thumb|253px|Fruto de guaraná (Zona Rural de Ariquemes - RO) O guaraná , comumente chamado guaranazeiroFERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.873 e uaraná, é um cipó originário da Amazônia. É encontrado no Brasil, Peru, Colômbia, Guiana e Venezuela, sendo cultivado principalmente no município de Maués, estado do Amazonas, e na Bahia. Pertence a família Sapindaceae.
O guaraná é também conhecido no país pelos nomes populares guaraná-da-amazônia, guaranaina, narana, cupana, guanáyuba, varaná, paulínia, narazazeiro, guaraná-uva, naranajeiro, guaraná-cipó, naraná, guaranaúva ou uaraná.
Etimologia O nome Paullinia foi atribuído por Lineu ao género a que pertence o guaraná em homenagem ao médico e botânico alemão Simon Pauli. "Guaraná" é oriundo do termo tupi wara'ná, que significa árvore que sobe apoiada em outra.
Descrição O guaraná é uma planta nativa brasileira. É uma espécie vegetal arbustiva trepadeira, podendo chegar a 3 metros de altura, sendo bem adaptada ao climas quente e úmido.
Suas folhas são numerosas, glabras, elíptico-ovais, trifoliadas, pinadas, alternas, com parte inferior verde e brilhante, medindo por volta de 40 centímetros de comprimento e largura. As flores são zigomórficas, pequenas e brancas, racemiformes, tirseas, axilares; seu cálice possui cinco sépalas verdes, e sua corola apresenta quatro pétalas oblongas, com apêndice em forma de capuz e com ápice carnudo e de coloração amarela. As inflorescências podem chegar a mais de 30 centímetros. O seu fruto é em forma de cápsula elipsoidal ou esférica, com um a três folhetos, sendo piriforme e indeiscente; possui grande quantidade de cafeína (chamada de guaraína quando encontrada no guaraná) e, devido a suas propriedades estimulantes, é usado na fabricação de xaropes, barras, pós e refrigerantes. Tem casca vermelha e, quando maduro, deixa aparecer a polpa branca e suas sementes, assemelhando-se com olhos. Contém de uma a quatro sementes, as quais apresentam coloração castanho-escuro e têm arilo abundante antes da maturidade. Na região próxima ao município de Maués, onde é cultivada, os índios da nação saterê-mawé têm lendas sobre a origem da planta.
Em Portugal, produzem-se refrigerantes de guaraná desde o final da década de 1990, sendo inicialmente importados do Brasil. O refrigerante de guaraná mais vendido do mundo é o Guaraná Antarctica, produzido desde abril de 1921 no Brasil.
No Brasil, apesar de ser utilizada predominantemente na indústria de refrigerantes e de outras bebidas não alcoólicas, a planta também é utilizada nas indústrias farmacêutica e cosmética.
Composição fitoquímica O guaraná é uma das plantas mais ricas em cafeína, correspondendo a aproximadamente 3-6% do fruto. Estudos sugerem que a cafeína tem função na natureza de induzir memória olfativa em polinizadores, aumentando a probabilidade deles retornarem à planta.
As sementes do guaraná contêm alta concentração de compostos fenólicos, de onde vem a sua ação antioxidante. Além disso, apresentam em sua composição metilxantinas – sendo a de maior concentração a cafeína – e, em menores quantidades, outros alcaloides purínicos, tais como a teofilina e a teobromina. Também possuem saponinas, taninos (que representam cerca de 16% da sua composição), polissacarídeos, proteínas, ácidos graxos e oligoelementos, tais como rubídio, manganês, níquel e estrôncio. As sementes secas do guaraná constituem a parte mais utilizada comercialmente, uma vez que contêm alto teor de cafeína.
O óleo essencial é composto por sesquiterpenos cíclicos, monoterpenos cíclicos e minerais como cálcio, ferro, fósforo, potássio, magnésio, vitaminas B2, B3 e B4, flavonoides e taninos condensados, como a catequina e a epicatequina.
