José Gomes Pinheiro Machado (Cruz Alta, — Rio de Janeiro, ) foi um político brasileiro, tendo sido um dos mais influentes da República Velha (1889-1930). Era conhecido como "o condestável da República" e símbolo da "política dos governadores".
Formação Filho de Antônio Gomes Pinheiro Machado e Maria Manoela de Oliveira Ayres, Pinheiro Machado estudou na Escola Militar e aos quinze anos abandonou o curso para lutar, como voluntário e contra a vontade paterna, na Guerra do Paraguai. Deixou o exército em 1868 e permaneceu durante algum tempo na fazenda de seu pai, no Rio Grande do Sul, para se recuperar do desgaste físico sofrido em batalha.Descendentes do Cap. José Gomes Pinheiro Vellozo e Anna Florisbella Machado de Oliveira e Vasconcellos
Após esse período, viajou para São Paulo, onde se formaria em 1878 pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.*Silva, Cyro - Pinheiro Machado, Livraria Tupã Editora, Rio, 1951
Propaganda republicana Ainda estudante, formou com alguns colegas o Clube Republicano Acadêmico e fundou o jornal A República. Após a sua formatura, casou-se, ainda em São Paulo, com Benedita Brazilina da Silva Moniz e voltou para o Rio Grande do Sul, onde passou a exercer a advocacia na cidade de São Luís das Missões, atual São Luiz Gonzaga, e ainda fundou o primeiro partido republicano daquela província.
Ardoroso defensor do estabelecimento da República no Brasil, lançou-se à propaganda com republicanos como Venâncio Aires, Demétrio Ribeiro, Apolinário Porto Alegre, Ramiro Barcelos, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Júlio Prates de Castilhos, de quem ficou amigo.
Política thumb|esquerda|200px|Pinheiro Machado aos 15 anos, no Corpo de Voluntários da Pátria. Logo depois da proclamação da república brasileira (1889), foi eleito senador, participando a seguir da constituinte (1890/1891), na cidade do Rio de Janeiro. Com a eclosão da Revolução Federalista (1893-1895) no seu estado natal, em 1893, deixou a sua cadeira no Senado Federal do Brasil, para combater o movimento armado no comando da Divisão Norte, por ele organizada. A licença para comandar tal divisão foi motivo de alguma controvérsia no Senado, mas por fim foi-lhe dada a autorização, lembrando que já possuía experiência de combate na Guerra do Paraguai.
Derrotou os revolucionários comandados por Gumercindo Saraiva na Batalha de Passo Fundo (1894), fato esse que lhe valeu a patente de general de brigada honorário. Retornou ao senado, onde permaneceu até a sua morte.
Em 1897 foi acusado de ordenar — em conluio com Francisco Glicério e outros políticos — o atentado contra o então presidente Prudente de Morais, na entrada do Arsenal de Marinha, em que morreu o general Carlos Machado de Bittencourt. A acusação lhe custou alguns dias de prisão, mas diante da falta de provas, foi libertado.
Os partidos da República Velha eram constituídos em âmbito regional, como o Partido Republicano Paulista, o Partido Republicano Rio-grandense e outros. Pinheiro Machado, com a sua ampla visão política, adiantou-se no seu tempo ao fundar um partido político nacional, o Partido Republicano Conservador – PRC.
Em 1902 tornou-se vice-presidente do senado brasileiro, onde passou a controlar a Comissão de Verificação de Poderes, cuja função era a de definir quais candidatos eleitos pelo voto poderiam tomar posse, poder de julgamento da regularidade e licitude das eleições, hoje, da competência da justiça eleitoral. Com este poder em mãos, eliminou no nascedouro diversos mandatos parlamentares.
