miniaturadaimagem|Arcos de uma secção elevada do Aqueduto provincial Romano de Segòvia, na Hispânia miniaturadaimagem|Os múltiplos arcos da ponte do Gard na Gália romana (atual sul de França). O nível superior inclui um aqueduto que trazia água em época romana; o seu nível inferior expandiu-se na década de 1740 para suportar uma ampla estrada ao longo do rio. miniaturadaimagem|Mapa dos aquedutos de Roma miniaturadaimagem|Mapa a escala grande que mostra as nascentes de água miniaturadaimagem|Conduto do Aqueduto de Tarragona miniaturadaimagem|Arcos de uma secção elevada do Aqueduto provincial Romano de Segòvia, na Hispânia Os engenheiros romanos construíram aquedutos, com características próprias, ao longo de todo o Império. Servia para trazer água a partir de nascentes externas até as cidades e aldeias. A água dos aquedutos fornecia diferentes locais desde banhos públicos, latrinas, fontes, e lares privados. Os aquedutos eram também utilizados no apoio a operações mineiras, moinhos de água, granjas e jardins. Uma infraestrutura, cuja implantação deve ser utilizada como instrumento de articulação urbana, cujas linhas de água latentes ao território, fundamentais à expansão urbana e rural, nomeadamente, na construção de habitações e desenvolvimento de atividades agrícolas.
Nos aquedutos a água corre por ação da gravidade, ao longo de um ligeiro gradiente de descida global em condutas de pedra, tijolo ou betão; Quanto mais pronunciado era o gradiente, mais rápido era o fluxo. A maioria dos condutos eram enterrados sob terra e percorriam o contorno do terreno; desviando-se dos obstáculos ou, doutro modo, atravessando um túnel. Quando se chegava aos vales ou as terras baixas o conduto ficava sobre pontes ou as suas conduções se conectavam a canalizações de chumbo, de cerâmica ou de pedra de alta pressão. Conheciam bem o princípio dos vasos comunicantes e o golpe de ariet - os aquedutos da cidade enquadravam-se nos chamados aquedutos de "sifão invertido", que se baseava no princípio de vasos comunicantes com canalizações de baixa pressão. Este sistema, incorretamente designado por sifão, consiste em fazer baixar a água até ao fundo de um vale, atravessando-o, para, depois recobrar a sua forçaRui Morais e Lázaro Gabriel Lagóstena Barrios p.198 inicial.Não é um sifão, no sentido estrito, dado que se trata de uma canalização que baixa para voltar a subir posteriormente. Para proporcionar um escoamento de água adequado teriam sido instalados depósitos ou cisternas: o primeiro situado no local de abastecimento, com cota elevada, e o outro depósito ou cisterna de saída, situado a cota elevada mas a menor altitude do que o primeiro. Entre estes depósitos, a água corria por canalizações de chumbo dispostas em ambas as pendentes.Sabe-se que Roma já possuía este sistema desde 144 a. C. Entretanto, muitos outros casos são conhecidos, como no caso de Lyon, que chegaram a instalar oito sifões, e Lugdunum, entre outros… (Malissard 1996: 175) No exemplo do aqueduto de Bracara Augusta, no sentido de assegurar uma pendente regular é possível que este aqueduto seguisse aproximadamente a forma das curvas de nível de modo a evitar o recurso a grandes obras de engenharia e recorresse à solução de "sifão" para superar a depressão do seu traçado final à entrada na cidade.O aqueduto de sifão, até à data o único do género documentado em território português, é referido por Vitrúvio (De architectura VIII 6, 4-6) como o dispositivo mais apropriado para ultrapassar grandes depressões. Acrescente-se ainda o de Sexi (Almuñécar). Casado (2008: 189-197; 260-261). A maioria dos sistemas de aquedutos incluíam depósitos de sedimentação, que ajudavam a reduzir os resíduos transportados dentro da água, umas comportas e castella aquae (depósitos de distribuição) regulavam a oferta de água aos destinos individuais. Nas cidades e aldeias, os vertedouros dos aquedutos iam até às galerias pluviais e aos bueiros.
