thumb|right|250px|Joe Biden realiza seu primeiro discurso como Presidente dos Estados Unidos perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2021. A Política externa do governo Joe Biden refere-se à forma como foi conduzida a política externa dos Estados Unidos ao longo da Presidência de Joe Biden, desde sua posse em 20 de janeiro de 2021 até o fim de seu mandato presidencial em 20 de janeiro de 2025. A política externa de Biden enfatizou a reparação das alianças estratégicas dos Estados Unidos que haviam sido alteradas ou danificadas durante a Presidência de Donald Trump (2017-2021) com o objetivo principal de reposicionar o país na "posição de liderança confiante" entre as demais democracias do mundo contemporâneo, eventualmente se contrapondo à hegemonia geopolítica de China e Rússia.

Como presidente, Biden - filiado ao Partido Democrata - buscou ampliar e fortalecer a aliança transatlântica entre os Estados Unidos e a União Europeia e reafirmar o compromisso de liderança estadunidense para com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) visando a manutenção da paz em todos os países aliados. Como parte de uma integração com os demais setores de seu governo, Biden buscou imediatamente recolocar o país no Acordo de Paris (que vinha sendo severamente criticado por seu antecessor) e têm avançando em medidas rígidas de combate às mudanças climáticas. A Administração Biden, como um todo, enfatizou a cooperação internacional nos campos da ciência e infraestrutura no enfrentamento à corrente pandemia de COVID-19 e seus efeitos socioeconômicos; bem como a defesa de seu país contra os frequentes ataques cibernéticos e espionagem.

Antes de assumir a presidência dos Estados Unidos, Joe Biden integrou a equipe de política externa do governo Barack Obama de 2009 a 2017 na condição de Vice-presidente e também havia liderado o Comitê de Relações Externas do Senado dos Estados Unidos por mais de uma década.

História Nomeações de gabinete

+ Equipe de Política externa da Administração Biden (2021–2025) Cargo Imagem Nome Formação Histórico Partido 40px|Vice-presidenteVice-presidente 100px|Kamala Harris Kamala Harris Direito Senadora pela Califórnia Democrata 40px|Secretário de EstadoSecretário de Estado 100px|Antony Blinken Antony Blinken Direito Vice-Secretário de Estado dos Estados Unidos 40px|Secretário de DefesaSecretário de Defesa 100px|Lloyd Austin Lloyd Austin Gestão empresarial Comandante do Comando Central dos Estados Unidos 40px|Diretor de Inteligência NacionalDiretor de Inteligência Nacional 100px|Avril Haines Avril Haines Direito Conselheira-adjunta de Segurança Nacional 40px|Agência Central de InteligênciaDiretor da Agência Central de Inteligência 100px|William J. Burns William Burns História Vice-Secretário de Estado dos Estados Unidos 40px|Representante Permanenteàs Nações Unidas 100px|Linda Thomas-Greenfield Linda Thomas-Greenfield Administração Secretária de Estado para a África 40px|Representante do ComércioRepresentante do Comércio 100px|Katherine Tai Katherine Tai História

Américas thumb|right|250px|No Salão Oval, Biden conversa por telefone com o Presidente mexicano López Obrador em janeiro de 2021. Canadá Em 22 de janeiro de 2021, Biden realizou seu primeiro contato diplomático com um líder estrangeiro quando de sua ligação ao Primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau. A ligação sucedeu ao anúncio de Biden do cancelamento do Oleoduto de Keystone. Biden explicou que mantinha um compromisso de campanha e restauraria uma decisão da Administração Obama mesmo sabendo dos prejuízos causados ao país vizinho. Os dois líderes também discutiram a pandemia de COVID-19 e a recuperação econômica da região, além de mudanças climáticas, a posição da OTAN no mundo contemporâneo e relações bilaterais. Em sua primeira coletiva de imprensa, a Secretária de Imprensa da Casa Branca Jen Psaki destacou que o foco das relações internacionais seria com "amigos e aliados" dos Estados Unidos: "Acredito que as primeiras ligações serão com parceiros e aliados. Ele acredita que é importante reconstruir tais relações."

