Cattleya é um gênero de orquídeas de flores grandes e vistosas, muito popular, com inúmeros híbridos intergenéricos, amplamente disponíveis no comércio, que exercem enorme apelo e adaptam-se bem a coleções mistas de orquídeas. Tradicionalmente, Cattleya era formado por cerca de 50 espécies mas em 2008 teve seu conceito ampliado para incluir as espécies anteriormente classificadas em outros gêneros, tais como Laelia e Sophronitis.

Etimologia O gênero Cattleya foi proposto por John Lindley em Collectanea Botanica 7: t. 33, em 1821, com nome de homenagem a William Cattley, orquidófilo inglês que teve o nome latinizado para Guglielmus Cattleyus.

Publicação e sinônimos Cattleya Lindl., Coll. Bot.: t. 33 (1824). Sinônimos heterotípicos: Sophronia Lindl., Bot. Reg. 13: t. 1129 (1828), nom. illeg. Sophronitis Lindl., Bot. Reg. 14: t. 1147 (1828). Maelenia Dumort., Mém. Acad. Roy. Sci. Belgique 9: 13 (1834). Lophoglotis Raf., Fl. Tellur. 4: 49 (1838). × Sophrocattleya Rolfe, J. Linn. Soc., Bot. 24: 169 (1887). Eunannos Porto & Brade, Arq. Inst. Biol. Veg. 2: 212 (1935). Hoffmannseggella H.G.Jones, Acta Bot. Acad. Sci. Hung. 14: 69 (1968). Dungsia Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002). × Hadrocattleya V.P.Castro & Chiron, Richardiana 2: 19 (2002). × Hadrodungsia V.P.Castro & Chiron, Richardiana 2: 19 (2002). Hadrolaelia (Schltr.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002). × Microcattleya V.P.Castro & Chiron, Richardiana 2: 19 (2002). Microlaelia (Schltr.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002). Cattleyella Van den Berg & M.W.Chase, Bol. CAOB 52: 100 (2004). Schluckebieria Braem, Richardiana 4: 49 (2004), nom. superfl. × Brasicattleya Campacci, Colet. Orquídeas Brasil. 4(Pré-anexo): 102 (2006). Brasilaelia Campacci, Colet. Orquídeas Brasil. 4(Pré-anexo): 99 (2006). Chironiella Braem, Richardiana 6: 108 (2006).

Distribuição São cerca de 112 robustas espécies epífitas, de crescimento simpodial, dispersas pelas florestas tropicais da América Latina, do México à Argentina, algumas espécies vivendo em áreas mais secas, submetidas a mais insolação, outras mais sombrias e úmidas, cerca de trinta espécies no Brasil. Existem desde o nível do mar até dois mil metros de altitude, adaptam-se a praticamente todos os climas latino americanos exceto áreas desérticas ou geladas.

Histórico John Lindley, descreveu sua espécie tipo, a Cattleya labiata, que havia sido enviada para a Inglaterra, em 1818, junto com em um lote de plantas brasileiras que até então estavam sendo cultivadas por Cattley.

Deste que foi estabelecido, o gênero Cattleya apresentou trajetória regular, sem muitas alterações. Naturalmente, como acontece em muitos outros gêneros de espécies variáveis, algumas espécies longamente conhecidas sofreram alterações de nomes após descrições mais antigas terem sido revisadas e esclarecidas. Outras espécies foram consideradas espécies aceitas ou sinônimos em épocas variadas, por taxonomistas diversos, algo que ainda hoje em certa medida acontece.

Recentemente quatro espécies da América Central foram removidas de Cattleya e classificadas no gênero Guarianthe, e a Cattleya araguaiensis passou a chamar-se Cattleyella araguaiensis.

