Kananga do Japão é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Manchete, entre 19 de julho de 1989 e 25 de março de 1990, em 208 capítulos, substituindo Olho por Olho e sendo substituída por Pantanal. Escrita por Wilson Aguiar Filho, com colaboração de Leila Míccolis, Colmar Diniz, Gil Haguenauer, Guto Graça Mello, Rodrigo Cid e Sérgio Perricone, sob a direção de Wilson Solon e Carlos Magalhães e direção geral de Tizuka Yamasaki, direção de núcleo de Jayme Monjardim. Sucesso de audiência e crítica, venceu seis categorias no Prêmio APCA.
Conta com Christiane Torloni, Raul Gazolla, Tônia Carrero, Giuseppe Oristanio, Elaine Cristina, Carlos Alberto, Júlia Lemmertz e Rosamaria Murtinho nos papéis principais.
Produção
Adolpho Bloch, presidente da Rede Manchete, deu a ideia de produzir um folhetim que mostrasse o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, um famoso cabaré da década de 1930. Com isso, contratou Aguiar Filho, que já produziu Marquesa de Santos e Dona Beija, maior sucesso da teledramaturgia da emissora, desde então. Esse projeto seria uma forma de suprir os prejuízos pela produção anterior, Olho por Olho.
Para desenvolver o texto de Wilson Aguiar Filho, a equipe investiu em material fotográfico, livros e documentos do Museu da Imagem e do Som, Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional. A emissora gastou 20 milhões de dólares com a produção da obra, cujas filmagens se iniciaram em 15 de maio de 1989.
Para a história, o elenco teve de aprender dança de salão, samba de gafieira, maxixe e foxtrot, além de capoeira, snooker, etiqueta e noções de judaísmo. Uma maneira utilizada pela Manchete para conquistar o público foi narrar, dentro da história, partes do governo de Getúlio Vargas e Washington Luís e a prisão de Olga Benário. Conforme comentário do diretor artístico Jayme Monjardim, «se essa novela não der certo, a Manchete desistirá da dramaturgia».
Escolha do elenco thumb|270px|Parte do elenco principal. A escolha do elenco foi feita pela própria direção de teledramaturgia da emissora. Maitê Proença foi a primeira a ser escolhida para a trama, porém ela estava com a volta para a Rede Globo acertada. Uma forma adquirida pela Rede Manchete foi contratar atores da Rede Globo que faziam sucesso, tais como Glória Pires, Joana Fomm, Cláudia Raia e Marcos Paulo, entretanto não obteve muito êxito, porque vários decidiram ficar na emissora adversária. Por outro lado, para escolherem o intérprete de Alex foi feito um teste com Ernesto Piccolo, Mário Gomes e José de Abreu, porém Raul Gazolla ficou com o papel.
Cenário e caracterização
O cenário de maior parte da trama é a casa noturna de danças Kananga do Japão, localizada na Praça Onze. Foram envolvidos mais de 200 profissionais para a construção de uma cidade cenográfica em Grumari, no Rio de Janeiro, com cerca de seis mil metros quadrados. A cenografia recaiu ao diretor Rodrigo Cid, o qual projetou lojas, chafarizes, linhas de bonde, colégios e a casa noturna intitulada Kananga do Japão. Outras imagens foram filmadas nos estúdios da Manchete em Vista Alegre, na Zona Norte do Rio.
Poucos dias antes da estreia, a Rede Manchete assinou uma parceria com a Fundação do Cinema Brasileiro, o qual confirmava a cessão de cenas de filmes lançados entre 1930 e 1939. O trabalho de 500 engenheiros, arquitetos e cenógrafos para a construção de bondes, trilhos e casas durou cerca de quatro meses e consumiu 1,5 milhão de dólares do orçamento de 5,5 milhões da telenovela. Segundo comentário da escritora, "o compromisso maior foi retratar o que era a Praça Onze naquela época."
