Biblioteca Mário de Andrade (BMA), localizada no centro da cidade de São Paulo, foi a primeira e é a principal biblioteca pública da cidade. Fundada em 1925, a partir do acervo da Câmara Municipal, consolidou-se ao longo de sua história como uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. Seu edifício-sede é considerado um dos marcos arquitetônicos do estilo art déco na cidade, foi projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon, é reconhecido como um marco da nesta arquitetura, a qual é um estilo popular no século XX e recebeu grande influência do movimento artístico cubismo.
Detentora do segundo maior acervo documental e bibliográfico do país – atrás somente da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro –, a BMA é, por excelência, o órgão depositário de todos os registros histórico-culturais da cidade de São Paulo. Seu acervo conta com aproximadamente 3,3 milhões de títulos, cobrindo todas as áreas do conhecimento humano, e conserva um amplo conjunto de incunábulos, manuscritos, brasiliana, gravuras, mapas e outras obras raras, majoritariamente produzidas entre os séculos XV e XIX.
Em 25 de fevereiro de 1925, durante a administração Firmiano de Morais Pinto, foi oficialmente instituída a "Biblioteca Municipal de São Paulo", tendo como fundo o acervo da biblioteca da Câmara Municipal. A instituição só seria aberta à comunidade em janeiro de 1926, em um casarão da Rua Sete de Abril, no centro da cidade, com um acervo de quinze mil volumes. Sob a administração Fábio da Silva Prado (1934-1938), a biblioteca seria consolidada e normatizada.
Após a conclusão da reforma da sede da biblioteca em outubro de 2010, a Biblioteca Mário de Andrade reabriu integralmente em uma festa com mais de três mil pessoas no aniversário de quatrocentos e cinquenta e sete anos da cidade de São Paulo, em 2011. O sistema autônomo instalado é capaz de fazer o agendamento da retirada e da devolução de volumes através da leitura do código de barras do livro escolhido.
História Antecedentes miniaturadaimagem|Estátua de Luís de Camões nos jardins da Biblioteca. miniatura|Escadarias da Biblioteca Mário de Andrade. miniatura|Busto de Mário de Andrade. miniatura|Entrada da biblioteca. miniatura|Estátua de Dante Alighieri. miniatura|Torre de Livros.
Em 1825, o primeiro presidente da então província de São Paulo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, funda a primeira biblioteca pública da cidade, denominada Biblioteca Pública Oficial de São Paulo. Seu acervo foi formado a partir da aquisição da biblioteca do Convento de São Francisco (mais de cinco mil volumes) e da livraria de Dom Mateus de Abreu Pereira (aproximadamente mil e sessenta volumes), por ocasião de seu falecimento. Instalada no próprio convento, funcionou até 1837, quando seu acervo passou a constituir o fundo da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, no Largo de São Francisco (atual Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo).Revista Espaço Aberto. Os 180 anos da biblioteca mais antiga da USP. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
Embora o acervo da antiga Biblioteca Pública Oficial de São Paulo continuasse a pertencer a uma instituição pública, sua nova função de biblioteca universitária privava a cidade da existência de uma biblioteca de livre acesso. Em 1911, era fundada a Biblioteca Pública do Estado de São Paulo, órgão responsável pela guarda da documentação e acervo bibliográfico do executivo estadual, mas o acesso da comunidade a esta também era restrito. Com o objetivo de prover a cidade de uma biblioteca pública operante, a Câmara Municipal de São Paulo abriu seu acervo bibliográfico aos paulistanos em 1925.
A fundação Em 25 de fevereiro de 1925, durante a administração Firmiano de Morais Pinto, foi oficialmente instituída a "Biblioteca Municipal de São Paulo" (na grafia antiga: Bibliotheca Municipal de São Paulo), tendo como fundo o acervo da biblioteca da Câmara Municipal. A instituição só seria aberta à comunidade em janeiro de 1926, em um casarão da rua Sete de Abril, no centro da cidade, com um acervo de quinze mil volumes.
