Mértola é uma vila raiana portuguesa sede do Município de Mértola do Distrito de Beja, inseridos na região do Alentejo (NUT II) e na sub-região do Baixo Alentejo (NUT III).INE — http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros É o sexto município mais extenso de Portugal, com de área, tendo 6205 habitantes (censo de 2021). O município é limitado a norte pelos municípios de Beja e de Serpa, a leste pela Espanha, a sul por Alcoutim e a oeste por Almodôvar e por Castro Verde.

A vila de Mértola, povoação com mais de habitantes, encontra-se situada numa elevação na margem direita do rio Guadiana, imediatamente a montante da confluência da ribeira de Oeiras.

Freguesias thumb|left|Freguesias do município de Mértola.|246x246px O município de Mértola está dividido em 7 freguesias:

+ Freguesias do município de Mértola Freguesia Residentes (2011) Residentes (2021) Alcaria Ruiva 849 633 Corte do Pinto 857 732 Espírito Santo 335 328 Mértola 2824 2503 Santana de Cambas 797 752 São João dos Caldeireiros 567 442 São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros 1045 815 Total 7274 6305

Caracterização miniaturadaimagem|190x190px|Rio Guadiana Economia e infraestruturas de transporte Segundo a obra História das Freguesias e Concelhos de Portugal, publicada em 2004, verificava-se uma grande diferença entre o concelho e a vila em si, em termos económicos. Enquanto que na vila os serviços e o turismo já assumiam um papel determinante, no resto do município ainda se praticava uma economia baseada na agricultura e na pecuária, com funções associadas como a apicultura e panificação, existindo igualmente algumas indústrias de carpintaria.BASTOS et al, 2004:96

Em termos de acessos rodoviários, Mértola conta com uma rede de estradas cujos eixos estruturantes são três estradas regionais, que unem a vila a outras sedes do concelho, e servem também o tráfego interconcelhio. A Estrada Regional 123 dá acesso a Castro Verde e em Alcaria Ruiva liga-se ao IC27, a 265 une Mértola a Serpa e é o principal acesso das freguesias de Corte do Pinto e Santana de Cambas à sede do concelho, e a 267 é o principal corredor de ligação a Almodôvar e dentro do concelho é principalmente usado pelas populações da freguesia de São João dos Caldeireiros. Possui três importantes pontes que permitem vencer barreiras naturais: as pontes sobre a Ribeira de Oeiras e do Vascão que unem a vila e o concelho de Mértola à região do Algarve, e a Ponte de Mértola sobre o Rio Guadiana, que permite a ligação entre as duas margens daquele curso de água.

Educação Em 2026, o concelho de Mértola contava com dez equipamentos escolares e pré-escolares, dos quais oito eram públicos: o Centro Educativo de Algodôr, em Alcaria Ruiva, a Escola de Mina de S. Domingos, em Corte do Pinto, o Centro Educativo de Santana de Cambas, o Centro Educativo de Penilhos, em São João dos Caldeireiros, e o Centro Educativo de São Miguel do Pinheiro. Na sede do concelho encontram-se o Jardim de Infância de Mértola, a Escola Básica de Mértola, e a Escola EBS de São Sebastião. Em termos de escolas privadas, existiam o Centro Infantil da Santa Casa da Misericórdia de Mértola e a Escola Profissional Alsud, sendo esta última de especial interesse pela sua oferta formativa especializada e organizada de acordo com as necessidades da região, incluindo cursos de geriatria e de gestão cinegética.

Geografia A hidrologia do município de Mértola é marcada pelo rio Guadiana e seus afluentes (Oeiras, Chança e Vascão). Este atravessa o município numa extensão 35 km, fazendo a maré sentir-se até Mértola, cerca de 70 km desde a foz.

Em termos geológicos, o município de Mértola é caracterizado por duas zonas distintas: a peneplanície alentejana e o vale do Guadiana.

Situa-se na área Sudeste da região do Alentejo, junto à fronteira com Espanha e os concelhos de Serpa, Beja, Castro Verde e Almodôvar.

Clima Mértola apresenta um clima quente e temperado, predominantemente mediterrânico, com verões quentes e secos, consequência da interioridade. Os invernos são amenos e pouco chuvosos.

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, a classificação do clima é Csa. A temperatura média anual é de 17.1 °C. Tem uma pluviosidade média anual de 446.38 mm.

História Pré-história Os vestígios de habitação mais antigos no território correspondente ao concelho de Mértola datam do Neolítico.

A obra Arquivo Histórico de Portugal, publicada em 1890, refere a lendária fundação fenícia de Mértola: «É esta uma das mais antigas povoações da antiga luzitania, sendo fundada, segundo a opinião de abalizados archeologos e historiadores, pelos phenicios da cidade de Tyro. [...] A fundação de Mertola teve por motôr a fuga de alguns phenicios, que se homisiaram aqui quando Alexandre Magno invadiu a cidade de Tyro. Deram os fundadores á povoação o nome de Myrtilis, que significa - Nova Tyro. Com o andar do tempo, a palavra Myrtilis corrompeu-se em Mertola. [...] Usaram os phenicios percorrer os mares, e onde lhes convinha fundavam colonias, e armazenavam os productos minerais que nas inmediações exploraram. O nosso Tejo, Guadiana e Sado, fizeram parte d'essas colónias, tão vantajosas aos seus laboriosos e activos fundadores.».

