Zlatan Ibrahimović (Malmo, 3 de outubro de 1981) é um ex-futebolista sueco de ascendência bósnia e croata que atuava como centroavante. Amplamente considerado o maior jogador sueco da história do futebol, exerce a função de dirigente e olheiro do Milan.

Considerado um dos maiores atacantes do mundo no seu auge, tinha como características o tamanho e a força para se impor nas defesas adversárias, além de possuir velocidade, habilidade e elasticidade incomuns em jogadores muito altos, que provavelmente são frutos da sua prática no taekwondo, modalidade na qual é faixa preta. Zlatan Ibrahimović está entre os vinte jogadores da história do futebol que fizeram mais de 500 gols oficiais na carreira, ficando em 13º lugar na lista de maiores artilheiros da história. Além de balançar as redes, o sueco também era conhecido por contribuir com muitas assistências.

Atrás de nomes como Neymar, Romelu Lukaku, Cristiano Ronaldo, e Ousmane Dembélé, Ibrahimović é um dos jogadores que mais movimentou dinheiro no futebol: a soma de suas transferências beira os 170 milhões de euros; ao ser emprestado ao Milan, o sueco alcançou o recorde que pertencia ao francês Nicolas Anelka. Ibra foi presença regular na lista do jornal inglês The Guardian dos 100 melhores jogadores do mundo: em 2012 esteve no quinto lugar; em 2013, foi considerado o terceiro melhor jogador do mundo; em 2014, o décimo terceiro; e em 2015 encerrou como o sétimo melhor jogador do mundo.

Foi classificado como quarto melhor jogador do mundo pela World Soccer em 2013. Está no seleto grupo de vencedores do Prêmio Golden Foot, recebido em 2012. Na distinção FIFA Ballon d'Or 2013, ganhou o Prêmio FIFA Ferenc Puskás, dado ao gol mais bonito do ano. Entrou na seleção do ano pela FIFPro e ficou classificado pela FIFA como quarto melhor jogador do mundo de 2013, com 5,29% dos votos.

Em 2012, o Conselho da Língua Sueca (Swedish Language Council) aceitou o termo "zlatanera", cunhado por um programa humorístico francês. A definição literal é “Ser Zlatan”. No sentido figurado, significa “dominar”.

Carreira Infância Na infância era um grande rebelde e desde cedo era fã de futebol: após o divórcio dos pais, ficou morando com Šefik, mas passava boa parte do dia em um campo na praça próxima à casa da mãe, Jurka. Um de seus ídolos futebolísticos era Marco van Basten, com quem passou a ser comparado."Os Craques da Copa 2006 - Zlatan Ibrahimović", Gian Oddi, Placar, novembro de 2005, Editora Abril, págs. 28-29 O maior deles, entretanto, era Ronaldo, cujos pôsteres enfeitavam o quarto do rapaz; em famoso vídeo que circulou na internet, Zlatan aparece vidrado de admiração no ídolo antes de um clássico entre Internazionale e Milan (onde jogava o brasileiro à época). Conseguiu conviver com o brasileiro também fora dos campos, com ambos tendo sido vizinhos do mesmo prédio em Milão.

Malmo A sua segunda equipe foi o FBK Flaag, um time de bairro ao qual chegou com dez anos e do qual saiu aos treze, quando conseguiu assinar pelo grande clube da sua cidade, o Malmö FF. Na época, chegou a ponto de pensar em abandonar o futebol depois de várias divergências com os treinadores.

Depois de uma breve passagem pelo Balkan, Zlatan ("dourado", em bósnio, e como ele prefere ser chamado – chegaria a usar seu prenome nas costas de sua camisa, em vez do sobrenome, nos primeiros dias de Ajax) voltou à sua antiga equipe com um novo contrato e com a determinação de acabar os seus estudos. Com 18 anos, chegou à equipe principal e firmou-se rapidamente, sendo o grande protagonista da volta do clube para a primeira divisão, na temporada 1999–00.

Testes no Arsenal Arsène Wenger viu nele um jovem promissor e pediu sua contratação aos diretores do clube que treinava, o Arsenal. Zlatan foi então convidado a passar por um período de testes no qual treinaria com o elenco dos Gunners para que fosse feita a sua avaliação. A resposta do jogador ao convite foi: "Zlatan não faz testes". Com a recusa do jogador ao período de testes no Arsenal, quem acabou o contratando foi o Ajax.

