A Ermida de São Sebastião é um monumento religioso na freguesia e no Município de Alvito, em Portugal.

Foi classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 44075, de 5 de Dezembro de 1961.PORTUGAL. Decreto n.º 44075, de 5 de Dezembro de 1961. Ministério da Educação Nacional - Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas-Artes. Publicado no Diário do Governo n.º 281, de 5 de Dezembro de 1961.

Descrição Ermida A ermida está situada no Rossio de São Sebastião, numa área a Sudeste do centro urbano de Alvito.

Tem uma planta simples, de configuração longitudinal, formada por dois corpos rectangulares justapostos, de alturas diferentes, correspondentes à nave e à capela-mor. Foi construída de forma a ficar virada de ocidente para oriente. Adossados às paredes exteriores são visíveis catorze contrafortes, em forma de tronco de cone, que são rematados por acrotérios prismáticos coroados por pináculos piramidais. A empena da capela-mor termina em merlões chanfrados, enquanto que o restante edifício é rematado por uma platibanda simples. A entrada da ermida faz-se através de uma porta ogival, encimada por um óculo e depois a sineira.

Integra-se em geral nos estilos tardo-gótico alentejano e estilo manuelino, com elementos de tipologia mudéjar, ou seja, inspirados na antiga arte islâmica, algo que se encontra também noutros monumentos de Alvito, como o Castelo e a Igreja Matriz. A influência muçulmana é principalmente visível nas fachadas, nos merlões chanfrados e nos contrafortes. Devido à presença destes elementos, a ermida pode ser considerada como um santuário fortificado alentejano, de tipologia manuelina e mudéjar, sendo bastante similar a outros exemplos na região, como as ermidas de São Brás, em Évora e Santo André, em Beja. No concelho de Alvito também se encontra um santuário da mesma tipologia, com várias semelhanças em termos de volumetria e espaços interiores, a Capela de São Bartolomeu.

No interior, destaca-se o seu conjunto de pinturas murais seiscentistas na abóbada, provavelmente da autoria de José de Escobar, e que retratam anjos músicos. As paredes também estão cobertas por frescos, formando painéis representando vários santos, com molduras de motivos naturais, além de um rodapé simulando azulejos de desenhos geométricos.

Antiga pedreira Muito perto da ermida situa-se um complexo de grutas artificiais, consistindo numa antiga pedreira de calcário. De acordo com o arqueólogo José Efigénio, eram compostas por «grandes salas com a cobertura suportada por grandes pilares de substrato rochoso que ficava por escavar», com respiradouros que eram abertos na própria cobertura, «permitindo a entrada de iluminação e tornando o ambiente subterrâneo respirável». Estes respiradouros foram escavados principalmente nas áreas onde havia silos mais antigos, provavelmente de cronologia muçulmana.

História As antigas pedreiras junto à ermida poderão ter sido utilizadas desde o século I d.C., durante o período romano. Antes de se construir o santuário, a zona era ocupada por vários silos, provavelmente de cronologia medieval, tendo alguns ficado por debaixo dos alicerces do edifício. As pedreiras também terão sido utilizadas durante a época islâmica, e após a reconquista cristã, devido à necessidade de calcário em larga escala para o fabrico de mós, utilizadas nos moinhos de água da região. Entre 1251 e 1279 pertenceram a Dom Estêvão Anes, chanceler-mor do reino, que as legou no seu testamento à Ordem da Santíssima Trindade.

A ermida em si foi construída nos finais do século XV, talvez por volta de 1485, numa área que então estava situada fora das muralhas da vila, prática que era comum em santuários dedicados a santos que eram considerados protectores contra as epidemias, como era o caso de São Sebastião. Com efeito, a construção da ermida pode estar ligada a uma epidemia de peste que atingiu o país nos finais da década de 1470. Em 1611, foram executadas as pinturas murais na abóbada. Em 1628 as pedreiras foram encerradas devido a conflitos com a autarquia local.

Em 2009 caiu grande parte da cobertura das antigas pedreiras, levando ao seu encerramento ao público. Em 2024 foram concluídas obras de restauro no complexo, no sentido de evitar a ocorrência de mais derrocadas. Em Julho de 2025, a Câmara Municipal informou que já tinham sido concluídos os trabalhos de requalificação da área envolvente à ermida, que incluíram a instalação de uma calçada para melhorar as condições de acessibilidade ao monumento.

Ver também Lista de património edificado em Alvito Capela de Santa Ágata Capela de Santa Luzia Capela de São Bartolomeu Castelo de Alvito Ermida de São Sebastião (Castro Verde) Ermida de São Sebastião (Ferreira do Alentejo) Ermida de São Sebastião de Almeirim Igreja Matriz de Vila Nova da Baronia Igreja de Santo António Igreja da Misericórdia de Alvito e Capela de Nossa Senhora das Candeias Igreja Paroquial de Alvito

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Ligações externas

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