Sob a administração Fábio da Silva Prado (1934-1938), a biblioteca seria consolidada e normatizada. Para isso, contribuiu profundamente a criação, em 1935, do Departamento de Cultura da Municipalidade Paulistana (futura Secretaria Municipal de Cultura). Idealizado por intelectuais ligados à Semana de Arte Moderna, entre os quais Paulo Duarte, Alcântara Machado e Sérgio Milliet, teve Mário de Andrade como primeiro diretor. É nesse contexto que toma força a ideia de fazer da biblioteca o órgão depositário de toda a documentação histórico-cultural da cidade e do Brasil.Museu da Casa Brasileira. “Renata e Fábio Prado – A casa e a cidade” traz início da urbanização de São Paulo, gestão de Mário de Andrade na cultura, e o solar do MCB quando residência. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
Em 1936, ainda na gestão Mário de Andrade, o Departamento de Cultura inaugura, por iniciativa da pedagoga Lenyra Fraccarolli, a Biblioteca Infantojuvenil - atual Biblioteca Monteiro Lobato. Voltada à formação do público jovem, a biblioteca mantém um dos mais expressivos acervos de títulos infantojuvenis do país.
Ampliação do acervo Nas duas primeiras décadas após sua fundação, a Biblioteca Municipal logrou reunir, por meio de compras e doações de grandes bibliófilos e colecionadores brasileiros, importantes acréscimos ao seu acervo original. Em 1936, a biblioteca adquiriu a coleção Félix Pacheco, à época considerada a maior e mais importante coleção privada de brasiliana do país. No ano seguinte, recebeu em doação um grande número de manuscritos e obras raras pertencentes a Batista Pereira.
Uma das mais importantes contribuições para a formação do acervo deu-se em 1939, quando a Biblioteca Pública do Estado de São Paulo fundiu-se à Biblioteca Municipal, resultando na incorporação de mais de setenta mil volumes à coleção. Entre as obras provenientes da Biblioteca do Estado, destacam-se representativos conjuntos documentais sobre a história da cidade e do estado de São Paulo, uma ampla coleção de obras raras, além da biblioteca particular do Barão Homem de Mello, ex-presidente da província.
Posteriormente, a biblioteca recebeu doação de livros, periódicos, manuscritos, mapas e obras de arte que pertenceram a Paulo Prado, escritor e organizador da Semana de Arte Moderna, e Pirajá da Silva, médico e pesquisador. Outras doações de importantes intelectuais incluem as bibliotecas particulares de Sérgio Milliet, Carvalho Franco, Maynard de Araújo, Otto Maria Carpeaux, Pereira Matos, Paula Souza, José Perez e Paulo Duarte, entre outros.
A nova sede No começo da década de 40, o acervo da Biblioteca Municipal já ultrapassava os cento e dez mil volumes.G. D. Leoni. Boletim Bibliográfico da Biblioteca Mário de Andrade. São Paulo, v. 23, p. 7-14, jan./dez. 1958. Crescia rapidamente o número de consulentes, sobretudo após a inauguração do setor circulante, que disponibilizava obras para empréstimo. A biblioteca também inicia um programa educacional: por meio de convênio com a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, passou a oferecer um dos primeiros cursos de biblioteconomia do país.Secretaria Estadual de Comunicação. História da biblioteca e do bibliotecário no mundo e no Brasil. Salvo em 9 de dezembro de 2007. O casarão que abrigava a biblioteca, no entanto, já estava saturado. Tornava-se necessária a transferência para um novo edifício, que comportasse o crescimento do acervo e das atividades.
A nova sede foi idealizada pelo próprio diretor da Biblioteca Municipal, o bibliófilo e escritor Rubens Borba de Moraes, e pelo arquiteto francês Jacques Pilon. A construção se iniciou em 1936, sendo inaugurada oficialmente em 25 de janeiro de 1942, pelo então prefeito Prestes Maia. Situa-se na Rua da Consolação, 94, no centro da Praça Dom José Gaspar.
