Os povos isolados na Amazônia são comunidades indígenas que residem na Amazônia e escolheram o isolamento como um modo de vida, mantendo distância dos não-indígenas (sociedade ocidental, missionários, madeireiros) ou distância de outras etnias indígenas. Um dos principais motivos é não concordar com a economia baseado no lucro, pois na maioria das vezes o contato comercial resultou em mortes.
A é uma floresta latifoliada úmida que faz parte da Bacia Amazônica (Marañon, Solimões, Amazonas), com cinco milhões de km² distribuído por nove países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e, Suriname.
É enganadora a ideia de que ainda existam povos que nunca fizeram contato desde a colonização europeia na região, pois os grupos isolados em sua maioria já tiveram longas relações com segmentos do governo brasileiro, que decidiram voltar ao isolamento. Como por exemplo os Apiaká do Matrinxã e os Katawixi, tiveram contatos com a sociedade da região, mas tiveram problema de convívio e ocupação das terras e, assim decidiram isolar-se novamente de novos contatos. Desta forma, o isolamento representa uma opção de refúgio dos indígenas, o conceito de isolados é sobre não ter contato regular com a sociedade no entorno. Na região do rio Tanaru (Rondônia), vive uma pessoa sobrevivente de um provável massacre de seu povo feito por pecuaristas que ocuparam a região. Desde então (1996), a Funai tenta oferecer-lhe assistência, mas sempre que seu acampamento é identificado, este muda de local para evitar o contato. Com frequência a Funai tenta fazer contato com grupos que estão em situações de risco, porém muitos recusam a ajuda.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o isolamento é mais comum na Amazônia brasileira devido às características geográficas, como por exemplo na Terra Indígena Vale do Javari; apesar de também ocorrer em menor número no cerrado brasileiro, no Gran Chaco (entre o Paraguai e a Bolívia), nas ilhas da Nova Guiné e no Sul da Índia. De acordo com o antropólogo Tiago Moreira, do Instituto Socioambiental (ISA), esses povos apenas deixam o isolamento para pedir ajuda diante de ameaça à sua existência. Este pedido pode ocorrer de modo sutil. "Muitas vezes, esses povos têm contato esporádico (intermitente), com outros povos indígenas, por meio dos quais conseguem até ter acesso a instrumentos de metal (como facão e machado)". Na década de 1980, vários contatos com esses povos terminarem em "tragédia" e morte, assim a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) junto com antropólogos e indigenistas criaram a "política de não contato".
Nesta mesma década, durante o processo de redemocratização do Brasil após o regime militar, um período de grande mobilização da sociedade civil em defesa dos direitos, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Operação Anchieta (OPAN) realizaram na cidade brasileira de Cuiabá (Mato Grosso), um encontro para discutir questões relativas aos indígenas isolados, com várias organizações não governamentais: União das Nações Indígenas (UNI), Centro Ecumênico de Documentação Indígena (CEDI), Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), e FUNAI. De acordo com o o Instituto Socioambiental (ISA) a situação estava tão grave que motivou um encontro geral (de indigenistas, antropólogos, missionários, advogados e, indígenas) na tentativa de estabelecer uma defesa físico-cultural dos isolados. Principalmente com a abertura de estradas e projetos de infraestrutura a partir de 1970, somado a mineração, que fizeram esses povos sofrerem e ocorrer a redução populacional devido o contato forçado com frentes de "desenvolvimento" e doenças. Como por exemplo, os Tapayuna que foram transferidos do rio Arinos para o rio Xingu; os Panará do rio Peixoto Azevedo que foram contactados em 1973 para iniciar a construção da BR-163, foram transferidos ao Parque Indígena do Xingu onde ocorreu a redução de 400 para 87 pessoas; os Waimiri Atroari foram forçados a ter contato para iniciar a construção da BR-174, que passaria pela Terra Indígena, levou a uma redução populacional de cerca de três mil para 500 pessoas.
Em junho de 1987, após vinte anos da fundação da FUNAI, sertanistas preocupados com a política de atração então praticada no Brasil, organizaram o I Encontro de Sertanistas, promovido pelo órgão indigenista governamental, coordenado pelo sertanista Sydney F. Possuelo. Que fundamentou a mudança do paradigma principal do indigenísmo brasileiro do “contato” para o de “não-contato” e proteção dos isolados.
"Aprendemos, nestes anos todos de história do indigenismo oficial no Brasil, que a atração de índios isolados ocorre normalmente por dois fatores: primeiro, quando estes índios estão em territórios objetos da cobiça de algum empreendimento econômico privado, obstaculizando o seu pleno desenvolvimento e; segundo, quando ocupam áreas de interesse de empreendimentos governamentais. Tanto num caso como no outro, o SPI, e depois a FUNAI, envidaram esforços para alocar seus sertanistas com a finalidade de contatar estes índios tanto para livrá-los das ameaças das frentes de expansão, como para dar condições de desenvolvimento a projetos governamentais e privados sem este entrave."
Os indigenistas protegem os povos isolados através dos rastros na mata (arcos/flechas, artefatos, restos de alimentos e itens de acampamentos). No Brasil, esta proteção é feita pelo órgão Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que atua através da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato. Como não existe uma comunicação verbal com os povos isolados, estes são identificados a partir da região geográfico em que vivem, como por exemplo: "isolados do Alto Xeruã", "isolados do Rio Copaca/Uarini" e, "isolados do Igarapé Lambança".