Efeitos da ingestão O guaraná é um estimulante: aumenta a resistência nos esforços mentais e musculares e diminui a fadiga motora e psíquica. Por meio das xantinas que possui (cafeína e teobromina), o guaraná produz maior rapidez e clareza do pensamento.http://www.blogers.com.br/efeitos-adversos-do-guarana/ Entretanto, se ingerido em excesso, provoca efeitos colaterais como insônia, irritabilidade, taquicardia, azia, distúrbios do sistema nervoso central, mioglobinúria e dependência física. Em longo prazo, seu consumo também pode provocar alterações significativas no sistema cardiovascular e até mesmo provocar convulsões. Em pacientes epiléticos, o guaraná pode piorar os quadros de epilepsia, seja diminuindo o limiar convulsivo ou aumentando a duração das crises. Considerando os efeitos da cafeína sobre a pressão arterial, seu consumo não é recomendado para pacientes hipertensos. A combinação de guaraná com suplementos contendo efedrina deve ser evitada, pois aumenta o risco de infarto do miocárdio e morte súbita. O extrato de guaraná, por ser rico em metilxantinas, pode bloquear os inibidores da adenosina e fosfodiesterase, aumentando as atividades da noraepinefrina.
A dose diária de cafeína reconhecida como segura para adultos é de 400 mg.
A lenda do guaraná thumb||250px|direita|<center>Guaraná em pó.<center> As tribos de Munducurucânia eram as mais prósperas dos índios. Venciam todas as guerras, as pescas eram ótimas, os peixes, os melhores e a doença era rara. Tudo isso por causa de um menino que, há alguns anos, nascera naquela tribo.
Ele era o mais protegido de todos. Nas pescas, era acompanhado por muitos - os pescadores desviavam dos rios as piranhas, jacarés ou qualquer outro perigo. Mas, certo dia, toda a segurança foi embora: o Gênio do Mal apareceu em forma de cascavel e feriu o garoto. A tribo entrou em lamentação e em desespero.
Tupã, o Deus dos índios, atendeu a todo aquele lamento e disse :
- Tirem os olhos do curumim e plantem-no na terra firme, reguem-no com lágrimas durante 4 luas e ali nascerá a "planta da vida", ela dará força aos jovens e revigorará os velhos.
Os pajés não duvidaram, arrancaram e plantaram os olhos do curumim e regaram com lágrimas durante quatro luas.
Nasceu ali uma nova planta, travessa como as crianças, com hastes escuras e sulcadas como os músculos dos guerreiros da tribo. E quando ela frutificou, seus frutos de negro azeviche, envoltos de um arilo branco com duas cápsulas de cor vermelho-vivo. Diziam os índios:
- É a multiplicação dos olhos do príncipe!
E o fruto trouxe progresso da tribo. Ajudou os velhos e deu mais força aos guerreiros.
Usos populares e/ou tradicionais O guaraná tem sido amplamente utilizado como estimulante do sistema nervoso central e do sistema cardiovascular, tendo em vista a sua composição rica em cafeína. Também é relatado o uso popular como diurético, antineurálgico, adstringente, antibacteriano e agente protetor do trato gastrointestinal. O guaraná também ganhou popularidade por ser considerado um "alimento funcional".
Durante séculos, tribos amazônicas de etnia Saterê-Maué utilizam o guaraná para tratar diarreia crônica, hipertensão, nevralgia, disenteria e enxaqueca. Além disso, os indígenas também utilizam o material vegetal como antipirético, estimulante, analgésico, antídoto para venenos e para diversos outros fins terapêuticos. Suas sementes costumam ser mastigadas ou então adicionadas a alimentos e bebidas.
Propriedades farmacológicas Devido à sua ampla gama de propriedades medicinais, o guaraná está atualmente listado na Farmacopeia Brasileira oficial e, dentre as espécies amazônicas, é considerado um dos medicamentos mais promissores da flora brasileira.
