Destiny's Child foi um grupo feminino estadunidense formado em Houston, Texas, em 1990. Sua formação final era composta por Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams. Conhecidas por suas harmonias vocais, performances de palco e temas de empoderamento feminino, Destiny's Child são consideradas um dos grupos femininos mais influentes da música pop. Elas são creditadas por ajudar a moldar o som do R&B do final dos anos 90 e início dos anos 2000 e são consideradas pioneiras do ressurgimento dos grupos femininos na década de 90.
O grupo iniciou sua carreira musical como Girl's Tyme. Após anos de sucesso limitado, o quarteto original — Beyoncé, Rowland, LaTavia Roberson e LeToya Luckett — assinou com a Columbia Records em 1997 como Destiny's Child. Após alcançarem reconhecimento com o single "No, No, No", lançaram seu segundo álbum, The Writing's on the Wall (1999), que se tornou um grande sucesso de vendas. O álbum gerou os sucessos "Bills, Bills, Bills" e "Say My Name", ambos alcançando o topo da parada Billboard Hot 100 nos Estados Unidos. Apesar do sucesso de crítica e público, o grupo foi assolado por conflitos internos e problemas legais, já que Roberson e Luckett tentaram se separar do empresário do grupo, Mathew Knowles, devido ao favoritismo dele por Beyoncé e Rowland.
No início de 2000, Roberson e Luckett foram substituídas por Williams e Farrah Franklin; no entanto, Franklin saiu depois de alguns meses, deixando o grupo como um trio. O terceiro álbum do grupo, Survivor (2001) — cujos temas foram interpretados como um canal para suas experiências — rendeu os sucessos "Independent Women" e "Bootylicious", que lideraram a parada estadunidense. Após o lançamento do álbum natalino 8 Days of Christmas (2001), o grupo anunciou um hiato para que as integrantes pudessem seguir carreira solo. Mais tarde, elas se reuniram para lançar seu quinto e último álbum, Destiny Fulfilled (2004), que produziu os singles "Lose My Breath" e "Soldier", ambos alcançando o top três da Billboard Hot 100.
Desde que o grupo se desfez oficialmente em 2006, Beyoncé, Rowland e Williams se reuniram diversas vezes, incluindo no espetáculo do intervalo do Super Bowl de 2013, no festival Coachella de 2018 e no último show da Cowboy Carter Tour em 2025. Destiny's Child é um dos grupos femininos mais vendidos de todos os tempos, com vendas estimadas em mais de 60 milhões de discos. O grupo conquistou inúmeros prêmios, incluindo três Grammy Awards, onze Billboard Music Awards, cinco American Music Awards, dois MTV Video Music Awards e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. A Billboard as considerou um dos maiores trios musicais de todos os tempos.
Biografia 1990—97: Começo de carreira e Girl's Tyme 210px|thumb|direita|Visão panorâmica de Houston, Estados Unidos, cidade onde o grupo se formou. Em 1990, Beyoncé conheceu a rapper LaTavia Roberson na cidade de Houston, Texas, durante uma audição que buscava formar um novo girl group. Elas passaram a integrar um conjunto de rap. Kelly Rowland, que se mudou para a casa de Beyoncé por causa de problemas familiares, posteriormente juntou-se a elas em 1992. Originalmente nomeado de Girl's Tyme, o grupo consistia em seis integrantes, incluindo Támaor Davis e as irmãs Nikki e Nina Taylor. Pouco tempo depois de criado, o Girl's Tyme começou a atrair atenção nacional: Ao tomar ciência de sua existência, o produtor de R&B da costa oeste americana, Arne Frager, voou para Houston para conhecer as garotas. Ele as trouxe para o estúdio Plant Recordings, no norte da Califórnia, para gravar algumas canções, dando predileção aos vocais de Beyoncé, porque Frager acreditava que a personalidade dela se destacava sobre as demais e que ela possuía uma maior capacidade para cantar. Com a intenção de atrair a atenção de alguma gravadora disposta a contrata-las, ele decidiu estreá-las no Star Search, o maior show de talentos da TV americana na época. No entanto, elas perderam a competição, porque, segundo Beyoncé, o grupo fez escolhas erradas; para ela, a decisão de apresentarem um número de rap foi equivocada e, ao invés disso, elas deveriam ter cantando.