No ano de 1968 H.G.Jones transferiu algumas espécies de Laelia subseção Parviflorae, litófitas, endêmicas dos estados deMinas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, para o gênero Hoffmannseggella, como anteriormente sugerido por Frederico Carlos Hoehne. Hoffmannseggella é um gênero botânico pertencente à família dasorquídeas (Orchidaceae). Foi proposto H.G.Jones, em Acta Bot. Acad. Sci. Hungar. XIV: 69, em 1968. A Hoffmannseggella cinnabarina é a espécie tipo deste gênero, originalmente descrita como Laelia cinnabarina. Seu nome é uma homenagem ao biólogo alemão Hoffmannsegg.

Posteriormente todas as espécies deste grupo foram transferidas para Sophronitis com base em dados de DNALindleyana 15(2):96-114, e ainda depois transferidas por Vitorino Paiva Castro Neto e Guy R. Chiron para Hoffmannseggella.

Em 2008, todas as espécies de Hoffmannseggella foram transferidas para Cattleya por Cássio van den BergNeodiversity 3(1):3-12. 2008, passando portanto o gênero a sinonímia de Cattleya.

Descrição Pela aparência podemos dividir grosseiramente suas espécies em dois grupos principais, as bifoliadas e as unifoliadas.

Além da óbvia diferença citada, as unifoliadas em regra têm porte muito menor, seus pseudobulbos são ovalado-fusiformes e lateralmente achatados, normalmente com menor quantidade de flores mas estas bem maiores. Suas folhas também são maiores. As bifoliadas possuem pseudobulbos cilíndricos que podem ultrapassar um metro de comprimento em algumas espécies, e apresentam flores menores e mais estreitas, mas de modo geral em grande quantidade e com mais substância. Suas folhas são menores e mais largas e ovaladas.

Todas possuem folhas coriáceas e, excetuados muito poucos casos, a floração dá-se do alto do pseudobulbo a partir de uma espata. As flores, de até 10 cm de diâmetro, desabrocham de uma a vinte a partir de inflorescência que emerge de um invólucro protetor chamado espata na base da folha. Durante o ano todo há espécies floridas. Têm o labelo livre da coluna, em algumas trilobado, e então abraçando a coluna, e em outras simples. Em todos os casos o labelo costuma ser muito vistoso e colorido, muitas vezes apresentando cores diversas dos demais segmentos florais. As flores apresentam quatro polínias e podem ser muito perfumadas.

Filogenia Por serem plantas amplamente conhecidas e cultivadas sua classificação tem despertado acalorados debates desde o ano 2000, quando foi proposta nova classificação por Van den Berg & M.W.Chase, baseando se em resultados de análises moleculares. Este estudo mostrou que as espécies então conhecidas como Laelia brasileiras têm muito mais em comum com as Cattleya e Sophronitis do que com as Laelia da América Central. Ou seja, não mais seria possível manter ambas no mesmo gênero, a não ser que fosse criado um gênero muito extenso, incluindo todos os gêneros que se situam entre os dois grupos de Laelia. As espécies tradicionalmente classificadas como Sophronitis estariam inseridas entre os gêneros que Guy Chiron e Vitorino P. Castro tratam como Dungsia e Hadrolaelia.

Como o grupo da América Central tem primazia sobre o nome Laelia, Van den Berg & Mark W. Chase optaram por transferir estas espécies para o gênero mais próximo, Sophronitis. Dentre seus motivos citam a vantagem de não dividir as espécies em gêneros menores com pouca variação genética, onde as relações de parentesco seriam perdidas, a praticidade de utilizar um gênero já bem conhecido e o razoável tamanho do gênero resultante, com cerca de sessenta espécies, e finalmente, como as análises ainda não estavam completamente concluídas, algumas das espécies poderiam trocar de posição nos cladose teriam de mudar de gênero novamente caso os grupos de espécies fossem divididos por gêneros menores. Sendo todas Sophronitis isto não será necessário. Assim, em adição às espécies pequenas e vermelhas, Van den Berg propôs que o gênero Sophronitis incluisse também todas as espécies deLaelia do Brasil.

