O Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ) é um sindicato português, filiado na CGTP-IN - Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional. Foi criado em 2012 para defender os direitos dos profissionais na área da arqueologia.

thumb|left|Fachada do antigo Hospital Miguel Bombarda. Descrição A função principal do sindicato é a defesa dos direitos e dos interesses dos profissionais ligados à arqueologia, como arqueólogos, desenhadores, antropólogos e conservadores-restauradores. Neste sentido, as suas funções incluem o desenvolvimento de iniciativas para a valorização profissional dos trabalhadores, como a defesa de salários mais justos, a formação de vínculos de trabalho, a organização de jornadas de greve, e promover a formação dos seus associados. Ao mesmo tempo, também deve ser responsável pela preservação da ética e dos deveres e os direitos do trabalho na área da arqueologia, e colaborar durante a tomada de decisões de grande importância, em termos de política laboral, cultural, educativa e científica.

Além de zelar pelos direitos dos trabalhadores de arqueologia, o STARQ também tem lutado pela preservação do património nacional, tendo por exemplo alertado para a situação do Hospital Miguel Bombarda, em 2016, e a vandalização das gravuras rupestres do Parque Arqueológico do Côa, em 2017.

Em 2021, a mesa da assembleia geral era presidida por Jacinta da Conceição Marques Bugalhão, sendo o vice-presidente Gonçalo Adriano Simões Gonçalves Lopes, e o secretário Luís Carlos Serrão Gil. Quanto à direcção nacional, o presidente era Regis Alves de Souza Barbosa, os vice-presidentes eram Sara Mendonça de Sousa Dias de Brito, Liliana Matias de Carvalho, Sara Teixeira Simões e Sónia Marques Gabriel, o lugar de tesoureiro era ocupado por Bruno Miguel Coelho da Rocha, o secretário era Sílvia Mariana Coelho Maciel, e os vogais eram Mauro Carlos Ribeiro Correia, Ana Raquel Gonzaga, Cézer Renato dos Santos e Richard Andrew Veríssimo Peace. Finalmente, o conselho fiscal era composto pelo presidente, Rui Carlos Silva Barros Ferreira Couto, pelo vice-presidente, Pedro Machado da Costa Florentino Peça, e pelo secretário: Gil Filipe Pepolim Vilarinho.

A 24 de Fevereiro de 2024 ocorre a eleição dos órgãos sociais do STARQ para o triénio 2024-2027. A mesa da assembleia geral é presidida por Jacinta da Conceição Marques Bugalhão, sendo a vice-presidente Sara Mendonça de Sousa Dias de Brito , e o secretário Rui Carlos Silva Barros Ferreira Couto. Quanto à direcção nacional, o presidente é Regis Alves de Souza Barbosa, as vice-presidentes são Ana Raquel Gonzaga, Ana Margarida Gonçalves Miguel e Adriana Miranda Gomes, o lugar de tesoureira é ocupado por Patrícia Filipa S. Guimarães, o secretário é Pedro Machado da Costa Florentino Peça, e os vogais são João Ricardo Rebuge Pereira, Maria Helena Lopes Barbosa, André Texugo Lopes, Sónia Marques Gabriel e Ana Jéssica Silva Mendonça. Finalmente, o conselho fiscal passa a ser composto pela presidente, Liliana Matias de Carvalho, pelo vice-presidente, Bruno Miguel Coelho da Rocha, e pelo secretário: Mauro Carlos Ribeiro Correia.

O Sindicato conta com um boletim informativo próprio, O Interface, originalmente denominado de O Colherim, publicado semestralmente, que serve de meio de comunicação com os trabalhadores da área da Arqueologia e do Património.

História Década de 2010 Em 20 de Março de 2010, foi realizada uma conferência no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, onde foram debatidas as várias modalidades de organização dos profissionais da arqueologia, tendo-se chegado ao consenso que deveria ser formado um sindicato especializado para os trabalhadores desta área. Assim, foi criado o Grupo de Trabalho Pró-Sindicato, que tinha como função promover a constituição da nova plataforma sindical, que incluiu a participação em várias sessões de esclarecimento e reuniões em diversos pontos do país. Desta forma, foi recolhido um conjunto de opiniões sobre as prioridades que o novo sindicato deveria ter, além de terem sido formadas as bases dos futuros estatutos da organização. Em 9 de Fevereiro de 2012, foi publicado o Manifesto de Apoio à Criação de um Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, que teve uma subscrição superior a trezentas pessoas, e em 24 de Março foi organizada a Assembleia Constituinte do Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, no Museu Nacional de Arqueologia, levando à constituição do sindicato. Depois foi feita a formalização da nova plataforma sindical, no Ministério da Economia e do Emprego e na Direcção-Geral e do Emprego e das Relações de Trabalho, tendo os estatutos sido lançados no Boletim do Trabalho e do Emprego, nos finais desse ano. Porém, devido à falta de consenso em relação a alguns artigos dos estatutos, estes foram remetidos ao Ministério Público pela Direcção-Geral e do Emprego e das Relações de Trabalho, levando a um processo no Tribunal do Trabalho, que foi concluído com a revisão dos estatutos em 24 de Janeiro de 2014.

