miniaturadaimagem|371x371px|Imagem de Pratos de Sobremesa do Acervo do Museu Paulista representando a história & alimentação no Brasil A história da alimentação no Brasil teve início com a chegada dos primeiros humanos na América do Sul há pelo menos 22 mil anos AP. No ano de 1500, os navegadores Vicente Pinzón, Diego de Lepe e Pedro Álvares Cabral atracam nas costas de Pernambuco e da Bahia, respectivamente, e, nas décadas seguintes, a terra dos indígenas foi transformada; esse período ficou conhecido como Período pré-colonial. Cabral, denominado oficialmente o "descobridor do Brasil", tomou posse do território, rezando a primeira missa em 26 de abril, dia de Páscoa, com Frei Henrique Soares de Coimbra, fazendo com que o restante do mundo soubesse da terra recém-encontrada.

A partir da chegada dos europeus, a história e alimentação no Brasil tornaram-se uma miscigenação de culturas: a dos indígenas e dos portugueses. Com a fundação da primeira cidade brasileira, São Vicente, na Capitania de São Vicente, houve a introdução e produção de diversos marcos para a nova civilização brasileira, como a cana e a produção do açúcar, laranja, o gado, porcos e consumo de sal, além da contribuição dos saberes alimentares dos nativos, como o uso de produtos tais quais a mandioca, farinha, beiju, cauim, carne moqueada, feijão, içá, milho e pirão, dando origem a inúmeros novos pratos e sopas. Posteriormente, com o início da escravidão no país, os negros trazidos da África também contribuíram para a culinária nacional. Com o advento do ciclo do café e a nova onda de imigrantes para o Brasil a partir do século XIX, houve um novo choque de cultura, que resultou em mais contribuição para a culinária brasileira.

O livro denominado História da Alimentação no Brasil, por Luís da Câmara Cascudo e lançado no ano de 1967, é uma das obras mais importantes sobre a história da alimentação no país. O livro inspirou a uma série de mesmo nome, a qual estreou em novembro de 2017 no Cine Brasil TV. Disponível atualmente no Prime Video da Amazon.

Em 1 de maio, na cerimonia realizada com uma missa junto aos índios tupiniquins, Cabral oficializa a posse de Portugal sobre as terras brasileiras. Retratado o grande evento nos famosos quadros de Cândido Portinari e Victor Meireles.

Tríade da miscigenação brasileira

A Tríade da Miscigenação no Brasil é constituída pelas três principais culturas que formaram o Brasil Colônia: os indígenas, os portugueses e os africanos (que foram trazidos pelos portugueses como escravos).

As grandes navegações que estavam acontecendo em meados do século XV e XVI trouxeram com grande impulso as "viagens dos alimentos", as quais acontecem desde os primórdios da história dos povos. As misturas de hábitos não são apenas das plantas, animais e temperos, mas também das preferências, interdições e prescrições, associações e exclusões.

Heranças indígenas A cultura indígena é um dos tripés da cultura brasileira. As heranças indígenas referentes a alimentação são diversas: as fontes de alimentação e cozinha brasileira da época do Brasil pré-colonial é parte da culinária atual contemporânea. Os indígenas alimentavam-se cotidianamente também de insetos (antropoentomofagia). Esses povos respeitam os ciclos da natureza e os alimentos que mudam a cada mês. Para eles os alimentos naturais fortalecem o corpo e o espírito. A chegada dos portugueses miniaturadaimagem|Fundação de São Vicente, que retrata o início da colonização efetiva do Brasil. Nesse momento, os saberes alimentares indígenas e europeus se misturaram e deram origem a uma nova culinária brasileira, marcada pela integração de técnicas, ingredientes e tradições. Após a chegada de Cabral, diversas expedições foram organizadas com o intuito de conhecer o território que chamaram de Terra de Santa Cruz. Fora somente em 1527 que estas terras foram chamadas de Brasil em homenagem as abundantes árvores de Pau-Brasil. Nestas expedições, os bandeirantes precisaram adaptar-se aos costumes alimentares dos indígenas (ingredientes nativos, que posteriormente foram inevitavelmente incorporados à dieta alimentar de Portugal) e sobre o conhecimento dos índios sobre as terras do sertão.

