A Warner Bros. Discovery, Inc. (WBD) é um conglomerado multinacional americano de mídia de massa e entretenimento, com sede em Nova Iorque. Foi formada a partir do desmembramento da WarnerMedia pela AT&T e da fusão com a Discovery, Inc., em 8 de abril de 2022.
A empresa opera através de duas divisões: Streaming & Studios (S&S) e Global Linear Networks (GLN). A S&S inclui os estúdios de televisão e cinema da Warner Bros., a HBO, a DC Entertainment e o serviço de streaming HBO Max.
A divisão GLN compreende, majoritariamente, canais de televisão por assinatura sustentadas por publicidade. Esses canais foram herdadas de suas antecessoras: Discovery (como o Discovery Channel, entre outros), Scripps Networks Interactive (como a HGTV, entre outros) e Turner Broadcasting System (como Cartoon Network, CNN, TBS e TNT).
A Warner Bros. Discovery International também integra a estrutura da empresa, sendo responsável pelas operações fora dos Estados Unidos.
História
Formação Em 16 de maio de 2021, a Bloomberg News informou que a AT&T estava em negociações com a Discovery Inc. para se fundir com a WarnerMedia, a empresa controladora da Warner Bros., para formar uma empresa de capital aberto que seria dividida entre seus acionistas.
Em 17 de maio de 2021, a AT&T anunciou que havia concordado em alienar sua participação acionária na subsidiária integral de mídia e entretenimento WarnerMedia (a antiga Time Warner, que a AT&T adquiriu em 2018 por pouco mais de US$ 85 bilhões na tentativa de se tornar a integração vertical conglomerado de mídia) e fundi-lo com a Discovery Inc. para formar uma nova empresa, que está sujeita a aprovação regulatória. A fusão, programada para ser concluída em meados de 2022, será estruturada como um Reverse Morris Trust com os acionistas da AT&T com 71% de participação nas ações da nova empresa e nomeando sete membros do conselho e acionistas da Discovery com 29% de participação e nomear seis membros do conselho. A AT&T receberá US$ 43 bilhões em dinheiro e dívidas da cisão.
A nova empresa é liderada pelo atual CEO da Discovery, David Zaslav, enquanto a posição do CEO da WarnerMedia, Jason Kilar, na nova empresa é incerta. Zaslav afirmou que as duas empresas gastam US$ 20 bilhões anualmente em conteúdo (superando Disney, Netflix e Amazon.com). A empresa terá como objetivo expandir seus serviços de streaming, que incluem o HBO Max da WarnerMedia, para atingir 400 milhões de assinantes globais.
No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem ressalvas, a criação da Warner Bros. Discovery. Tal ato surpreendeu muitos, já que geralmente o órgão impõe condicionantes quando conglomerados gigantes de mídia se fundem. No caso da fusão entre a The Walt Disney Company e a 21st Century Fox por exemplo, uma das condições que a entidade pediu foi para manter um dos canais da antiga companhia ativos por um certo tempo, o extinto Fox Sports.https://www.minhaoperadora.com.br/2022/02/cade-aprova-sem-restricoes-a-fusao-entre-warnermedia-e-discovery.html E, durante a fusão, a nova empresa decidiu encerrar o aplicativo all-news CNN+ com apenas 1 mês de atividadehttps://www.seudinheiro.com/2022/empresas/cnn-warner-bros-discovery-plataforma-de-streaming-netflix-miql/
Queda de receitas, cortes e reestruturações (2023–2025) Em janeiro de 2023, a Warner Bros. Discovery firmou acordos de licenciamento com os serviços de streaming gratuitos com publicidade (FAST) The Roku Channel e Tubi, da Fox Corporation. Os contratos incluíram conteúdos de catálogo de canais como Discovery, TLC, HGTV e Food Network, além de produções da Warner Bros. Pictures, Warner Bros. Television e títulos da HBO, incluindo séries removidas do HBO Max.
