O Anna's Archive é um motor de busca de código aberto para bibliotecas-sombra, lançado pela pseudónima Anna pouco depois das operações policiais que levaram ao encerramento da Z-Library em 2022. O sítio agrega registos da Z-Library, do Sci-Hub e do Library Genesis (LibGen), entre outras fontes. Autodenomina-se "a maior biblioteca verdadeiramente aberta da história da humanidade", e declarou ter como objetivo "catalogar todos os livros existentes" e "acompanhar o progresso da humanidade para tornar todos esses livros facilmente disponíveis em formato digital". Alega não ser responsável por descarregamentos de obras protegidas por direitos de autor, uma vez que não aloja diretamente quaisquer ficheiros, limitando-se a fornecer ligações para descarregamentos de terceiros. Não obstante, tem sido alvo de ações legais por violação de direitos de autor em larga escala, enfrentando bloqueios governamentais e processos judiciais por parte de titulares de direitos e associações comerciais de editores.

História O Anna's Archive surgiu do projeto Pirate Library Mirror (PiLiMi), uma iniciativa anónima de espelhamento de bibliotecas-sombra que completou uma cópia integral da Z-Library em setembro de 2022. O PiLiMi reconheceu ter "violado deliberadamente a legislação de direitos de autor na maioria dos países". O foco inicial do projeto era a preservação, e não a possibilidade de pesquisa dos dados. Poucos dias após as autoridades norte-americanas terem apreendido vários domínios da Z-Library e detido os seus alegados operadores em novembro de 2022, a membro do PiLiMi conhecida como Anna (também chamada Anna Archivist) lançou o Anna's Archive, que inicialmente apresentava resultados da Z-Library e do LibGen.

Sítio e operações O Anna's Archive tem sido descrito como um motor de busca, um metamotor de busca, e uma biblioteca-sombra propriamente dita. Opera vários sítios espelho sob diferentes domínios de topo, atualmente .gl, .pk e .gd. O seu código-fonte é dedicado ao domínio público sob a licença CC0. O sítio não aloja ficheiros diretamente (o que, segundo afirma, o isenta de responsabilidade por descarregamentos de conteúdo protegido), limitando-se a indexar metadados e a fornecer ligações para descarregamentos "de terceiros". Também oferece descarregamentos através do protocolo IPFS.

As "bibliotecas-fonte" do sítio incluem o LibGen, o Sci-Hub, a Z-Library, o Internet Archive, o DuXiu, o MagzDB, o Nexus/STC e o HathiTrust; a Open Library, o WorldCat e o Google Livros constam como fontes apenas de metadados. Alguns destes conjuntos de dados são já publicamente acessíveis, enquanto outros são obtidos por raspagem de dados ou adquiridos de forma privada para distribuição. São depois disponibilizados em massa através de ficheiros torrent para garantir resiliência contra remoções do sítio. Em março de 2026, o Anna's Archive inclui 63 632 048 livros e 95 689 475 artigos científicos, e a sua lista unificada de torrents totaliza aproximadamente 1,1 petabytes.

Um estudo de 2025 que comparou a cobertura de bases de dados bibliográficas convencionais com diversas alternativas (incluindo motores de busca académicos, outras bases de dados na web, redes sociais académicas e sítios de pirataria) concluiu que o Anna's Archive apresentava uma das coberturas de texto integral mais abrangentes, mas criticou-o por possuir uma interface pouco intuitiva. Em março de 2025, registava uma média de mais de 650 000 descarregamentos diários, cerca de 10 vezes a distribuição estimada da Biblioteca Pública de Nova Iorque.

Tecnologia Infraestrutura e proteção contra DDoS O Anna's Archive utiliza uma arquitetura de servidores multicamada concebida para resistir a remoções e interrupções. Segundo uma publicação de 2023 no blogue dos operadores do sítio, o backend funciona com Flask, MariaDB e Elasticsearch, alojado em servidores económicos que são encaminhados através de fornecedores separados e "amantes da liberdade" para proteger a infraestrutura real de alojamento de pedidos judiciais. São mantidos múltiplos servidores proxy e de aplicação redundantes, de modo a que, caso um fornecedor rescinda o serviço, o sítio possa continuar a operar.