No século XV, no princípio do período colonial, a identidade da alimentação do Brasil começará a tomar forma com a chegada de novos ingredientes e novos costumes do tripé índios, escravos e portugueses. A época foi marcada com a introdução de produtos das Américas para Europa, como feijões, batatas, tomate, pimentão, cacau e os produtos trazidos da Europa para as Américas como a cana-de-açúcar, café, laranja e gado.thumb|Antigo Castelo de Duarte Coelho, a primeira casa-forte do Brasil, erguida a partir de 1536 em Pernambuco. Com a efetiva ocupação dos portugueses, novos hábitos alimentares são introduzidos à terra indígena de Pindorama.

Os portugueses começaram a migrar para o Brasil e colonizar as terras. Nesta época, Portugal estava passando por uma situação financeira complicada, os primeiros colonizadores já haviam percebido que o solo e o clima do litoral eram férteis para o plantio da cana de açúcar, produto que valia muito na Europa. Todo o litoral brasileiro, principalmente o sudestino e nordestino, estava economicamente ligado ao plantio de cana de açúcar. Em 1550, os primeiros escravos vieram para o Brasil para serem a mão de obra de trabalho. A escravidão começou para o trabalho de plantar a cana e para o trabalho nos engenhos.

Alimentos típicos do Brasil

Alimentos típicos brasileiros que foram importantes para a história da alimentação no Brasil:

Mandioca

A mandioca, a "Rainha do Brasil" é uma das bases alimentares com selo de brasileiro, consumida por cerca de 95% do país. Considerada um dos principais ingredientes do uso indígena, era cultivada na Amazônia e no litoral norte. Desta agricultura típica, provém a farinha de mandioca, a farofa de mandioca, a tapioca, o pão da terra e até a fabricação de artesanatos (ver: Pratos à base de mandioca). Era usada também como moeda de troca.

A mandioca era e é trabalhada à mão nas farinhadas ou casas de farinha, de fabricação com ferramentas manuais (ver: Fabricação de farinha de mandioca).

Destas farinhas, são feitas as papas, mingaus e pirões. O dito popular "sem pirão, não há eleição" reforça a importância da farinha de mandioca na cultura alimentar que perpassou os anos e continua fazendo parte da culinária contemporânea.

Milho verde

Considerado um dos principais ingredientes do uso indígena, era cultivado no interior da Amazônia até a fronteira com a Argentina. O milho é o cereal mais consumido no mundo. Dele é feito os tradicionais pratos como as pamonhas, canjicas, fubá, farinha de milho e curau.

O auge da colheita do milho ocorre durante o solstício de inverno, nos meses de junho e julho, este é o período das festas de São João, uma das maiores festas do Brasil.

Banana

A banana não é uma fruta originária do Brasil, porém é associada fortemente à alimentação brasileira. Já era cultivada nas terras do Brasil antes dos portugueses, e ainda sim, as bananeiras eram pouco conhecidas pelos indígenas. As diversas variações das espécies de bananas, ao serem baratas e de fácil acesso, foram trazidas pelos portugueses que produziram alimentos como a bananada, a banana com farinhas e carnes e passaram a ser "a cara do Brasil".

Carmen Miranda utilizava turbantes inspirados nas baianas adornados com frutas, tais como as bananas. Os figurinos típicos da cantora transformaram-na em um ícone brasileiro. A interpretação em 1938, no filme nomeado “Banana da Terra” (Sonofilmes, 1938), da canção "O que é que a baiana tem?", de Dorival Caymmi, a fez utilizar pela primeira vez um turbante.

Temperos da Panela Indígena

Na cultura indígena, as comida estão ligadas aos mitos, há épocas e eventos que não pode-se comer certa comida e há épocas e eventos que deve-se comer certa comida. Os rituais indígenas são ligados a comida, pois os alimentos estão ligado a vida. Os Pajés, líderes das tribos, alimentam o corpo e alma, pois são a saúde, são a cura.

