A Classe Kirov, designada oficialmente como Projeto 26, foi uma classe de cruzadores pesados operada pela Frota Naval Militar Soviética, composta pelo , , , , e . Suas construções começaram entre 1935 e 1938 nos Estaleiros Nº 189, Nº 198 e Nº 199, foram lançados ao mar entre 1936 e 1942 e comissionados entre 1938 e 1944. O projeto da classe foi inspirado no cruzador rápido italiano , mas adaptado para acomodar uma torre de artilharia maior e outras preferências soviéticas. Os navios foram construídos em pares e incorporavam melhoramentos em relação aos anteriores em questões de tamanho e armamentos.

Os seis cruzadores da Classe Kirov eram armados com uma bateria principal composta por nove canhões de 180 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 191 metros, uma boca de dezessete metros, um calado de seis metros e um deslocamento carregado entre nove e dez mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por seis caldeiras a óleo combustível que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de 36 nós (67 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão de blindagem de cinquenta a setenta milímetros de espessura.

O Kirov e o Maxim Gorky foram designados para a Frota do Báltico, enquanto o Voroshilov e o Molotov foram colocados na Frota do Mar Negro. Os quatro lutaram na Segunda Guerra Mundial depois da invasão alemã em 1941, participando da escolta de comboios e operações de bombardeio litorâneo. A construção do Kaganovich e Kalinin foi atrasada pelo andamento da guerra e eles só foram entrar em serviço nos últimos anos do conflito, não participando de combates como parte da Frota do Pacífico. Os seis continuaram servindo depois guerra como navios-escola ou em outras funções secundárias. Três foram tirados de serviço e desmontados na década de 1960 e os restantes dez anos depois.

Desenvolvimento A indústria soviética era incapaz de projetar por conta própria navios de guerra grandes e complexos nos anos após Revolução Russa e Guerra Civil Russa, procurando então ajuda externa. A italiana Ansaldo deu aos soviéticos plantas do cruzador rápido , com projeto de 7,2 mil toneladas e armado com seis canhões de 180 milímetros em torres de artilharia duplas sendo produzido em 1933. Os italianos garantiram que o navio poderia alcançar 37 nós (69 quilômetros por hora) nos testes marítimos se o tamanho ficasse dentro do limite de 7,2 mil toneladas. O projetista de uma nova torre de artilharia conseguiu persuadir seus superiores que seria possível encaixar torres triplas na embarcação dentro do limite especificado, com este projeto sendo aprovado em novembro de 1934 como o Projeto 26.

Os soviéticos compraram plantas e um exemplar do sistema de propulsão do sucessor . Eles tiveram dificuldade em adaptar o maquinário mais poderoso em um casco menor, assim o início da construção dos novos navios foi adiado. Outro problema era que o projeto italiano precisou ser adaptado para a preferência soviética de uma mistura de armações longitudinais do casco à meia-nau e armações transversais para proa e popa, ao mesmo tempo reforçando a estrutura a fim de aguentar as condições climáticas mais severas que os soviéticos costumavam encontrar.

Os navios da Classe Kirov foram construídos em pares, cada um incorporando alguns melhoramentos em relação ao anterior. Estes pares foram designados como Projeto 26, Projeto 26bis e Projeto 26bis2, nesta sequência. As diferenças normalmente eram relacionadas com tamanho, blindagem, armamento e aeronaves.

Projeto Características Os navios do Projeto 26 tinham 191,3 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 17,66 metros e um calado máximo de 6,15 metros. Tinham um deslocamento padrão toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Tinham um único leme e consequentemente não eram muito manobráveis. O Kirov e o Voroshilov foram equipados com um enorme mastro de vante tetrápode, mas ele acabava restringindo o campo de visão da torre de comando e os arcos de disparo dos canhões antiaéreos de 100 milímetros, além de aumentar em muito suas silhuetas. Foi reduzido para um mastro de poste simples nos cruzadores seguintes enquanto a superestrutura foi ampliada com o objetivo de acomodar as instalações de controle de disparo que ficavam nos mastros de vante.

