No espectro político, a esquerda caracteriza-se pela defesa de uma maior igualdade social. Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.Lukes, Steven. 'Epilogue: The Grand Dichotomy of the Twentieth Century': concluding chapter to T. Ball and R. Bellamy (eds.), The Cambridge History of Twentieth-Century Political Thought.

Os termos "direita" e "esquerda" foram criados durante a Revolução Francesa (1789–1799), e referiam-se ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês, os que estavam sentados à direita da cadeira do presidente parlamentar eram amplamente favoráveis ao Ancien Régime.Goodsell, Charles T., "The Architecture of Parliaments: Legislative Houses and Political Culture", British Journal of Political Science, Vol. 18, No. 3 (July, 1988) pp. 287–302Linski, Gerhard, Current Issues and Research In Macrosociology (Brill Archive, 1984) p. 59Clark, Barry Political Economy: A Comparative Approach (Praeger Paperback, 1998) pp. 33–34

O uso do termo "esquerda" tornou-se mais proeminente após a restauração da monarquia francesa em 1815 e foi aplicado aos "Independentes".Realms of memory: conflicts and divisions (1996), ed. Pierre Nora, "Right and Left" por Marcel Gauchet, p. 248 Mais tarde, foi aplicado a uma série de movimentos sociais, especialmente o republicanismo, o socialismo, o comunismo e o anarquismo. No contexto contemporâneo, o termo "esquerda" tem sido usado para descrever uma vasta gama de movimentos, incluindo o movimentos pelos direitos civis, movimentos antiguerra e movimentos ambientalistas.

História

Na política, o termo "esquerda" deriva da Revolução Francesa: quando, a 28 de Agosto de 1789, se discutiu na Assembleia Nacional Constituinte a questão do direito de veto do rei, os deputados que se opunham à proposta sentaram-se à esquerda do assento do presidente, iniciando-se o costume dos deputados radicais do Terceiro Estado se identificarem com essa posição. Ao longo do século XIX na França, a principal linha divisória de Esquerda e Direita foi entre partidários da República e partidários da Monarquia.

A partir da segunda metade do século XIX, a esquerda ideológica iria se referir cada vez mais a diferentes correntes do socialismo e do comunismo. Particularmente influente foi a publicação do Manifesto Comunista por Marx e Friedrich Engels em 1848, que afirmava que a história de todas as sociedades humanas existentes até então era a história da luta de classes. Ele previa que uma revolução proletária acabaria por derrubar a sociedade burguesa e, através da abolição da propriedade privada, criaria uma sociedade sem classes, sem Estado, e pós-monetária. A Associação Internacional dos Trabalhadores (1864–76), às vezes chamada de Primeira Internacional, reuniu representantes de diversos países, e de diferentes grupos de esquerda e organizações sindicais. Alguns contemporâneos de Marx defendiam ideias semelhantes, mas não concordavam com sua visão de como chegar a uma sociedade sem classes e sem Estado. Após a cisão entre os grupos ligados a Marx e Mikhail Bakunin na Primeira Internacional, os anarquistas formaram a Associação Internacional dos Trabalhadores.Marshall, Peter. "Demanding the Impossible — A History of Anarchism" p. 9. Fontana Press, Londres, 1993 ISBN 978-0-00-686245-1

Nos Estados Unidos, a expressão "esquerda" foi usada para descrever aqueles que apoiaram os sindicatos, o Movimento dos direitos civis dos anos 60 e o movimento antiguerra do Vietnam. Mais recentemente, nos Estados Unidos, "de esquerda" e "de direita", muitas vezes, têm sido usados como sinônimos para o "democrata" e "republicano", ou como sinônimos do Liberalismo social e conservadorismo, respectivamente.ABC news, reported in The Week, May 15, 2009, page 13reported in Mother Jones, April 29, 2009

Na década de 1990, se acelerou, em todo o continente, a conversão dos partidos socialistas europeus para o liberalismo social, notavelmente no que diz respeito ao Partido trabalhista britânico, sob a liderança de Tony Blair, e os sociais-democratas alemães sob Gerhard Schröder. O blairismo abraçou uma terceira via no campo econômico, combinando ideias econômicas liberais com o progressismo social desprovido da aspiração igualitária tornando-se uma das mais poderosas força da centro-esquerda europeia. Outra linha do socialismo europeu representado na época foi o de Lionel Jospin, então chefe de governo francês, que era abertamente menos liberal.Thomas Piketty, « Economiques. Blair et Schröder en font trop. », Libération, 14 juin 1999 Entretanto, tal conjuntura não estava destinada a durar. Após a crise econômica de 2008 e o consequente descrédito do modelo neoliberal trouxe consecutivos revezes políticos ao partido, e logo a plataforma de Blair perdeu seu protagonismo no Reino Unido. Em nova eleição interna do partido, a vitória esmagadora de Jeremy Corbyn (o mais radical dos trabalhistas), recuperou quase todas as bandeiras tradicionais do Labour Party.