Em 16 de Abril de 2015, o STARQ emitiu um comunicado em conjunto com os Sindicatos dos Trabalhadores de Espetáculos e dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual, onde criticou a estratégia cultural do governo, tendo-o acusado de ter a cultura como «a última das preocupações», e de ignorar os «criadores e trabalhadores da Cultura [...] na definição da política cultural», que eram substituídos por «economistas e gestores». Acusou igualmente o governo de querer destruir o Ministério da Cultura, através da «secundarização e o esvaziamento de meios políticos, humanos, técnicos e orçamentais». Entre Fevereiro e Abril de 2016, o Sindicato esteve reunido com os grupos parlamentares de vários partidos na Assembleia da República, tendo discutido assuntos como o envelhecimento dos quadros e a falta de condições de trabalho na área da arqueologia, as estratégias «mercantilistas e excludentes» do governo em relação à cultura, que davam uma maior prioridade às «receitas oriundas de bilheteira, afastando uma parcela da população que não pode pagar os valores praticados», e a progressiva alienação do património cultural, principalmente o caso do antigo Hospital Miguel Bombarda.

Em 30 de Maio de 2017, o Sindicato emitiu uma comunicação sobre o processo de descentralização de competências na gestão do património cultural, tendo voltado a alertar para a falta de financiamento, gerando problemas de vigilância e de conservação do património, tendo exemplificado com a recente vandalização de um dos painéis com gravuras rupestres do Parque Arqueológico do Côa, e o «estado de abandono» do património náutico e subaquático, que segundo o STARQ estava «na iminência de ser despejado e sem qualquer perspetiva para onde vá». Com efeito, em 7 de Julho desse ano criticou a situação problemática em que se encontrava o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, tendo alertado que o património daquela instituição estava em «sério risco» devido à mudança de instalações, e a inexistência de profissionais de conservação e restauro a trabalhar no centro, «apenas um arqueólogo e dois técnicos de arqueologia». Em Outubro desse ano, denunciou a proposta do Partido Socialista para o Orçamento de Estado de 2018, principalmente devido à «diminuição drástica de investimento» na cultura, e a «clara ausência de visão estratégica de futuro relativamente a um recurso nacional tão relevante como é o nosso Património Cultural», tendo-se ainda pronunciado sobre o reforço orçamental que estava previsto para o Parque do Côa, que classificou como «insuficiente» para garantir a «valorização integrada daquela infra-estrutura, prometida pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria de Estado da Ciência». Também nesse mês emitiu um comunicado sobre as alegadas violações aos direitos dos trabalhadores da empresa Crivarque, principalmente em termos de incumprimentos ou atrasos salariais. Em Dezembro de 2018 foi publicado o primeiro número do boletim informativo do STARQ, inicialmente conhecido como O Colherim.

Em Abril de 2019, o STARQ organizou uma greve dos trabalhadores de arqueologia da Direcção Geral do Património Cultural, em protesto contra a falta de meios humanos e materiais, e a degradação das condições de trabalho, tendo acusado aquele organismo de ignorar «os repetidos e cada vez mais veementes avisos dos trabalhadores que alertam os dirigentes para a insustentabilidade desta situação e para os riscos que comporta para o Património Arqueológico e para o trabalho de centenas de arqueólogos que atuam diariamente nas cidades e restante território do país». Em 29 de Julho daquele ano, o jornal Açoriano Oriental noticiou que o STARQ estava a fazer uma sondagem ao governo regional e dezanove autarquias dos Açores, de forma a determinar a situação dos profissionais de arqueologia no arquipélago, e os trabalhos que estavam a ser feitos. Segundo uma nota de imprensa do sindicato, esta intervenção tinha como finalidade «apoiar a defesa do património cultural açoriano, por via do incentivo à garantia de incremento e aumento dos recursos humanos regionais, na área da arqueologia», tendo declarado que estava disposto a «apoiar a consciencialização da Administração Pública da Região Autónoma dos Açores, de que o incentivo à fixação e contratação dos profissionais de arqueologia em particular, e dos profissionais das áreas do património cultural em geral, permite incrementar as boas práticas no setor». Em 24 de Novembro, o jornal Público noticiou que o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia tinha feito uma denúncia oficial junto da Brigada de Obras de Arte da Polícia Judiciária da Directoria de Lisboa, e da Direcção-Geral do Património Cultural, devido ao crescimento da prática do detectorismo, amadores e profissionais que utilizam detectores de metais para descobrir peças históricas. A dirigente do Sindicato, Jacinta Bugalhão, afirmou nessa altura que «além de a recolha do espólio ser feita de forma destrutiva, o consequente caminho dos artefactos é completamente desconhecido, sendo mais provável ficarem, de acordo com o que é relatado, retidos em colecções privadas ou serem vendidos para outros coleccionadores ou antiquários».

Década de 2020 Em Janeiro de 2020, o STARQ denunciou as condições ilegais em que se estava a fazer o trabalho voluntário no sítio arqueológico de Conímbriga, alegadamente sem qualquer tipo de apoio em termos de alimentação, transporte, alojamento, e sem seguro de acidentes de trabalho, e sem estar integrado num programa científico ou educacional. O sindicato classificou o caso como «gravíssimo» e desprestigiante para o trabalho voluntário em arqueologia, tendo-o apontado como um exemplo da «falta de rumo nas instituições dependentes do Ministério da Cultura», sendo uma situação mais grave por se tratar de um «sítio arqueológico de valor incalculável, classificado como Monumento Nacional, único museu monográfico deste tipo no país e com estatuto de museu nacional.».