O primeiro encontro bilateral entre Biden e Trudeau ocorreu em 23 de fevereiro de 2021 virtualmente. Na ocasião, os líderes discutiram o impacto da pandemia de COVID-19, mudanças climáticas, o caso da detenção dos "Dois Michaels" pelo governo chinês e igualdade de gênero.

México

Em 22 de janeiro de 2021, Biden realizou o primeiro contato presidencial com o Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador. Na ocasião, os líderes discutiram assuntos regionais como reduzir a imigração ilegal na Fronteira Estados Unidos-México através de políticas que visam as causas diretas da questão. Segundo Obrador, a ligação foi "respeitosa e agradável" e as relações entre os dois países iria progredir no futuro.

Cuba

thumb|right|250px|Biden e membros do Congresso dos Estados Unidos discutem as relações cubano-americanas, em maio de 2022. O governo Biden manteve as sanções contra Cuba estabelecidas pelo governo de seu antecessor contrariando uma de suas promessas durante a campanha presidencial de 2020.

Em junho de 2021, Biden manteve a tradição norte-americana de votar contra uma resolução anual da Assembleia Geral das Nações Unidas que solicita o fim do embargo econômico contra Cuba. No entanto, a resolução foi adotada pela 29ª vez com 184 votos a favor, três abstenções e os dois votos contra de Estados Unidos e Israel.

Em julho de 2021, manifestantes se reuniram em frente à Casa Branca e pediram a intervenção do governo estadunidense em Cuba. Biden impôs novas sanções a um alto funcionário do governo cubano e uma unidade de forças especiais do governo conhecida como "Boinas Negras" por "abusos de direitos humanos" ao reprimir violentamente a onda de protestos históricos na ilha. Em 22 de julho de 2021, pouco antes de sediar uma reunião com líderes cubano-americanos, Biden declarou: "Condeno inequivocamente as detenções em massa e os julgamentos simulados que condenam injustamente à prisão aqueles que ousaram falar em um esforço para intimidar e ameaçar o povo cubano em silêncio." Biden também ordenou que especialistas do governo desenvolvessem ideias para que os Estados Unidos estendessem unilateralmente o acesso à internet na ilha e prometeu aprofundar o apoio aos dissidentes cubanos.

Brasil e América do Sul

thumb|left|250px|Biden foi um forte crítico da política ambiental do Governo Bolsonaro o que contribuiu para um notável afastamento ideológico entre os dois países. Desde o período de campanha presidencial, o governo de Jair Bolsonaro mostrou-se favorável à reeleição de Donald Trump, por vezes criticando a campanha de Biden. Em junho de 2020, as relações políticas entre os dois países chegou a um ponto desconfortável quando a Câmara dos Representantes emitiu uma nota oficial pedindo que membros do governo brasileiro ficassem "de fora das eleições americanas". Em setembro do mesmo ano, durante o primeiro debate presidencial, Biden citou o Brasil como "exemplo negativo" para o mundo no enfrentamento da pandemia de COVID-19 e sugeriu sanções contra o país em caso do contínuo desmatamento da Amazônia. Diante das crescentes críticas de Biden à política ambiental adotada por seu governo, Bolsonaro elevou o tom crítico contra o já presidente-eleito afirmando que "quando acabar a saliva, tem pólvora". Desde sua posse, Biden têm mantido o tom crítico quanto a política ambiental de Bolsonaro, sendo que o líder brasileiro foi o último governante de um país em regime democrático a cumprimentar o político estadunidense por sua vitória eleitoral. thumb|right|250px|Segundo a maior parte dos analistas políticos, os dois países se reaproximaram após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2022. Em relação à crise política na Venezuela, Biden manteve o tratamento rígido de seus antecessores, continuando a reconhecer o líder oposicionista Juan Guaidó como "presidente legítimo" do país e recusando-se a negociar diretamente com o governo de Nicolás Maduro. O Departamento de Estado dos Estados Unidos enfatiza continuamente desde então que "Maduro é um ditador" e que a repressão e corrupção do regime criaram uma "catástrofe humanitária". O governo Biden indicou recentemente não haver chances de suspender os embargos contra a Venezuela, mas poderia aliviar algumas sanções caso Maduro "tome passos sérios" para negociar com seus opositores. Biden continua defendendo o apoio humanitário ao países. No início de março de 2021, Biden garantiu apoio de 18 meses para venezuelanos que estivessem refugiados em território estadunidense.

