Operação Guardiões do Bioma é uma operação considerada contínua pela Polícia Federal do Brasil (PF), em conjunto com o IBAMA, FUNAI, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Rodoviária Federal com apoio das Forças Armadas do Brasil, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e Bombeiros de diferentes estados da federação. É o maior conjunto de operações que visa principalmente combater queimadas e incêndios florestais nos biomas brasileiros. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, junto com a PF, articulou a operação, que resultou em uma cooperação integrada entre diferentes instituições federais e dos estados, com o apoio do Ministério Público e das Forças Armadas sendo um conjunto de operações integrada com diversos objetivos e várias fases.
Nos últimos anos a criminalidade não se limitou apenas ao garimpo ilegal e a extração ilegal de recursos naturais. O tráfico humano, rotas de tráfico de drogas e a ascensão rápida do crime organizado nos biomas brasileiros de maneira descontrolada aumentou a percepção de violência nessas regiões não só no Brasil como em toda a América Latina que nos últimos anos militarizou os conflitos contra gangues e elevou os confrontos a nível federal. A PF também investiga a participação de facções, milícias e uma suposta presença de um Estado Paralelo na região da Amazônia Legal.
A Operação também conta com apoio da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). A ABIN fica responsável por fornecer apoio de inteligência às forças de segurança que atuam na região nas áreas de interesse da Operação. A Secretaria de Operações Integradas, através do Ministério da Justiça e Segurança Pública em agosto de 2022, relatou que o desmatamento na Amazônia Legal teve uma redução de 21,42%. Ainda segundo dados do Ministério da Justiça, no mesmo período foram combatidos 16 mil incêndios florestais em onze estados dos biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, com 6.772 crimes ambientais combatidos, 3.268 ações preventivas de combate a incêndios, 1.547 multas aplicadas, 784 combates ao desmatamento ilegal, 133 maquinários apreendidos e 5.162 m³ de madeiras apreendidas. Em 2023, alertas de garimpo ilegal na Terra Yanomami reduziram para 96,6%, segundo a Polícia Federal.
No dia 19 de maio de 2023, o Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu 1 bilhão de reais do Fundo da Amazônia para ampliar a segurança na região. Áreas de reservas indígenas em alerta para atividade garimpeira mais que dobraram em 2023, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em agosto de 2023, Yanomamis alertaram sobre a volta do garimpo ilegal e do crime organizado para a região. Indígenas destacaram que o baixo efetivo da Força Nacional e agentes despreparados, dificulta a execução de ações protetivas nas regiões mais afastadas do território. No mesmo mês, o Governo Federal passou a elaborar uma operação para retirar de maneira definitiva invasores das terras indígenas. A ação de desintrusão visa principalmente expulsar garimpeiros e fazendeiros ilegais e tem uma logística rebarbativa. A Operação conta com ajuda de órgãos federais como a PF, Forças Armadas e IBAMA.
Aporte de investimentos Em 2023, a operação recebeu mais de 60 milhões de reais em investimentos para o combate aos crimes nos biomas brasileiros. Mais de oito mil agentes de segurança da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas, Força Nacional, Bombeiros Militares, IBAMA, FUNAI, com apoio da Polícia Civil e Polícia Militar de diferentes estados da federação e da ABIN, combateram mais de seis mil crimes ambientais.
Antecedentes Entre 2016 e 2022, o garimpo ilegal aumentou mais de 787 por cento, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com os dados do Inpe, em 2016, durante o governo Michel Temer, a área de mineração ilegal em terras indígenas estava em 12,87 km², o equivalente a quase metade do arquipélago de Fernando de Noronha. Em 2021, no governo Jair Bolsonaro, o número registrado aumentou 787%, cerca de 114,26 km². Houve queda em 2022, também sob o governo Bolsonaro, quando 62,1 km² foram detectados como área de mineração ilegal.