O termo aqueduto vem do latim aquae ductus ou ductus aquae que quer dizer condução de água. No latim clássico esta palavra não se apresenta como palavra composta, mas sim como palavra de junção léxica.González Tascón e Velásquez, 2005:325; Fortes, 2008: 58 Os aquedutos como obras de enorme envergadura requeriam um financiamento significativo garantido através do aerarium público e, menos usualmente, através da summa honoraria, que consistia em dinheiro que alguns homens ricos ou mecenas davam para financiar certos tipos de obras, mostrando desta forma o seu prestígio na cidade.González Tascón e Velásquez, 2005: 318; Fortes, 2008:56; Ribeiro, 2010: 368;
O primeiro aqueduto de Roma fornecia uma fonte de água situada no mercado de gado da cidade. No século III d.C., a cidade tinha onze aquedutos, sustentando uma população de mais de um milhão de pessoas em uma economia de uso extravagante de água; a maior parte do recurso hídrico abastecia os vários banhos públicos da cidade. As cidades e vilas de todo o Império Romano emularam este modelo e os aquedutos eram financiados como objetos de interesse público e orgulho cívico, "um luxo caro mas necessário para a qual todos queriam, e podiam, aspirar".Gargarin, M. and Fantham, E. (editors). The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome, Volume 1. p. 145. A maioria dos aquedutos romanos provou-se confiável e durável; alguns foram mantidos até o início da era moderna e alguns ainda estão parcialmente em uso. Métodos de construção estão registrados por Vitrúvio em sua obra De Architectura (século I a.C.). O general Sexto Júlio Frontino dá mais detalhes em seu relatório oficial sobre os problemas, os usos e os abusos do abastecimento público de água da Roma Imperial. Entre os exemplos mais notáveis da arquitetura de aquedutos estão os pilares de sustentação do Aqueduto de Segóvia e as cisternas alimentadas por aqueduto em Constantinopla.
Os aquedutos romanos evidenciam uma clara demonstração do alto nível dos peritos hidráulicos na engenharia romana. Um dos aquedutos mais brilhantes pela sua dimensão é o que abastecia a cidade de Cartago, na atual Tunísia, que tem cerca de 132 km de extensão, permanecendo, alguns dos seus troços, ainda em funcionamento nos dias de hoje.Chanson, 2008: 5 Na Hispânia o aqueduto com um maior percurso era o de Gades (Cádiz), com cerca de 75 Km de comprimento, sendo a maior parte em sifão sendo a maior parte em sifão.González Tascón e Velásquez, 2005: 112 No entanto, os comprimentos dos aquedutos variavam muito, dependendo do local onde as águas potáveis eram abundantes, tendo alguns poucos quilómetros e outros centenas, como já vimos anteriormente. Ao que tudo indica Bracara Augusta deveria possuir um ou mais aquedutos. Examinando as fontes de documentação medieval e a atual topografia do terreno é possível admitir que a zona conhecida como Sete Fontes poderá ser o principal local de captação do manancial de água limpa que abastecia a cidade, a qual, para além de ser necessária ao consumo, tinha que abastecer as termas públicas dispersas pela cidade, bem como outros edifícios públicos. Na zona mais alta da Bracara Augusta encontram-se as termas do Alto da Cividade, cuja construção exigiu um abastecimento especial de água, garantido pela construção de uma derivação a um aqueduto principal (Ficha 68) que foi identificado na parte norte do tabuleiro superior da colina.Martins et al., 2011: 85-86 Também as termas identificadas na rua D. Afonso Henriques, muito maiores que as do Alto da Cividade, exigiriam um significativo abastecimento de água limpa, o que sugere que deveria existir um aqueduto que cruzaria a cidade no sentido E/O, com eventuais derivações para servir os dois complexos termais referidos. Um outro balneário público construído no quarteirão das Carvalheiras foi abastecido de água a partir de tubagens de chumbo (fistulae), com provável origem no cardo situado a nascente do quarteirão.Martins et al., 2011: 93
