As eleições legislativas portuguesas de 2022, também designadas por eleições para a Assembleia da República, realizaram-se antecipadamente a 30 de janeiro de 2022 e constituíram a XV Legislatura da Assembleia da República. O Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, liderado pelo primeiro-ministro António Costa, venceu as eleições, atingindo a maioria absoluta. Foi apenas a segunda vez que o PS alcançou tal feito desde a redemocratização, tendo a primeira sido em 2005.

Em 27 de outubro de 2021, a proposta do XXII Governo Constitucional de Orçamento do Estado para 2022 foi chumbada na Assembleia da República. A proposta teve o voto a favor do PS, a abstenção do Pessoas–Animais–Natureza (PAN) e das duas deputadas não inscritas, e o voto contra de todos os restantes partidos com representação parlamentar à esquerda, do Partido Comunista Português (PCP), Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), Bloco de Esquerda (B.E.), e à direita, do Partido Social Democrata (PPD/PSD), CDS – Partido Popular (CDS–PP), Iniciativa Liberal (IL) e Chega (CH). Como o PS não tinha maioria na Assembleia da República, estava, desde 2015 (em que vencera as eleições à coligação de direita, mas sem maioria), dependente dos partidos de esquerda (B.E., PCP e PEV) para fazer aprovar os orçamentos; o de 2022 era o primeiro que estes partidos haviam decidido rejeitar.

Na sequência da reprovação do orçamento, o primeiro na história da Terceira República, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa anunciou publicamente, no dia 4 de novembro, a marcação de eleições para o dia 30 de janeiro de 2022. A 5 de dezembro de 2021, decretou oficialmente a decisão. De acordo com a Constituição da República Portuguesa, é necessária a realização de eleições nos sessenta dias seguintes à dissolução do Parlamento.

A vitória do PS deu origem ao XXII Governo Constitucional, que com maioria absoluta passou a governar sem necessidade de entendimentos com os partidos à sua esquerda.

Contexto miniaturadaimagem|220x220px|Logótipo oficial da eleição.

Votação durante a pandemia Estas eleições, que foram o quarto ato eleitoral — depois das eleições dos Açores de 2020, das presidenciais de 2021 e das autárquicas do mesmo ano — a acontecer em Portugal desde o início da pandemia de COVID-19 no país, aconteceram durante a quinta vaga da pandemia em território nacional, que se caracterizava por ter a variante ómicron do SARS-CoV-2 como variante predominante e que foi a vaga mais disseminada em termos de números de infetados (embora não tenha tido a gravidade das vagas anteriores e, nomeadamente da terceira vaga, que aconteceu entre janeiro e março de 2021). Assim sendo, até 19 de janeiro de 2022, a informação oficial era de que as pessoas em confinamento ou isolamento devido à COVID-19 e outros impedidos de se deslocar à assembleia de voto no dia principal do ato eleitoral, como utentes de lares ou presos, poderiam pedir entre 20 e 23 de janeiro a recolha do respetivo voto na morada onde se encontram a cumprir confinamento, o que ocorreu em 25 e 26 de janeiro. Porém, isto impediria de votar todos os eleitores que ficassem isolados a partir do dia 24.

A 19 de janeiro de 2022, a ministra da Administração Interna Francisca Van Dunem e a diretora-geral da Saúde Graça Freitas anunciaram que os eleitores em isolamento profilático devido à COVID-19 poderiam sair de casa para votar no dia 30 de janeiro, na sequência de um parecer jurídico que o Governo tinha pedido ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República. Independentemente de estarem infetados ou não, o governo e a Direção-Geral da Saúde recomendaram que as pessoas em situação de isolamento profilático votassem entre as 18h e as 19h desse mesmo dia, sem necessidade de apresentarem qualquer declaração relativa ao referido isolamento, e que apenas saíssem para exercer o seu direito de voto. Nas outras três eleições que haviam ocorrido durante a pandemia, não se tinha tomado esta decisão.

Naquele parecer, o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, após o Governo lhe ter perguntado que valor jurídico deveria prevalecer (a proibição de sair de casa decorrente do risco de contágio, ou o direito universal ao voto), respondeu que "não pode ser imposta aos eleitores sujeitos a confinamento a privação do direito de sufrágio" e anunciou que considera urgente rever a legislação eleitoral, alegando que o regime legal vigente "não harmonizou em termos adequados" o direito ao voto dos eleitores em confinamento obrigatório. Entretanto, já a Comissão Nacional de Eleições tinha também emitido a mesma opinião jurídica.