O imponente edifício, marcado pelo rigor geométrico e pelo equilíbrio entre as proporções monumentais da obra e sóbria decoração dos elementos externos, é considerado um dos marcos do estilo art déco em São Paulo. Inspirado em instituições congêneres da Europa e dos Estados Unidos, o projeto original previa a construção de duas torres de vinte e dois andares cada, com capacidade total para abrigar um milhão de livros, mas apenas uma foi construída. O edifício é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico.
Efervescência cultural Em 1943, o poeta Sérgio Milliet assume a direção da Biblioteca Municipal, cargo no qual permanecerá até 1959. Durante sua gestão, inserida no contexto de efervescência cultural que marcou a década de 1940 na cidade de São Paulo, a Biblioteca Municipal amplia sua atuação didática e passa a seguir critérios mais amplos em sua política de aquisição. Milliet firma acordos de cooperação com a Biblioteca Nacional de Paris e cria a Seção de Artes. No mesmo ano, a biblioteca começa a publicar regularmente seu Boletim Bibliográfico e a Revista da Biblioteca Mário de Andrade. Também passa a promover uma série de atividades culturais, como palestras e mesas-redondas, das quais participaram Roger Bastide, Luís Martins, Lourival Gomes Machado, Osório César e Luis Saia, entre outros.Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Sérgio Milliet. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
Conduzida em suas três primeiras décadas de existência por grandes expoentes do modernismo brasileiro, a Biblioteca Municipal abrigou, a partir de 1946, a primeira coleção pública de arte moderna do país, anterior à fundação do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, com pinturas, esculturas, gravuras e desenhos originais de artistas brasileiros, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Candido Portinari, Bruno Giorgi, Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo, Aldo Bonadei, Cícero Dias e Carlos Scliar, e nomes estrangeiros do porte de Pablo Picasso, Marc Chagall, Joan Miró, Henri Matisse, Fernand Léger, Marie Laurencin, Georges Rouault, Sonia Delaunay, Francis Picabia e Árpád Szenes. Atualmente, a coleção integra o acervo da Pinacoteca Municipal.
Sérgio Milliet empenhou-se em elevar a Biblioteca Municipal a padrões internacionais. Os dezesseis anos nos quais esteve à frente da instituição foram bastante proveitosos, sobretudo para a ampliação quantitativa e qualitativa do acervo, o estabelecimento de uma agenda cultural e o aumento no número de consulentes.Ives Gandra da Silva Martins. Geração de 45: cinquenta anos. São Paulo, v. 53, p. 147-149, jan./dez. 1995]. Detentora de amplo prestígio e visitação, a Biblioteca Municipal tornou-se, em 1958, depositária oficial do material publicado pela Organização das Nações Unidas - normatizando uma situação já estabelecida, uma vez que a biblioteca já recebia gratuitamente o material da organização desde 1949.
Nesse período, a biblioteca possui ampla participação no meio intelectual paulistano, sendo frequentada por acadêmicos como Michel Debrun, Bento Prado, Lívio Teixeira, Claudio Willer, Aziz Ab Saber, Alexandre Wollner, Paul Singer, Maria Bonomi, Fernando Henrique Cardoso e Marilena Chauí.Fred Melo Paiva (O Estado de S. Paulo). Coitado do Mário.... Salvo em 9 de dezembro de 2007. Em 1957, no entanto, o edifício-sede, inaugurado apenas quinze anos antes, já encontrava-se saturado e com problemas estruturais, conforme noticia a imprensa à época: "A Biblioteca Municipal de São Paulo não consegue mais atender a demanda. Todos os dias formam-se filas de estudantes à espera de um lugar no salão central onde possam pedir os livros e estudar." Em 15 de fevereiro de 1960, a instituição recebeu sua atual denominação oficial: “Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade".
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