Em 8 de fevereiro de 2023, o Wall Street Journal informou que a empresa havia revisado seus planos de fusão entre o Discovery+ e o HBO Max. A nova plataforma prevista para substituir o HBO Max incorporaria grande parte do acervo do Discovery, enquanto o Discovery+ permaneceria ativo para preservar sua base de assinantes e oferecer um serviço de menor custo. A alteração foi confirmada pelo CEO David Zaslav em 24 de fevereiro, que destacou o desempenho financeiro e a satisfação do público do Discovery+.
No início de junho do mesmo ano, Chris Licht foi demitido da chefia da CNN. Em 20 de junho, a companhia realizou uma rodada de demissões que afetou cerca de cem funcionários da divisão U.S. Networks, incluindo executivos do Turner Classic Movies (TCM), como Pola Changnon, que atuava há mais de 25 anos no grupo. A empresa anunciou que o canal passaria para a gestão de Michael Ouweleen, responsável pelo Cartoon Network. Paralelamente, vieram a público informações sobre negociações para a venda de metade do catálogo musical da Warner Bros. Entertainment, formado por trilhas de produções cinematográficas e televisivas e administrado pela Universal Music Publishing Group, avaliado em aproximadamente 500 milhões de dólares. Após preocupações de cineastas como Martin Scorsese, Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson sobre o futuro do TCM, a empresa anunciou, em 23 de junho, que o TCM passaria à supervisão de Michael De Luca e Pamela Abdy, do Warner Bros. Pictures Group, que reiteraram o compromisso de manter sua identidade editorial.
Em dezembro de 2023, a empresa anunciou a aquisição da plataforma de streaming turca BluTV, que também opera na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA). Em fevereiro de 2024, a RedBird IMI, parceria entre a RedBird Capital Partners e investidores dos Emirados Árabes Unidos, anunciou acordo para adquirir a produtora britânica All3Media, então controlada conjuntamente pela WBD e pela Liberty Global. A compra, estimada em 1,15 bilhão de libras, foi concluída em maio do mesmo ano.
Em abril de 2024, a Warner Bros. Discovery New Zealand anunciou o encerramento do serviço jornalístico Newshub, responsável pelos telejornais exibidos no canal aberto Three, devido à queda nas receitas publicitárias locais. O Newshub foi substituído por uma parceria com a empresa de mídia Stuff, que passou a produzir um noticiário noturno sob a marca ThreeNews. Em julho, o CEO da CNN, Mark Thompson, anunciou a demissão de cem funcionários. Uma semana depois, novos cortes atingiram equipes do Max e setores de produção, assuntos corporativos e finanças.
Em 24 de julho de 2024, a NBA anunciou novos contratos de direitos de mídia com Disney (ESPN e ABC), NBCUniversal (NBC e Peacock) e Amazon Prime Video, válidos a partir da temporada 2025–26. A decisão encerrou uma parceria de quase 36 anos entre a liga e a TNT. A Warner Bros. Discovery tentou exercer uma cláusula contratual que, segundo a empresa, lhe permitiria igualar ofertas apresentadas por concorrentes, especialmente o pacote adquirido pela Amazon. A NBA rejeitou a reivindicação, afirmando que os termos apresentados pela WBD não correspondiam à proposta da Amazon. Diante disso, a WBD acusou a liga de interpretar incorretamente o contrato e ameaçou recorrer judicialmente.
No mês seguinte, em agosto de 2024, a empresa registrou um prejuízo de 10 bilhões de dólares no segundo trimestre, impulsionado por perdas no streaming e pela desvalorização de seus ativos de televisão linear.
Em novembro de 2024, a WBD chegou a um novo entendimento com a NBA. O acordo garantiu acesso gratuito a vídeos de destaques para o Bleacher Report e o House of Highlights e permitiu que a empresa, por meio da TNT Sports, continuasse a operar o NBA TV e o site NBA.com. O acerto também incluiu direitos de transmissão ao vivo em determinados territórios da Europa Setentrional e da América do Sul. Paralelamente, a WBD firmou um acordo separado com a Disney para transferir o programa Inside the NBA para a ESPN e a ABC, permanecendo sob produção da TNT Sports, em troca do sublicenciamento de jogos de futebol americano e basquete da Big 12 Conference.