Votação antecipada Os eleitores puderam votar antecipadamente, o que aconteceu a uma semana antes do dia das eleições, a 23 de janeiro de 2022. Os eleitores tiveram de se registar para poderem votar mais cedo, entre 16 e 20 de janeiro de 2022. Pediram para votar antecipadamente eleitores, um número abaixo das expectativas, dado que o governo esperava uma maior percentagem de eleitores a solicitar uma votação antecipada."Voto antecipado. Inscrições "muito aquém do esperado", lamenta Governo", RTP, 21 January 2022. A 23 de janeiro, eleitores (90,5% dos eleitores que solicitaram) votaram mais cedo."Mais de 285 mil votaram antecipadamente para as legislativas. 90% dos inscritos", Jornal de Negócios, 26 January 2022.

Partidos Com representação parlamentar Os partidos ou coligações que obtiveram deputados na Assembleia da República nas eleições legislativas de 2019 e que contestaram a eleição foram os seguintes: PartidoSiglaLíderIdeologiaEspectroCírculos eleitoraisN.º de DeputadosPartido SocialistaPSAntónio CostaSocial-democraciaProgressismoKeynesianismoCentro-esquerdaTodosPartido Social DemocrataPPD/PSDRui RioConservadorismo liberalCentro-direita aDireitaTodosBloco de EsquerdaB.E.Catarina MartinsSocialismo democráticoEsquerda TodosCDU – Coligação Democrática Unitária Partido Comunista Português Partido Ecologista "Os Verdes"PCP–PEVJerónimo de SousaMarxismo-leninismoEcossocialismoEsquerda TodosCDS – Partido PopularCDS–PPFrancisco Rodrigues dos SantosDemocracia cristãConservadorismoDireitaTodosPessoas–Animais–NaturezaPANInês Sousa RealAmbientalismoDireitos dos animaisCentro-esquerdaTodosChegaCHAndré VenturaConservadorismo nacionalDireita radicalPopulismo de direita Direita Extrema-direitaTodosIniciativa LiberalILJoão Cotrim de FigueiredoLiberalismo clássicoLiberalismo económico LibertarianismoDireitaTodosLivreLLiderança coletivaEcossocialismoProgressismoCentro-esquerda aEsquerdaTodos

Sem representação parlamentar Os partidos ou coligações que não obtiveram deputados na Assembleia da República nas eleições legislativas de 2019 e que contestaram a eleição foram os seguintes: PartidoSiglaLíderIdeologiasEspectroCírculos eleitoraisAliançaAJorge Nuno de SáConservadorismo fiscalLiberalismo económicoDireitaBraga, Coimbra, Lisboa, Porto, Viana do Castelo, Açores, Europa e Fora da EuropaPartido Comunista dos Trabalhadores PortuguesesPCTP/MRPP—ComunismoMaoísmoExtrema-esquerdaAveiro, Beja, Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Açores e EuropaReagir Incluir ReciclarR.I.R.Vitorino SilvaHumanismoPacifismoAmbientalismoSincréticoTodosErgue-teEJosé Pinto CoelhoNacionalismo portuguêsAnti-imigraçãoExtrema-direitaTodosPartido da TerraMPTPedro Soares PimentaConservadorismo verdeLiberalismo verdeEcocapitalismoCentro a Centro-direita TodosNós, Cidadãos!NCJoaquim Rocha AfonsoLiberalismo socialCentro-direita Castelo Branco, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Vila Real, Viseu, Europa e Fora da EuropaAlternativa Democrática NacionalADN Bruno Fialho Conservadorismo nacional Conservadorismo socialExtrema-direitaAveiro, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Viseu, Açores, Madeira, Europa e Fora da EuropaJuntos pelo PovoJPPÉlvio SousaCatch-all partyRegionalismoCentro-esquerdaAveiro, Braga, Lisboa, Porto, Setúbal e MadeiraPartido Popular MonárquicoPPMGonçalo da Câmara PereiraMonarquismoAgrarianismoDireitaAçores e MadeiraPartido Trabalhista PortuguêsPTPAmândio MadalenoSocialismo democráticoTrabalhismoCentro-esquerda a EsquerdaTodos exceto Aveiro, Bragança, Coimbra, Viana do Castelo, Vila Real e AçoresMovimento Alternativa SocialistaMASRenata CambraSocialismoTrotskismoEsquerda a Extrema-esquerdaTodosVolt PortugalVPTiago Matos GomesFederalismo europeuProgressismoCentro a Centro-esquerdaTodos exceto Bragança, Castelo Branco e Madeira

Dos partidos registados no Tribunal Constitucional apenas o Partido Unidos dos Reformados e Pensionistas (PURP) não apresentou candidatura a estas eleições.

