O Território Livre de Trieste ou Estado Livre de Trieste (italiano Territorio libero di Trieste, esloveno Svobodno tržaško ozemlje, croata Slobodni teritorij Trsta, alemão Freies Territorium Triest) foi uma república e cidade-estado situada na Europa Central entre o norte da Itália e Iugoslávia, que teve o estatuto de Estado independente entre 15 de setembro de 1947 e 26 de outubro de 1954.
Tinha 738 km² e sua população era habitantes sendo italianos, eslovenos e croatas e de outras nacionalidades.
Era dividido em duas zonas: a zona A com 222,5 km² e habitantes, administrada pelo Governo Militar Aliado (AMG-FTT), e a zona B com 515,5 km² e habitantes administrada pelo Governo Militar Iugoslavo (STT-VUJA).
O Território Livre de Trieste compreendia a cidade-porto de Trieste com uma estreita faixa de costa para o noroeste (zona A) e uma pequena porção da península da Ístria (zona B).
História Durante séculos Trieste foi parte do Império Austríaco (desde 1867 Império Austro-Húngaro), apesar de sua população ser, na maioria, italiana. De acordo com o censo austríaco de 1910, Trieste tinha 230.000 habitantes, com os seguintes grupos linguísticos: 51,8% italianos, 25% eslovenos, 5% croatas, 1,2% outros (alemães, sérvios, gregos, etc.), e 16% estrangeiros de fora do Império (dos quais 75% eram da Itália)
left|thumb|180px|Um cartaz do Plano Marshall, mostrando bandeiras nacionais europeias, inclusive uma de Trieste, erroneamente com fundo azul em vez de vermelho
Em 1921 (depois da Primeira Guerra Mundial), a Itália formalmente anexou Trieste, Ístria e parte do que hoje é o oeste da Eslovênia. Em 1924, a Itália adicionalmente anexou o Estado Livre de Fiume, hoje a cidade de Rijeka na Croácia.
A área rural de Trieste era povoada por eslovenos no norte e por croatas no sudeste, enquanto os italianos constituíam a maioria da população urbana. O mesmo acontecia em Rijeka e cidades da Ístria.
Durante a década de 1920 e a década de 1930, a população eslava foi submetida a italianização e discriminação pelo governo fascista italiano. Eles foram também expostos a violência, inclusive com o incêndio do Clube Nacional Esloveno (Narodni dom) em Trieste em 13 de julho de 1920, como resposta à morte de dois marinheiros italianos pelos guardas aduaneiros iugoslavos durante tumultos em Split.
Muitos eslovenos e croatas emigraram para a Iugoslávia, enquanto alguns se juntavam à organização de resistência TIGR, cujos método incluíram mais de 100 ações terroristas em Trieste e arredores durante os anos 1920s e 1930s.
A Itália aliou-se ao Eixo na Segunda Guerra Mundial. Quando o regime fascista caiu em 1943 e a Itália capitulou, Eslovênia e Croácia (que eram então partes da República Socialista Federal da Iugoslávia) formalmente anexaram o território, mas o exército alemão ocupou-o. O 4.º Exército Iugoslavo e 9.º Corpo Esloveno conquistaram Trieste em 1 de maio de 1945. O exército neozelandês chegou no dia seguinte e recebeu a rendição do exército alemão. Os soldados iugoslavos partiram em 12 de junho de 1945, em decorrência do acordo entre a Iugoslávia e os Aliados em 12 de maio.
O Território Livre Em 10 de fevereiro de 1947, um tratado de paz foi assinado com a Itália para estabelecer o Território Livre de Trieste, que ficou, assim, dividido em duas zonas: Zona A, com 222.5 km² e 262.406 residentes, onde se situa a cidade de Trieste, administrada por forças britânicas e americanas, e Zona B, com 515.5 km² e 71.000 residentes, onde se situa o noroeste da Ístria, administrada pelo Exército Nacional Iugoslavo.
A zona B, por sua vez, dividia-se em duas partes separadas pelo riacho Dragogna: o distrito ítalo-esloveno de Capodistria/Koper (Koprščina) e o distrito ítalo-croata de Buie/Buje (Bujština). Trieste/Trst era a capital da zona A; e Capodistria/Koper, a capital da zona B.
O Território, todavia, nunca funcionou como um Estado independente de facto. Seu funcionamento dependia da nomeação de um Governador neutro (isto é, não poderia ser italiano, nem esloveno ou croata e nem triestino), escolhido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. A escolha do governador estendeu-se por vários anos, e os nomes propostos foram sistematicamente vetados ou pelos Aliados ou pelos russos, posto que o status formal do Território fosse respeitado a ponto de emitir seus próprios selos.
De acordo com estimativas publicadas pelo Governo Militar Aliado, em 1949, na Zona A, havia cerca de habitantes, dos quais italianos e eslovenos. Fontes italianas contemporâneas citavam número muito menor de eslovenos ( a ).
De acordo com o censo iugoslavo de 1945 (considerado não confiável pelos Aliados Ocidentais), na parte da Ístria que se tornou a Zona B, havia habitantes, dos quais eslavos, italianos e 7000 pessoas de nacionalidade não identificada. De acordo com fontes italianas contemporâneas, na Zona B, havia de a italianos e de a eslavos.
Divisão final do Território Em 5 de outubro de 1954, um Memorando de Entendimento entre Itália e Iugoslávia foi assinado em Londres, em que se definiam a administração civil provisória da Zona A (com Trieste) à Itália e a da Zona B à Iugoslávia. Em 1975, o Tratado de Osimo foi assinado nessa cidade, perto de Ancona (Itália), segundo o qual se dividia definitivamente o ex Território Livre de Trieste entre Itália e a República Socialista Federal da Iugoslávia.
A Zona A corresponde à atual Província de Trieste na Itália, enquanto a Zona B está dividida entre o litoral da Eslovênia e o condado de Ístria, na Croácia.
Ver também Trieste Rijeka Ístria Império Austríaco
Ligações externas
Categoria:Repúblicas italianas Categoria:Estados extintos da Europa da Idade Contemporânea Categoria:Relações entre Itália e Iugoslávia Categoria:Membros da Organização das Nações e Povos Não Representados Categoria:Estados e territórios fundados em 1947 Categoria:Estados e territórios extintos em 1954