O guaraná é rico em substâncias funcionais bioativas, dentre elas a cafeína, a teobromina, a catequina, a epicatequina, a teofilina, entre outras. Alguns efeitos atribuídos ao consumo de guaraná é de que ele é afrodisíaco, tem ação tônica, é adstringente, febrífugo, diurético e serve para o cansaço físico e mental, imunoestimulante, antioxidante, combate a obesidade e melhora a pressão sanguínea etc.GUARANÁ: Estudos sobre propriedades medicinais e funcionais do Guaraná
Ação estimulante: aparentemente, o guaraná apresenta efeitos estimulantes mais duradouros do que o café, provavelmente devido à presença de saponinas e taninos na planta, que interagem com a cafeína.
Ação anti-inflamatória: um estudo mostrou que o guaraná é capaz de inibir o TNF-alfa, citocina inflamatória envolvida em doenças como artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, colite ulcerativa, entre outras, tendo efeito potencial no tratamento dessas enfermidades. A teofilina e a teobromina têm efeito broncoprotetor, ação imunomoduladora e anti-inflamatória, retardando o processo de envelhecimento e inibindo a deposição de colesterol nas artérias, permitindo melhor irrigação sanguínea em todo o organismo. (KUSKOSKI et al., 2005).
Efeito antimicrobiano: extratos hidroalcóolicos de Paullinia cupana mostraram efeitos antimicrobianos ativos contra linhagens de bactérias gram-negativas, como Pseudomonas aeruginosa e Chromobacterium violaceum, e gram-positivas, como Staphylococcus aureus MSSA e Bacillus cereus, os quais se devem possivelmente à presença de polifenóis no vegetal, entre eles os taninos. O extrato alcoólico da semente de guaraná também se mostrou eficaz contra alguns fungos, incluindo Aspergillus niger, Trichoderma viride and Penicillium cyclopium.
Combate à obesidade e às doenças cardiovasculares: o consumo do guaraná aumenta o gasto calórico diário e diminui o apetite, por manter estáveis os níveis de glicose no sangue, combatendo assim, a obesidade. Ademais, o grande teor de metilxantina no guaraná está relacionado a alterações no metabolismo de lipídios. Estudos sugerem que o consumo do guaraná está envolvido com uma menor chance no desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares, tendo efeito sobre a oxidação do LDL (lipoproteína de baixa densidade). A planta também apresentou potencial antiadipogênico, pois tem capacidade de modular microRNAs e genes relacionados ao processo, assim como aumento do metabolismo energético e estimulação de biogênese mitocondrial, auxiliando no controle do ganho de peso, mesmo em dietas altamente gordurosas.
Ação antioxidante: é rico em catequina, que é uma substância que combate os radicais livres, tendo efeito antioxidante e prevenindo o envelhecimento. Compostos extraídos de Paullinia cupana apresentaram capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e demonstraram atividade protetora contra a lipoperoxidação de membranas plasmáticas in vitro. Trata-se, portanto, de uma potencial forma de prevenção ou tratamento contra doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e a demência vascular, ou relacionadas ao processo de envelhecimento.
Outros efeitos O guaraná mostrou efeito protetor no DNA de hepatócitos de ratos, proteção contra lesões gástricas induzidas por etanol e indometacina, inibição da agregação plaquetária in vitro e in vivo, neuroproteção, inibição da acetilcolinesterase, melhoria na atenção, no humor, na disposição e na cognição, efeito antigenotóxico in vivo e redução da fadiga mental. Também foram relatados, na literatura científica, propriedades do guaraná como efeito cardiotônico e cardioprotetor, adipogênese, controle de ondas de calor, efeito citoprotetor, controle da placa bacteriana nos dentes, atividade anti-neoplásica, melhora na fadiga em pacientes com câncer de mama, efeito antialérgico, ação quimioprofilática da carcinogênese, efeito panicolítico e analgesia. Ele é também citado como agente antidepressivo, ansiolítico, anticancerígeno, relaxante muscular e antimicrobiano. O extrato seco de guaraná tem sido utilizado topicamente para prevenção e tratamento da lipodistrofia ginoide, devido ao aumento do número de vasos sanguíneos na derme.
Uso em cosméticos