Sofonias é um dos livros proféticos do Antigo Testamento da Bíblia. Possui três capítulos.

Tema geral

O tema de sua mensagem é que o Senhor ainda está firmemente em controle do Seu mundo, apesar das aparências contrárias, e que comprovará isso no futuro próximo ao aplicar um castigo terrível sobre a nação desobediente de Judá, e completa destruição sobre as nações pagãs gentias, somente através de um arrependimento em tempo é que haveria possibilidade de escape dessa ira.

O profeta Sofonias viveu e exerceu a sua atividade num momento em que Judá era disputado pelas grandes potências da época. Dentro do país se formaram dois partidos: um querendo ficar sob a influência do Egito, outro da Assíria. Durante longo período, nos reinados de Manassés e Amon, a Assíria predominava. Uma tentativa de mudar a situação a favor do Egito, através de uma revolta de oficiais da corte, não obteve sucesso, porque cidadãos de grande influência econômica reagiram e colocaram no trono Josias, que ainda era menor de idade. Esse rei promoveu uma grande reforma, mas a situação voltaria a ser a mesma: o que era bom para a Assíria, era bom para Judá, inclusive a maneira de vestir (Sf 1:8).

Nesse contexto, Sofonias exerce seu ministério entre os anos 640-630 AC, durante a menoridade de Josias e antes de sua reforma religiosa e do ministério de JeremiasBíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.248. Ele mostra como pesa, sobre toda essa situação, o Julgamento de Deus (Sf 1:2-18). O Dia de Javé ou O Dia do Senhor não é essencialmente o fim do mundo e da história, mas a transformação do povo de Deus e o fim de uma era de idolatria. Para o profeta, são ídolos não somente as divindades estrangeiras, mas também a absolutização das grandes potências, do dinheiro e do poder. Esses ídolos estão presentes, tanto nas outras nações quanto na cidade de Jerusalém, seja no palácio real, seja no Templo e nos bairros da cidade (Sf 2:4-3:8). A única possibilidade de salvação que Sofonias vislumbra para escapar à ira divina são os pobres da terra (Sf 2:3), isto é, os destituídos de poder e riqueza, que depositam sua confiança no verdadeiro Absoluto e clamam por justiça. São eles os únicos que poderão formar um resto para conduzir na história o projeto de Deus, e assim fazer com que o Dia de Javé se torne dia de alegria e restauração, e não de destruição (Sf 3:9-20).

A catástrofe anunciada atingiria tanto as nações quanto o Judá inspiradas pelo orgulho (3:1.11) o castigo seria uma advertência (Sf 3:7) que deveria conduzir o povo à obediência e a humildade (Sf 2:3), sendo a salvação reservada aos humildes, que põem em prática a vontade do SenhorTradução Ecumênica da Bíblia Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 962 (Sf 3:12-13)Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.249.

Divisão do livro O julgamento de Judá (O Dia de Javé) 1:2-2:3 A Tradução Ecumênica da Bíblia (cit. p 961), subdivide essa parte em três: Profecias de advertência contra Judá (1,2-13); O Dia do Senhor (1,14-18); Exortação aos humildes (2,1-3) O julgamento de nações 2,4-15 Os motivos do julgamento de Jerusalém 3,1-7 O remanescente e o reino Messiânico 3,8-20

Influência

Esse livro inspirou o versículo 41 do capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, e a descrição do Dia de Javé (1,14-18) inspirou Joel.

Acréscimos posteriores

Os anúncios de conversão dos pagãos (2:11Segundo a Tradução Ecumênica da Bíblia (cit., p 962) os versículos 8 a 11 do cap. 2 podem ser acréscimos posteriores.; 3:9-10); Pequenos Salmos (3:14-15; 16-18a) Os dois últimos versículos (3:18b-20) foram escritos após o Exílio na Babilônia.

Archer, Gleason L. Jr. Merece confiança o antigo testamento?, traduzido da edição publicada pela Moody Press, Ed vida nova - São Paulo - SP, 2007.

Ligações externas