Horácio Ferreira Alves avançou uma teoria diferente para a origem e o topónimo de Mértola no jornal O Mensageiro Escolar em 1933, segundo a qual a povoação e o nome de Mértola são muito anteriores à presença fenícia. Ferreira Alves argumenta que o topónimo era ibero-céltico ou lígure, sendo a raiz celtibérica visível no elemento Mer ou Mir, que considerou semelhantes às palavras célticas mâro, moir e mel, e que traduziu como grande, enquanto que tol-a significaria castro ou povoado num monte, podendo estar relacionado com os termos lusitanos como tal, tar ou tur, relativos a um local elevado. Assim, o topónimo Mértola poderia significar vila ou castro grande ou terra, povo do monte, explicação que se coaduna com a localização primitiva da povoação.

Desde muito cedo que a povoação se terá afirmado como um importante entreposto comercial, estimulado pela sua posição privilegiada no Rio Guadiana, que permitiu a sua ligação às civilizações do Mar Mediterrâneo, como os fenícios e cartagineses Durante a Idade do Ferro, a povoação era defendida por uma linha de muralhas, provavelmente construídas entre os séculos VI e II a.C. A muralha tinha cerca de 2 Km de comprimento, encerrando uma área de 65 Ha, que era uma das mais extensas deste período na Península Ibérica. Era composta por um muro construído em blocos e lajes de xisto da região, com uma largura variável entre os 4 e 5 metros, e por várias torres semi-circulares com 5 a 6 metros de largura.

thumb|Estátua romana de uma figura togada, encontrada em Mértola Período romano e antiguidade tardia

Mértola foi depois ocupada pelos romanos, sendo então denominada de Myrtilis. O Arquivo Histórico refere que devido à sua «situação desafogada e prospera», quando foi conquistada pelos romanos, estes «lhe concederam a honra e privilegio de cidade municipal do antigo direito latino». Segundo aquela obra, terá recebido o nome de Myrtilis Julia, como sucedeu com outras cidades do Alentejo, como Pax Julia (Beja) e Liberalitas Julia (Évora), provavelmente em homenagem a Júlio César, que fez a paz com os Lusitanos, e concedeu várias vantagens às cidades daquela região. Manteve a sua importância ao longo deste período, como pode ser atestado pela presença de vestígios de grandes edifícios e infra-estruturas dessa época, como um criptopórtico, a Torre Couraça, a Casa Romana, e vários lanços de estradas. Sobre o criptórtico, situado a Norte da alcáçova, existia provavelmente um Fórum. O arqueólogo Estácio da Veiga avançou a teoria de que a cidade romana era protegida por uma cintura de muralhas, apesar de não terem sido até então encontrados quaisquer vestígios dessa estrutura, uma vez que geralmente as povoações mais importantes durante esse período eram fortemente protegidas.VEIGA, 1880:79 No século II d.C., o escritor Ptolemeu descreveu a cidade como um «oppidum antiquum e preclarum», o que significa que já então Mértola era muito antiga.

Foi também na época romana que se desenvolveu a exploração no importante couto mineiro de São Domingos.

Durante o período da Antiguidade tardia, entre os séculos V a VIII d.C., nos finais do domínio romano, a plataforma artificial do criptopórtico foi ocupada por edifícios religiosos, ricamente ornamentados com mosaicos. Esta fase foi de grande expansão do cristianismo em Mértola, como pode ser constatado pela presença de sepulturas e de locais de culto, nomeadamente duas basílicas paleocristãs, uma no Rossio do Carmo e outra junto à alcáçova. Nesta última destaca-se a presença de um baptistério de forma octogonal. A Igreja Matriz terá sido construída originalmente no século IV d.C., substituindo um templo romano. Terá sido igualmente em Mértola que nasceu São Brissos, que foi torturado como parte das perseguições contra os cristãos, durante o reinado do imperador Diocleciano.

No século V a civilização romana entrou em profundo declínio, tendo a Lusitânia sido ocupada por vários povos vindos das regiões setentrionais da Europa, como os suevos e os visigodos. O Arquivo Histórico refere que Mértola terá sido devastada durante este período, como sucedeu com outras cidades na Península Ibérica. Porém, apesar disto ainda terá mantido alguma importância, como referido por Enrique Flórez na sua obra España Sagrada, baseado na Crónica dos Suevos do bispo Idácio, e transcrita por Estácio da Veiga: «Censorius comes, qui Legatus missus fuerat ad Suevos, residens Mirtyli, obsessus à Rechila in pace se tradit. Este texto menciona que em 440 a cidade romana foi cercada e tomada pelos Suevos, a cujo rei Réquila foi enviado como embaixador o Conde Censório.VEIGA, 1880:85-88 O Arquivo Histórico menciona que em 630 São Salvador fundou um mosteiro Beneditino a cerca de 10 Km de Mértola, que foi depois destruído pelos mouros, em conjunto com um outro mosteiro da mesma ordem, a 15 Km da vila. Foram igualmente encontrados vários materiais epigráficos funerários gregos, do período após o fim da civilização romana na Lusitânia.

miniaturadaimagem|left|Alcáçova de Mértola, vendo-se do lado direito a torre de menagem

Domínio islâmico e reconquista

Em 711 inicia-se a invasão da Península Ibérica por povos islâmicos, tendo Mértola sido conquistada em 713, como parte de uma campanha de Muça ibne Noçáir, em conjunto com Medina Sidónia e Sevilha.CAPELO et al, 1994:13 Porém, como refere o Arquivo Histórico, a cidade terá sido reconstruída pouco tempo depois, uma vez que os novos líderes depressa reconheceram a sua vantajosa posição geográfica. Assim, muda de nome para Martula, entrando num período de franco desenvolvimento, com a correspondente ampliação da área urbana. Foi considerada como uma das mais importantes cidades fortificadas na região do Gharb al-Andalus, devido à existência de ricos jazigos mineiros na região em redor, como os da futura mina de São Domingos, e à navegabilidade do Rio Guadiana.