O maquilhador e esteticista Guilherme Pereira e o figurinista Colmar Diniz foram os responsáveis para a caracterização dos personagens de forma condicente com a época retratada. Consoante Pereira, «A maquilhagem dos anos 30 exaltava a beleza da mulher como nunca, daí exigindo de um profissional um profundo sentido estético, precisão e harmonia. Os cabelos em pequenas ondas, as sobrancelhas finas e os olhos caídos faziam um rosto perfeito. Mas qualquer deslize poderia representar um desastre. Então, para se chegar à composição final de cada personagem, foi preciso chegar a um consenso com o figurino, a arte, cenografia e com a direção da novela, além dos próprios atores".
Enredo Em 1930, Dora é uma moça fina cuja família perdeu tudo após a Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, tendo que se mudar para Rio de Janeiro com a mãe Zulmira e as irmãs Madalena e Alzira para morar na pensão dos tios Joséphine e Epílogo. Ela vai trabalhar no grêmio recreativo Kananga do Japão, onde se apaixona por Alex Ferreira, mas decide casar-se com Danilo, um milionário que poderia salvar sua família. Inconformado, Alex casa-se com Lizette, rival de Dora na dança de salão, mas ambos vivem infelizes separados, ainda mais quando a madrasta de Danilo, a diabólica Letícia, passa a infernizar Dora por ser apaixonada pelo enteado. Elitistas, Sílvia e Chico, irmã e pai de Danilo, também não gostam de Dora por ela ser de família falida e passam a tentar arruinar o casamento.
Enquanto isso Alzira se apaixona pelo primo Júlio, cujo pai Epílogo é contra por desejar uma moça rica para o filho, se ocupando a ponto de não notar as traições de Joséphine ou os assédios do caçula Vado na empregada Isaura. O outro primo de Dora, Henrique, também vive um amor proibido com Hannah, cujos pais dela são contra pelo moço não ser judeu. No Kananga do Japão ainda há o alcoolismo de Daisy pela frieza do marido Orestes; as confusões criadas pelas dançarinas Zazá, Eduarda, Sueli, Eduarda e Amália; as investidas do bicheiro Caveirinha na virginal Madalena; e o triângulo entre Joséphine, Juca e a cantora Lulu Kelly.
Exibição Inicialmente, a estreia estava prevista para 16 de junho de 1989, mas a data foi adiada por problemas no elenco e texto. Portanto, o primeiro capítulo de Kananga do Japão exibido no dia 19 de julho do mesmo ano, na faixa da 21h30min pela Rede Manchete. No sábado da primeira semana de exibição, foi transmitido um resumo de todos os episódios apresentados. Apresentada de segunda a sábado, seu último capítulo foi mostrado em 25 de março de 1990, sendo substituída por Pantanal. Foi reapresentada duas vezes, na primeira ocasião, de 21 de maio de 1990 a 18 de janeiro de 1991, de segunda a sábado, sob 209 episódios e, na segunda, entre 18 de março e 10 de outubro de 1997 em 149 capítulos, de segunda a sexta. Em Portugal, foi exibida pela RTP2, somente aos domingos, durante quatro anos.
No fim de cada capítulo, eram exibidas, em três minutos, imagens documentais sobre a época. A vinheta de abertura foi produzida por Adolpho Rosenthal e dividida em quatro temas: porto, guerra, baile e campo, baseados na obra de Cândido Portinari, O Lavrador de Café. Ela representa as danças e os eventos feitos no cabaré Kananga do Japão, sob o som de "Minha", executado pela cantora Misty.
