O Paysandu Sport Club, mais conhecido como Paysandu, é um clube brasileiro com sede em Belém, capital do Pará. Fundado em 2 de fevereiro de 1914 por membros do Norte Club, é reconhecido principalmente por suas atividades no futebol.

É o clube com mais títulos na Região Norte, com 63 conquistas ao todo, incluindo uma Copa dos Campeões (o que lhe fez o único clube da região a ter participado da Copa Libertadores, na edição de 2003), duas edições do Campeonato Brasileiro da Série B, duas edições da Copa Norte, seis edições da Copa Verde e 51 edições do Campeonato Paraense. e uma edição da Super Copa Grão-Pará.

Seu maior rival é o Remo, em um clássico conhecido como RePa, um dos mais disputados do Brasil, com mais de 780 partidas. O clube também disputa o Pa-Tu contra a Tuna Luso, e várias partidas disputadas contra a recentemente.

Sua torcida figura entre as 20 maiores do país, e, junto com o Remo, é uma das duas maiores da Região Norte, variando qual é apontada como a maior pelas pesquisas de opinião.

História

Fundação

thumb|right|300px|Primeiro elenco do Paysandu, em 1914: Bayma, Romariz e Sylvio; Jaime, Moura Palha e o inglês Mitchell; o inglês Matthews (autor do primeiro gol), Guimarães, Garcia, o fundador Hugo Leão e Arthur Moraes. O Paysandu Sport Club foi fundado no dia 2 de fevereiro de 1914, após um desentendimento com a diretoria da Liga Paraense de Foot-Ball (atual Federação Paraense de Futebol), devido a não-anulação da partida Norte Club versus Guarany, realizada em 15 de novembro de 1913, devido a diversas irregularidades, cujo resultado deu ao Grupo do Remo (atual Clube do Remo) o título de campeão paraense de futebol. Naquele ano, o Norte Club realizava uma boa campanha e precisava vencer o Guarany para forçar uma partida extra com o Grupo do Remo. Após o empate em 1 a 1, os integrantes do Norte Club, inconformados, solicitaram à Liga Paraense de Foot-Ball a anulação da partida. Porém, a diretoria da Liga julgou improcedente o recurso.

A decisão não agradou os integrantes do Norte Club, que iniciaram então um movimento, sob a liderança de Hugo Manoel de Abreu Leão, para a fundação de um novo clube, para poder enfrentar em igualdade de condições os seus adversários. Este movimento não agradou aos integrantes do Grupo do Remo, os quais tentaram persuadir Hugo Manoel a abandonar a ideia.

Em 1 de fevereiro de 1914, o jornal O Estado do Pará fez a convocação para a reunião da fundação do novo clube esportivo:

Compareceram à reunião 42 desportistas, na residência de Abelardo Leão Conduru, muitos dos quais haviam integrado o Norte Club, além de outros de agremiações diferentes, como, por exemplo, do Internacional Foot-Ball Club.

Por unanimidade, a assembleia escolheu Hugo Leão. Leão, propôs a denominação de Paysandu Foot-Ball Club para a nova equipe. Entre os dias de 3 de Dezembro de 1864 e 2 de Janeiro de 1865, a cidade uruguaia de Paysandú foi palco do episódio histórico denominado Cerco de Paysandú, do qual participaram o Exército Brasileiro e Armada Nacional, respectivamente, pelo General Mena Barreto e pelo Marquês de Tamandaré. Esse episódio faz parte da Guerra do Uruguai, um conflito entre o Partido Nacional) e Partido Colorado, facções políticas uruguaias que tinham apoio do Paraguai e do Brasil e Argentina, respectivamente.

Em 1914, assembleia elegeu o primeiro presidente, Deodoro de Mendonça, sendo também escolhida a comissão destinada a redigir os Estatutos do Clube, sendo os escolhidos: Deodoro de Mendonça, Eurico Amanajás e, Arnaldo Morais. Para a segunda reunião ocorreu em 10 de fevereiro de 1914, no mesmo local da primeira e com a presença de elevado número de participantes. Foi empossada a diretoria eleita, aumentando o número de sócios para 100 sendo considerados sócios fundadores, mais de 15 novos sócios que se filiaram ao clube.

Na terceira reunião em 19 de fevereiro de 1914, a classificação mudou de Foot-Ball Club para Sport Club após votação em assembleia, para solicitar a filiação do Paysandu à liga Paraense de Futebol.

No início da década de 1920, o Paysandu passou a ter hino oficial. A letra é do poeta José Simões, enquanto a música foi feita pelo professor Manuel Luis de Paiva.

