Abdulrazak Gurnah (Zanzibar, 20 de dezembro de 1948) é um escritor tanzaniano.
Refugiado na Inglaterra nos anos 1960 e escrevendo principalmente em inglês, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 2021. A temática de refugiados é a base de todo seu trabalho. Ele é professor emérito de literatura inglesa e pós-colonial na Universidade de Kent.
Biografia Abdulrazak nasceu em 1948 no então Sultanato de Zanzibar, hoje parte da Tanzânia. Seu pai comercializava peixe seco e em conserva pescado no Oceano Índico, e grande parte de sua infância foi dedicada à costa perto de casa. Obrigado a fugir da Tanzânia aos 18 anos devido à perseguição a cidadãos árabes durante a Revolução de Zanzibar, Abdulrazak chegou à Inglaterra, em 1968, como refugiado.
Depois de concluir o equivalente ao ensino médio na Inglaterra, Gurnah trabalhou como auxiliar de enfermagem por três anos para sobreviver antes de ingressar na universidade. E, com o tempo, começou a escrever.
Ingressou na Christ Church College, uma faculdade em Canterbury, mas cujos diplomas eram concedidos pela Universidade de Londres. Pela Universidade de Kent obteve mestrado e doutorado, este último com a tese Criteria in the Criticism of West African Fiction, defendida em 1982. De 1980 a 1983, Abdulrazak lecionou na Universidade Bayero, em Cano, na Nigéria e foi professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais da Universidade de Kent até se aposentar.
Carreira Abdulrazak editou dois volumes de Essays on African Writing e publicou artigos sobre escritores pós-coloniais contemporâneos, como Salman Rushdie e Zoë Wicomb. É editor de A Companion to Salman Rushdie (Cambridge University Press, 2007). Desde 1987, é editor da Wasafiri, uma revista literária britânica trimestral que cobre a literatura contemporânea internacional. Fez parte do juri de vários prêmios literários, incluindo o Prêmio Caine de Escrita Africana e o Booker Prize.
Abdulrazak mora no Reino Unido. Ele tem cidadania britânica, mas mantém laços estreitos com a Tanzânia, onde ainda tem família e para onde diz que vai quando pode: "Eu sou de lá. Na minha mente, eu moro lá."
Ele é casado com a estudiosa de literatura nascida na Guiana, Denise de Caires Narain.
Temas Boa parte de seu trabalho se passa no leste da África e quase todos os seus livros, exceto um, tem um protagonista nascido em Zanzibar. Segundo o crítico literário Bruce King, os personagens africanos de Abdulrazak fazem parte de um mundo maior e em mudanças. Seus personagens são alienados, indesejados e, portanto, são, ou se sentem, vítimas ressentidas. Segundo Felicity Hand, os livros de Abdulrazak trabalham a alienação e a solidão que a emigração pode produzir e as questões de busca da alma que ela suscita sobre identidades fragmentadas e o próprio significado de "casa", principalmente Admiring Silence, By the Sea e Desertion. Seus personagens, em geral, não têm sucesso no exterior após sua migração, usando ironia e humor para responder à sua situação.
Prêmios O romance de Gurnah de 1994, Paraíso, foi pré-selecionado para os prêmios Booker, Whitbread e Writers' Guild, bem como para o Prêmio ALOA de melhor tradução dinamarquesa. Seu romance By the Sea (2001) foi pré-selecionado para o Booker e pré-selecionado para o Los Angeles Times Book Prize, enquanto Desertion (2005) foi pré-selecionado para o Commonwealth Writers' Prize de 2006.
Em 2006, Abdulrazak foi eleito para a Royal Society of Literature. No ano seguinte, ele ganhou o prêmio RFI Témoin du Monde na França por By the Sea.
Em 7 de outubro de 2021, ele foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, "por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes." Gurnah foi o primeiro escritor negro a receber o prêmio desde 1993, quando Toni Morrison o ganhou, e o primeiro escritor africano desde 2007, quando Doris Lessing foi a vencedora. Após o anúncio do Nobel, muitos de seus livros foram reeditados. Eles foram traduzidos para 38 idiomas, incluindo a primeira tradução de sua obra para o suaíli, a principal língua de sua terra natal.
Recebeu um doutorado honorário da Universidade de Edimburgo em 2023.
Obras Romances 1987: Memory of Departure 1988: Pilgrims Way 1990: Dottie 1994: Paradise No Brasil: Paraíso (tradução de Caetano W. Galindo; Companhia das Letras, 2023) Em Portugal: Paraíso (tradução de Eugénia Antunes; Cavalo de Ferro, 2022) 1996: Admiring Silence 2001: By the Sea No Brasil: À beira-mar (tradução de Jorio Dauster; Companhia das Letras, 2022) Em Portugal: Junto ao mar (tradução de Eugénia Antunes; Cavalo de Ferro, 2022) 2005: Desertion Em Portugal: Desertor (tradução de Eugénia Antunes; Cavalo de Ferro, 2023) 2011: The Last Gift 2017: Gravel Heart 2020: Afterlives No Brasil: Sobrevidas (tradução de Caetano W. Galindo; Companhia das Letras, 2022) Em Portugal: Vidas seguintes (tradução de Eugénia Antunes; Cavalo de Ferro, 2022) 2025: Theft Em Portugal: Gente da casa (tradução de Eugénia Antunes; Cavalo de Ferro, 2025)
Contos 1984: Cages (em African Short Stories, editado por Chinua Achebe e Catherine Lynette Innes; Heinemann Educational Books) 1994: Bossy (em African Rhapsody: Short Stories of the Contemporary African Experience, editado por Nadežda Obradović; Anchor Books) 1996: Escort (em Wasafiri, vol. 11, no. 23, 44-48. doi:10.1080/02690059608589487) 2006: My Mother Lived on a Farm in Africa (em NW 14: The Anthology of New Writing, vol. 14, seleção de Lavinia Greenlaw e Helon Habila; Granta Books) 2012: The Photograph of the Prince (em Road Stories: New Writing Inspired by Exhibition Road, editado por Mary Morris; Royal Borough of Kensington & Chelsea) 2016: The Arriver's Tale (em Refugee Tales, editado por David Herd e Anna Pincus; Comma Press) 2019: The Stateless Person's Tale (em Refugee Tales III, editado por David Herd e Anna Pincus; Comma Press)
Ensaios e não ficção 1991: Matigari: A Tract of Resistance (em Research in African Literatures, vol. 22, no. 4, Indiana University Press, pp. 169-72) 2000: Imagining the Postcolonial Writer (em Reading the 'New' Literatures in a Postcolonial Era, editado por Susheila Nasta e D.S. Brewer; Cambridge) 2001: Thew Wood of the Moon (em Transition, no. 88, Indiana University Press, Hutchins Center for African and African American Research at Harvard University, pp. 88-113) 2007: Themes and Structures in Midnight's Children (em The Cambridge Companion to Salman Rushdie, editado por Abdulrazak Gurnah; Cambridge University Press) 2011: Mid Morning Moon (em Wasafiri [3 de maio de 2011], vol. 26, no. 2, pp. 25-29) 2011: The Urge to Nowhere: Wicomb and Cosmopolitanism (em Safundi, 12 [3-4], pp. 261-275) 2015: Learning to Read (em Matatu, no. 46, pp. 23-32)
Ligações externas
Perfil, African People Database.
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