(; 169-164 a.C.–) foi um político da gente Semprônia da República Romana no século II a.C.. Juntamente com seu irmão, Caio Graco, foi um proeminente líder da facção dos populares. Como tribuno da plebe, provocou um grande tumulto em Roma com suas propostas de leis agrárias que buscavam transferir um pouco da riqueza dos patrícios mais ricos para a população mais pobre.
Estas reformas provocaram uma grande tensão social e política em Roma. Tibério foi acusado de pretender derrubar a República, para tornar-se rei. Quando Tibério decidiu concorrer mais uma vez à eleição para o ano seguinte foi assassinado por membros do Senado Romano e outros aliados da facção dos optimates.
Primeiros anos Tibério nasceu entre 168 e 163 a.C. (é impossível confirmar a data) e era filho de Tibério Graco, o Velho, e Cornélia Africana.The Great Books, p. 672
Sua família, os Gracos, um ramo da gente Semprônia, era uma das mais influentes de Roma na época. Seus avôs por parte de mãe eram Cipião Africano e Emília Paula, a irmã de Lúcio Emílio Paulo Macedônico; sua irmã, Semprônia Graca, era esposa de Cipião Emiliano, outro importante general e político da época. Mais tarde, casou-se com Cláudia Pulcra, filha de Ápio Cláudio Pulcro, cônsul em 143 a.C..
Carreira militar A carreira militar de Tibério começou na Terceira Guerra Púnica, na qual atuou como tribuno militar para seu cunhado, o general Cipião Emiliano. Neste período, Tibério ficou conhecido por sua bravura e disciplina e recebeu honrarias por ter sido o primeiro oficial a transpor a muralha inimiga.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério Graco 4 Em 137 a.C., Tibério foi nomeado questor para atuar junto ao cônsul Caio Hostílio Mancino, servindo seu mandato em Numância, na Hispânia, no contexto da Guerra Numantina. A campanha foi um fracasso, pois Mancino sofreu sucessivas derrotas e teve que suportar a desonra de se retirar sob a proteção da noite enquanto sua retaguarda era massacrada e seu acampamento, saqueado.The Great Books, p. 673
Um mero questor, Tibério salvou o exército da destruição completa assinando um tratado de paz com os numantinos, um ato que geralmente era reservado aos legados.The Great Books, p. 674 Nas negociações, Tibério relembrou as façanhas de seu pai, que também havia guerreado na Hispânia e havia entrado em acordo com os numantinos.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério Graco 5 Os numantinos respeitavam tanto Tibério que, quando souberam que ele havia perdido seus livros contábeis durante o saque ao acampamento romano, o convidaram para Numância, ofereceram-lhe um banquete e permitiram que ele retomasse não apenas os livros mas o que quisesse levar dos espólios obtidos. Tibério se recusou a levar qualquer coisa além dos livros exceto um pouco de incenso necessário para os sacrifícios rituais.
As ações de Tibério provocaram um grande alvoroço em Roma. Seus adversários argumentaram que a negociação de Tibério colocou Roma em situação de fraqueza como os derrotados na guerra; seus aliados defendiam que o general Mancino havia sido derrotado várias vezes e havia se retirado de forma vergonhosa e que havia sido apenas pelas mãos de Tibério que muitos cidadãos haviam sido salvos.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério Graco 7
A população da cidade votou para que Mancino fosse enviado aos numantinos como prisioneiro, o que o próprio Mancino aceitou, mas os numantinos se recusaram a aceitá-lo, pois isto implicaria em recusar o tratado firmado. Cipião Emiliano teve um papel preponderante na salvação de Tibério e seus oficiais, mas não conseguiu evitar que novas punições fossem impostas a Mancino. Ele também não apoiou a ratificação do tratado de Tibério. Apesar disto, Plutarco menciona que nada disto abalou a amizade entre os dois e chega a propor que Tibério jamais teria sido assassinado se Cipião não estivesse fora de Roma, em campanha contra os mesmos numantinos, tamanho era o seu poder político em Roma.
Carreira política thumb|direita|Cornélia Africana e os dois filhos de Tibério Graco em Roma. No final de seu mandato como tribuno da plebe, Tibério temia pela sua segurança e de sua família, mas contava com o apoio e a proteção da plebe romana. A situação política em Roma na época de Tibério Graco não era pacífica e já vinha de um século de conflitos. Desde que os legionários passaram a ser obrigados a servir por uma campanha completa, independente de quão longa ela fosse e sem interrupções durante o inverno, passou a ser comum que suas terras ficassem nas mãos de suas esposas e filhos. Tibério alegava que estas pequenas fazendas costumeiramente faliam e eram compradas pelos ricos proprietários de terras, dando origem a enormes latifúndios na Itália. Pesquisas arqueológicas, no entanto, não encontraram evidências da expansão de latifúndios na Roma republicana.
Algumas terras acabavam sendo confiscadas pelo estado romano em tempo de guerra, tanto na Itália quanto nas províncias. Depois que a guerra terminava, grande parte das terras conquistadas eram vendidas ou alugadas à população, geralmente uns poucos que conseguiam acumular grandes lotes, muito mais lucrativos que as pequenas fazendas. Tibério criticava que estas terras eram cultivadas por escravos, o que aumentava ainda mais a disparidade em relação aos pequenos proprietários incapazes de comprar escravos. Historiadores divergem até que ponto são verdadeiras tais alegações ou apenas faziam parte da estratégia de campanha de Tibério.
Os céticos alegam que a história de Tibério Graco é baseada na visão do historiador Plutarco, que não esconde a simpatia às ações de Tibério. Segundo Plutarco, Tibério adotou seu programa político " Quando, à caminho de Numância, passou pela Etrúria e encontrou a região quase despopulada e repleta de escravos bárbaros, ele concebeu uma política que seria a fonte de incontáveis malefícios a si próprio e a seu irmão".
Quando os soldados retornavam de seu serviço nas legiões, não tinham lugar para ir e muitos se juntavam aos milhares de desempregados que perambulavam pela cidade de Roma. Como apenas homens que possuíam terras podiam servir no exército, o número de candidatos elegíveis passou a encolher rapidamente e, com ele, o poderio militar da República Romana. Plutarco conta que "então os pobres, que haviam sido expulsos de sua terra, não mais se mostravam dispostos ao serviço militar e negligenciavam a criação de seus filhos; desta forma, rapidamente toda a Itália sabia que havia uma carência de homens livres e estava cheia de bandos de escravos estrangeiros com os quais os ricos cultivavam suas terras das quais haviam sido expulsos os cidadãos livres".
Em 133 a.C., Tibério foi eleito tribuno da plebe e imediatamente começou a legislar em prol dos legionários sem terra. Discursando para uma multidão na Rostra, Tibério afirmou: "As bestas selvagens que vagam pela Itália tem seus covis, todas contam com um local de repouso e refúgio. Mas os homens que lutam e morrem pela Itália não gozam de nada além do ar e da luz; sem casa ou lar, vagam com suas esposas e filhos".
Lex Sempronia Agraria Com o objetivo de melhorar a vida dos pobres, Tibério Graco propôs uma lei conhecida de como Lex Sempronia Agraria (ver também Lex Sempronia) que reconhecia o controle sobre as terras públicas (ager publicus) ao estado, especialmente as terras conquistadas em tempo de guerra. A nova lei estabelecia especificamente que nenhum cidadão podia possuir mais do que 500 jugera (cerca de 125 hectares) de terras públicas e que todas as terras além deste limite seriam confiscadas. Leis similares mais antigas eram ignoradasCambridge Ancient History vol.9, p.64 e os ricos proprietários de terras costumavam utilizar prepostos fraudulentos para adquirir as terras que depois lhes seriam transferidas diretamente.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério Graco 8
O limite de 500 jugera era uma confirmação de leis mais antigas, como a Lex Licínia Sextia, de 367 a.C., cujo cumprimento jamais foi exigido. Na época, muitas propriedades tinham mais de 500 jugera e eram de posse de famílias que haviam assentado ou alugado as terras muito tempo antes, muitas gerações em alguns casos.