Após a derrota do Girl's Tyme, o pai de Beyoncé, Mathew Knowles, voluntariamente dedicou seu tempo para gerencia-las. Em 1993, ele começou a reformular o grupo, retirando Támar Davis e as Irmãs Taylor e incluindo LeToya Luckett em seus lugares, assim, a banda passou ter quatro integrantes. Além disso, a sonoridade do Girl's Tyme também foi alterada, passando do rap para o R&B. Com a intenção de se aperfeiçoarem, as garotas começaram a dedicar algum tempo dos seus dias a ensaiar em uma igreja de Houston, nos quintais de casa e no salão de beleza de propriedade da mãe de Beyoncé, Tina. O grupo passou a criar coreografias no salão e às vezes recebiam dicas dos clientes. Durante os dias sem escola, Girl's Tyme se apresentava em pequenos shows locais. Quando o verão chegava, Mathew estabelecia um "campo de treinamento" para treiná-las em exercícios de dança e vocais. Após um treinamento rigoroso, elas começaram a atuar como artistas de abertura para grupos de R&B, em ascensão da época, como SWV, Dru Hill e Immature. Tina passou a desenhar os figurinos usados pelo grupo em suas performances.
Ao longo dos primeiros anos de sua carreira, Girl's Tyme mudou seu nome para Something Fresh, Cliché, The Dolls entre outros. O grupo assinou com a Elektra Records sob o nome de Destiny, mas foi alterado vários meses depois, antes que elas pudessem lançar qualquer material. Nesse período, a busca por um contrato de gravação começou a afetar a família Knowles: em 1995, Mathew renunciou ao seu emprego como vendedor de equipamentos médicos, uma medida que fez reduzir a renda de sua família pela metade e ocasionou em uma breve separação com Tina, devido à pressão. Em 1997, elas finalmente mudaram seu nome para Destiny's Child, inspiradas por uma passagem contida no Livro de Isaías da Bíblia. Mathew ajudou na negociação de um contrato com a Columbia Records, que assinou com o grupo no mesmo ano. Antes de assinar com a gravadora, o Destiny's Child já havia gravado várias faixas em Oakland, Califórnia, sob a produção de D'wayne Wiggins, do Tony! Toni! Toné!, incluindo uma faixa intitulada "Killing Time", que segundo a gravadora, apesar de incitantes, elas já detinham uma "qualidade única". A canção foi posteriormente inclusa na trilha sonora do filme Men in Black.
1997—2000: Destiny's Child, The Writing's on the Wall e mudanças de formação Em 27 de outubro de 1997, é lançado "No, No, No" como o single de estreia do Destiny's Child. Seu álbum de estreia homônimo alcançou o número 77 na tabela Billboard 200 e 14 na genérica Top R&B/Hip-Hop Albums. O projeto conseguiu vender mais de um milhão de unidades nos Estados Unidos, obtendo uma certificação de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA). Uma versão remixada de "No, No, No" foi lançada, alcançando o número um na Hot R&B/Hip-Hop Singles & Tracks e três na Billboard Hot 100. Seu single de acompanhamento, "With Me Part 1" falhou em repetir o mesmo sucesso de seu predecessor. Na sequência, o grupo participou de uma música da trilha sonora do filme Why Do Fools Fall in Love (1998) e lançou "Get on the Bus", que teve um lançamento limitado na Europa e em outros mercados. Nos Soul Train Music Awards, o Destiny's Child ganhou três condecorações, incluindo o de Melhor Artista Revelação. Beyoncé considerou a estreia do grupo bem-sucedida, porém não tão grandiosa, alegando que um disco de sonoridade neo soul havia soado maduro demais para elas naquele momento. Após o sucesso de seu álbum de estreia, o Destiny's Child voltou aos estúdios para começar a produzir seu segundo disco de estúdio, recrutando novos produtores, incluindo Kevin "She'kspere" Briggs e Rodney Jerkins. Em julho de 1999, The Writing's on the Wall é liberado, alcançado o número cinco na Billboard 200 e o dois na Top R&B/Hip-Hop Albums. "Bills, Bills, Bills" foi lançado como o primeiro single do projeto e liderou a Billboard 100, tornando-se a primeira música do grupo a alcançar essa posição da tabela. O disco foi considerado inovador pelas integrantes do grupo, impulsionando suas carreiras e as apresentando a um público mais amplo.
