O SMS Strassburg foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a terceira embarcação Classe Magdeburg, depois do e SMS Breslau, e seguido pelo . Sua construção começou em outubro de 1910 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em agosto de 1911, sendo comissionado em outubro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal de doze canhões de 105 milímetros, possuía um deslocamento de pouco mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 27 nós.
O Strassburg passou seu primeiro ano no Mar Mediterrâneo e depois fez uma grande viagem pela África e América do Sul na primeira metade de 1914. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e nos primeiros meses o navio participou da Batalha da Angra da Heligolândia em agosto e de uma ação de bombardeio litorâneo em dezembro. Foi transferido em 1916 para o Mar Báltico e deu apoio em outubro de 1917 para a Operação Albion. Retornou para o Mar do Norte em 1918 para uma última ação contra a Grande Frota britânica, mas motins forçaram o cancelamento da operação.
A guerra terminou no final de 1918 e o cruzador brevemente atuou na limpeza de campos minados. Foi entregue à Marinha Real Italiana em 1920 como prêmio de guerra e comissionado em junho de 1925 com nome de Taranto. Passou por reformas entre 1936 e 1937 para deveres coloniais. Ele pouco fez durante a Segunda Guerra Mundial até a rendição da Itália em setembro de 1943. Foi deliberadamente afundado e capturado pela Alemanha, sendo então reflutuado e afundado por ataques aéreos duas vezes até setembro de 1944. A embarcação foi desmontada entre 1946 e 1947.
Características
Os cruzadores rápidos da Classe Magdenburg foram projetados em resposta aos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, que eram mais rápidos do que os cruzadores rápidos alemães existentes. Para que a velocidade na nova classe fosse aumentada, motores mais potentes foram instalados e seus cascos alongados para terem uma melhor eficiência hidrodinâmica. Além disso, armações longitudinais foram usadas a fim de reduzir peso. A Classe Magdenburg também foi a primeira de cruzadores rápidos alemães com um cinturão de blindagem, necessitado porque canhões mais potentes de 152 milímetros tinham sido adotados como armamento dos cruzadores rápidos britânicos.
O Strassburg tinha 138,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 13,5 metros e calado de 4,25 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha dezesseis caldeiras Marine que alimentavam duas turbinas a vapor Marine, cada uma girando uma hélice. As caldeiras queimavam carvão com óleo combustível borrifado para aumentar a taxa de queima. A potência indicada era de 25,8 mil cavalos-vapor (dezenove mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora), mas durante os testes marítimos produziram cavalos-vapor ( quilowatts). Podia carregar até 1,2 mil toneladas de carvão e 106 toneladas de óleo combustível para uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). A tripulação tinha dezoito oficiais e 336 marinheiros.
Era armado com doze canhões calibre 45 de 105 milímetros em montagens pedestais únicas, duas lado a lado no castelo de proa, duas lado a lado na popa e quatro em cada lateral. Estas armas foram substituídas em 1917 por oito canhões calibre 45 de 149 milímetros, um na proa, um na popa e três em cada lateral. Também tinha dois tubos de torpedo de quinhentos milímetros submersos, um em cada lateral. Podia levar até 120 minas navais. Seu cinturão de blindagem tinha sessenta milímetros de espessura à meia-nau. O convés era coberto por placas de até sessenta milímetros, já a torre de comando tinha laterais de cem milímetros.
Carreira Tempos de paz thumb|esquerda|250px|O Strassburg c. 1912–1914 O Strassburg foi encomendado sob o nome provisório de Ersatz Condor. Seu batimento de quilha ocorreu em outubro de 1910 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em 24 de agosto de 1911; Rudolf Schwander, o prefeito de Estrasburgo, fez um discurso durante a cerimônia de lançamento. Os trabalhos de equipagem começaram logo em seguida, incluindo a instalação dos seus motores, que foram os primeiros conjunto sde turbinas a vapor projetados pela Marinha Imperial Alemã. Foi comissionado no serviço ativo em 1º de outubro de 1912 sob o comando do capitão de fragata Wilhelm Tägert. Finalizou seus testes marítimos e foi designado em 23 de dezembro para a Unidade de Reconhecimento da Frota de Alto-Mar, substituindo o antigo cruzador rápido SMS Berlin. Tägert nesta mesma época foi substituído pelo capitão de fragata Wilhelm Paschen. O Strassburg foi acidentalmente abalroado em 6 de janeiro de 1913 pelo navio dinamarquês SS Christian IX, que estava passando pelo lado errado da entrada de um canal. Isto adiou até 23 de fevereiro a chegada do cruzador para exercícios de treinamento com o resto da frota.
O Strassburg passou seu primeiro ano de serviço no exterior. Partiu para o Mar Mediterrâneo em 6 de abril de 1913 junto do cruzador rápido . Chegou em Valeta, em Malta, sete dias depois, onde passou a integrar a Divisão do Mediterrâneo, comandada pelo contra-almirante Konrad Trummler a bordo do cruzador de batalha SMS Goeben. O Strassburg em seguida foi visitar Alexandreta, no Império Otomano, e depois fez uma parada no início de maio em Constantinopla. Entrou no Mar Adriático no início de junho e fez uma parada em Veneza e Nápoles, na Itália, e em Pola, na Áustria-Hungria. No final do mês foi para o Mar Egeu e então navegou pelo Mediterrâneo oriental, incluindo o litoral da Síria. Voltou para Alexandreta no início de setembro e zarpou no dia 9 de volta para a Alemanha. Chegou em Kiel duas semanas depois, em 23 de setembro.
