miniatura|320px|direita| Um mapa do mundo mostrando a taxa de assassinatos por cada 100 000 habitantes cometidos contra mulheres (Dados de 2019):A verde: menos de 1,3 vítimas;A amarelo: entre 1,3 e 3 vítimas;A vermelho: mais de 3 vítimas

miniatura|Segundo a mitologia grega, Pandora não resistiu â tentação de abrir um presente de Zeus, uma caixa que continha todos os males do mundo.Misoginia (do grego μισέω, transl. miseó, "ódio"; e γυνὴ, gyné, "mulher") é o ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres ou meninas. É em forma reversa à misandria, e tanto "misógino" quanto "ginecófobo" ou "ginecofóbico" podem ser usados como formas adjetivas da palavra. A misoginia pode se manifestar de várias maneiras, incluindo a exclusão social, a discriminação sexual, hostilidade, androcentrismo, o patriarcado, ideias de privilégio masculino, a depreciação das mulheres, violência contra as mulheres e objetificação sexual. A misoginia pode ser encontrada ocasionalmente dentro de textos antigos relativos a várias mitologias. Vários filósofos e pensadores ocidentais influentes têm sido descritos como misóginos. Na maior parte das sociedades islâmicas atuais, existe uma forte misoginia, com bases religiosas e culturais.

Definições Os dicionários definem a misoginia como "aversão às mulheres",Misoginia, Dicionário Priberam da Língua Portuguesa nos dicionário em idioma inglês é definido como "ódio às mulheres"The New Shorter Oxford English Dictionary on Historical Principles (Oxford: Clarendon Press (Oxford Univ. Press), [4th] ed. 1993 (ISBN 0-19-861271-0)) (SOED) ("[h]atred of women").The American Heritage Dictionary of the English Language (Boston, Mass.: Houghton Mifflin, 1992 (ISBN 0-395-44895-6)) ("[h]atred of women").Webster's Third New International Dictionary of the English Language Unabridged (G. & C. Merriam, 1966) ("a hatred of women"). e como "o ódio, a aversão ou desconfiança das mulheres".Random House Webster's Unabridged Dictionary (N.Y.: Random House, 2d ed. 2001 (ISBN 0-375-42566-7)).

De acordo com o sociólogo Allan G. Johnson, "a misoginia é uma atitude cultural de ódio às mulheres porque elas são femininas." Johnson argumentou que:

Michael Flood define a misoginia como o ódio às mulheres, e observa:

A filósofa Kate Manne, da Universidade de Cornell, define a misoginia como a tentativa de controlar e punir as mulheres que desafiam o domínio masculino. Manne considera a definição tradicional de "ódio às mulheres" de misoginia demasiado simplista, notando que não explica como os perpetradores de violência misógina podem amar certas mulheres; por exemplo, as suas mães, não falando das suas irmãs, filhas, esposas, namoradas e até secretárias. Em vez disso, a misoginia recompensa as mulheres que mantêm o status quo e pune aquelas que rejeitam o estatuto subordinado das mulheres. Manne distingue o sexismo, que ela diz procurar racionalizar e justificar o patriarcado, da misoginia, a que ela chama o ramo "de aplicação da lei" do patriarcado:

(...) a ideologia sexista tenderá a discriminar entre homens e mulheres, tipicamente alegando diferenças sexuais para além do que é conhecido ou que poderia ser conhecido, e por vezes contrariando as melhores provas científicas actuais. A misoginia irá tipicamente diferenciar entre boas e más mulheres, e castiga estas últimas. (...) O sexismo veste uma bata de laboratório; a misoginia faz uma caça às bruxas.

Uso histórico Grécia Antiga miniatura|220px|direita| Conforme Santo Ambrósio: "Adão foi levado ao pecado por Eva, e não Eva por Adão. É justo e correto então que a mulher aceite como senhor e dono aquele a quem ela levou ao pecado". miniatura|220px| Aristóteles acreditava que mulheres são "homens imperfeitos" Em seu livro City of Sokrates: An Introduction to Classical Athens, J. W. Roberts argumenta que ainda mais antiga do que a tragédia e a comédia é a tradição misógina na literatura grega, que remonta, pelo menos a Hesíodo. Tanto em Ésquilo, como em Eurípides, encontra-se uma visão padrão: que a mãe não faz mais do que receber e criar a semente do pai.