Inicialmente, o sítio utilizava o plano gratuito da Cloudflare como camada adicional de cache e proteção contra DDoS, aproveitando a posição jurídica da Cloudflare de que atua como utilidade pública e não como fornecedor de alojamento, ficando assim isenta de pedidos de remoção ao abrigo do DMCA. Contudo, na sequência de ordens judiciais associadas ao processo do Spotify em janeiro de 2026, a Cloudflare desativou os seus servidores de nomes para vários domínios do Anna's Archive. Pelo menos alguns dos domínios do sítio migraram posteriormente para o DDoS-Guard, um fornecedor russo de proteção contra DDoS e distribuição de conteúdos.

Registo de domínios O Anna's Archive registou domínios através de diversos registradores em múltiplas jurisdições. Vários dos seus domínios, incluindo os domínios .li e .gl, foram registados através do Njalla, um serviço de registo de domínios focado na privacidade, operado pela Njalla SRL na Costa Rica, que regista domínios em nome próprio em representação dos clientes para proteger a sua identidade.

Sistema de contas e velocidades de descarregamento O sítio opera um sistema de descarregamento por escalões. Os não-membros podem descarregar ficheiros através de servidores partilhados a velocidades reduzidas, sujeitos a verificação no navegador destinada a prevenir abusos automatizados. Um sistema baseado em lista de espera permite aos utilizadores gratuitos acederem a servidores ligeiramente mais rápidos, limitando o número de descarregamentos simultâneos. Os membros pagantes recebem descarregamentos de alta velocidade, sendo o número de descarregamentos rápidos permitidos por período de 24 horas variável consoante o escalão de adesão; múltiplas adesões podem ser combinadas de forma aditiva. O sítio também disponibiliza acesso SFTP de alta velocidade à sua coleção completa a organizações — principalmente empresas que treinam modelos de linguagem de grande dimensão — em troca de contribuições significativas em dinheiro ou dados.

Infraestrutura de donativos e pagamentos Devido ao seu estatuto legal, o sítio declara não poder aceitar pagamentos através de canais bancários convencionais diretamente. Em vez disso, recorre a criptomoedas, bem como a métodos alternativos como cartões-presente da Amazon, Cash App e Alipay. Os operadores declararam que a necessidade de permanecerem anónimos obriga a evitar processadores de pagamento tradicionais, e que apenas um reduzido número de empresas suporta cartões de débito virtuais pagos com criptomoedas.

Formato de dados Os dados do sítio são normalizados no formato Anna's Archive Containers (AAC), introduzido em agosto de 2023 para permitir lançamentos incrementais. Cada contentor é composto por metadados e, opcionalmente, dados binários associados. Os ficheiros de metadados utilizam JSON delimitado por linhas comprimido com Zstandard, enquanto os ficheiros de dados binários são armazenados em diretórios estruturados adjacentes. O formato foi concebido para ser legível por máquina, fácil de distribuir por torrents e compatível com a pilha tecnológica existente do sítio: MariaDB, Elasticsearch e Python.

Finanças Os descarregamentos de alta velocidade no Anna's Archive estão disponíveis apenas para utilizadores com adesão paga, enquanto os não-membros devem recorrer a opções mais lentas com verificação no navegador para prevenir abusos por bots. O sítio descreve-se como uma organização sem fins lucrativos, alegando que as quotas de adesão e os donativos são maioritariamente gastos em infraestrutura de servidores e que nenhum é utilizado pessoalmente pelos operadores. Atribui adesões e "recompensas" monetárias a alguns voluntários contribuidores.