Elenco Intérprete Personagem Christiane Torloni Dora Tavares Raul Gazolla Alex Ferreira Elaine Cristina Lizete L'amour Giuseppe Oristanio Danilo Lima Viana Tônia Carrero Letícia Lima Viana Carlos Alberto Júlia Lemmertz Sílvia Lima Viana Alzira Tavares Via Negromonte Madalena Tavares Nelson Xavier CaveirinhaCláudio MarzoNoronha Orestes Guimarães Lúcia Alves Daisy Guimarães Chico Díaz Olegário Yara Lins Zulmira Tavares Rubens Corrêa Epílogo Tavares Rosamaria Murtinho Joséphine Tavares Tarcísio Filho Júlio Tavares Ernesto Piccolo Vado Tavares Paulo Castelli Henrique Tavares Cristiana Oliveira Hannah Franco Sérgio Viotti Saul Franco Riva Nimitz Eva Franco Zezé Motta Lulu Kelly Haroldo Costa Dr. Juca Ferreira Buza Ferraz Dudu Ewerton de Castro Saraiva Tamara Taxman Zazá Rui Resende Jorge Antônio Pitanga Delegado Bira Vicente Barcellos Youschua FrancoMaurício do ValleTorquato Paulo Barbosa Sinhô Solange Couto Ritinha Elisa Lucinda Sueli Karen Accioly Clotilde Maria Alves Isaura Sandro Solviat AtalibaMaria SílviaBrígida Adriana Figueiredo Amália
Participações especiais Ator Personagem Abrahão Farc Natan Xavier Antônio Pompêo Pai Alabá Bete Coelho Lígia Prestes Betina Vianny Olga Benário Betty Erthal Elise Ewert Breno Bonin Plínio Salgado Caíque Ferreira Francisco Alves Carlinhos de Jesus Duque Cassiano Ricardo (ator) Luiz Carlos Prestes Clemente Viscaíno Beijo (Benjamim Vargas)Daniella PerezEduarda Danielle Daumerie Odília Edwin Luisi Dr. Renato BragaEstefano BroeringTen. Severo Fornier Fernando Eiras Mário Reis Gerson Brener Dr. Guilherme Haroldo de Oliveira Ernesto Ivan Setta Graciliano Ramos Jonas Mello Cesário Campos Alvarenga Jorge Lafond Madame Satã José de Barros e Mauro Silveira Jararaca & Ratinho Luiz Carlos Buruca Vicente Celestino Luiz Salém Dr. Campos La Paz Marcos Oliveira Aparício Torelli Marcos Wainberg Berger Ewest Marília Barbosa Aracy Cortes Nildo Parente Delegado Anésio Frota Aguiar Paulo Gorgulho Capitão Juarez Távora Paulo Reis Capitão Eduardo Gomes Pratinha César Ladeira Roberto Bomtempo Bodoque Sebastião Lemos Ary Barroso Sérgio Britto Teodoro Silveirinha Valdemar Nóia Luquequi Stella Miranda Carmen Miranda Ricardo Blat Enéas MachadoTiciane PinheiroTalitaZeni PereiraMaria Santa
Música
A trilha sonora da telenovela Kananga do Japão, foi lançada no final de setembro de 1989 pelas gravadoras BMG Ariola e RCA em LP e cassete, conta com a produção musical de Guto Graça Mello (que já havia trabalhado pela gravadora Som Livre, como produtor musical de trilhas sonoras da Rede Globo), com assistência de produção e pesquisa de repertório de Tatiana Lohmann, e coordenação de produção de Lia Sampaio e Celso Lessa.
A capa do álbum é estampada pela atriz Christiane Torloni, que interpretou a personagem Dora Tavares, a protagonista da telenovela, com sua expressão marcante e figurino com motivos florais, evoca a estética dramática e romântica que permeia a trama. As músicas presentes na trilha sonora foram escolhidas para servir como temas de personagens e elementos da trama, ambientando as cenas da telenovela e aprofundando a narrativa. Essa seleção musical, que inclui temas específicos para personagens e cenários, evoca paixão, mistério, ambição e os complexos conflitos sociais e políticos que marcaram o período de 1930 a 1945, tanto no Rio de Janeiro quanto no Japão. A trilha sonora complementa a narrativa da trama, que aborda o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e o crescimento do nacionalismo brasileiro, com um foco especial na vida da colônia japonesa no Brasil. A diversidade de gêneros e intérpretes os artistas da MPB, pop, jazz, rock e samba, refletindo a riqueza cultural e as nuances emocionais da época retratada na novela.