Em dezembro de 1999, Luckett e Roberson tentaram separar o grupo de seu empresário, alegando que ele as repassavam uma parcela desproporcional dos lucros e favorecia injustamente Beyoncé e Rowland. Embora elas nunca tivessem a intenção de deixar a banda, quando o vídeo de "Say My Name", o terceiro single do The Writing's on the Wall, estreou em fevereiro de 2000, ambas descobriram que duas novas integrantes estavam em seus lugares ao lado de Beyoncé e Rowland. Luckett e Roberson foram substituídas por Michelle Williams, uma ex-vocalista de apoio da cantora Monica, e Farrah Franklin, uma aspirante a cantora e atriz. Logo após sua passagem pela equipe de Monica, Williams foi apresentada ao Destiny's Child por um amigo coreógrafo e foi levada de avião para Houston, onde ficou com a família Knowles. Em março, as ex-integrantes entraram com uma ação contra Mathew e suas ex-companheiras de banda por quebra de parceria e deveres fiduciários. Após o processo, ambos os lados foram depreciativos uns com os outros na mídia. "Say My Name" liderou o Billboard 100 por três semanas consecutivas, enquanto o quarto single, "Jumpin', Jumpin'", também alcançou as dez primeiras posições na parada. The Writing's on the Wall vendeu mais de oito milhões de cópias nos Estados Unidos, ganhando oito certificações de platina pela RIAA. Em todo o mundo, comercializou mais de 13 milhões de unidades. Durante esse período, o Destiny's Child começou a se apresentar como artistas de abertura nas turnês das cantoras pop Britney Spears e Christina Aguilera.
Com apenas cinco de permanência na banda, Franklin foi demitida. As integrantes restantes afirmaram que isso ocorreu devido a sua constante ausência em apresentações e ações promocionais. Segundo Williams, Franklin não estava conseguindo lidar com o estresse. Franklin, no entanto, revelou que sua ruptura se deu devido à negatividade em torno do grupo e à sua impossibilidade de afirmar qualquer controle nas tomadas de decisões. Sua partida foi vista como menos controversa. Williams, por outro lado, revelou que, sua inclusão no Destiny's Child, resultou em "lutar contra sua insegurança": "Eu estava me comparando às outras integrantes, e a pressão estava sobre mim". No final de 2000, Roberson e Luckett desistiram da parte de seu processo destinado a Rowland e Beyoncé em troca de um acordo não divulgado, embora continuassem a ação contra o gerenciador do grupo. Ambas tentaram formar outro grupo feminino, chamado Anjel, mas também o deixaram devido a problemas com a gravadora. Como parte do acordo judicial, os dois lados foram proibidos de se referir uns aos outros publicamente. Embora o Destiny's Child tenham sido afetado pelas trocas de formação, a polêmica ajudou a impulsionar ainda mais a popularide do grupo e elas se tornaram um fenômeno da cultura pop. Com Williams na nova formação, o grupo lançou a música-tema para a trilha sonora do filme Charlie's Angels (2000); "Independent Women Part 1" passou onze semanas consecutivas no topo do Billboard 100 – de novembro de 2000 a janeiro de 2001 –, a permanência mais longa já conquistada por uma faixa do Destiny's Child e daquele ano nos Estados Unidos.
2001—03: Survivor, lançamentos subsequentes, hiato e projetos paralelos