processos metabólicos cerebrais significativos.

No ano de 2012, em um estudo realizado por um grupo de pesquisadores, os níveis de vitamina foram medidos no sangue de indivíduos e comparados com os seus resultados em testes de memória recebidos anteriormente. O estudo mostrou que as pessoas com níveis mais altos de vitamina, em especial a vitamina B, obtiveram pontuações mais altas em seus testes de memória. O estudo foi conduzido na Universidade de Saúde e Ciência de Oregon e, embora ainda seja indispensável uma confirmação oficial, existem evidências suficientes para basear o fato de que o melhoramento de sua dieta pode aumentar significativamente a sua perspicácia cerebral.

Vitamin B1 (tiamina) Essa vitamina é importante como facilitadora da utilização da glicose, garantindo assim a produção de energia para o cérebro e um funcionamento normal do sistema nervoso, dos músculos e do coração. A tiamina é encontrada em todo o tecido nervoso de mamíferos, incluindo o cérebro e a medula espinhal. A função metabólica e coenzimática da vitamina sugere uma ação distinta da tiamina no sistema nervoso. O cérebro retém sua porção de tiamina com grande afinco ao enfrentar uma dieta deficiente em vitaminas, pois, entre todos os tecidos nervosos estudados, ele é o último a se esgotar.

A carência de tiamina causa a doença conhecida como beribéri. Existem dois tipos de beribéri: o "úmido" e o "seco". A beribéri seca também é denominada de beribéri nervosa, sendo caracterizada pela neuropatia periférica. A deficiência de tiamina foi relatada em até 80% em pessoas alcoólatras devido à sua ingestão nutricional inadequada, a redução da absorção e o comprometimento do uso de tiamina. Os sinais clínicos de carência de B1 incluem alterações mentais - à exemplo apatia, - diminuição da memória a curto prazo, confusão e irritabilidade, assim como aumentam os índices dedepressão, demência, quedas e fraturas na velhice.

Os sintomas persistentes de neuropatia associada ao beribéri cerebral são conhecidos como psicose de Korsakoff, ou fase crônica da síndrome de Wernicke-Korsakoff. A encefalopatia de Wernicke caracteriza-se por anormalidades oculares, ataxia, um estado geral de confusão e neuropatia. O estado de confusão associado à síndrome de Wernicke pode consistir em apatia, desatenção, desorientação espacial, incapacidade de concentração e lentidão ou inquietação mental. Um diagnóstico clínico da doença de Wernicke não pode ser realizado sem a posse de evidências de distúrbio ocular, todavia tais critérios podem ser muito rígidos. A síndrome de Korsakoff provavelmente representa uma variação na manifestação clínica da encefalopatia de Wernicke, já que ambas compartilham similares origens patológicas. Ela é frequentemente indicada através deconfabulação, desorientação e amnésia profunda. As particularidades da neuropatologia são diversas, mas geralmente consistem em lesões bilateralmente simétricas da linha média de áreas do tronco encefálico, incluindo os corpos mamilares​, tálamo, região periaquedutal, hipotálamo e a vermis cerebelar. O tratamento imediato da encefalopatia de Wernicke envolve a administração de tiamina via intravenosa, seguido por um tratamento de longo prazo e também a prevenção do distúrbio através de suplementos orais de tiamina, abstinência alcoólica e uma uma dieta balanceada.​ O funcionamento cerebral de alcoólatras crônicos pode melhorar através do tratamento relacionado à abstinência, com inclusão da interrupção do consumo de álcool e melhoramento da sua nutrição.

Vitamina B3 (niacina) A vitamina B3, também conhecida como niacina, inclui tanto a nicotinamida quanto o ácido nicotínico, ambos possuindo uma atuação ativa em variadas reações biológicas de oxidação e redução dentro do corpo. A niacina está envolvida na síntese de ácidos graxos e de colesterol, mediadores vigorosos e amplamente conhecidos da bioquímica do cérebro e da função cognitiva. Pelagra é uma doença resultante da deficiência de niacina. A pelagra é classicamente caracterizada por quatro 3 "D's": diarréia, dermatite e demência, findando-se na morte do doente. As manifestações neuropsiquiátricas da pelagra incluem cefaleia, irritabilidade, baixa concentração, ansiedade, alucinações, estupor, apatia, inquietação psicomotora, fotofobia, tremor, ataxia, paraparesia espástica, fadiga e depressão. Os sintomas de fadiga e insônia podem acabar progredindo para uma encefalopatia caracterizada por confusão, perda de memória e psicose. Aqueles que sofrem de pelagra estão sob a possibilidade de sofrerem alterações patológicas no sistema nervoso. As descobertas podem abranger perda da bainha de mielina e a degeneração de várias partes afetadas do cérebro, medula espinhal e nervos periféricos.

A nicotinamida oral foi promovida como um medicamento o qual dispensa a necessidade de prescrição médica no tratamento do mal de Alzheimer. Em contrapartida, nenhum efeito clinicamente significativo foi encontrado para essa droga, uma vez que a administração de nicotinamida não estimulou as funções de memória em pessoas com demência dos tipos Alzheimer, vascular ou frontotemporal (demências do tipo leve a moderado). Tal evidência sugere que a nicotinamida pode tratar a demência em relação à pelagra, no entanto a sua aplicação não trata efetivamente dos outros tipos de demência. Embora o tratamento com niacina cause poucas alterações nos efeitos do mal de Alzheimer, a ingestão de alimentos ricos em niacina está inversamente associada à doença.

Vitamina B9 (ácido fólico)