Entre os anos de 2019 e 2021, durante o governo Bolsonaro, o Governo Federal seguiu a política de que os militares seriam responsáveis por estabelecer a ordem em terras indígenas e na Amazônia, mediante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O Ministério da Defesa coordenava ações e operações de repressão e prevenção na Amazônia Legal.
As operações de GLO não surtiram efeito, e o agravamento de ações ilegais na Amazônia persistiu. O vice-presidente Hamilton Mourão anunciou que o Governo Federal não renovaria as operações de GLO, e as Forças Armadas dariam apoio apenas logístico.
Isso levou a uma intervenção da Polícia Federal nos biomas brasileiros após denúncias da atuação de narcotraficantes, grileiros, milícias, cartéis e até a atuação de um estado paralelo nos biomas do território nacional.
Atuação em Terras Indígenas A Polícia Federal (PF) realizou diversas fases da Operação Guardiões do Bioma visando proteger e expulsar garimpeiros ilegais de terras indígenas com apoio do IBAMA e de agentes do Ministério Público Federal (MPF), o Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da Polícia Federal realizou diversas operações para expulsar garimpeiros das terras Yanomami, Kayapós.
Em novembro de 2021, diversas balsas tomaram o Rio Madeira, em Rondônia, agentes da Polícia Federal se moveram para região e reagiram destruindo diversas balsas ilegais. Em resposta, garimpeiros fecharam um trecho da BR-319, em Porto Velho, em protesto contra a operação da PF, o protesto acabou após a Polícia Rodoviária Federal (PRF) dispersar os manifestantes.
A Polícia Federal realizou outras operações contra o garimpo ilegal para expulsão de garimpeiros nas terras Munduruku. Trinta policiais federais, com apoio do Comando de Operações Táticas (COT) Força Aérea Brasileira (FAB) e o Exército destruíram maquinário usado por garimpo ilegal.
Garimpeiros fecharam a BR-230 protestando contra a operação de forças federais no Sudoeste do Pará. Garimpeiros e a Polícia Militar entraram em atrito e a PRF dispersou os manifestantes com a intervenção da sua Tropa de Choque.
2023 No início de 2023, o IBAMA lançou uma operação em conjunto com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, as Forças de Segurança cortaram a floresta com facões na procura de criminosos armados. A Operação contou com o apoio aéreo da Coordenação de Aviação Operacional da PF.
Em fevereiro, o Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal, juntamente com o Grupo Especializado de Fiscalização com apoio da FUNAI lançaram uma ofensiva para a retomada do território indígena Yanomami.
Abril Em abril, quatro suspeitos foram mortos após uma troca de tiro com agentes do Grupo Especializado de Fiscalização e do Grupo de Resposta Rápida (PRF) nas Terras Yanomami, armamento de grosso calibre, foi apreendido com os invasores. O confronto aconteceu após os agentes desembarcarem da aeronave para fiscalização quando foram alvejados por disparos dos invasores. Após o episódio, o Governo Federal anunciou que ampliaria o efetivo da Força Nacional (FN) na região.
Maio No dia 2 de maio, a Polícia Federal passou a investigar oito mortes na reserva indígena Yanomami.
No dia 3 de maio, a PF empregou o Comando de Operações Táticas nas terras indígenas Yanomami.
Em 6 de maio, a PF passou a apurar ameaças do Primeiro Comando da Capital (PCC) a servidores públicos do IBAMA e da FUNAI, um relatório do Instituto Socioambiental de 2019 apontou que membros da facção criminosa atuavam como seguranças particular do garimpo ilegal.
Em 11 de maio, a Polícia Federal, IBAMA e FUNAI lançaram uma operação nas terras indígenas Karipuna, em Rondônia. O objetivo da operação é combater a grilagem, extração ilegal de madeira e combater o desmatamento.
No dia 16 de maio, agentes da PF, PRF, FUNAI e Força Nacional percorreram a terra indígena Alto Rio Guamá para retirar não-indígenas que ocupam ilegalmente a área. Garimpeiros armados atacaram uma barreira de fiscalização do IBAMA, por volta da 1h da manhã, agentes da Força Nacional entraram em confronto com os criminosos.