O navio foi para uma doca seca a fim de passar por manutenção, período durante o qual o capitão de fragata Heinrich Retzmann assumiu o comando. Os trabalhos terminaram em 8 de dezembro, quando foi selecionado para um cruzeiro de longa distância com o objetivo de testar a confiabilidade do novo sistema de propulsão de turbinas dos couraçados e . As três embarcações foram organizadas em uma "Divisão Destacada" especial sob o comando do contra-almirante Hubert von Rebeur-Paschwitz. O Strassburg zarpou em 8 de dezembro e se encontrou com os couraçados no mar no dia seguinte, passando primeiro pelas Ilhas Canárias no caminho para as colônias alemãs no oeste da África. Eles visitaram Lomé na Togolândia, Duala e Victoria no Camarões, e Swakopmund no Sudoeste Africano Alemão. Então navegaram para o sul até a Cidade do Cabo, na África do Sul. De lá foram para Santa Helena no Oceano Atlântico e depois para o Rio de Janeiro, no Brasil, onde chegaram em 15 de fevereiro de 1914. Rebeur-Paschwitz foi para o Strassburg, que foi destacado para ir a Buenos Aires, na Argentina, para uma visita oficial. Rebeur-Paschwitz adoeceu no local e precisou desembarcar para ser hospitalizado, assim o cruzador partiu sem ele em 12 de março para se encontrar com o Kaiser e König Albert em Montevidéu, no Uruguai. Os três navios navegaram ao redor do Cabo Horn após a volta do contra-almirante e então foram para Valparaíso, no Chile, chegando em 2 de abril e permanecendo no local por mais de uma semana.
Os três deixaram Valparaíso em 11 de abril e iniciaram a viagem de volta para a Alemanha. Pararam em vários outros portos no caminho até retornaram ao Rio de Janeiro. Os dois couraçados zarparam em 16 de maio e navegaram diretamente para a Alemanha, chegando em Kiel em 17 de junho. O Strassburg foi destacado para seguir independentemente passando pelas Índias Orientais. Ajudou o navio mercante alemão SS Mecklenburg, que tinha encalhado na área, e então foi para a República Dominicana a fim de pressionar seu governo sobre um desentendimento com a Alemanha. Pelo decorrer da sua viagem percorreu aproximadamente vinte mil milhas náuticas (37 mil quilômetros). Estava ancorado em Sankt Thomas, nas Índias Ocidentais Dinamarquesas, em 20 de julho quando recebeu ordens de voltar para casa. Chegou em Horta, nos Açores, em 27 de julho e no dia seguinte atravessou o Canal da Mancha em velocidade máxima com suas luzes reduzidas por conta da Crise de Julho que ameaçava instigar uma grande guerra na Europa. O Strassburg chegou em Wilhelmshaven em 1º de agosto, mesmo dia que as forças armadas alemãs foram mobilizadas para o começo da Primeira Guerra Mundial.
Primeira Guerra Mundial 1914 O Strassburg se juntou ao II Grupo de Reconhecimento. O navio e seu irmão fizeram em 17 de agosto uma surtida para Hoofden à procura de forças britânicas. Foram acompanhados pelos submarinos SM U-19 e SM U-24, que deveriam emboscar quaisquer forças britânicas que contra-atacassem. O Strassburg avistou os submarinos HMS E5 e HMS E7 na manhã seguinte e abriu fogo, mas eles submergiram antes de qualquer acerto. Os dois cruzadores então encontraram um grupo de dezesseis contratorpedeiros britânicos e um cruzador rápido a uma distância de dez quilômetros. Os alemães estavam em grande inferioridade numérica, assim recuaram e voltaram para casa. O Strassburg fez outra varredura entre 21 e 22 de agosto junto com o cruzador rápido SMS Rostock, afundando uma traineira britânica na área de Dogger Bank.
thumb|260px|Mapa dos movimentos do Strassbourg contra flotilhas de contratorpedeiros britânicos na Batalha da Angra da Heligolândia A embarcação participou da Batalha da Angra da Heligolândia em 28 de agosto. Cruzadores rápidos e cruzadores de batalha britânicos atacaram uma força de reconhecimento alemã na Angra da Heligolândia. O Strassburg estava ancorado em Wilhelmshaven e foi o primeiro navio alemão a zarpar para reforçar as forças de reconhecimento, partindo às 9h10min. Vinte minutos depois recebeu a companhia do cruzador rápido SMS Cöln e eles receberam ordens de perseguirem as forças ligeiras britânicas que estavam começando a recuar. Eles encontraram às 11h00min o seriamente danificado cruzador rápido HMS Arethusa, que tinha sido atingido várias vezes pelos cruzadores rápidos SMS Stettin e SMS Frauenlob. O Strassburg atacou o Arethusa, mas foi afugentado pela 1ª Flotilha de Contratorpedeiros. Ele perdeu o contato com os britânicos no meio da névoa, mas os localizou de novo às 13h10min a partir do som dos disparos que destruíram o cruzador rápido SMS Mainz. O Strassburg e o Cöln danificaram os contratorpedeiros HMS Laertes, HMS Laurel e HMS Liberty, sendo então afugentados de novo. O Strassburg foi atingido por um projétil de 152 milímetros que detonou acima do cinturão principal, mas causou poucos danos. Os cruzadores de batalha britânicos interviram pouco depois e afundaram o cruzador rápido SMS Ariadne e o Cöln, este a capitânia do contra-almirante Leberecht Maass. O Strassburg encontrou os cruzadores de batalha enquanto recuava, mas os britânicos o confundiram com um de seus próprios cruzadores. Os navios alemães sobreviventes recuaram na névoa e foram reforçados pelos cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento.