O Futebol Clube de Famalicão é um clube de futebol português sediado na cidade de Vila Nova de Famalicão. É mais conhecido pela sua equipa de futebol profissional, que joga atualmente na Liga Portugal Betclic, a competição mais importante do futebol português.

Fundado a 21 de agosto de 1931, é um dos clubes mais representativos da região do Minho, juntamente com Gil Vicente FC, SC Braga e Vitória SC, e conta com 13 presenças no mais alto escalão do futebol português. Os seus jogos de futebol em casa são realizados no Estádio Municipal de Famalicão, inaugurado em 1952, com capacidade para 5 186 ugares.

O clube destaca-se pelo apoio bairrista dos habitantes de Famalicão que consegue deslocar uma multidão considerável para ver o seu clube da terra jogar dadas suas raízes tradicionalistas. O clube conta com mais de 6 000 sócios ativos em 2025.

Atualmente conta com a modalidade de Futebol, masculino e feminino, ambas com a equipa sénior na 1ª Divisão Nacional, dispondo de camadas de formação a partir da sua Academia; e ainda com a modalidade de Futsal, masculino, com a equipa sénior na 2ª Divisão Nacional e também com vários escalões de formação. Recentemente, o clube criou ainda uma secção de BTT, que compete em provas locais/regionais.

O FC Famalicão ocupa, no final da época 2024/25, a N/D.ª posição no Ranking de Clubes da UEFA e a 332.ª posição no Ranking Mundial de Clubes da IFFHS.

História

Primeiros tempos A 21 de agosto de 1931 é fundado o Foot-ball Club de Famalicão pelas mãos de José Alves Marinho, Floriano Portela, Hildebrando Portela, Luís Pinto, Joaquim Mesquita Jr. e Vergílio Pinto de Azevedo, com o objetivo de ser o principal embaixador desportivo da, então na altura, vila e do concelho. Verde e branco foram as cores da primeira camisola envergada pelos famalicenses.

A 17 de janeiro de 1932 é inaugurado o primeiro recinto do clube, o Campo da Berberia, numa partida frente ao Futebol Clube do Porto. No entanto, apenas na época seguinte (1932/33) é que a coletividade famalicense inicia a sua participação em competições oficiais, tendo competido no Campeonato da Promoção da Associação de Futebol de Braga.

Participa pela primeira vez no Campeonato Regional de Braga na temporada de 1934/35. No decurso dessa competição, o Famalicão jogará, oficialmente, pela primeira vez, contra o Vitória de Guimarães, logo à 2ª jornada da prova, num desafio que terminaria empatado a 2-2.

Na temporada de 1935/36 o Futebol Clube de Famalicão conquistou o Campeonato Distrital da Promoção e garantiu a subida ao Campeonato Regional de Braga (1ª Divisão da AF Braga), passando a partir desse momento a disputar com os dois grandes do Minho, Vitória SC e SC Braga, o acesso à I Divisão Portuguesa.

Em 1938 o clube adota novos equipamentos, passando a utilizar as cores azul e branco, uma decisão tomada com o objetivo de obter filiação do FC Porto, o que não se viria a concretizar na altura.

Reconhecimento nacional Em 1941 chega à vila minhota o húngaro János Szabó. Professor de ginástica, fica marcado como uma das personagens incontornáveis da história do Famalicão e um dos principais pilares do sucesso do clube. Chega a Famalicão com as funções de jogador e treinador com apenas 27 anos.

Entre as temporadas de 1942 e 1947 o Vitória de Guimarães sagrou-se consecutivamente campeão distrital tendo como principal rival na disputa o Famalicão, que havia suplantado o poderio do Sporting de Braga.

Entretanto, o Famalicão começa também a garantir grande projeção a nível nacional, após vencer o Campeonato Nacional da Segunda Divisão em 1945/46 num registo de 10 vitórias em 10 jogos. No entanto, o caminho para o principal escalão português ainda não estava concluído. Após uma linguilha na qual o Famalicão terminaria em segundo, a decisão é feita numa disputa frente ao Boavista FC que havia terminado a Primeira Divisão em penúltimo lugar. Neste desafio disputado na Póvoa de Varzim o Famalicão saiu vencedor, numa vitória por 3-2. A 30 de junho de 1946 o Famalicão alcança pela primeira vez a Primeira Divisão. Torna-se assim o segundo clube do Minho a alcançar este escalão, após a estreia do Vitória de Guimarães em 1941/42.

