A eleição federal alemã de 2021 ocorreu em 26 de setembro de 2021 para eleger os membros do Bundestag. No mesmo dia, também foram realizadas eleições estaduais em Berlim e Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. O atual chanceler do país é Olaf Scholz.
Antecedentes
Eleição anterior
A eleição federal de 2017 foi realizada após uma grande coalizão de quatro anos entre a CDU/CSU e o SPD. Embora a CDU/CSU continuasse sendo o maior grupo parlamentar, tanto ela quanto o SPD sofreram perdas significativas. A liderança do SPD, reconhecendo o desempenho insatisfatório do partido após quatro anos no governo, anunciou que iria para a oposição. Com a CDU/CSU tendo se comprometido a não trabalhar com a AfD ou com A Esquerda antes das eleições, a única opção restante para um governo de maioria era uma coligação consistindo da CDU/CSU, FDP e os Verdes. Conversas exploratórias entre as partes foram realizadas nas seis semanas seguintes, embora em 20 de novembro o FDP tenha se retirado das negociações, citando diferenças irreconciliáveis entre as partes sobre migração e políticas de energia. A chanceler Angela Merkel consultou o presidente Frank-Walter Steinmeier, que implorou a todos os partidos que reconsiderassem a fim de evitar novas eleições.
Consequentemente, os social-democratas (SPD) e seu líder Martin Schulz manifestaram sua disposição de entrar em discussões por outro governo de coalizão com a CDU/CSU. A liderança do SPD votou para entrar em discussão exploratória em 15 de dezembro de 2017, e a maioria dos delegados do partido votou para apoiar as conversações de coalizão em um congresso do partido em janeiro de 2018. O texto do acordo final foi acordado entre a CDU/CSU e o SPD em 7 de fevereiro, embora estivesse condicionado à aprovação da maioria dos membros do SPD. Os 463.723 membros do SPD votaram para a aprovar ou rejeitar de 20 de fevereiro a 2 de março, com o resultado anunciado em 4 de março. Um total de 78,39% dos membros deram votos válidos, dos quais 66,02% votaram a favor de outra grande coligação. Merkel foi votada pelo Bundestag para um quarto mandato como chanceler em 14 de março, com 364 votos a favor, 315 contra, 9 abstenções e 4 votos inválidos - 9 votos a mais do que os 355 necessários para uma maioria. O novo governo foi oficialmente referido como o Quarto Gabinete Merkel.
Mudanças na liderança partidária e instabilidade política O novo governo de Merkel estava sujeito a intensa instabilidade. A crise do governo alemão de 2018 viu a aliança de longa data entre a CDU e a CSU ameaçar se dividir por causa da política de requerentes de asilo. O ministro do Interior e líder da CSU, Horst Seehofer, ameaçou minar a autoridade de Merkel fechando as fronteiras alemãs para requerentes de asilo registrados em outro país da União Europeia (UE). A divisão, eventualmente reparada após uma cúpula com países da UE, ameaçava derrubar o governo. Seehofer foi substituído como líder da CSU em uma conferência do partido em janeiro de 2019, embora tenha mantido sua posição como Ministro do Interior no Gabinete.
A própria Merkel anunciou que renunciaria ao cargo de líder da CDU na conferência do partido em dezembro de 2018 e renunciaria ao cargo de Chanceler da Alemanha nas eleições seguintes, após maus resultados nas eleições estaduais para a CSU na Baviera e para a CDU em Hesse. A candidata preferido de Merkel para a liderança do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer derrotou por pouco os rivais conservadores que se opunham à liderança de Merkel. No entanto, Kramp-Karrenbauer lutou para unificar as facções liberais e conservadoras do partido e, em fevereiro de 2020, anunciou sua intenção de deixar o cargo de líder da CDU e retirar seu interesse em concorrer como indicada do partido para chanceler na eleição. Uma convenção do partido para eleger um novo líder foi agendada para abril, mas foi adiada várias vezes devido à pandemia COVID-19. A eleição foi realizada em janeiro de 2021, com Armin Laschet, atual Ministro-Presidente da Renânia do Norte-Vestfália, vencendo com 52,8% dos votos dos delegados. Seu principal oponente foi Friedrich Merz, um crítico de longa data de Merkel, que ganhou 47,2%.