O primeiro time do Paysandu foi composto por: Romariz; Bayma; Sylvio; Jaime; Moura Palha; Mittchel; Hugo Leão; Garcia; Guimarães; Mattheus (inglês autor do primeiro gol do Paysandu Sport Club); Arthur Morais.

O clube do Suíço thumb|right|Fotografia de Suíço. Antônio Manoel de Barros Filho foi um dos grandes jogadores de futebol paraense. Estudou na Suíça, com seu irmão Abel Barros, resultando no apelido de Irmãos Suíços. Jogava com eficiência em qualquer posição, mas destacava-se como lateral esquerdo ou centro-médio. Foi sempre o capitão no Paysandu, função que, na época, incluía a de treinador.

Jogou no Guarany Football Club até o fim de 1914, sendo tranferido para o Paysandu no mesmo ano, estreando em 31 de janeiro de 1915, na meia-direita, contra o Clube do Remo, vitória do Paysandu, 2 a 0. Efetivo da seleção paraense, neste jogou de ponta-direita. Suíço amava o Paysandu que, para ele, era uma espécie de devoção. Havia na sede antiga, um armário envidraçado com seu último uniforme utilizado em campo, com seu retrato emoldurado.CARDOSO, Orlando (mar. 2016). Uma lenda do futebol paraense. Amazônia Viva n. 55, pp. 60-61

Notabilizou-se por ser o primeiro jogador convocado pela Seleção Brasileira de Futebol, e único pela seleção principal, vindo diretamente de um clube paraense. A convocação foi para a Copa América de 1921, para a qual não pôde, porém, embarcar.

Participou da primeira vitória do clube no clássico Re-Pa, na terceira edição do duelo. Suíço também participou dos três primeiros títulos estaduais do clube, em um tricampeonato invicto entre 1920–22.

1914-1946 thumb|right|300px|O "Esquadrão de Aço" campeão em 1939. O último em pé é Quarenta, pai do primeiro Quarentinha e terceiro maior artilheiro do clube.

Até 1946 o Paysandu já havia conquistado quinze títulos de campeão paraense, vindo a ter uma conquista bastante destacada no ano seguinte.

1947: campeão paraense invicto

thumb|direita|300px|Estatua do segundo Quarentinha no Estádio da Curuzu. Considerado o maior atleta do século XX no Pará, imortalizando a camisa 10 do Papão. Treinado inicialmente por Alfredo Gama e nos jogos finais por Nagib Coelho Matni, o Paysandu conquistou o título de pentacampeão paraense de futebol, em 1947. O "Esquadrão de Aço" foi campeão invicto, e por antecipação, ao derrotar o Remo por 2 a 0 em seu penúltimo compromisso na competição, na data de 21 de dezembro de 1947.

A equipe jogou 8 partidas, com sete vitórias e um empate. Seu ataque marcou 27 gols e sua defesa deixou passar somente 7 gols, com saldo positivo de vinte gols. O centroavante Hélio foi o artilheiro do Paysandu e do campeonato com onze gols. Sóia fez 4, Rivas, 4, Dengoso, 2, Hosana, 2, Brias, Guimarães, Adimar e Conde (zagueiro da ), contra, 1 gol cada.

O time base da campanha e que jogou a penúltima partida: Aluísio, Bendelaque e Rafael Bría; Pedro, Manoel Pedro e Taco; Hosana, Dengoso, Hélio, Guimarães e Soiá. Tomaram parte na conquista do pentacampeonato outros atletas: Simeão (goleiro); Anthenagoras e Jesus (zagueiros); Adinamar (centro-médio); Farias, Aracati e Rivas (atacantes).

Na partida final, contra o Transviário, vitória do Paysandu por 9 a 1. A diretoria pagou, a cada atleta, o "bicho" de Cr$1.000,00, e, em campanha entre os torcedores, arrecadou-se uma boa soma, que rendeu a cada atleta mais Cr$500,00 de premiação.

Pela conquista do título, o Paysandu recebeu o Bronze "Belas Vitórias".

1991: campeão brasileiro da Série B

O Campeonato Brasileiro Série B de 1991 contou com a participação de 64 clubes. Foram agrupados em 8 chaves de 8 equipes cada. Jogaram dentro dos grupos em turno e returno. Classificaram-se os 2 primeiros colocados de cada chave.

Fase Final (com Quartas de Final, Semifinais e Final): sistema eliminatório, com jogos de ida e volta. A decisão do campeonato ocorreu em dois jogos para se definir o campeão da série B de 1991, porém os dois finalistas do campeonato foram automaticamente promovidos para a Série A de 1992.