Em 2002, taxonomistas brasileiros e franceses, descontentes com a proposta de Van den Berg e Mark W. Chase, considerando a variedade dessas plantas suficiente para a criação de gêneros independentes, apresentaram proposta alternativa de classificação das espécies brasileiras de Laelia em quatro diferentes gêneros menores e com mais afinidade morfológica, e subordinaram a um deles,Hadrolaelia, parte das Sophronithis tradicionais, mantendo Sophronitis somente as espécies similares à espécie tipo.

Em março de 2008, Cássio van den BergCássio Van den Berg (2008)New combinations in the genus Cattleya Lindl. (Orchidaceae). Neodiversity 3(3):12 , devido a novos problemas verificados na classificação filogenética deste grupo de espécies, foi proposta a inclusão de todas as Sophronitis e ex-Laelia brasileiras em Cattleya. Baseia esta proposta nos resultados de suas mais recentes análises moleculares que situam algumas espécies de Cattleya e outras de Sophronitis sensu Van den Berg intercaladas nos clados. Justifica ser esta a melhor solução para evitar a criação de novos nomes no futuro quando o real relacionamento entre estas espécies for finalmente desvendado.

Cultivo De modo geral são plantas pouco exigentes, apropriadas para quem deseja iniciar uma coleção de orquídeas. As dicas de cultivo a seguir são condições recomendadas para o sudeste do Brasil, assim moradores de outras regiões devem adaptá-las às suas condições locais. Alertamos ainda que as espécies provém de muitas regiões diferentes assim é recomendável informar-se também se cada espécie em particular tolera o cultivo sugerido a seguir.

São plantas que apreciam bastante luz, recomendando-se sombra aproximada de sessenta porcento; temperaturas variando diariamente entre 10-12°C, diurnas entre 25-30°C e noturnas entre 14-15°C; sempre lembrando que espécies de altitude toleram muito mais variações de temperatura que espécies amazônicas; umidade acima de cinquenta porcento e boa ventilação; regas abundantes sempre que o substrato estiver completamente seco, mas com boa drenagem de modo que este não permaneça úmido mais que algumas horas após a rega; adubação semanal, mas bastante diluída é recomendada. Na época em que a planta não esteja apresentando crescimento vegetativo tanto a adubação como as regas devem ser diminuídas.

Para o nordeste como o calor e a luz são em excesso, deve-se sempre ter o cuidado de criar barreiras para diminuir a luz (telas de contenção de luz) e o calor do ambiente (molhando-se o chão do local de cultivo para a conservação das temperaturas mais amenas) continua a recomendação acerca da manutenção das regas, não permanecendo o substrato úmido por mais de algumas horas, utilizar substratos de boa constância da umidade, carvão vegetal, chips de coco seco lavados (para a retirada do tanino), casca de pinus e brita, utilizando vasos de plastico para as que precisam de maior umidade, barro para as que precisam de menor umidade ou ainda o uso de cachepots, para a maioria das unifoliadas, no caso da maior parte das bifoliadas, necessidade maior de "raízes nuas", geralmente as plantas devem colocadas em tocos de madeira, (Sabiá também conhecido como sansão do campo Mimosa caesalpineafolia).

Classificação infragenérica

O gênero Cattleya passou por diversas revisões no inicio deste século. Algumas de suas espécies tradicionais passaram a ser classificadas em outros gêneros e outros gêneros foram transformados em sinônimos de Cattleya. As classificações anteriores, em grupos informais, ou às vezes formalmente descritos porém em diferentes gêneros e hierarquias taxonômicas, foram consolidados em uma proposta que leva em conta as relações filogenéticas publicada por Cássio van den Berg (2014) van den Berg (2014) Reaching a compromise between conflicting nuclear and plastid phylogenetic trees: a new classification for the genus Cattleya (Epidendreae; Epidendroideae; Orchidaceae). Phytotaxa 186: 75-86.

As Cattleya, conforme sua morfologia, podem ser divididas em alguns grupos:Cattleya subgênero Intermediae (Cogniaux) Withner - Cattleyas bifoliadas