Posições Economia Ao longo da sua história, a esquerda tem estado associada a distintos sistemas económicos:

Sobretudo no século XIX, a esquerda republicana e o liberalismo "radical" defendiam (ou pelo menos aceitavam) o liberalismo económico (sobretudo contra os privilégios "feudais" e mercantilistas). Também alguns anarquistas individualistas (p.ex., Benjamin Tucker) consideravam-se como continuadores do "liberalismo de Manchester", sendo da opinião que só era possível haver rendimentos do capital devido à intervenção do Estado. Nos partidos de esquerda ligados à Internacional Socialista (e também os sociais-liberais), é comum a defensa de uma economia mista, combinando o keynesianismo, o Estado de bem-estar social e algumas formas de democracia industrial para limitar o que consideram serem os problemas do capitalismo, mas continuando a manter grande parte da economia no sector privado. Como exemplos desta política, temos os países nórdicos e o New Deal nos Estados Unidos. Parte da esquerda defende a nacionalização em larga escala e a economia planificada. Tais ideias foram a inspiração para a construção do chamado "socialismo real" na URSS e nos países do Bloco de Leste, tendo ao longo do século XX expandido-se para um vasto número de países (ex.: Cuba, Etiópia, China), nomeadamente no quadro do marxismo-leninismo. A partir sobretudo de 1989, a maior parte dos países com economias de direção central teve uma viragem no sentido de uma maior liberalização económica e por vezes também política. Os socialistas de mercado, cooperativistas e mutualistas se baseiam em uma economia de mercado socializada (propriedade coletiva), dominada por empresas auto-gestionadas, voluntárias e cooperativas, com base na democracia econômica e industrial. Enquanto os socialistas de mercado podem apoiar um Estado de bem-estar social, os mutualistas têm posicionamentos libertários. Socialistas libertários, comunistas de conselhos, anarquistas e alguns Humanistas acreditam em uma economia descentralizada dirigida por sindicatos, conselhos de trabalhadores, cooperativas, municípios e comunas, e se opõem ao governo e ao controle privado da economia, preferindo um controle local, na qual uma nação de regiões descentralizadas são unidas em uma confederação ou uma Nação Humana Universal. Também a "Nova Esquerda" associada à contestação e à contracultura da década de 1960 defendia posições nessa linha.

Com os limites acima referidos, pode-se dizer que desde o início do século XX, a esquerda foi associada a políticas que defendiam a intervenção do governo extensa na economia.Eric D. Beinhocker. The origin of wealth. Harvard Business Press. 2006. ISBN 978-1-57851-777-0 p. 416 Google Books Entretanto, tal definição ignora posições flagrantemente antiestatistas sustentadas por algumas correntes da esquerda política, como é o caso do Anarquismo — bem como o fato de que os estágios finais do comunismo preveem a abolição do próprio estado proletário.

Parte da esquerda acredita na economia marxista, que é baseada nas teorias econômicas de Karl Marx. Alguns distinguem as teorias econômicas de Marx a partir de sua filosofia política, argumentando que a abordagem de Marx para a compreensão da economia é independente de sua defesa do socialismo revolucionário ou sua crença na inevitabilidade da revolução proletária.

A economia marxista não se apoia exclusivamente em Marx mas abrange a partir de uma variedade de fontes marxistas e não-marxistas. A "ditadura do proletariado" ou "Estado de trabalhadores" são termos usados por marxistas para descrever o que eles veem como um estado temporário entre a sociedade capitalista e a comunista.

De acordo com Barry Clark:

O Global justice movement ou "Movimento antiglobalização" protesta contra a globalização econômica corporativa, devido às suas supostas consequências negativas para os pobres, os trabalhadores, o meio ambiente e as pequenas empresas.Tom Mertes, "A Movement of Movements", New York: Verso, 2004

Ambientalismo Tanto Karl Marx quanto o socialista William Morris tiveram uma preocupação com as questões ambientais.

De acordo com Marx:

Após a Revolução Russa, os cientistas ambientais, como Alexander Bogdanov e a organização Proletkult, se esforçaram para incorporar o ambientalismo ao bolchevismo, e "integrar a produção às leis e limites naturais" na primeira década soviética. Antes de Joseph Stalin atacar os ecologistas e a ciência da ecologia, ele expurgou ambientalistas e promoveu a pseudociência de Trofim Lysenko. Da mesma forma, Mao Zedong rejeitou o ambientalismo e acreditava que, com base nas leis do materialismo histórico, toda a natureza deve ser colocada a serviço da revolução.

A partir de 1970, o ambientalismo tornou-se uma preocupação crescente da esquerda, com movimentos sociais e alguns sindicatos em campanha sobre questões ambientais. Por exemplo, a Builders Labourers Federation da Austrália, liderada pelo comunista Jack Mundy, se uniu aos ambientalistas para boicotar projetos de desenvolvimento ambientalmente destrutivos.Meredith Burgman, Green Bans, Red Union: Environmental Activism and the New South Wales Builders Labourers' Federation (UNSW Press, Sydney,1998) Alguns segmentos da esquerda socialista e marxista conscientemente fundiu o ambientalismo e o anticapitalismo em uma ideologia eco-socialista.Por exemplo, Wall, D., Babylon and Beyond: The Economics of Anti-Capitalist, Anti-Globalist and Radical Green Movements, 2005 Barry Commoner articulou uma resposta de esquerda para o modelo "Os Limites do Crescimento" que previu o catastrófico esgotamento de recursos e um estímulo ao ambientalismo, postulando que as tecnologias capitalistas foram as principais responsáveis pela degradação ambiental, em oposição às pressões da população.Commoner, B., The Closing Circle, 1972 A degradação ambiental pode ser vista como uma questão de classe ou equidade, já que a destruição ambiental afeta desproporcionalmente as comunidades e países mais pobres.

Vários grupos de esquerda ou socialistas têm uma preocupação ambiental evidente, ao passo que vários partidos verdes contêm uma presença socialista forte. Por exemplo, o Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales possuem um grupo eco-socialista, a Esquerda Verde, que foi fundada em junho de 2005 e cujos membros realizam uma série de posições influentes dentro do partido, incluindo o ex-diretor Speakers Siân Berry e Dr. Derek Wall, um acadêmico eco-socialista e marxista.

O socialista presidente da Bolívia Evo Morales ligou a degradação ambiental ao consumo. Ele disse:

James Hansen, Noam Chomsky, Raj Patel, Naomi Klein, The Yes Men e Dennis Kucinich tiveram opiniões semelhantes.