Em 24 de março de 2025, a empresa anunciou a compra de uma participação de 30% na plataforma OSN Streaming Limited, sediada em Dubai, por 57 milhões de dólares.
Cisão e proposta de venda (2025–presente)
No final de 2024, foi noticiado que a cúpula da empresa estava estudando separar a parte de canais a cabo em uma nova empresa independente. A empresa deu passos nessa direção em seguida quando criou duas divisões internas, com a streaming e estúdios possuindo os estúdios de cinema e televisão, e o grupo de canais HBO, mais o streaming HBO Max, entre outros, e outra divisão sendo a canais lineares globais, com todos os canais a cabo do grupo, incluindo Discovery Channel, CNN, Cartoon Network e TNT. Em junho de 2025, foi anunciado que a empresa se dividiria em duas novas entidades em definitivo em 2026, e em julho foi anunciado que a divisão de streaming e estúdios se tornaria a Warner Bros. e a de canais lineares globais se tornaria Discovery Global, empresa independente.
Em 11 de setembro de 2025, o Wall Street Journal informou que a Paramount Skydance avaliava uma oferta para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD). Uma aquisição dessa magnitude resultaria na integração de ativos sobrepostos das duas empresas, abrangendo dois dos cinco maiores estúdios de cinema de Hollywood (Warner Bros. e Paramount Pictures), os serviços de streaming HBO Max e Paramount+, as divisões TNT Sports e CBS Sports, além da CNN e CBS News. A notícia provocou alta imediata de 33% nas ações da WBD.
Nas semanas seguintes, outras empresas passaram a ser cotadas como interessadas nos ativos da WBD. A Netflix estudou uma proposta restrita aos segmentos de estúdio e streaming, enquanto especulações indicaram que a Comcast poderia disputar parte da companhia. A Paramount Skydance, por sua vez, realizou três ofertas rejeitadas, variando entre US$ 19 e US$ 23,50 por ação. Reportagens apontaram que o CEO David Zaslav buscava cerca de US$ 30 por ação e considerava que uma cisão programada para 2026 poderia elevar o valor de mercado da Warner Bros.
Ao longo de outubro, surgiram informações de que David Ellison, CEO da Paramount Skydance, buscava apoio de fundos de investimento para reforçar a oferta, que poderia superar US$ 60 bilhões. A Bloomberg indicou ainda que o plano da Skydance incluía manter grande parte das operações da WBD e unir os serviços HBO Max e Paramount+.
Em 20 de novembro de 2025, três propostas oficiais foram apresentadas: a Paramount Skydance ofertou pela totalidade do grupo, enquanto Netflix e Comcast disputaram apenas os ativos de estúdios e streaming. Em 2 de dezembro, a Comcast propôs a fusão dos ativos da WBD com a NBCUniversal, a Netflix apresentou uma oferta majoritariamente em dinheiro, e a Paramount confirmou uma proposta integralmente em dinheiro, respaldada por financiamento da Apollo Global Management e de fundos soberanos do Oriente Médio. A definição da venda ou da cisão da empresa ficou a cargo de David Zaslav, com decisão prevista até o fim de 2025.
Em 5 de dezembro de 2025, a Netflix anunciou a intenção de adquirir os estúdios de cinema e televisão da Warner Bros., a DC Studios e o serviço de streaming HBO Max, enquanto a Discovery Global continuaria administrando os canais lineares. A operação foi avaliada em US$ 72 bilhões.
A aquisição proposta continua sob forte escrutínio antitruste nos Estados Unidos e em outras jurisdições. As autoridades reguladoras analisam se a fusão reduziria de forma significativa a concorrência nos setores de entretenimento e streaming. Críticos afirmam que a transação pode conceder à Netflix um controle desproporcional sobre grandes bibliotecas de conteúdo, limitar a escolha dos consumidores e gerar riscos para a diversidade de distribuição cinematográfica e de mercado. Paralelamente, a Writers Guild of America (WGA) pediu oficialmente que o acordo seja barrado. Segundo o sindicato, a união da maior plataforma de streaming do mundo com um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood concentraria poder de mercado, colocaria empregos em risco, reduziria salários e prejudicaria a competição criativa.