Arthur Schnitzler (Viena, – Viena, ) foi um escritor e médico austríaco.

Biografia O pai, Johann Schnitzler, de uma família judaica simples, mudou-se de Budapeste para Viena, onde se casou com a filha de uma famosa família. Tornou-se um respeitado médico e director do hospital “Allgemeine Poliklinik”. O seu filho Arthur frequentou entre 1871 e 1879 o liceu, tendo mais tarde completado o curso de medicina. Arthur Schnitzler viria a completar o mestrado em 1885. Participa no trabalho da revista clínica “Allgemeine Klinische Rundschau” e começou cedo por se interessar pela psicologia. Trabalhando como médico de 2.ª classe com o psiquiatra Dr. Theodor Meynert fazia experiências com a hipnose e a sugestão como técnicas terapêuticas.

Foi assistente e médico de 2.ª classe no Hospital “Wiener Allgemeines Krankenhaus” e, mais tarde, assistente do seu pai no hospital “Poliklinik”. Em 1893, abriu uma clínica privada, a qual se começou a dedicar cada vez menos devido à crescente actividade literária.

Schnitzler é frequentemente comparado com Sigmund Freud. Nos seus dramas e novelas usa a técnica do “fluxo de consciência”, onde mostra drasticamente a atividade subconsciente dos seus protagonistas. Em consequência da sua representação intransigente do pensamento, foi inúmeras vezes criticado. O seu ciclo “Der Reigen” provocou um grande escândalo e foi censurado como pornografia. Segundo o Dicionário Oxford o enquanto o monólogo interior é uma fala interiorizada, o fluxo de consciência procura a mistura desta fala com impressões, percepções, não respeitando muitas vezes as regras gramaticais. O fluxo de consciência freqüentemente não utiliza pontos e vírgulas por largos períodos, inclusive obras inteiras, tentando representar na forma escrita o fluxo de pensamentos inconscientes e desorganizados de nossa mente. ed. Chris Baldick, Oxford: Oxford U.P., 2009, p.212.

Arthur Schnitzler e Sigmund Freud

As semelhanças entre Sigmund Freud (1856-1939) e Arthur Schnitzler (1862-1931) são indiscutíveis. Ambos viveram, cada um ao seu modo, intensamente a psicanálise.

Em uma carta destinada a Schnitzler, datada de 14 de maio de 1922, Sigmund Freud faz algumas observações sobre a obra do escritor e confessa ter evitado, durante muito tempo, ser apresentado a ele, pois, ao ler seus textos, acreditava que se tratava de seu “duplo”. Alguém que, como ele, era “explorador das profundezas” e que mostrava “as verdades do inconsciente”.

Afirmou Freud: “Sempre que me deixo absorver profundamente por suas belas criações, parece-me encontrar, sob a superfície poética, as mesmas suposições antecipadas, os interesses e conclusões que reconheço como meus próprios. Ficou-me a impressão de que o senhor sabe por intuição – realmente, a partir de uma fina auto-observação – tudo que tenho descoberto em outras pessoas por meio de laborioso trabalho.” (Freud, 1922)

Obras Alemão 1892 Anatol 1894 Das Märchen 1895 Liebelei 1895 Sterben 1898 Freiwild 1898 Die Frau des Weisen 1899 Der Sohn 1899 Das Vermächtnis 1899 Der grüne Kakadu 1899 Paracelsus 1899 Die Gefährtin 1901 Der Schleier der Beatrice 1901 Frau Berta Garlan 1901 Lieutnant Gustl 1902 Lebendige Stunden 1903 Reigen 1904 Der einsame Weg 1905 Die griechische Tänzerin 1906 Zwischenspiel 1906 Der Ruf des Lebens 1906 Marionetten 1907 Dämmereelen 1908 Der Weg ins Freie 1909 Komtesse Mizzi oder Der Familientag 1909 Der tapfere Kassian 1910 Der junge Medardus 1910 Der Schleier der Pierrette 1911 Das weite Land 1912 Masken und Wunder 1912 Professor Bernhardi 1913 Frau Beate und ihr Sohn 1915 Komödie der Worte 1917 Doktor Gräsler, Badearzt 1917 Ich 1917 Fink und Fliederbusch 1918 Casanovas Heimfahrt 1919 Die Schwestern oder Casanova in Spa 1924 Menina Else - no original Fräulein Else 1924 Die dreifache Warnung 1924 Komödie der Verführung 1925 Die Frau des Richters 1926 Traumnovelle 1926 Der Gang zum Weiher 1927 Spiel im Morgengrauen 1928 Therese. Chronik eines Frauenlebens 1930 Im Spiel der Sommerlüfte 1931 Flucht in die Finsternis 1939 Über Krieg und Frieden 1966 Das Wort 1968 Jugend in Wien 1970 Zug der Schatten

Edições brasileiras Senhorita Else (1985). Paz e Terra Contos de Amor e Morte (1987). Cia das Letras. Retorno de Casanova (1988). Cia das Letras. Retorno de amor e morte (1999). Cia das Letras. Breve romance de sonho (2000). Cia das Letras. O Caminho para a liberdade (2011). Record. A Ronda. Relógio D'Água História de um sonho. Ed. Ficções. Relações e solidão. Relógio D'Água A menina Eise. Cotovia Cacatua Verde. Bicho do Mato. Senhora Beate e seu filho. L&PM.

Edições portuguesas Morrer (1961). Ed. 70. Contos (1985). Apáginastantas. Anatol (1986). Estante. O tenente Gustl (1988). Difel. A história de um sonho (2001). Relógio D'Água. Casanova regressa a Veneza (2007). Evoramons. Menina Else (2008). Cotovia. A cacatua verde: grotesco num acto (2011). Bicho do mato. A ronda: dez diálogos (2012). Relógio D'Água.

Referências

Mais informações

Netsaber (Biografia)

Estudos sobre o assunto Fausto Cercignani, Studia schnitzleriana, Alessandria, Edizioni dell'Orso, 1991. Giuseppe Farese, Arthur Schnitzler. Ein Leben in Wien 1862-1931, München, Beck, 1999. Jacques Le Rider, Arthur Schnitzler ou la Belle Époque viennoise, Dagmar C. G. Lorenz (ed.), A Companion to the Works of Arthur Schnitzler, Rochester (N.Y.), Camden House, 2003. Theodor Reik, Arthur Schnitzler als Psychologe, Minden, 1913. Ulrich Weinzierl, Arthur Schnitzler. Lieben, Träumen, Sterben, Frankfurt am Main, S. Fischer, 1994.

Ver também Édouard Dujardin Fluxo de consciência James Joyce Samuel Beckett William James

Ligações externas

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