A mais antiga, longa e completa passagem vem de um tratado moral conhecido como Sobre o casamento (c. 150 a.C.) do filósofo estoico Antípatro de Tarso.O editio princeps está na página 255 do terceiro volume de Stoicorum Veterum Fragmenta (SVF, Fragmentos Estoicos Antigos)Will Deming (2004). Paul on Marriage and Celibacy: The Hellenistic Background of 1 Corinthians 7. Wm. B. Eerdmans Publishing. p. 221. ISBN 978-0-8028-3989-3. Antípatro argumenta que o casamento é a base do Estado. e considera que se baseia num decreto divino (politeísta).Ele usa o termo misogunia para descrever o tipo de escritos que o trágico Eurípides evita, afirmando que ele "rejeita o ódio às mulheres na sua escrita" (ἀποθέμενος τὴν ἐν τῷ γράφειν μισογυνίαν). Antípatro então, oferece um exemplo disto, citando uma peça perdida de Eurípides em que os méritos de uma esposa obediente são elogiados.38-43, fr. 63, in von Arnim, J. (ed.). Stoicorum Veterum Fragmenta. Vol. 3. Leipzig: Teubner, 1903.

O outro uso sobrevivente da palavra grega original é por Crisipo de Solis, em um fragmento de Sobre afeição, citado por Galeno em Hipócrates sobre afeição.SVF 3:103. Misogyny is the first word on the page. Aqui, misogunia é o primeiro item de uma pequena lista de três "desafetos" -mulheres (misogunian), vinho (misoinian, μισοινίαν) e humanidade (misanthrōpian, μισανθρωπίαν). O argumento de Crisipo é mais abstrato do que o de Antípatro, e Galeno cita a passagem como um exemplo de uma opinião contrária à sua própria. O que está claro, porém, é que ele agrupa o ódio às mulheres com o ódio à humanidade em geral, e até mesmo o ódio ao vinho. "Era a opinião médica dominante de sua época que o vinho fortalece o corpo e a alma da mesma forma."Teun Tieleman (2003). Chrysippus' On Affections: Reconstruction and Interpretations. BRILL. p. 162. ISBN 90-04-12998-7. Então, Crisipo, tal como o seu companheiro estoico Antipatro, vê a misoginia negativamente, como uma doença; não gostar de algo que é bom. É esta questão de emoções conflitantes ou alternadas que era filosoficamente controversa para os antigos escritores. Ricardo Salles sugere que a visão estoica geral era de que "O homem pode não só alternar entre filoginia e misoginia, filantropia e misantropia, mas será solicitado a cada um pelo outro".Ricardo Salles (2005). Metaphysics, Soul, and Ethics in Ancient Thought: Themes from the Work of Richard Sorabji. Clarendon Press. p. 485. ISBN 978-0-19-926130-7.

Aristóteles é acusado de misoginia ao escrever que as mulheres são "homens imperfeitos",Sandra R. Joshel; Sheila Murnaghan (2005). Women and Slaves in Greco-Roman Culture: Differential Equations. Routledge. p. 70. ISBN 978-1-134-71676-0. diferente de Hipócrates, ele via semelhanças entre os corpos femininos e masculinos acreditando que as mulheres eram como homens, mas apenas com os órgãos genitais internos em vez de externos; a mulher era como se fosse um macho deformado. Aristóteles acreditava que o problema com as mulheres era que a mulher é mais fria, tem o sangue mais frio do que os homens, o que as impedia de "cozinhar" o que comiam para ser transformado em sêmen, em vez disso, a mulher menstrua para se livrar do excedente consumido.Suad Joseph; Afsāna Naǧmābādī (2003). Encyclopedia of Women & Islamic Cultures: Family, Body, Sexuality And Health. BRILL. p. 31. ISBN 90-04-12819-0.Bat-Ami Bar On (1994). Engendering Origins: Critical Feminist Readings in Plato and Aristotle. SUNY Press. p. 198. ISBN 978-0-7914-1643-3. Também diferentemente de Hipócrates, ele acreditava que a menstruação era um momento difícil e não saudável para as mulheres. A falta de calor também significava que mulheres não poderiam ser tão inteligentes quanto os homens, o que o fazia acreditar que a estrutura social grega que mantinha as mulheres sobre o estrito controle masculino era justificada pela anatomia feminina. Para Aristóteles, uma criança era produzida apenas a partir da semente do macho: a mulher era um recipiente passivo no qual a semente era plantada, e o prazer da mulher durante o ato sexual era irrelevante. Joyce E. Salisbury (2001). Encyclopedia of Women in the Ancient World. ABC-CLIO. pp. 143–144. ISBN 978-1-57607-092-5.