Tibério percebeu que a reforma era necessária e se encontrou com três proeminentes líderes de Roma: Crasso Muciano, o pontífice máximo, o cônsul e jurista Públio Múcio Cévola e o consular Ápio Cláudio Pulcro, seu sogro. Juntos, os quatro formularam uma lei que multaria os que tinham mais terras do que o permitido e que exigia que eles se desfizessem de suas propriedades ilegais em troca de compensação financeira.Swords Against the Senate, p. 38 Erik Hildinger Ainda assim, a elite senatorial foi contra a lei e acusou Tibério de tentar redistribuir riqueza, o que seria contra os princípios fundamentais da República Romana, e de incitar uma revolução social.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Tibério Graco 9 Tibério propôs sua lei em 134 a.C. e, para tentar apaziguar os ânimos, alterou-a para incluir um aumento do limite em 250 jugera por filho.The Great Books, p. 675
Além disto, Tibério Graco também propôs a redistribuição das terras públicas confiscadas entre os pobres e sem terra de Roma, concedendo lotes de 30 jugera para que pudessem sustentar suas famílias. Esta redistribuição também os tornaria elegíveis para o pagamento de impostos e para o serviço militar, o que resolveria os dois principais problemas que Roma enfrentava na época.The Great Books, p. 676
Aprovação thumb|direita|Os Gracos, Tibério e Caio. Depois que os dois foram assassinados, estátuas dos irmãos foram espalhadas por Roma e eles eram adorados como heróis da plebe contra a opressão dos senadores conservadores (os optimates). A facção conservadora do Senado Romano, chamada de optimates, era totalmente contrária às reformas de Tibério Graco e se irritou principalmente por causa do método estranho que ele estava utilizando para aprovar suas leis. Tibério claramente sabia que o Senado não aprovaria as reformas e, por isso, ignorou-o completamente e levou suas leis para serem aprovadas diretamente pela Assembleia da plebe, onde contava com ampla maioria. Este recurso não era ilegal e nem contrário à tradição (mos maiorum), mas era uma afronta aos senadores.
Contudo, qualquer tribuno da plebe podia interpor um veto à proposta, impedindo que ela fosse apresentada à Assembleia. Numa tentativa de impedir Tibério, o Senado convenceu Marco Otávio, um dos nove outros tribunos, a fazê-lo. Graco então propôs que Otávio deveria ser imediatamente deposto sob a acusação de não agir em prol dos seus próprios eleitores, ou seja, da plebe. Otávio, segundo Tibério, teria violado o princípio básico do cargo de tribuno da plebe, que era garantir a proteção da plebe de qualquer opressão política ou econômica pelo Senado. Ainda assim, Otávio não se demoveu e manteve seu veto. A Assembleia começou a votar pela sua deposição, mas ele vetou o procedimento. Tibério, sem opções, tomou a decisão de removê-lo fisicamente da Assembleia e prosseguiu com a votação para depô-lo, o que era ilegal dada a sacrossantidade dos tribunos.The Great Books, p. 677
Os aliados de Tibério ficaram preocupados e desistiram da votação. Tibério então passou a utilizar seu veto para impedir a realização dos ritos diários dos tribunos que permitiam a abertura de diversos edifícios públicos essenciais como mercados e templos. Desta forma, ele efetivamente paralisou o funcionamento de toda a cidade de Roma, incluindo todo o comércio e as atividades produtivas, até que o Senado e a Assembleia aprovassem suas leis. A Assembleia, temendo pela segurança de Tibério, deliberou pela formação de uma guarda pessoal para Tibério, que o seguia por toda parte.