Ásia Leste Asiático China e Taiwan

thumb|right|250px|Comitiva liderada pelo Secretário de Estado Antony Blinken se reúne com representantes da República Popular da China, em Anchorage (Alasca), março de 2021. Desde a fase de campanha presidencial, Biden têm criticado duramente o governo da República Popular da China como "profundamente autoritário" e acusando-o de "roubar mais de 1 milhão" de empregos manufaturados dos estadunidenses, quebrando regras comerciais internacionais e promovendo subsídios injustos às corporações chinesas além de se apropriar de propriedade intelectual dos Estados Unidos. A Administração Biden optou por manter as tarifas impostas por Trump ao país asiático. Biden afirmou que passou mais tempo em reuniões privadas com o líder chinês Xi Jinping do que com qualquer outro líder mundial atual e criticou o líder como "um rapaz que não possui um menor osso democrático em seu corpo". Janet Yellen, atual Secretária do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou que o governo Biden aplicaria "todos os mecanismos possíveis" contra "práticas abusivas" da China. O Secretário de Estado Antony Blinken, por sua vez, caracterizou a China como "uma tecno-autocracia" que busca o domínio global e ofereceu refúgio a políticos e dissidentes do regime. O governo Biden também têm afirmado fortemente seu apoio à defesa de Taiwan e que um eventual ataque de Pequim à ilha "seria um grave erro". O Representante de Taiwan nos Estados Unidos, Hsiao Bi-khim, foi convidado a comparecer à posse de Joe Biden sendo o primeiro oficial da República da China a participar de um evento oficial estadunidense de tal relevância.

Coreia do Sul

thumb|left|250px|Biden recebe o Presidente sul-coreano Moon Jae-in na Casa Branca, maio de 2021. Em seu primeiro telefonema em 3 de fevereiro de 2021, Biden e o Presidente sul-coreano Moon Jae-in concordaram em fortalecer a cooperação regional entre o Japão, os Estados Unidos e a Coreia do Sul em questões relevantes como as crescentes relações entre Coreia do Norte e China e a importância de ampliar as ligações entre os governos japonês e sul-coreano. Em março de 2021, os dois países partilharam um acordo em que a Coreia do Sul aumenta seus repasses aos Estados Unidos em 1 bilhão de dólares (cerca de 13%). O acordo Estados Unidos-Coreia do Sul resolveu uma crise herdada do governo Trump, que havia cancelado também por tempo indeterminado os exercícios militares conjuntos entre os dois países. Moon foi o segundo líder estrangeiro a encontrar pessoalmente Biden, quando de sua visita à Casa Branca em 21 de maio de 2021.

Japão

thumb|right|250px|Biden recebe o Premiê japonês Yoshihide Suga no Salão Oval, abril de 2021. Em seu primeiro telefonema em 27 de janeiro de 2021, Biden o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga reafirmaram o compromisso dos Estados Unidos com a aliança de defesa japonesa, incluindo o reforço do Tratado de Cooperação Mútua e Segurança, firmado em 1960 entre as duas nações. Na ocasião, o presidente estadunidense também se comprometeu mais uma vez a proteger as Ilhas Senkaku em caso de intervenção direta da China. Suga tornou-se o primeiro líder estrangeiro a cumprimentar pessoalmente Biden quando de sua visita oficial à Casa Branca em 16 de abril de 2021.

Myanmar