O Paysandu sagrou-se campeão da Série B de 1991. O time tinha em seu elenco, dentre outros, os seguintes jogadores: Luís Carlos, César, Ari, Nadi, Paulo Cruz, Maurício, Gerson, Oberdan, Rogerinho, Cacaio, Fernando, Mazinho, Pedrinho, Léo, Jorginho Macapá e Dadinho. O técnico era Joel Martins. Disputaram aquele campeonato 64 equipes, que totalizaram 997 gols em 478 jogos, com uma média de 2,09 gols por partida. O artilheiro da competição foi Cacaio, do Paysandu, com 14 gols.

2000-2003: anos de ouro

A década de 2000 começou muito bem para o Paysandu. Sob o comando de Givanildo Oliveira, o clube foi tricampeão do Campeonato Paraense no triênio 2000, 2001, 2002.

2001: campeão brasileiro da Série B

O Campeonato Brasileiro Série B de 2001 teve a participação de 28 equipes.

As equipes foram divididas regionalmente em dois grupos, nos quais jogavam em turno e returno dentro deles. As quatro melhores equipes de cada grupo se classificavam para as quartas-de-final, onde se enfrentavam no "sistema olímpico".

Os quatro classificados disputam a Fase Final em um quadrangular com jogos de ida e volta. Os dois primeiros colocados garantiam acesso para a Série A em 2002.

O Paysandu sagrou-se bicampeão da Série B do Campeonato Brasileiro em 2001. Na última partida do quadrangular final, quando o Paysandu garantiu o acesso de volta à Série A, a equipe entrou em campo diante do Avaí com a seguinte formação: Marcão; Valentim, Gino, Sérgio e Lino; Sandro Goiano, Rogerinho, Luis Carlos Trindade e Jóbson; Zé Augusto e Vandick. O técnico era Givanildo Oliveira. Disputaram aquele campeonato 28 equipes, que totalizaram 1.112 gols em 388 jogos, com uma média de 2,86 gols por partida. O artilheiro da competição foi Sérgio Alves, do Ceará, com 21 gols.

2002: campeão da Copa Norte Os 16 clubes da Copa Norte de 2002 se dividiriam em quatro grupos de quatro clubes cada e os dois mais bem classificados de cada grupo avançariam para a fase seguinte, onde se dividiriam em duas chaves de quatro grupos. O melhor de cada grupo disputaria a final. Todas as fases teriam jogos de ida e volta.

O Paysandu sagrou-se campeão da Copa Norte ao vencer o São Raimundo do Amazonas por 3 a 0, no lotado estádio da Curuzu, em Belém, e impediu que o rival ficasse com o título pelo quarto ano consecutivo. O papão que já tinham ganhado o primeiro jogo por 1 a 0, no Vivaldão, abriu o placar logo aos 17min, com Lecheva. Sandro, aos 12min do segundo tempo, ampliou, e Lecheva, a dez minutos do final, fechou o placar.

Essa foi a primeira vez que o Paysandu conquista a Copa Norte. A primeira edição, em 1997, foi vencida pelo Rio Branco. O Sampaio Corrêa triunfou no ano seguinte e o São Raimundo faturou de 1999 a 2001. Em 14 jogos no regional de 2002, o campeão alcançou 9 vitórias, 3 empates e sofreu apenas 2 derrotas. Marcou 26 gols (média de 1,8) e sofreu 9 (0,6). Com o título o Paysandu ganhou a vaga na copa dos campeões desse ano de 2002.

2002: campeão da Copa dos Campeões

Campeão brasileiro da Série B em 2001, o Paysandu ganhou no ano seguinte a Copa dos Campeões, competição que reunia os mais bem colocados nos torneios regionais. Na final, o Paysandu passou pelo .

A conquista classificou o Paysandu para a Copa Libertadores da América de 2003.

A formação naquele ano foi: Marcão; Marcos, Gino, Sérgio e Luís Fernando; Sandro Goiano, Rogerinho, Jóbson e Vélber; Jajá e Vandick.

Técnico: Givanildo Oliveira.

O Paysandu foi também nesse ano o Clube Brasileiro que mais ganhou Títulos em 2002, sendo o Campeonato Paraense desse ano, a Copa do Norte e Copa dos Campeões, ultrapassando nesse ano o Corinthians, Cruzeiro e Goiás, esses com dois Títulos de cada.

2003: Copa Libertadores