Nesse mesmo ano alcança as meias-finais da Taça de Portugal, sendo eliminado pelo então poderoso Sporting Clube de Portugal dos Cinco Violinos. 11-0 foi uma derrota pesada, mas um momento inigualável na história famalicense até 2020, ano em que voltou a atingir as meias-finais da prova rainha do futebol português, 74 anos depois.

É porem efémera, mas prestigiante, a estreia do Famalicão pela Primeira Divisão na época de 1946-47. A equipa muda-se para o Campo do Freião onde 5 000 adeptos assistiram a um empate a 1 golo frente ao Vitória de Guimarães ou mesmo uma vitória famalicense frente ao FC Porto por 2-1. O Famalicão termina a temporada com 7 vitórias, 3 empates e 16 derrotas no penúltimo posto da tabela classificativa, sendo relegado de volta para o segundo escalão em nova linguilha, que desta vez ditou derrota famalicense frente ao Lusitano VRSA (3-2).

Declínio Com a saída de János Szabó para o Sporting da Covilhã após seis anos no clube, o clube assistiu a um longo período de desaires. Durante as épocas seguintes o Famalicão tudo fez para conseguir o regresso ao principal escalão, todavia esse feito só viria a ser repetido praticamente 30 anos depois.

Nesse período, onde o Famalicão acabaria ainda por ser relegado para a Terceira Divisão, dá-se a melhoria das instalações desportivas do clube. A 21 de setembro de 1952 é inaugurado o Campo dos Bargos, agora denominado de Estádio Municipal de Famalicão.

Regresso de Szabó e retoma

Crescia contudo o sentimento bairrista e o apoio ao Famalicão, permitindo ao clube ter uma das melhores situações financeiras entre os clubes da região. Em 1962 regressa János Szabó e o clube regressa à Segunda Divisão Nacional após uma finalíssima frente ao FC Tirsense. Durante 15 anos o Famalicão permanece neste escalão.

Em 1976 a direção efetua uma aposta séria na equipa e finalmente em 1977/78 o clube regressa ao principal escalão nacional após conquistar o título de campeão da Segunda Divisão.

Com o técnico Mário Imbelloni aos comandos da equipa famalicense, a passagem do Famalicão pela Primeira Divisão na temporada de 1978/79 voltou a ser efémera. O Famalicão lutou até à última jornada pela manutenção, mas viria a terminar no 13° lugar da classificação, entre 16 equipas, descendo de divisão com os mesmos pontos do 12°, o Beira-Mar, que acabou por cima devido ao critério de desempate do confronto direto.

É no segundo escalão que o clube haveria de continuar durante mais outra década.

Regresso à Primeira Divisão e escândalo

Em 1987/88, comandado pela ex-glória do FC Porto, Rodolfo Reis, o Famalicão vence a Zona Norte e sagra-se novamente campeão da Segunda Divisão numa fase final disputada com o Académico de Viseu e o Estrela da Amadora.

Porém, já com duas jornadas disputadas na Primeira Divisão (derrota na Choupana frente ao Nacional por 2-0 e vitória caseira frente ao Académico de Viseu por 1-0) o Famalicão foi punido disciplinarmente pela Federação Portuguesa de Futebol. Perdeu o título de campeão da Segunda Divisão e foi relegado para a Terceira Divisão.

Em causa estaria um encontro decisivo da fase de subida ao principal escalão entre o Famalicão e o Macedo de Cavaleiros. Encontro que o Famalicão acabaria por vencer na secretaria, após uma invasão de campo. A vitória foi decisiva na subida do Famalicão, mas a AD Fafe alegou que a invasão haveria sido encenada a troco de dinheiro. O caso acabou por ser confirmado pelo próprio presidente do Macedo de Cavaleiros que acabaria por acompanhar o Famalicão na descida ao terceiro escalão enquanto a formação Fafense via a sua estreia, e até hoje única participação, no principal escalão do futebol português.