O outro partido do governo de coalizão, o SPD, também apresentava instabilidade de liderança. Após seu pior resultado nas eleições gerais desde 1945, o partido elegeu Andrea Nahles como seu líder em abril de 2018. Nahles já havia sido nomeado com sucesso como líder do grupo parlamentar do SPD. No entanto, ela não teve sucesso em melhorar as ações do partido, que continuou a cair nas pesquisas de opinião e foi bem derrotada pelo partido de centro-esquerda Aliança 90/Os Verdes nas eleições de 2019 para o Parlamento Europeu. Ela renunciou em 2 de junho de 2019, precipitando uma eleição de liderança para o SPD. Os candidatos progressistas Norbert Walter-Borjans e Saskia Esken derrotaram candidatos mais moderados e foram eleitos co-líderes pelos membros do partido. A eleição deles aumentou as perspectivas de colapso do governo de coalizão e convocação de eleições antecipadas, embora a Reuters tenha informado que a dupla buscaria chegar a um acordo com a CDU/CSU sobre o aumento dos gastos públicos, em vez de permitir o colapso do governo. Em agosto de 2020, o partido nomeou o vice-chanceler de Merkel, Olaf Scholz, como seu candidato a chanceler na eleição, apesar de Scholz ter perdido para Walter-Borjans e Esken na eleição de liderança do partido.
A Esquerda também passou por uma mudança de liderança, com Katja Kipping e Bernd Riexinger deixando o cargo após nove anos como co-líderes do partido. Eles foram sucedidos por Janine Wissler e Susanne Hennig-Wellsow em uma conferência do partido realizada digitalmente em 27 de fevereiro de 2021. Wissler é considerado um membro da ala mais à esquerda do partido, anteriormente alinhado com a facção de esquerda socialista, enquanto Hennig-Wellsow é considerado um moderado. Ambos apoiam a participação de seu partido no governo federal, particularmente Hennig-Wellsow, que desempenhou um papel importante no governo "vermelho-vermelho-verde" da Esquerda, SPD e Verdes no estado da Turíngia.
Os Verdes nomearam dois co-líderes em janeiro de 2018 (Annalena Baerbock e Robert Habeck) e subiram nas pesquisas de opinião, ficando em segundo lugar atrás da CDU/CSU nos três anos seguintes. O partido teve seus melhores resultados nas eleições de 2019 para o Parlamento Europeu, nas eleições para o estado de Hamburgo em 2020 e nas eleições para o estado de Baden-Württemberg em 2021.
Sistema eleitoral miniaturadaimagem|direita|alt=Cédula de votação para o Bundestag, do distrito 249 (Mein-Spessart), nas eleições de 26 de setembro de 2021.|Cédula de votação para o Bundestag, do distrito 249 (Meno-Spessart, Baviera), nas eleições de 26 de setembro de 2021. A Alemanha usa o sistema de representação proporcional mista (ou personalizada), que combina o voto distrital com o voto proporcional. O Bundestag possui 598 membros nominais, eleitos para mandatos de quatro anos. Esses assentos são distribuídos entre os dezesseis estados alemães, de acordo com o número de eleitores elegíveis de cada estado.
Cada eleitor dispõe de dois votos: direto e em legenda. Com o primeiro voto, ele escolhe o candidato que representa o seu distrito eleitoral, que comporá metade dos assentos do Parlamento alemão. A outra metade é definida pelo segundo voto, no partido. Esse segundo voto tem a função de determinar a forca de cada partido dentro do Bundestag. Esse segundo voto tem peso maior, pois define as relações de poder dentro do parlamento.
Os assentos são alocados usando o método de Sainte-Laguë e, apesar de o Parlamento Federal ter regularmente 598 deputados, o número pode aumentar. Isso acontece devido aos mandatos excedentes, que é quando um partido tem direito, através do segundo voto, a mais assentos. Para que os demais partidos também não sejam prejudicados, concede-se a eles também mandatos adicionais no mesmo percentual.
