Igreja Adventista do Sétimo Dia - Movimento de Reforma (IASD-MR) é uma denominação cristã protestante, a qual se destaca pela observância do sábado, pela crença na segunda vinda de Jesus Cristo e a salvação pela graça. Tem sua origem na separação da Igreja Adventista do Sétimo Dia devido à divergência quanto à participação dos membros na Primeira Guerra Mundial, na qual os que eram contra tal conduta deram início ao movimento.Holger Teubert, “The History of the So called ‘Reform Movement’ of the Seventh-day Adventists,” unpublished Manuscript, 9.

As crenças do movimento refletem amplamente sua herança da Igreja Adventista, com algumas divergências, tendo uma visão mais conservadora e mantendo os princípios da Igreja Adventista primitiva que foram deixados por ela ao longo do tempo.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia - Movimento de Reforma é governada por uma Conferência Geral, uma Associação Mundial de unidades territoriais constituintes de Conferências da União e Conferências de Estado/Campo.

Através de suas congregações, editoras afiliadas, escolas, clínicas de saúde e hospitais, o Movimento de Reforma está ativo em mais de 132 países do mundo.See on "The Name of Our Church", official SDARM Website, http://www.sdarm.org/origin/his_12_name.html

História

Em 1914 a Divisão Europeia da IASDDissolvida na primeira Assembléia quadrienal pós-guerra da Associação Geral em São Francisco em 1918).DOURADO, A. R. Aos ASD da Reforma de 1914. Niteroi: ADOS, 2007. P. 45 na Alemanha decidiu que se convocado, o adventista deveria participar do serviço militar, da guerra e até mesmo trabalhar no sábado durante o período de beligerância. O folheto adventista "O Cristão e a Guerra", que foi um dos principais argumentos usados pelos reformistas em motivo da separação, dizia o seguinte: "Temos assim demonstrado, agora, em tudo o que até aqui foi mencionado, que a Bíblia ensina, em primeiro lugar: que participar na guerra não é transgressão do 6° mandamento; em segundo lugar, também, que guerrear no dia de Sábado não é transgressão do 4° mandamento." Desta forma, alguns membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, principalmente da Europa, acharam a decisão errônea, pois o membro que fosse à guerra, seria incapaz de guardar o sábado e ainda pior, teria que tirar a vida de um semelhante seu, podendo inclusive este semelhante ser um outro membro da igreja adventista de outro país.

Cerca de 4.000 adventistas europeus, a maior parte alemães, recusaram esta decisão e foram expulsos da IASD. Este grupo, que somava 2% da igreja, organizou a Sociedade Missionária Internacional Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma. Houve tentativas de reconciliação com a IASD em 1920 e 1922, mas não produziram frutos.

Mais tarde, no verão de 1915 os Pastores L. Conrad, H. F. Schuberth e P. Drinhaus fizeram uma segunda apresentação de um documento ao governo alemão, e passou-se a falar de porte de armas. A esta altura o Movimento de Reforma já estava em andamento e denunciava a Igreja Adventista por ter se afastado dos preceitos originais, e de posse desse documento avolumaram suas denúncias à IASD, vindo a se precipitar daí a separação que se materializaria em 1920.RULHING CITADO EM: PINHO, O. G., Simon Adalberto. Uma Luz que Alumia. São Paulo Associação Paulista da Igreja Adventista do Sétimo Dia 1976. P. 146, 147

A separação oficial ocorreu em 1920, mas, segundo seu primeiro presidente, eles já existiam como organização desde 1915.RULHING, R. Protocolo da Discussão com o Movimento Opositor. Itaquaquecetuba, SP: A Verdade Presente, 1997. P. 46 Tanto é que em 31 de dezembro de 1918 eles já possuíam em sua organização mil membros organizados em oitenta igrejas e grupos, nove ministros, sete obreiros bíblicos, quatro obreiros de tempo parcial, um diretor de colportagem e dezenove colportores.BALBACH, A. A História dos Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. Itaquaquecetuba, SP A Verdade Presente, 2001. P. 208.