Com uma equipa preparada para a Primeira Divisão, o Famalicão disputou o terceiro escalão do futebol português durante a temporada de 1988-89. Naturalmente, venceu a sua série e subiu novamente à Segunda Divisão, que disputou na época de 1989/90.

O escândalo de corrupção não acabaria aqui e em Junho de 1990 o presidente do Macedo de Cavaleiros voltou a surgir em público a garantir que, afinal, nunca tinha havido suborno e que tudo não passara de uma vingança pessoal contra o presidente do Famalicão. O caso foi novamente julgado, desta vez favoravelmente ao Famalicão, que voltou à Primeira Liga em 1990/91, obrigando os dirigentes a alargar o campeonato para 20 equipas, e viu o título de campeão da Segunda Divisão devolvido.

Época de ouro O início da década de 90 será, seguramente, os anos dourados da história do Famalicão. Foram quatro presenças consecutivas na Primeira Liga. Embora sofridamente conseguidas as manutenções, é um facto, é muito relevante a prestação da equipa famalicense. Na primeira temporada, destaque para o papel do treinador brasileiro Abel Braga e a forte defensiva famalicense, a 5ª melhor da prova, composta por jogadores de grande envergadura e calibre como Tanta, Ben-Hur e Lula e a qualidade técnica do médio Cacioli.

Na época seguinte o Famalicão ambiciona outros voos com a contratação do prestigiado técnico Josip Skoblar, no entanto sem sucesso, acabando por ser determinante a entrada do Professor Neca para o comando técnico, recuperando uma equipa moribunda e condenada a descer de divisão. Consegue terminar o campeonato 1 ponto acima da linha de descida.

A terceira temporada trouxe a melhor participação nestes quatro anos. O Famalicão conseguiu aquele que é o seu recorde de invencibilidade na competição até hoje - 12 jogos consecutivos sem perder, com 4 vitórias e 8 empates - ganhou frente ao FC Porto nas Antas (0-1), uma tarefa quase impensável para qualquer equipa na altura, e venceu também o Benfica em casa (1-0). Sonhou durante grande parte do campeonato com a Europa, ao passar várias jornadas no 6° lugar da prova, mas uma quebra nas derradeiras jornadas atirou a equipa para o 14° lugar da classificação final, com apenas 2 pontos de vantagem para a primeira equipa despromovida.

Descida e fase negra Após quatro épocas no limiar da manutenção, o Famalicão termina 1993/94 em 17º lugar e é relegado à Segunda Liga, fruto de problemas económicos e diretivos que haveriam de acompanhar o clube durante anos.

Em 1996/97 o Famalicão é novamente relegado, para o terceiro escalão (Segunda Divisão) e após duas tentativas falhadas de regresso à Segunda Liga nas épocas de 1999/00 e 2000/01, a situação económica do clube agrava-se, traduzindo-se num claro desinvestimento na equipa principal, sendo novamente relegado à Terceira Divisão em 2002.

Por estes escalões haveria de caminhar o Famalicão, incluindo uma curta passagem pelo campeonato distrital em 2008/09, fruto de direções instáveis e do declínio financeiro em que se encontrava o clube. Ponto de viragem A entrada de uma direção estável em 2009 e o forte apoio da massa associativa culminaram em sucessivas subidas de divisão. Em 2011 finalmente alcançou o regresso à Segunda Divisão "B". Em 2014, num feito notável, o Famalicão regressa aos campeonatos profissionais, após a conquista do primeiro lugar na fase de subida do Campeonato Nacional de Seniores. Na final decisiva do título de campeão, o CD Mafra acabaria por levar a melhor na marca de grandes penalidades após um empate a 1 no prolongamento.

No regresso à Segunda Liga o Famalicão destaca-se no número de assistência no seu estádio, chegando mesmo a ultrapassar vários clubes da Primeira Liga. Seguem-se 3 temporadas no segundo escalão com prestações razoáveis a assegurar a manutenção da turma famalicense, com destaque para o 6° lugar logo na primeira aparição em 2015/16.

Investimento e regresso à Primeira Liga