miniaturadaimagem|Lateral da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro. Aldeia indígena urbana ou aldeia urbana é uma forma de territorialização indígena no espaço urbano, envolvendo moradia , identidade, organização, comunitária, revindicações territóriais, políticas e produção/reprodução de modos de vida indígenas. Assim, a aldeia urbana é compreendida como resultado de processos de deslocamento, urbanização, desterritorialização e construção de novas formas de resintências no espaço urbano. DANIEL, Ubiratan Borges. A Aldeia Urbana Marçal de Souza: uma sistematização do movimento de urbanização do povo Terena. 2025. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) — Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2025.

Repositório da UFMS

O primeiro exemplo de aldeia urbana no Brasil, foi a Aldeia urbana Marçal de Souza ocupada em 1996 e oficializada em 1999.

História A presença de pessoas indígenas nas cidades não é um fenômeno recente. Ao longo do período colonial, muitas cidades brasileiras surgiram nas proximidades de aldeamentos indígenas. Assim, a relação entre povos indígenas e contexto urbano existe desde o . Todavia, ela foi acentuada durante o .

Aldeia Maracanã Vertical

  A formação da Aldeia Maracanã Vertical está diretamente relacionada às transformações urbanas promovidas no Rio de Janeiro a partir dos grandes eventos esportivos do final dos anos 2000 e às políticas de remoção que atingiram a Aldeia Maracanã. No início de 2013, a comunidade indígena foi violentamente removida do antigo prédio do Museu do Índio, situado nas proximidades do Maracanã, dando origem a diferentes trajetórias entre os indígenas: enquanto parte deles recusou um acordo com o Estado e posteriormente retomou a ocupação do espaço, fortalecendo o movimento “Aldeia Marakanã Resiste”, outra parcela foi inicialmente transferida para alojamentos provisórios em Jacarepaguá. Em 2015, essas famílias foram definitivamente reassentadas em apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida, no bairro do Estácio, onde vinte famílias de diferentes pertencimentos étnicos foram alocadas em um mesmo edifício, posteriormente conhecido como Aldeia Vertical. A partir desse novo espaço de moradia, a comunidade também passou a desenvolver iniciativas de fortalecimento da presença indígena na cidade, como a Web Rádio Yandê e a criação de uma horta comunitária em um terreno abandonado nas proximidades do Morro São Carlos, organizada e gerida por indígenas, mas contando também com a participação de não indígenas.RAPOSO, Erlan; LUNA, Leticia de. Aldeia Maracanã Vertical. Observatório da Presença Indígena no Estado do Rio de Janeiro – OPIERJ. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://opierj.org/aldeia-vertical/⁠�. Acesso em: 10 set. 2026.

Migração indígena Desde o , migrações indígenas ocorriam de forma intencional e temporária. Os principais motivadores dessa migração eram a comercialização de produtos,Paes Leite Mussi, Vanderléia. 2011. Questões indígenas em contextos urbanos: outros olhares, novas perspectivas em semoventes fronteiras História Unisinos, vol. 15, núm. 2, mayo-agosto, 2011, pp. 206-215. e práticas culturais (veja-se o Gwatá guarani).Barcellos, Augusto Cândido de. 2018. Gwatá: etno-história, profetismo e migração Guarani. Dissertação de mestrado (Ciência das Religiões). Vitória: UNIDA.

No , o processo de extinção dos aldeamentos indígenas, junto à política assimilacionista da Coroa Portuguesa, resultou no aumento da migração forçada desses povos.

Ao longo do , com a invasão de territórios indígenas nas áreas rurais das fronteiras do Brasil (especialmente com a marcha para o Oeste) houve um aumento migração indígena forçada para as cidades. Durante a ditadura militar brasileira, o processo de expulsão de povos indígenas de suas terras e a sua assimilação forçada às populações urbanas foi uma prática comum.

Na década de 1990, depois da Constituição de 1988, a migração passou a ser majoritariamente motivada pela busca de emprego e educação. Assim, aldeias urbanas foram fundadas para possibilitar o apoio mútuo entre essa população migrante, que demandava manter seus modos de vida, à despeito da migração.

Contradições Estudiosos apontam como as aldeias urbanas sofrem de um abandono sistemático do poder público: carecem de infraestruturas básicas, como saneamento, saúde e educação. Assim, apesar de se localizar dentro ou na proximidade das áreas urbanas, as populações dessas aldeias não gozam igualmente de direitos cidadãos, o que reflete em sua marginalinalização e precarização.

Lista de aldeias urbanas no Brasil Nome Etnias Estado Cidade Ano de criaçãoMarçal de Souza Terena Mato Grosso do Sul Campo Grande 1999 Água Bonita Terena, também guarani, cadiuéu e Kinikinawa Mato Grosso do Sul Campo Grande 2001 Darcy Ribeiro Mato Grosso do Sul Campo Grande2007 Tarsila do Amaral Mato Grosso do Sul Campo Grande 2008Aldeia Maracanã (Aldeia Marakanã)pluriétnicaRio de JaneiroRio de janeiro2006Aldeia Maracanã vertical pluriétnicaRio de Janeiro Rio de Janeiro2014Terra Indígena JaraguáGuarani MbyaSão PauloSão Paulo1987

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