Círculos eleitorais Com representação parlamentar Círculo eleitoralPSPPD/PSDB.E.PCP–PEVCDS–PPPANCHILLAveiroPedro Nuno SantosAntónio Topa GomesMoisés FerreiraAdelino NunesMartim Borges de FreitasRui AlvarengaJorge Valsassina GalveiasCristiano SantosJoana FilipeBejaPedro do CarmoHenrique SilvestreJosé EstevesJoão DiasFrancisco PalmaLuís VicenteAna MoisãoAna Paula PereiraJoão Aiveca CaseiroBragaJosé Luís CarneiroAndré Coelho LimaJosé Maria CardosoTorcato RibeiroPaulo Areia de CarvalhoRafael PintoFilipe MeloRui RochaTeresa MotaBragançaJoão Sobrinho TeixeiraAdão SilvaAndré Xavier FerreiraJoana MonteiroAntónio Lemos MendonçaOctávio PiresJorge PiresTeresa AguiarMaxim JaffeCastelo BrancoAna AbrunhosaCláudia AndréCristina GuedesJorge FaelMaria Inês AmaralAmália CardosoJoão Dias RibeiroDiogo OliveiraStela LourençoCoimbraMarta TemidoMónica QuintelaJosé Manuel PurezaManuel Pires da RochaJorge Alexandre AlmeidaJoão Pedro CostaPaulo RalhaOrlando Monteiro da SilvaRui MamedeÉvoraLuís Capoula SantosSónia RamosBruno MartinsJoão OliveiraAna Costa FreitasAlexandra MoreiraAdalberto FigueiredoMaria CabralGlória FrancoFaroJamila MadeiraLuís GomesJosé GusmãoCatarina MarquesJosé Pedro CaçorinoAna PoetaPedro PintoCláudia VasconcelosMarta SetúbalGuardaAna Mendes GodinhoGustavo DuartePedro CardosoAndré SantosJoão Mário AmaralBeatriz SalafrancaJosé MarquesÂngelo Videira dos SantosMargarida BordaloLeiriaAntónio Lacerda SalesPaulo Mota PintoRicardo VicenteHeloísa ApolóniaAntónio Galvão LucasLiliana VieiraGabriel Mithá RibeiroDário FlorindoFilipe HonórioLisboaAntónio CostaRicardo Baptista LeiteMariana MortáguaJerónimo de SousaLíder do Partido Comunista Português.Francisco Rodrigues dos SantosInês Sousa RealAndré VenturaJoão Cotrim de FigueiredoRui TavaresPortalegreRicardo PinheiroJoão Pedro LuísCecília CarrilhoHelena NevesBruno BatistaJorge AlcobiaJúlio PaixãoCarlos RoquetteFrancisco BiscainhoPortoAlexandre QuintanilhaSofia MatosO presidente do PPD/PSD, Rui Rio, é o segundo da lista.Catarina MartinsDiana FerreiraFilipa Correia PintoBebiana CunhaRui AfonsoCarlos Guimarães PintoJorge PintoSantarémAlexandra LeitãoIsaura MoraisFabíola CardosoAntónio FilipePedro MeloMónica SilvaPedro FrazãoAna RodriguesSandro Miguel SantosSetúbalAna Catarina MendesNuno CarvalhoJoana MortáguaPaula SantosCecília Anacoreta CorreiaVítor PintoBruno NunesJoana CordeiroPaulo MuachoViana do CasteloTiago Brandão RodriguesJorge MendesLuís LouroJoaquim Celestino RibeiroJoana MendesMiguel QueirósManuel RegoIvone MarquesFilipe Faro da CostaVila RealFrancisco RochaArtur Soveral AndradeEnara TeixeiraJosé Miguel FernandesVítor PimentelJosé CastroManuela TenderJoana Magalhães FerreiraJoão Luís SilvaViseuJoão AzevedoHugo CarvalhoManuela AntunesAlexandre Hoffmann CastelaManuel MarquesCarolina AlmeidaJoão TillySérgio FigueiredoMiguel WonAçoresFrancisco CésarPaulo MonizJéssica PachecoJudite BarrosPaulo MonizAna TeixeiraJosé PachecoPedro FerreiraJosé AzevedoMadeiraCarlos João PereiraSérgio MarquesLuísa SantosHerlanda AmadoSérgio MarquesJoaquim SousaMartinho GouveiaDuarte GouveiaTiago CamachoEuropaPaulo PiscoMaria Ester VargasMaria Teresa SoaresJoana de Abreu CarvalhoFrancisca SampaioRogério CastroJoão BatistaCarolina DinizNatércia LopesFora da EuropaAugusto Santos SilvaAntónio Maló de AbreuMiguel HelenoDulce KurtenbachRahim AhmadNelson AbreuJosé Dias FernandesNuno GaroupaGeiziely FernandesFontes