No Routledge philosophy guidebook to Plato and the Republic, Nicholas Pappas descreve o "problema da misoginia" e afirma:

miniatura|220px|Cícero relata que os filósofos gregos consideraram a misoginia como causada por medo das mulheres

Misógino também é encontrado no grego - misogunēs (μισογύνης) em Dipnosofistas (acima) e em Vidas Paralelas de Plutarco onde é usado como o título de Héracles na história de Focion. Foi o título de uma peça de Menandro, que sabemos do livro sete (sobre Alexandria), do volume 17 da obra Geografia de EstrabãoHenry George Liddell e Robert Scott, A Greek–English Lexicon (LSJ), revised and augmented by Henry Stuart Jones and Roderick McKenzie, (Oxford: Clarendon Press, 1940). ISBN 0-19-864226-1Estrabão,Geografia, Livro 7 [Alexandria] Capítulo 3. e citações de Menandro por Clemente de Alexandria e Estobeu que se relacionam à casamento.Menander, The Plays and Fragments, translated by Maurice Balme, contributor Peter Brown, Oxford University Press, 2002. ISBN 0-19-283983-7 Menandro também escreveu uma peça chamada Misoumenos (Μισούμενος) ou "O homem (por ela) odiado". Outra peça grega com um nome semelhante, Misogunos (Μισόγυνος) ou "O que odeia mulheres", é relatada por Cícero (em latim) e atribuída ao poeta Marco Atílio.

Cicero relata que os filósofos gregos consideraram a misoginia como causada pela ginofobia, um medo das mulheres.Marco Túlio Cícero, Questões Tusculanas, Livro 4, Capítulo 11.

A forma mais comum da palavra odiador de mulher é misogunaios (). Outra menções: Também há pessoas facilmente saciadas com sua conexão com a mesma mulher, estando ao mesmo tempo enloquecidos por mulheres e sendo um "odiador de mulheres" — Fílon, Sobre as Leis Especiais, .. Editio critica: Philo, De Specialibus Legibus, editado por Leopold Cohn, Johann Theodor Wendland e S. Reiter, Philonis Alexandrini opera quæ supersunt, 6 vols, (Berlin, 1896–1915): (vol. 5) livro 3, capítulo 14 § 79. [Misprint in LSJ has 2:312]. Translated por Charles Duke Yonge (London, 1854–1855). Aliado a Vênus em posições honrosas, Saturno torna seus súditos "odiadores de mulheres", amantes da antiguidade, solitários, desagradáveis de se encontrar, ambiciosos, detestadores do belo— Ptolomeu, "Qualidade da Alma", Tetrábilo, .Ptolomeu, 'Of the Quality of the Soul', in Four Books, edited by Joachim Camerarius (Nuremberg, 1535), Latin translation by Philipp Melanchthon, reprinted (Basel, 1553): p. 159. Book 3 § 13. English translation. Vou provar a você que este maravilhoso professor, este "odiador de mulher", não está satisfeito com prazeres comuns durante a noite. — Alcifrão, "Tais para Eutidemo", . Alciphron, 'Thais to Euthyedmus', in Letters, editado por MA Schepers, (Leipzig, 1905): livro 4, carta 7, página 115, linha 15. ISBN 3-598-71023-2.Translated pela Athenian Society (1896): livro 1, carta 34.

A palavra também é encontrada em Antologia de Vettius Valens e Princípios de Damáscio.Vettius Valens, Anthology, editado por Wilhelm Kroll (1908): p. 17, linha 11.Damáscio, Princípios, editado por CA Ruelle (Paris, 1889): p. 388.

Em resumo, apesar de considerar as mulheres como geralmente inferiores aos homens, a literatura grega considerava a misoginia uma doença — uma condição antissocial — que se opunha à sua percepção do valor das mulheres como esposas, e da família como fundamento da sociedade. Esses pontos são amplamente observados na literatura secundária.

Religião

Grécia Antiga