Victor Noir (pseudónimo de Yvan Salmon; Attigny, Vosgos, 27 de julho de 1848 – Paris, 10 de janeiro de 1870) foi um jornalista francês, morto a tiro pelo príncipe Pierre Bonaparte, primo do imperador Napoleão III de França, num episódio que se tornou um dos símbolos da agitação política que antecedeu a queda do Segundo Império Francês.
A sua sepultura no Cemitério do Père-Lachaise — o maior de Paris — tornou-se um símbolo de fertilidade, devido à protuberância nas partes íntimas da estátua jacente esculpida por Jules Dalou, que representa Noir caído após ser atingido pelo disparo. Segundo a lenda popular, a mulher que colocar uma flor na cartola da estátua, lhe beijar os lábios e esfregar os sapatos ou a protuberância encontrará um companheiro ou engravidará dentro de um ano.
Os seus pais eram Joseph Jacques Salmon e Joséphine Élisabeth Noir.
Biografia
Juventude e carreira jornalística Yvan Salmon nasceu em Attigny, no departamento dos Vosgos, filho de Joseph Jacques Salmon e de Joséphine Élisabeth Noir, de cujo apelido de solteira adotou o pseudónimo profissional "Victor Noir". Ainda jovem, mudou-se para Paris, onde seguiu os passos do irmão mais velho, Louis Salmon, também jornalista sob o pseudónimo de Louis Noir.
Colaborou com diversos pequenos periódicos parisienses antes de se tornar redator de La Marseillaise, jornal republicano fundado em dezembro de 1869 por Henri Rochefort e dirigido por Paschal Grousset, conhecido pelas suas posições radicais contra o regime de Napoleão III.
Confronto com Pierre Bonaparte e morte Em finais de dezembro de 1869, uma disputa entre o jornal corso La Revanche e o príncipe Pierre Bonaparte agravou-se depois de Rochefort ter divulgado o caso em La Marseillaise. Bonaparte desafiou Rochefort para um duelo.
Em 10 de janeiro de 1870, Paschal Grousset enviou dois representantes — Victor Noir e o jornalista Ulric de Fonvielle — à residência do príncipe, na rue d'Auteuil, em Paris, para tratar dos termos do duelo. Segundo o relato de Fonvielle, Bonaparte esbofeteou Noir durante a discussão e, de seguida, disparou sobre ele com um revólver; segundo a versão do príncipe, foi ele próprio quem foi agredido primeiro, tendo disparado em legítima defesa. Noir, atingido no peito, saiu de casa cambaleante e morreu pouco depois numa farmácia próxima.
Pierre Bonaparte foi julgado por um tribunal especial, a Alta Corte de Justiça (Haute Cour de Justice), reunida em Tours entre 21 e 27 de março de 1870, e foi absolvido da acusação de homicídio, sendo apenas condenado a pagar uma pensão aos pais de Noir.
Funeral e impacto político O funeral de Victor Noir, realizado em 12 de janeiro de 1870 no cemitério de Neuilly-sur-Seine, reuniu entre 100 mil e 200 mil pessoas e transformou-se numa manifestação de protesto contra o regime imperial, com a participação de figuras como Louise Michel. O episódio intensificou a agitação republicana nos últimos meses do Segundo Império Francês, que seria derrubado poucos meses depois, em setembro de 1870.
Túmulo e lenda da fertilidade Em 1891, os restos mortais de Victor Noir foram transferidos para o Cemitério do Père-Lachaise, onde o escultor republicano Dalou criou uma estátua jacente em bronze que o representa caído na rua, com o casaco aberto e o ferimento de bala visível, num estilo marcadamente realista.
Com o tempo, formou-se em torno da escultura uma lenda popular segundo a qual tocar em determinadas partes da estátua traz sorte no amor ou fertilidade: seria necessário beijar os lábios da figura, esfregar os sapatos e a protuberância genital, bem como colocar uma flor na cartola. A crença, cuja origem exata é incerta, é responsável pelo polimento visível do bronze nessas zonas.
Referências
Ligações externas
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