O Projeto 26bis incorporou várias mudanças. Tinham um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Tinham dimensões ligeiramente maiores, com 191,4 metros de comprimento e calado de 6,3 metros. Mostraram-se os navios mais rápidos da classe durante seus testes marítimos com 36,72 nós (68,01 quilômetros por hora). O Projeto 26bis2 era ainda maior, com deslocamento padrão de 8,4 mil toneladas e deslocamento carregado de 10,4 mil toneladas. Era vinte centímetros menor com 191,2 metros de comprimento de fora a fora, porém o comprimento da linha de flutuação se manteve o mesmo. Suas turbinas eram um pouco mais potentes.

Propulsão thumb|esquerda|220px|Uma das hélices do Voroshilov O sistema de propulsão consistia em duas hélices com salas de máquinas e caldeiras alternadas. Os maquinários do Kirov foram enviados da Itália, desviados da construção do Eugenio di Savoia. Os maquinários do resto dos navios foram construídos em Carcóvia com plantas italianas. As turbinas a vapor TB-7 soviéticas acaram se mostrando mais potentes e mais econômicas do que as originais italianas. O Kirov queimava oitocentos quilogramas de óleo combustível por cavalo-vapor comparados aos 623 quilogramas do Kalinin. A potência das turbinas do Kirov chegou a apenas 115 mil cavalos-vapor (84,6 mil quilowatts) durante seus testes marítimos, enquanto a do Voroshilov chegou a 124,2 mil cavalos-vapor (91,3 mil quilowatts). Todos os seis navios eram equipados com caldeiras de tubos d'água Yarrow-Normand licenciadas com uma capacidade normal de 106 toneladas por hora de vapor superquente a uma pressão de 25 quilogramas-força por centímetro quadrado ( quilopascais) a uma temperatura de 325 graus Celsius. Haviam duas turbinas por cruzador e cada uma girava uma hélice de bronze com três lâminas de 4,7 metros de diâmetro. A velocidade máxima projetada era de 36 nós (67 quilômetros por hora), porém isto variava de navio a navio. Podiam normalmente carregar entre seiscentas e 650 toneladas de óleo combustível, enquanto a capacidade máxima em deslocamento carregado variava entre e toneladas. A autonomia também variava bastante, ficando de a milhas náuticas ( a quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora). A quantidade máxima de combustível que podia ser carregada ficava entre a toneladas.

Armamento thumb|240px|As torres de artilharia de vante do Voroshilov em 1942 O armamento principal consistia em nove canhões B-1-P calibre 57 de 180 milímetros montados em três torres de artilharia MK-3-180 triplas elétricas. As torres eram bem pequenas para encaixarem no espaço disponível e eram tão apertadas que sua cadência de tiro era muito mais baixa do que projetado: dois disparos por minuto em vez de seis. As armas ficavam montadas em um único berço para minimizar o espaço e eram tão próximas umas das outras que sua dispersão era muito alta, pois um canhão era afetado pela onda de choque dos adjacentes. As torres pesavam aproximadamente 236 a 247 toneladas, com as armas podendo abaixar até quatro graus negativos e elevar até 48 graus. Disparavam projéteis de 97,55 quilogramas a uma velocidade de saída de novecentos a 920 metros por segundo, o que dava um alcance de 38 quilômetros dependendo da munição e tipo do canhão. Cada navio normalmente carregava cem projéteis por arma, porém os cruzadores do Projeto 26 podiam carregar em sobrepeso quatro projéteis a mais por canhão.