Utilizaram preferencialmente nascentes, pois ofereciam a água mais pura para consumo humano. Não obstante, nem sempre conhecemos o ponto específico de captação ou caput aquae. Um exemplo paradigmático e em excelente estado de conservação é o chamado castellum de Alcabideque, em Condeixa-a-NovaALARCÃO e ÉTIENNE, 1977, pp. 51-54; FORTES, 2008, pp. 450-470; REIS, 2014, pp. 155-157. Neste local existe, ainda hoje activa, uma nascente que oferece um considerável caudal que foi aproveitado para abastecer a cidade romana de Conimbriga. De modo a isolar e proteger a nascente, esta foi envolvida por uma construção de planta semicircular, edificada em opus caementicium que canalizava a água para uma das laterais de uma torre ou castellum. No interior desta estrutura existia um tanque de decantação que permitia limpar a água de eventuais impurezas, antes desta ser transferida para o aqueduto que a direccionava até à cidade. Outra fonte de abastecimento eram os rios. Nestes casos a captação de água era feita na cabeceira, o mais perto possível da nascente, local onde a contaminação era pouco provável. Este procedimento tanto podia ser realizado de forma directa através da abertura, numa das margens do rio, de um canal que constituía o início do aqueduto, quer por derivação, construindo-se um açude, isto é, um pequeno dique ou represa oblíqua à corrente que elevava o nível das águas para desviar uma parte do caudal até o aqueduto. Infelizmente, conservam-se poucas evidências arqueológicas de ambos os tipos de captação.FORTES, Mário Luís Soares – A xestión da água na paisaxe romana do Occidente peninsular, Tese de Doutoramento. Santiago de Compostela: Universidade de O ciclo urbano da água no Portugal romano 166 Santiago de Compostela, 2008 [Não publicado]. Uma terceira técnica de captação em rio era feita através de barragens de grandes dimensões, utilizadas para reter uma apreciável quantidade de água em regiões de escassa pluviosidade, pelo que são particularmente numerosas na Península IbéricaQuintela et al., 1986; Castillo, 2015. Contudo, hoje em dia, a origem de muitas destas estruturas consideradas de cronologia romana tem suscitado debate entre investigadores. Sem certeza da cronologia romana, é a barragem de Belas, localizada na ribeira de Carenque, considerada como o ponto provável de captação do aqueduto destinado ao abastecimento de OlisipoAlmeida, 1969; Quintela et al., 1986, pp. 121-125; Fortes, 2008, pp. 470-492; Mascarenhas et al., 2012. Trata-se de um dique de dimensões consideráveis, com uma espessura máxima de 7 metros, uma altura que ultrapassaria os 8 metros e uma extensão da qual ainda se reconhecem cerca de 16 metros, ao longo dos quais foram dispostos três contrafortes destinados a suportar a pressão da água armazenada.
Outra forma de aprovisionamento recorria à recolha de água subterrânea através de galerias filtrantes ou de captação, as quais eram desenhadas para drenar a água dos aquíferos. Algumas destas estruturas atuavam simultaneamente como sistema de captação e de condução. Augusta Emerita, capital da província da Lusitânia, conserva bons exemplos de estruturas deste género nas galerias subterrâneas que convergem para o aqueduto de San Lázaro, ou no ramal de Bobollón, que alimenta ao aqueduto de CornalvoAranda et al., 2006, pp. 501-503. Todas elas são construções de alvenaria abobadadas, edificadas com aparelhos que permitem filtrar a água sob álveo dos terrenos aluviais que percorrem e, conjuntamente, canalizam a água para a cidade. Em Portugal conhecem-se aquedutos em Bracara Augusta, Conimbriga, Ebora e Olisipo, bem como indícios que parecem indicar a sua presença em Aquae Flaviae, Ammaia, Civitas Igaeditanorum e Salacia, ainda que nestas últimas os restos actualmente visíveis sejam escassos ou praticamente inexistentesSÁNCHEZ LÓPEZ, Elena; MARTÍNEZ JIMÉNEZ, Javier – Los acueductos de Hispania. Construcción y abandono. Madrid: Fundación Juanelo Turriano, 2016..
Aquedutos da época romana Água Ápia