A cozinheira indígena denominada cunhã é a dona do saber e fazer, a mãe dos primeiros pratos. Conheciam a terra e não dependiam de Portugal. Os temperos dos índios baseavam-se em sal e pimenta, mas comiam o alimento e depois uma misturinha de pimenta e sal.

Cada tempero podia variar geograficamente, utilizados além da culinária, como ervas e remédios caseiros.

Bebidas Alcoólicas Fermentadas

As bebidas ou os alimentos líquidos eram muito presentes na cultura brasileira da época através de fermentados de mandioca, milho e frutas. Durante as festas indígenas as bebidas eram meios de comemoração, bebiam por dias até não aguentarem mais, daí a expressão "beber até cair". Algumas bebidas típicas do Brasil são a Cauim (bebida fermentada), o chibé (bebida de farinha de mandioca e água ou água temperada com pimenta e ervas), a tiquira (cachaça feita da água extraída mandioca, típica da cultura indígena), a Ayahuasca (bebida sagrada e farmacológica) e a Jurema (bebida ritualística citada no livro Iracema).

O açaí e a juçara são frutas muito utilizadas na fabricação de vinhos e refrescos, também advindos dos indígenas.

Leite de coco

O Leite de coco é um dos mais populares condimentos no Brasil, principalmente no nordeste. A primeira menção do seu uso fora em 1609 pelo Frei João. Não sendo originário do território brasileiro, o coco foi abrasileirado e nacionalizado pela tropicalidade, tornando-se parte do hábito alimentar pela sua vasta utilização, desde a preparação de pratos como peixes, moquecas, arroz de coco, cuzcuz, canjica, óleos, gordura, água de coco e na doçaria.

Os coqueirais por todo o território brasileiro permitiram também a utilização da madeira do coqueiro para construções e do fio do coco para tecidos.

Cuscuz

O Cuscuz era um prato popular em Portugal na época do descobrimento do Brasil. Era feito de sêmola de trigo. No Brasil passou a ser feito de milho, muitas vezes artesanalmente, cozinhando e amassando no pilão. A massa de milho pilada era vendida para ser café da manhã ou café da tarde.

No Brasil surgiram três variedades de cuscuz, cuscuz nordestino, o cuscuz paulista e o cuscuz de tapioca .

Azeite de dendê

O Azeite de Dendê faz parte da alimentação africana e chegou ao Brasil através dos escravos que eram jogados em navios sem saber o rumo que tomariam. Este azeite é feito do fruto da palmeira-de-dendê, amassado, temperado e cozido. Os pratos típicos com o uso do dendê eram feitos pelas escravas e comercializados para arrecadar o dinheiro necessário para comprar a carta de alforria.

O uso do dendê faz parte da culinária brasileira, principalmente nos acarajé, moquecas e frutos do mar.

Doçaria

miniaturadaimagem|Paçoca de amendoim, doce típico do estado de São Paulo, originário da culinária caipira A crise econômica do século XVIII em Portugal, fez com que os conventos fechassem suas portas e as freiras devolvidas às suas casas nas mais variadas localidades do império. A doçaria portuguesa se difundiu a partir deste marco, com as próprias freiras cozinhando e preparando as receitas de doces aprendidas no convento para comercializarem, pois naquela época, os dotes já haviam sido prometidos para as outras filhas.

O Pastel de Tentúgal, um dos doces típicos portugueses, eram pratos servidos para prestigiar as visitas no convento. Outras versões, como o pastel de Belém e pastel de Nata (o mais tradicional Português, sua receita é secreta e tem sido mantida secreta desde 1837) são comercializados com receitas diferentes.

As mulheres portuguesas trouxeram consigo muito conhecimento e ingredientes como açúcar refinado, leite e os ovos. Não conheciam o coco. O manjar branco é então a alquimia portuguesa e brasileira.