Ajax O então técnico do clube neerlandês, Leo Beenhakker, não hesitou em contratá-lo após vê-lo em jogo contra a Espanha, e a negociação de 18 milhões de euros já fazia dele o jogador sueco mais caro da história.

O processo de adaptação à competição da vida neerlandesa foi difícil. Era pouco aproveitado no começo em função de seu temperamento: em uma partida contra o Groningen, chegou a dar um soco no pescoço de um adversário, o que lhe valeu uma suspensão de cinco jogos. Depois do fracasso que foi a sua primeira temporada nos Países Baixos, a imprensa desportiva sueca denominou-o "jogador mais sobrevalorizado". Talvez daí tenha começado sua notória péssima relação com a imprensa de seu país.

Aos poucos foi se ajustando ao que o novo treinador do clube, Ronald Koeman, pretendia dele e finalmente ganhou seu espaço. A final da Copa dos Países Baixos de 2002, contra o Utrecht, consagrou Ibrahimović, ao conseguir marcar um gol de ouro aos três minutos da prorrogação e dar o título ao Ajax. Na mesma temporada, foi também campeão neerlandês. Zlatan melhorava jogo a jogo e não demorou muito para que grandes clubes europeus se interessassem pelo artilheiro. Sua saída em 2004, com outro título ganho na Eredivisie, seria um grande baque para o Ajax, que não ganhou mais o campeonato nacional e ainda viu o rival PSV Eindhoven conquistá-lo quatro vezes seguidas.

Sua passagem pelo Ajax é lembrada também por aquele que é julgado como o gol mais bonito de sua carreira, onde fintou quatro jogadores adversários do NAC Breda (um duas vezes) e deixou o goleiro no chão antes de finalizar.

Juventus No verão de 2003, a pedido do então técnico Fabio Capello, a Roma tentou contratá-lo, mas o Ajax ainda não estava disposto a cedê-lo. Depois de uma boa Euro 2004, onde marcou belíssimo gol de calcanhar contra a Itália, foi contratado pela Juventus (que contratara Capello) no último dia de mercado antes do início da temporada 2004–05, por cerca de 19 milhões de euros e também graças a uma suposta intervenção do próprio atleta, que teria forçado sua saída do clube neerlandês. As expectativas em torno de Ibrahimović, entretanto, eram de que ele passasse a temporada na reserva dos astros Alessandro Del Piero e David Trezeguet.

Beneficiando-se das lesões do último e desbancando o primeiro, Ibra foi além das expectativas, sendo o artilheiro da Juventus na reconquista do campeonato, que na temporada anterior ficara com o Milan. Foi também eleito pelo jornal La Gazzetta dello Sport o melhor jogador da equipe na campanha e tornando-se estrela mundial. Recebeu ainda uma proposta (recusada) do Real Madrid.

Após a excelente temporada inicial, não foi tão espetacular na seguinte, frequentando o banco de reservas por problemas com o técnico Fabio Capello, marcando apenas seis vezes em 33 partidas;"Confiantes, mas muito desconfiados", Especial Placar - Guia da Copa 2006, maio de 2006, Editora Abril, pág. 46 ainda assim, adicionou um bicampeonato no currículo, título que fez da Juve ficar a um título da marca de 30 no campeonato, o que lhe permitiria ser o único clube com três estrelas na Itália (onde uma estrela simboliza dez Scudetti) — já era o único que possuía duas.

Entretanto, um escândalo de manipulação de resultados em favor da Juventus resultou na "cassação" dos dois títulos e no rebaixamento do clube à segunda divisão, onde até então jamais havia estado (era um dos dois clubes italianos que nunca haviam caído para a Serie B, ao lado da maior rival, a Internazionale).

Internazionale miniatura|250px|Ibrahimović atuando pela Internazionale, com o então colega de equipe Mario Balotelli

Com o rebaixamento de seu time, Zlatan começou a negociar com o Milan, órfão do ídolo Andriy Shevchenko, recém-saído para o Chelsea."Boatos, rumores e especulações", Trivela.com Quando estava praticamente acertado com os rossoneri, entretanto, a rival Internazionale atravessou a transferência em agosto e o comprou primeiro,"Em estado de graça", Cassiano Ricardo Gobbet, Trivela número 24, fevereiro de 2008, Trivela Comunicações, pág. 48-49 juntamente com seu ex-colega de Juventus Patrick Vieira.