O Anna's Archive disponibiliza acesso de alta velocidade à sua coleção completa via SFTP a grupos que treinam modelos de linguagem de grande escala (LLMs) em troca de contribuições significativas em dinheiro ou dados. Em janeiro de 2025, declarou fornecer esse acesso a cerca de 30 empresas, maioritariamente sediadas na China, incluindo empresas de LLMs e corretores de dados. O modelo VL do DeepSeek foi parcialmente treinado com dados de livros eletrónicos provenientes do sítio. Alguns juristas criticaram a alegação de que isto constitui uso justo ao abrigo da legislação de direitos de autor dos EUA, citando precedentes sobre a importância dos danos de mercado.

Motivação

O Anna's Archive declarou que os seus objetivos são "catalogar todos os livros existentes" e "acompanhar o progresso da humanidade para tornar todos esses livros facilmente disponíveis em formato digital". Tem sido descrito como uma continuação e extensão significativa das ambições das bibliotecas-sombra anteriores, com a sua visão de uma "biblioteca universal" que preserve o maior número possível de livros. Foi interpretado como parte de uma crescente "cultura de desconfiança em relação a empresas, instituições, governos e leis... que talvez tenha começado com o colapso financeiro de 2008 e os movimentos Occupy Wall Street", que assistiram ao surgimento de tecnologias descentralizadoras.

Anna justificou a sua oposição aos direitos de autor com fundamentos éticos, afirmando que "acreditam que preservar e alojar estes ficheiros é moralmente correto" e que ela e outros bibliotecários-sombra acreditam que "a informação quer ser livre". Sugeriu que a lei de direitos de autor deve ser reformada por razões de segurança nacional, propondo que os países ocidentais criem exceções legais para mineração de textos e dados de modo a manterem a dianteira na corrida armamentista da IA.

Anna cita o programador e ativista da informação Aaron Swartz como inspiração para a recolha de metadados do projeto. O sítio recomenda os escritos de Swartz, bem como How Music Got Free de Stephen Witt e Against Intellectual Monopoly de Michele Boldrin e David K. Levine, que criticam a legislação vigente sobre direitos de autor e foram associados ao movimento copyleft.

Bloqueios e questões legais miniaturadaimagem|Mapa dos países que bloqueiam o Anna's Archive:

Estados Unidos Desde 2023, os domínios do Anna's Archive figuram na Lista Anual de Mercados Notórios do Representante Comercial dos Estados Unidos, que destaca mercados digitais e físicos alegadamente envolvidos em violação de propriedade intelectual em larga escala. Estes relatórios descrevem o sítio como relacionado com o Sci-Hub e o LibGen. Em resposta a um pedido de comentário do Gabinete sobre a sua Lista de 2023, a Associação de Editores Americanos identificou o Anna's Archive como um sítio infrator e analisou as suas carteiras de criptomoedas, concluindo que tinha recebido mais de 29 000 dólares em fundos até julho de 2023.

Processo judicial da OCLC Em outubro de 2023, foi noticiado que o Anna's Archive tinha extraído a totalidade do WorldCat, a maior base de dados bibliográfica do mundo, e disponibilizado gratuitamente os seus dados proprietários, o que Anna descreveu como "um marco importante no mapeamento de todos os livros do mundo". A OCLC, entidade responsável pelo WorldCat, respondeu processando o sítio num tribunal federal do Ohio em janeiro de 2024, alegando que a extração fora conseguida através de ciberataques aos seus servidores. Exigiu mais de 5 milhões de dólares em indemnizações e uma injunção para impedir o Anna's Archive de extrair ou partilhar os seus dados. A OCLC esclareceu que, embora os seus sistemas internos não tenham sido violados, considera que as ações do sítio constituem legalmente pirataria informática. A única arguida identificada negou qualquer envolvimento com a extração ou com o Anna's Archive. O escritor de tecnologia Glyn Moody criticou o processo como "dispendioso e inútil", afirmando que contrariava a missão declarada da OCLC de tornar a informação acessível.