Repressão

Durante o período da Segunda Guerra Mundial, os Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma sofreram perseguição e repressão na Alemanha. Seus ideais contrastavam com a política nazista da época. Os fiéis foram declarados foras da lei, seus bens e propriedades confiscados pelo Estado, obrigando-os assim a trabalhar clandestinamente.

Por meio de uma ordem emitida em 29 de abril de 1936, a Igreja Adventista do Sétimo Dia - Movimento de Reforma foi proibida de funcionar na Alemanha, por se contrapor aos ideais do partido nazista. A ordem dizia:

Razões alegadas:

Em 12 de maio de 1936, ela foi considerada dissolvida pela Gestapo, em todo o território alemão.

Posteriormente, os líderes da IASD-MR solicitaram, por meio de uma petição, uma audiência com autoridades locais, visando reaver o direito quanto à liberdade de expressão religiosa. Após um encontro com Reinhard Heydrich, a petição dos líderes da IASD-MR foi renovada, obtendo-se assim uma resposta em 12 de agosto de 1936:

Muitos de seus membros na época tiveram de enfrentar prisão e morte, por contraporem-se ao decreto do Estado. Suas primeiras reuniões legais após o final da Segunda Guerra Mundial, e após quase 10 anos de repressão, aconteceram em Solingen (14-15 de setembro de 1945) e em Esslingen (26-28 de outubro de 1945).A História dos Adventistas do Sétimo Dia — Movimento de Reforma, págs. 209-213.

Características

Possui como pilar principal a observância do sábado, baseada em textos bíblicos como Êxodo 20:8-11, Marcos 2:28, Lucas 4:16, dentre outros; não realizando neste dia atividades como compra e venda, trabalho secular e estudos acadêmicos.Conselho Doutrinário da Conferência Geral. Crenças Fundamentais: dos Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. 2° edição. Itaquaquecetuba, SP: Vida Plena, 2015. P. 32 - 43.

Seus membros são vegetarianos, não fumam e não ingerem bebidas alcoólicas. São aconselhados a não fazerem uso de alimentos estimulantes como café, guaraná, coca, tabaco, entre outros.Conselho Doutrinário da Conferência Geral. Crenças Fundamentais: dos Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. 2° edição. Itaquaquecetuba, SP: Vida Plena, 2015. P. 95 - 104.

Eles são antiguerra e não prestam serviços militares. Também não se envolvem com política e não votam.

No vestuário destaca-se o uso de saia na altura da metade da panturrilha, sem o uso de decotes e ombros a mostra. Eles também não fazem o uso de joias de qualquer tipo, incluindo alianças.Conselho Doutrinário da Conferência Geral. Crenças Fundamentais: dos Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. 2° edição. Itaquaquecetuba, SP: Vida Plena, 2015. P. 104-113.

Os "Reformistas" aguardam o segundo advento de Cristo baseados em textos bíblicos como João 14:2-3, e nas profecias dos livros de Isaías e Apocalipse.Conselho Doutrinário da Conferência Geral. Crenças Fundamentais: dos Adventistas do Sétimo Dia Movimento de Reforma. 2° edição. Itaquaquecetuba, SP: Vida Plena, 2015. P. 143-146.

