Susana de Sousa Dias (Lisboa, 1962), é uma artista, realizadora e investigadora portuguesa premiada. É conhecida por utilizar como matéria prima para os seus documentários imagens arquivadas que datam do Estado Novo. É o caso de 48, o seu filme mais conhecido e premiado em vários festivais de cinema.

Biografia Susana de Sousa Dias, nasceu no dia 22 de Janeiro de 1962 em Lisboa.

Tem 12 anos quando, em 1974, se dá a queda do Estado Novo, com a revolução do 25 de Abril. Adere à União dos Estudantes Comunistas e dois anos mais tarde, integra o Movimento Alfa, no qual participou nas campanhas de alfabetização e dinamização cultura; e trabalhou em salinas e na apanha da azeitona, do tomate e do milho.

Estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema onde fez o bacharelato em Cinema. Seguiu-se a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tendo se formado em Artes Plásticas-Pintura em 1991. É também aqui que irá obter, em 2014, o doutoramento em Belas-Artes, na especialidade de Audiovisuais.

Em 2002, estudou na La Fémis (École Nationale Supérieure des Métiers de l’Image et du Son) em Paris, onde fez a formação em Documentários e Arquivos.

Começa a trabalhar em cinema em 1987, no filme Os Emissários de Khalom, realizado por António de Macedo, de quem é filha. Dez anos mais tarde, estreia-se como realizadora, ao realizar o seu primeiro documentário, sobre a época de ouro do cinema português para a série documental História do Cinema Português.

Juntamente com a produtora Ana Jordão, a investigadora Cíntia Gil e a programadora Cinta Pelejá, fez parte do grupo que dirigiu o DocLisboa em 2012 e 2013, e que introduziu novas secções na sua programação, nomeadamente: Cinema de Urgência, Passagens e Verdes Anos.

Paralelamente à sua carreira cinematográfica, Susana de Sousa Dias faz parte do corpo docente da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.

Prémios e Reconhecimento A sua obra tem sido reconhecida a nível internacional, tendo sido premiada em vários festivais de cinema internacionais.

Realiza em 2005, a sua primeira longa-metragem a que dá o nome de Natureza Morta: Visages d’une Dictature e pela qual é galardoada com:

O Prémio Atalanta para Melhor Documentário Português no DocLisboa de 2005

O Prémio de Mérito no Merit Prize na edição de 2006 do Taiwan International Documentary Festival Obteve também uma Menção Honrosa no Slow Film Festival na Hungria

Com o seu documentário mais conhecido, intitulado de 48, no qual utiliza fotografias de presos políticos tiradas durante os 48 anos da ditadura portuguesa que contam a sua história em voz off, Susana de Sousa Dias ganhou, entre outros:

Ganhou o Cinéma du Réel Grand Prix, atribuído na edição de 2010 do Cinema Du Réel, um dos mais conceituados festivais de documentários Recebeu o Prémio Andorinha para Melhor Montagem na categoria de documentário no CinePort - Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa Foi premiada no festival Caminhos do Cinema Português de 2010, com o Prémio Dom Quijote No Festival Internacional Punto de Vista em Navarra, foi galardoado com uma menção especial do júri Ganhou o Prémio Opus Bonum para Melhor Documentário no Festival Internacional do Filme Documentário de Jihlava (República Checa) Em 2016, volta a abordar a ditadura portuguesa no documentário Luz Obscura, a partir do efeito que esta teve nas famílias dos preso políticos e é distinguida com:

Na DocumentaMadrid com uma Menção Especial do Júri da secção da Competição Internacional de Longas-Metragens

É novamente galardoada pelo documentário Fordlandia Malaise:

É duplamente premiada com o Prémio Melhor Documentário Universidade de Coimbra e o Prémio do Júri de Imprensa Cision, na edição de 2019 do festival Caminhos do Cinema Português No MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço de 2019, obteve o Prémio Jean Loup Passek para Melhor Documentário Português

Filmografia Seleccionada Realizou os documentários:

1997 - Uma Época de Ouro: Cinema Português 1930-1945, o terceiro episódio da série documental História do Cinema Português

2000 - Processo-Crime 141/53: Enfermeiras no Estado Novo

2005 - Natureza Morta: Visages d’une Dictature

2010 - 48

2016 - Luz Obscura 2019 - Fordlandia Malaise 2020 - Viagem ao Sol

Instalações

Natureza Morta / Stilleben, 2010 http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/programacao/Natureza-Morta-Stilleben Porque é que Mostramos as Horas da Luz e da Escuridão no Mesmo Círculo? (I) [Números], 2022 https://www.cienciavitae.pt/portal/2414-A628-6F0B Porque é que Mostramos as Horas da Luz e da Escuridão no Mesmo Círculo? (II) [Tentativa], 2024 https://cgac.xunta.gal/en/exhibitions/new-imaginaries Pelo Mar Escutamos o Mundo, 2024 https://cgac.xunta.gal/en/exhibitions/new-imaginaries

Bibliografia Passiva Seleccionada

2011 - Antinomie de la photographie du corps politique. Natureza Morta. Visages d'une dictature de Susana de Sousa Dias 2011 - Behind bars: Artistic appropriation of prisoners’ headshots in the works of Susana de Sousa Dias 2012 - Terra em Transe: Ética e Estética no Cinema Português 2015 - Susana de Sousa Dias y los fantasmas de la dictadura portuguesa 2015 - Tendencias del cine portugués contemporáneo

Referências

Ligações externas Matadero Madrid | SUSANA DE SOUSA DIAS "48" PhotoEspaña 2011 Simon Bolivar Andean University | Entrevista a Susana de Sousa Dias: dictadura y cine (2015) FestCurtasBH | Conversa com Susana de Sousa Dias, a propósito do filme Fordlandia Malaise (2020) Trailer - Documentário 48 (2010) Trailer - documentário Viagem ao Sol (2020)

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