Em 18 de maio, o IBAMA e a PRF informaram que 505 m³ de madeira, 4.9 kg de mercúrio, 50 armas, 1.246 munições, 3.1 kg de maconha, 1.5 kg de cocaína e 42 mil reais foram apreendidos, além de 121 pessoas serem presas, 15 mandados de prisão foram efetuados e 6 foragidos foram recapturados em três meses.
No dia 19 de maio, a PF indiciou o ex-presidente da FUNAI Marcelo Xavier por omissão no caso Dom Phillips e Bruno Pereira. No mesmo dia, foi descoberto que garimpeiros expulsos das Terras Yanomamis tentaram invadir a terra indígena Wai-Wai. Agentes da PRF e da PF foram enviados para a região.
No dia 23 de maio, o Exército Brasileiro e o IBAMA fizeram uma operação para a destruição de dragas ilegais e confisco de maquinários.
No dia 26 de maio, agentes do IBAMA e da PF fizeram uma ação contra um grupo criminoso de extrair diamantes, ouro e madeiras de terras indígenas; 20 acampamentos foram encontrados e cinco milhões de reais em bens apreendidos. No mesmo dia, a FAB passou a intensificar as operações noturnas em regiões do garimpo ilegal com apoio da ABIN, PF, PRF e Força Nacional.
No dia 30 de maio de 2023, a Polícia Federal e o IBAMA destruíram uma ponte feita por garimpeiros ilegais que dava acesso as terras indígenas Sete de Setembro.
Junho No dia 1 de junho de 2023, agentes da Divisão de Captura da Polícia Federal passaram a cumprir mandados de busca e apreensão, para chegar aos responsáveis pelos crimes de invasão de terras e desmatamento na Terra Indígena Karipuna.
No dia 5 de junho de 2023, o MJSP lançou uma estratégia nacional para combater o narcotráfico em territórios indígenas. A iniciativa busca coibir ações criminosas e às escaladas de violência.
No dia 6 de junho de 2023, um casal que estava foragido, foram presos pela Divisão de Capturas da PF. Eles são acusados dos crimes de exploração sexual de mulheres e menores, na região das terras indígenas do povo Yanomami.
Agosto No dia 2 de agosto de 2023, o Governo Federal liberou R$140 milhões para às Forças Armadas atuarem nas Terras Indígenas. Militares receberam o orçamento para apoiarem ações da Polícia Federal e de outros órgãos.
No dia 3 de agosto de 2023, a Polícia Federal prendeu o empresário Bruno Heller, apontado como o "maior devastador" da Amazônia. Ele foi capturado pelos agentes federais em flagrante, com porte ilegal de arma e ouro bruto.
No dia 7 de agosto de 2023, Ação do IBAMA e da Polícia Federal inutilizou uma ponte usada por criminosos dentro da terra indígena Karipuna para extrair madeira da reserva.
No dia 13 de agosto de 2023, oito garimpeiros tentaram furar um bloqueio das Forças Armadas na Terra Indígena Yanomami. A Marinha reagiu e prendeu sete garimpeiros.
Um homem estrangeiro chegou a buscar ajuda em uma UBS de Homoxi, foi detido por agentes da Força Nacional por estar na região com a intenção de praticar garimpo.
No dia 15 de agosto de 2023, Mais de 400 dragas foram flagradas pelo IBAMA durante um sobrevoo no rio Madeira. O Superintendente do IBAMA em Rondônia afirmou em entrevista que "As devidas providências para conter essas atividades ilegais serão tomadas."
No dia 23 de agosto de 2023, um garimpeiro foi preso pela Polícia do Exército com cassiterita. A prisão ocorreu após uma ação coordenada junto com a FUNAI na comunidade de Palimiú.
Setembro No dia 14 de setembro de 2023, Davi Kopenawa, líder Yanonami. Relatou que o garimpo estava crescendo a cada dia apesar dos esforços diários da Polícia Federal e do Ministério da Defesa.
Outubro