Doutrinas

A Trindade: A IASD-MR crê na doutrina que reza que Pai, Filho e Espírito Santo constituem a Divindade. Não acreditam em três deuses, mas em apenas um Deus subsistindo em três seres divinos; O Pai: A IASD-MR crê que o divino Pai Eterno é onisciente, onipresente, onipotente, eterno e imutável, infinito em amor, longanimidade e misericórdia; O Filho: A IASD-MR crê que Jesus Cristo é o Filho do Eterno Pai, sendo um com Ele em natureza e divindade, a Segunda Pessoa da Trindade; O Espírito Santo: A IASD-MR crê que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, um com o Pai e o Filho em divindade e atributos; As Escrituras Sagradas: A IASD-MR crê que a Bíblia Sagrada (Antigo e Novo Testamento) constitui-se a Palavra de Deus e fonte de sua doutrina, vida, crença e prática; A Lei Moral: A IASD-MR crê que os 10 Mandamentos são o Padrão Moral de Vida e Comportamento dos seres humanos, refletem o caráter de Deus e constituem padrão eterno de moralidade; A Lei Cerimonial: A IASD-MR crê que as leis civis de Israel, embora revestidas de certo grau de moralidade, não são mais aplicáveis nos dias de hoje. A lei cerimonial, incluindo as leis restritas aos rituais do santuário, simbolizava o sacrifício que Jesus faria, portanto quando Cristo morreu na Cruz, não havia mais a necessidade de sacrifícios e como símbolo disso, o véu do templo foi rasgado; O Sábado: A IASD-MR crê que o 7º dia da semana, o sábado, é um dia sagrado, de descanso, quando todo membro ativo deve abster-se de atividades seculares como trabalho, escola, diversões seculares, estudos acadêmicos e negócios neste dia; A Origem do Pecado: A IASD-MR crê que o pecado se originou no Céu, com a rebelião de Lúcifer, que queria assumir uma posição de autoridade maior que a do Filho de Deus (História da Redenção, E.G.W, cap. 1); A Criação: A IASD-MR crê que o mundo foi criado em 6 dias literais e que, ao sétimo dia, Deus descansou (como exemplo), abençoou e o santificou, separando-o dos demais dias, como memorial da criação; O Plano da Redenção: A IASD-MR crê que Jesus Cristo, na condição celestial de Filho de Deus, decidiu assumir a função de substituto do homem caído, para sofrer a morte eterna em seu lugar e, através da fé em seu sacrifício, o homem ser salvo da condenação eterna; O Batismo: A IASD-MR crê que o batismo simboliza o novo nascimento e representa a iniciação do novo membro na vida cristã e deve ser feito por imersão em águas. Crê que o ritual deve ser feito apenas em pessoas adultas e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mat. 28:19); A Santa Ceia: A IASD-MR crê que o rito da Santa Ceia representa a renovação da aliança estabelecida no batismo. Somente membros podem participar; O Santuário: A IASD-MR crê que o Santuário Terrestre do antigo Israel era um modelo do Santuário Celestial e que todo seu ritual representava um tipo do qual Jesus Cristo em seu ministério terrestre e celestial representa o antítipo. Tal qual ocorria uma vez por ano no Antigo Israel, o Dia da Expiação, assim também o Filho de Deus adentrou ao Santíssimo compartimento do Santuário Celestial, por ocasião de 1844, para fazer expiação pelos pecados do homem até que a porta da graça seja fechada; A Tríplice Mensagem Angélica: A IASD-MR crê na pregação da Tríplice Mensagem Angélica que prega o Juízo de Deus, iniciado em 1844, a queda de Babilônia (representando o sistema religioso cristão nominal que rejeita essa primeira mensagem) e a terceira mensagem que pregaria a advertência contra aceitação do selo da besta (domingo) que seria imposto em contraposição ao selo de Deus (sábado); O Anjo de Apocalipse 18: A IASD-MR crê que aquele outro anjo de Apocalipse 18 representa um reforço à Tríplice Mensagem Angélica, uma vez confiada aos Adventistas do Sétimo Dia, mas que perderam sua posição de privilégio ao rejeitarem uma mensagem de advertência dada em 1888 (na Conferência Geral de Mineápolis) e por terem permitido a participação dos seus membros na Primeira Guerra Mundial; O Dom de Profecia: A IASD-MR crê que o dom da profecia foi manifestado no ministério da senhora Ellen Gold White e que representa uma confirmação das Escrituras Sagradas. A IASD-MR não acredita na equiparação e nem na substituição da Bíblia pelos livros dela, mas que seus livros representam uma iluminação esclarecedora das Escrituras sendo seu compêndio autoridade teológica para a igreja; O Casamento: A IASD-MR crê que o casamento é uma instituição de contrato vitalício, podendo ser dissolvido somente por ocasião da morte de um dos cônjuges; adultério ou qualquer outro motivo não é considerado como razão para dissolução do matrimônio. Ainda que haja separação de corpos entre o casal, para a crença da IASD-MR tal casal permanece casado perante Deus;