Abhimāna (sânscrito: अभिमान) é um termo utilizado na literatura filosófica e religiosa da Índia. Pode designar orgulho, presunção, arrogância, autoestima ou uma concepção acerca de si próprio. Em contextos filosóficos, refere-se frequentemente ao processo pelo qual uma pessoa se identifica com o corpo, com determinadas características ou com aquilo que considera ser “eu” e “meu”.
Significados
Os dicionários de sânscrito registram diferentes sentidos para abhimāna, entre eles orgulho, arrogância, autoestima, respeito por si próprio, opinião elevada acerca de si e concepção ou suposição, especialmente uma concepção equivocada sobre a própria identidade.
Por essa razão, o termo não possui necessariamente um sentido negativo em todos os contextos. Pode indicar dignidade ou autoestima, mas, na literatura religiosa e filosófica, é mais frequentemente empregado para descrever orgulho excessivo ou uma identificação incorreta com características consideradas passageiras.
Abhimāna está relacionado a ahaṃkāra, termo geralmente traduzido como ego ou formação do sentido de “eu”. Embora os dois conceitos possam aparecer associados, não são necessariamente sinônimos: ahaṃkāra designa a constituição do sentido individual de identidade, enquanto abhimāna pode representar a atribuição a esse “eu” de qualidades, objetos, funções e relações, concebidos como “eu” ou “meus”.
Usos filosóficos e religiosos
Tradições hindus
Em diferentes correntes da filosofia hindu, abhimāna está associado à identificação do indivíduo com o corpo, com a posição social, com suas ações ou com outros elementos da experiência empírica. Essa identificação é frequentemente apresentada como uma fonte de erro acerca da natureza do ātman, o si mesmo.
Na interpretação do filósofo e teólogo Ramanuja, abhimāna constitui uma identificação primordial e equivocada do si mesmo com o corpo. A partir dela, o indivíduo passa a assumir como essenciais identidades e características corporais ou sociais que, segundo essa interpretação, não correspondem à natureza permanente do ātman.
No Advaita Vedanta, o termo também é empregado para descrever a identificação da consciência com o corpo, com os sentidos e com outros condicionamentos ou limitações. Essa identificação produz a concepção de um sujeito individual que conhece, age e experimenta os resultados das ações. Como está associada a avidyā, a ignorância acerca da verdadeira natureza do si mesmo, é considerada uma das condições que sustentam a experiência de separação e de aprisionamento no mundo fenomênico.
O termo aparece ainda na Bhagavad Gītā. No quarto verso do capítulo 16, abhimāna é mencionado ao lado de hipocrisia, arrogância, ira, aspereza e ignorância entre as características atribuídas à chamada disposição āsurī, geralmente traduzida como demoníaca ou não divina.
Budismo
Em fontes budistas, abhimāna também pode designar uma modalidade de presunção ou orgulho. Em algumas classificações, refere-se à crença de que uma pessoa possui qualidades ou distinções que na realidade não possui. Nesse contexto, integra análises mais amplas sobre as concepções construídas do indivíduo e sobre os diferentes tipos de apego à identidade pessoal.
Ver também
Ahamkara Atman Avidya Ego Māna
Categoria:Conceitos filosóficos hindus Categoria:Conceitos filosóficos budistas Categoria:Palavras, frases e expressões em sânscrito