José de Brito (Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, — ) foi um pintor português.
Formação e primeiros anos Nascido em Santa Marta de Portuzelo (Viana do Castelo) a 18 de Fevereiro de 1855, José de Brito provinha de uma família humilde, sendo filho de José Francisco de Brito e de Rosa Maria Franca, ambos também naturais de Santa Marta de Portuzelo (lugar das Petigueiras). Tinha um irmão gémeo, Manuel Francisco de Brito.
Cedo revelou aptidão para o desenho, apoiado por um morgado local. Em 1873, vai estudar na Academia Portuense de Belas Artes onde tem por professores Tadeu de Almeida Furtado, João Correia e Soares dos Reis. Em 1885, obtém uma bolsa régia, concedida por D. Fernando II, que lhe permite partir para Paris, para estudar na Academia Julien, com Gustave Boulanger, Jules Joseph Lefebvre, Jean-Paul Laurens e Benjamin-Constant. Em Paris participou regularmente no Salon de Paris, tendo exposto pela primeira vez em 1888.
Carreira artística Durante os anos de estadia em Paris realizou obras de grande impacto crítico. A sua tela mais conhecida, Mártir do Fanatismo (c. 1892), provocou forte reação da crítica e foi reproduzida em publicações como L’Illustration Française, Le Quotidien Illustré, Gazette de France e L’Art Française.
Em 1896 regressa a Portugal onde inicia a sua actividade como docente de Desenho Histórico na Academia Portuense de Belas Artes, com a obra de concurso O Bom Samaritano. Nesse mesmo ano teve um filho, Júlio de Brito. miniaturadaimagem|José de Brito: Vista do Douro Entre as suas obras estão O Baptismo de Cristo para a Igreja da Trindade, no Porto, o Retrato de Júlio António de Amorim Lima para o Hospital de São Marcos, em Braga, e a pintura do tecto do Teatro Nacional S. João, no Porto. A sua obra mais conhecida é Mártir do Fanatismo ( 1892), actualmente no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa.Mártir do Fanatismo, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado
Estilo e legado A obra de José de Brito caracteriza-se pela fusão do academismo tradicional com uma sensibilidade para a figura humana e para as cenas de costumes, evidenciando uma sólida formação pictórica e uma coerência formal. Estudos recentes referem-no como um “pintor do Norte” cujo domínio técnico da pintura a óleo foi objeto de investigação académica. Entre as suas distinções contam-se a medalha de ouro na Exposição Nacional do Rio de Janeiro (1908), a medalha de prata na Exposição Internacional Panamá-Pacífico e a medalha de bronze na Exposição Internacional de Paris (1900).
Docência e última fase de vida Após a jubilação em meados de 1929, manteve-se ativo no seu atelier na R. de Dom João IV, no edifício que mais tarde viria a albergar a Biblioteca Pública Municipal do Porto, onde continuou a receber alunos particulares. Faleceu no Porto a 26 de março de 1946, aos 91 anos.
Principais obras
Mártir do Fanatismo (c. 1892) – óleo sobre tela, 239 × 295 cm. O Baptismo de Cristo – Igreja da Trindade, Porto. Retrato de Júlio António de Amorim Lima – Hospital de São Marcos, Braga. Pintura do tecto do Teatro Nacional São João (Porto) – colaboração com Acácio Lino.
Bibliografia selecionada
Pousada, Leonor & Pousada, Eduardo. Pintor José de Brito – 1855/1946. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 1996. José de Brito (1855-1948), um pintor do Norte: estudo da pintura a óleo, dissertação de mestrado, Universidade Católica Portuguesa, 2010.
miniaturadaimagem|Mártir do Fanatismo (c. 1895), de José de Brito. Óleo sobre tela, 239 cm x 295 cm. Museu Nacional de Arte Contemporânea
Referências
Ligações externas José de Brito, Antigo Estudante da Academia Portuense de Belas Artes
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