Pinheiro Machado atingiu a sua máxima influência quando Nilo Peçanha assumiu a presidência, após a morte de Afonso Pena, em 1909. Apoiou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca à presidência da República em oposição a Rui Barbosa, apoiado pelos estados de São Paulo e Bahia. O resultado das eleições foi de votos para Hermes contra para Rui. Na época, o normal era que um candidato de oposição recebesse de 20 a 30 mil votos. No mandato de Hermes, o poder de Pinheiro Machado atingiu o seu ápice, onde teve papel predominante na política das salvações, movimento que visava apaziguar as disputas entre as oligarquias regionais.José Gomes Pinheiro Machado, pag. 1289 - Grande Enciclopédia Universal - edição de 1980 - ed. Amazonas Uma piada publicada pela revista "O Gato", em 1913, resumia bem o poder de Pinheiro Machado. Segundo a piada, no dia em que deixava o Palácio do Catete, Hermes da Fonseca teria dito a Venceslau Brás, seu sucessor na presidência da república: "Olha Venceslau, o Pinheiro é tão bom amigo que chega a governar pela gente"."Pinheiro Machado governa o Governo, entre as 'salvações' e os 'coronéis'", pag. 25 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
Pretendia se candidatar à sucessão presidencial em 1914, mas articulações de seus oponentes impediram seu intento. Voltou então aos bastidores, de onde pretendia continuar manipulando à distância os jogos parlamentares e a política dos estados. Tinha imenso prestígio no Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas já colecionava um imenso número de desafetos noutras regiões. Em janeiro de 1915, enfrentou o clamor das ruas da Capital Federal, quando foi apupado por partidários de Nilo Peçanha, cuja eleição para a presidência do estado do Rio de Janeiro quase fora impedida por vontade de Pinheiro Machado.LACOMBE, Lourenço Luiz. Os chefes do Executivo Fluminense. Petrópolis, RJ : Museu Imperial, 1973. Milhares de "nilistas" pediam por sua cabeça. Meses mais tarde, ao impor o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, quase foi linchado por uma multidão feroz que o aguardava na porta do Senado. Foi nesta ocasião que Pinheiro Machado disse uma de suas mais célebres frases, ao ordenar ao cocheiro que o apanhara na porta do Palácio do Conde dos Arcos e que lhe perguntara como deveriam sair dali: "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo!"."Ascensão e queda de um caudilho gaúcho: 25 anos sob o império de Pinheiro Machado.", pag. 36 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
O assassinato thumb|direita|Túmulo de Pinheiro Machado, no cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Pinheiro Machado foi assassinado com uma punhalada pelas costas por Manço de Paiva, às 16h30 de 8 de setembro de 1915. O senador foi atacado no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no Flamengo, onde visitaria Rubião Júnior, político do Partido Republicano Paulista. Vinha do Senado e estava em companhia dos deputados federais paulistas Cardoso de Almeida e Bueno de Andrade. Suas últimas palavras teriam sido: "Ah, canalha! Apunhalaram-me!". Manço de Paiva entregou o punhal sujo de sangue a Cardoso de Almeida e calmamente esperou que a polícia chegasse ao hotel para prendê-lo. Pelo resto de sua vida, Manço de Paiva insistiria que agiu por conta própria.O Rio de Janeiro através dos jornais - 1915, J.M. Weguelin
Meses antes, Pinheiro Machado previra sua própria morte em entrevista ao jornalista João do Rio: "Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns 'pernas finas'. Pena que não seja no Senado, como César..."."No Hotel dos Estrangeiros, uma punhalada nas costas", pag. 37 - Nosso Século 1910/1930 - Anos de crise e de criação - 1980 - ed. Abril
O crime gerou uma enorme comoção nacional. Com a sua morte, o Partido Republicano Conservador, do qual era presidente, praticamente desapareceu. A cidade gaúcha de Cacimbinhas, de onde veio o assassino, mudou de nome para Pinheiro Machado em sua homenagem, gerando protestos dos moradores na época.
Galdino Siqueira foi o Promotor Público do caso.PAIXÃO, Daniel Pugliese da, Cem anos do Código que nunca existiu: os passos e traços de Galdino Siqueira, apresentação de Bolívar Iglesias, 1ª ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014.
Vida pessoal José Gomes Pinheiro Machado era casado com Benedita Brazilina Pinheiro Machado, mais conhecida como "Dona Nha-Nhã", desde 5 de agosto de 1876. No Rio de Janeiro, o casal residia numa das mais belas e famosas residências da então Capital Federal: o Palacete do Morro da Graça, em Laranjeiras, comprado em 1897, e ainda existente.
Galeria de imagens
Ver também Castilhismo Palacete do Morro da Graça Monumento ao Senador Pinheiro Machado República Velha
Bibliografia
Silva, Cyro - Pinheiro Machado, Livraria Tupã Editora, Rio, 1951
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