Para que um partido entre no Bundestag, ele precisa obter ao menos três assentos com o primeiro voto ou obter 5% do segundo voto em todo país. Em 2002, por exemplo, o Partido do Socialismo Democrático obteve 4% dos segundos votos em todo país. Por isso, o partido não entrou no Parlamento, mas dois candidatos foram eleitos pelo estado de Berlim. O mesmo se aplica a um candidato independente que ganhou em seu distrito eleitoral pelo primeiro voto, o que não acontecia desde 1949.
Caso o eleitor vote em seu distrito para um candidato independente ou em um candidato cujo partido não obtenha o número necessários de votos, seu segundo voto não contará para a representação proporcional. Os partidos que representam minorias nacionais reconhecidas (dinamarqueses, frísios, sorábios e ciganos) estão isentos da regra de 5%.
Data A Lei Fundamental da Alemanha e a lei eleitoral federal determina que as eleições devem ocorrer em um domingo ou em um dia de feriado nacional entre o 46º e 48º meses após a primeira sessão do Bundestag, a menos que o parlamento seja dissolvido antes. A primeira sessão da 19ª legislatura do Bundestag ocorreu em 24 de outubro de 2017. Por isso, apenas 9 datas estavam disponíveis para que as eleições fossem realizadas, dentre elas, o dia 3 de outubro de 2021, domingo e dia da unidade alemã.
O Presidente da Alemanha é o responsável por determinar o dia da eleição e, em 9 de dezembro de 2020, o presidente Frank-Walter Steinmeier determinou que as eleições de 2021 ocorressem em 26 de setembro.
Isso não impede, porém, que as eleições ocorrem antecipadamente. As eleições federais podem ser realizadas mais cedo, caso o Presidente dissolva o Bundestag e marque eleições antecipadas. Ele pode fazer isso, em dois cenários: caso o Bundestag não consiga eleger um Chanceler, com maioria absoluta até o 15º dia, após a primeira votação para eleição de um Chanceler; ou se o Chanceler perder o voto de confiança do Parlamento, e peça ao Presidente que dissolva o Bundestag, o que pode ou não ser aceito por ele. Em ambos os casos, as eleições devem ocorrer em um domingo ou feriado nacional, o mais tarde sessenta dias após a dissolução do parlamento.
Partidos A tabela abaixo relaciona os partidos atualmente representados no Bundestag. Nome Ideologia Candidato(s) Líder(es)partidário(s) Líder(es)parlamentar(es) Resultado 2017 19ª LegislaturaBundestag Assentos CDU/CSU CDU Democracia cristã Armin Laschet Armin Laschet Ralph Brinkhaus 26.8% CSU União Social-Cristã Markus Söder 6,2%* SPD Partido Social-Democrata Social-democracia Olaf Scholz Saskia EskenNorbert Walter-Borjans Rolf Mützenich 20.5% AfD Alternativa para a Alemanha Populismo de direita Alice WeidelTino Chrupalla Jörg MeuthenTino Chrupalla Alexander GaulandAlice Weidel 12.6% FDP Partido Democrático Liberal Liberalismo clássico Christian Lindner Christian Lindner Christian Lindner 10.7% A Esquerda A Esquerda Janine WisslerDietmar Bartsch Janine Wissler Amira Mohamed AliDietmar Bartsch 9.2% Verdes Aliança 90/Os Verdes Política verde Annalena BaerbockRobert Habeck Anton Hofreiter 8.9% Independentes(sem partido) - – Marco Bülow, Verena Hartmann, Lars Hermann, Uwe Kamann, Mario Mieruch, Georg Nüßlein, Frank Pasemann, Frauke Petry – – –
Candidatos principais miniaturadaimagem|alt=Olaf Scholz|Olaf Scholzminiaturadaimagem|Annalena Baerbockminiaturadaimagem|Armin Laschet Em 10 de agosto de 2020, o Partido Social-Democrata nomeou o então ministro das Finanças e vice-chanceler, Olaf Scholz, como seu principal candidato paras as eleições de 2021. Scholz, que já foi prefeito do estado de Hamburgo de 2011 e 2018, se candidatou a liderança do partido em 2019, sem sucesso. Porém, durante a conferência entre 8 e 9 de maio de 2021, ele obteve 96% dos votos e foi formalmente escolhido como candidato a chancelaria do país pelo SPD.