Indo para um clube que é igualmente rival de seu anterior, causou a fúria dos torcedores juventinos, ainda mais por a Inter ter herdado na justiça o último título dos bianconeri e tornado-se a nova força dominante do futebol italiano. Beneficiada pela punição aos rivais - a Juventus fora rebaixada, e Milan, Lazio e Fiorentina começariam a nova temporada com pontos negativos -, a Inter conseguiu ser campeã com facilidade, ainda que sem tanto brilho do sueco; em seus primeiros meses na nova equipe, teve partidas irregulares, sendo ofuscado no ataque interista pelo mais limitado Julio Cruz."Pagou, mas não levou", Tomaz R. Alves, Trivela número 11, janeiro de 2007, Pool Editora, pág. 38

Foi na segunda temporada em Milão que Ibrahimović triunfou, tornando-se o mais decisivo jogador do clube: enquanto esteve de fora dos gramados por lesão no primeiro semestre de 2008, os nerazzurri deixaram a Roma alcançá-los na tabela, ameaçando o terceiro título seguido na Serie A. A decisão ficou para a última rodada, quando Ibra voltou a jogar, entrando no segundo tempo. Mesmo ainda em recuperação, marcou os dois gols da vitória interista — o primeiro deles dez minutos após ter entrado — sobre o Parma, que garantiu o tri.

Foi novamente o grande destaque da Inter na temporada 2008–09, em que o time terminou tetracampeão por antecipação, igualando-se aos 17 títulos do rival Milan no campeonato. Embora o clube tenha novamente fracassado na Liga dos Campeões, o sueco eslavo teve outro motivo para comemorar: conseguiu pela primeira vez a artilharia de um torneio, no campeonato.

Barcelona miniatura|esquerda|160px|Ibrahimović no dia em que marcou seu primeiro gol pelo Barcelona, contra o Sporting Gijón

Os seguidos fracassos da Inter na Liga dos Campeões, entretanto, deixavam-no insatisfeito, diminuindo suas chances de ser reconhecido oficialmente entre os melhores do mundo. Em julho de 2009, Ibrahimović acertou então sua ida para o recém-campeão do torneio, o Barcelona, em uma troca com dois jogadores dos blaugranas, Samuel Eto'o e Alyaksandar Hleb. Na negociação, o clube espanhol desembolsou cerca de 68 milhões de euros: pagou 45 milhões à Inter, cedeu os direitos federativos do camaronês (20 milhões) e o empréstimo do bielorrusso por uma temporada (posteriormente, Hleb optaria por ir ao Stuttgart, obrigando o Barça pagar mais 3 milhões de euros).

Marcou seu primeiro gol pelo clube catalão no dia 31 de agosto, quando o Barcelona venceu o Sporting Gijón por 3–0. Ibra manteve boa média de gols e não decepcionou em seu primeiro clássico contra o galáctico Real Madrid: substituiu Thierry Henry no decorrer da partida e em um minuto marcou o gol da vitória por 1–0 que fez o Barça ultrapassar o rival na liderança da La Liga.

Apesar da boa média de gols e por ter conquistado o título espanhol, sua primeira temporada acabaria ofuscada, não demonstrando no Barcelona o mesmo protagonismo que exercia na Inter de Milão, papel que coube ao colega Lionel Messi, eleito o melhor do mundo no período. Para piorar, na Liga dos Campeões da UEFA o Barcelona acabaria eliminado justamente pela Inter - que, ainda por cima, conseguiria ser campeã na primeira tentativa sem o sueco, no torneio que ele tanto almeja conquistar. Envolveu-se em uma polêmica com Josep Guardiola, chegando a discutir de maneira calorosa com o treinador no intervalo de um jogo contra o Villarreal. Logo depois foi oficializada a contratação de David Villa, outro duro golpe para Ibra (que já tinha de disputar posição com a revelação Pedro), alimentando rumores oficializados de negociações para um retorno à Milão, desta vez para defender o Milan.

Milan miniatura|180px|Ibrahimović em sua primeira passagem pelo Milan