O armamento secundário tinha seis canhões antiaéreos B-34 calibre 56 de 100 milímetros em montagens únicas nas laterais da segunda chaminé, exceto nos navios do Projeto 26bis2, que foram equipados com oito canhões 90-K calibre 52 de 85 milímetros por problemas enfrentados no programa das armas B-34. Cada canhão B-34 tinha um carregamento de 325 projéteis, enquanto os canhões 90-K tinham um carregamento de trezentos projéteis por arma. A bateria antiaérea leve inicialmente era formada por seis canhões 21-K semiautomáticos de 45 milímetros com seiscentos projéteis cada e quatro metralhadoras DK de 12,7 milímetros com 12,5 mil projéteis cada. O Projeto 26bis tinha nove canhões 21-K e o Projeto 26bis2 foi construído com dez canhões 70-K automáticos de 37 milímetros com mil projéteis cada. A maioria ou todos os canhões 21-K foram substituídos durante a Segunda Guerra Mundial por armas 70-K ou por uma ou duas montagens quádruplas de metralhadoras Vickers Marco III Lend-Lease, mas a composição da bateria antiaérea de cada embarcação variava.

Havia seis tubos de torpedo 39-Yu em dois lançadores triplos, com eles podendo ser ajustados individualmente para que os salvos fossem espalhados. O Molotov e o Kaganovich tiveram seus lançadores substituídos durante a guerra por modelos 1-N mais modernos. Os cruzadores do Projeto 26 podiam carregar 96 minas navais KB ou 164 minas Modelo 1912. Também foram montados dois trilhos de cargas de profundidade, além de quatro lançadores BMB-1. Vinte cargas de profundidade grandes BB-1 e trinta pequenas BM-1 podiam ser levadas. Sonar algum foi instalado nas embarcações do Projeto 26 e Projeto 26bis, mas tinham um sistema acústico de comunicação subaquática Arktur. O Kaganovich e Kalinin foram equipados com um sistema ASDIC-132 Lend-Lease, chamado pelos soviéticos de Drakon-132, além do sistema de sonar experimental Mars-72.

O Projeto 26 foi equipado com um sistema de controle de disparo Molniya para a bateria principal que tinha um computador mecânico TsAS-2 e o diretório KDP3-6. Cada torre e o diretório eram equipados com telêmetros DM-6 que permitiam que vários alvos fossem enfrentados pela combinação de controle de disparo local e central. O Projeto 26bis e Projeto 26bis2 foram equipados com o aprimorado sistema Molniya-AT, que podia aceitar dados de aeronaves. O armamento antiaéreo do Projeto 26 e Projeto 26bis2 era controlado pelo sistema Gorizont-1 com um computador SO-26, um giroscópio Gazon e dois diretórios SPN-100, um em cada lateral da superestrutura. O Voroshilov tinha diretórios SPN-200. Cada diretório tinha um telêmetro de três metros totalmente estabilizado. O Projeto 26bis tinha um sistema Gorizont-2 mais avançado com giroscópio vertical Shar.

O Molotov foi o primeiro navio de guerra soviético equipado com um radar, que era um sistema de aviso aéreo Redut-K instalado em 1940 e que ele continuou usando durante toda a Segunda Guerra Mundial. Os outros cruzadores da classe foram em sua maioria equipados com radares de Lend-Lease. Os britânicos Tipo 281 e 291 mais o norte-americano SG foram usados para varredura aérea. Radares de controle de disparo para a bateria principal eram os britânicos Tipo 284 e 285, já o radar de controle de disparo antiaéreo era o também britânico Tipo 282. Os radares de artilharia soviéticos Yupiter-1 e Mars-1 foram equipados em 1944 no Molotov e também no Kalinin.

Blindagem O esquema de blindagem formava um invólucro ao redor das áreas vitais. O cinturão, convés e anteparas transversais, mais as torres de artilharia e barbetas, tinham uma espessura uniforme de cinquenta milímetros. A torre de comando tinha laterais de 150 milímetros e teto de cem milímetros. Uma caixa de vinte milímetros protegia os equipamentos de direção e várias posições de controle tinham proteção contra estilhaços: catorze milímetros para a posição de controle de torpedos, oito para o controle de disparo da bateria principal e escudos das armas secundárias, sete para a posição de controle da bateria secundária e por fim laterais e tetos de 25 para a estação de comando auxiliar.