Na Amazônia peruana, é outra área onde reside um grade grupo de indígenas isolados, os Mashco Piro, que somam aproximadamente 750 indivíduos. Segundo a organização Survival International, na década de 1880, este território começou a ser invadido por trabalhadores da extração de látex.
Vale do Javari Remota inclusive para os padrões amazônicos, a Terra Indígena Vale do Javari é a região do planeta com maior concentração de povos isolados. Há séculos, esses indígenas compartilham território com os demais.
Uma das ameaças aos povos isolados é a evangelização. De acordo com Beto Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unjava), esta associação já precisou retirar missionários norte-americanos de dentro da região do rio Itaguaí. Ele ainda aponta que o governo de Jair Bolsonaro chegou a colocar um missionário para coordenar o setor de índios isolados.
Outras ameaças são o narcotráfico de drogas e as quadrilhas organizadas dentro das casas indígenas; que prosperam porque a Funai não tem poder de polícia. O assassinato de Dom e Bruno no Vale do Javari é um exemplo dessa situação. Para o enfrentamento dessas questões, Beto Marubo acredita que as forças armadas brasileiras (Exército, Aeronáutica, Marinha) junto com o Ibama e a Funai precisam participar.
Isolados +Akuntsu TI Araribóia, TI Alto Turiaçu, TI Caru AmondawaTI Araribóia, TI Alto Turiaçu, TI Caru AraraTI Arara do Rio BrancoArawetéTI Arara do Rio BrancoAsháninka / Kampa / Anti / Chuncho / PilcozoneAsuriniTI Arara do Rio Branco, TI KoatinemoAwás-canoeirosTI Awa-CanoeiroAwá-GuajáTI Araribóia, TI Alto Turiaçu, TI Caru Ayoreo CanoêTI Araribóia, TI Alto Turiaçu, TI Caru Carabayo / Arojes GuaviareGuajá isolados e Ka'aporTI Araribóia HotiHuaorani Guyana / Wayapi / Oiampis / WajãpiIsconahuaIsolados AkurioParque TumucumaqueIsolados BananeiraTI Uru-Eu-Wau-WauIsolados da AraraTI Arara do Rio BrancoIsolados da AripuanãTI AripuanãIsolados da Cabeceira do CamanaúTI Alto TarauacáIsolados da Serra da EstruturaTI YanomamiIsolados do Alto JutaíTI Vale do Javari Isolados do Alto Rio HumaitáTI Rio HumaitáIsolados do Alto Rio IpitingaTI Rio Paru d'Este Isolados do Alto TarauacáTI Alto TarauacáIsolados do AmajariTI YanomamiIsolados do Auaris/FronteiraTI YanomamiIsolados do Baixo Rio CauaburisTI YanomamiIsolados do CautárioTI Uru-Eu-Wau-WauIsolados do CitaréParque TumucumaqueIsolados do IpiaçavaTI Ituna/ItatáIsolados do JaminawáTI Alto EnviraIsolados do TabocaTI Igarapé TabocaIsolados do TanaruIsolados do PardoTI Alto TarauacáIsolados Parawa uTI YanomamiIsolados Surucucu/KataroaTI YanomamiIsolados do EnviraTI KampaIsolados do Igarapé CravoTI Vale do Javari Isolados do Igarapé OrienteTI Uru-Eu-Wau-WauIsolados do Igarapé TiradentesTI Uru-Eu-Wau-WauIsolados do Igarapé AlertaTI Vale do Javari Isolados do Igarapé AmburusTI Vale do Javari Isolados do Igarapé FlecheiraTI Vale do Javari Isolados do Igarapé InfernoTI Vale do Javari Isolados do Igarapé LambançaTI Vale do Javari Isolados do Igarapé NauáTI Vale do Javari Isolados do Igarapé Pedro LopesTI Vale do Javari Isolados do Igarapé São JoséTI Vale do Javari Isolados do Igarapé São SalvadorTI Vale do Javari Isolados do JandiatubaTI Vale do Javari Isolados do Iriri NovoTI MenkragnotiIsolados do Médio JatapuTI Trombetas/Mapuera Isolados do Rio AcreTI Cabeceira do Rio AcreIsolados do Rio Bóia/CuruenaTI Vale do Javari Isolados do Rio CachorroTI Trombetas/Mapuera Isolados do Rio CoariTI Vale do Javari Isolados do Rio EsquerdoTI Vale do Javari Isolados do Rio ItaquaíTI Vale do Javari Isolados do Rio Kaxpakuru/Igarapé Água FriaTI Kaxuyana-TunayanaIsolados do Rio PedraTI Vale do Javari Isolados do Rio dos PeixesTI Apiaká-KayabiIsolados do Riozinho do Alto EnviraTI Alto EnviraIsolados do Pitinga / Nhamunda-MapueraTI Kaxuyana-TunayanaIsolados do PresídioTerra Indígena CaruIsolados do PontalTI Apiaká do Pontal Isolados do Rio QuixitoTI Vale do Javari Isolados do Rio FrescoTI Kayapó Isolados do TanaruTI TanaruIsolados Hi-MerimãTI Hi-Merimã Isolados Karafawyana / KarapawyanaTI Trombetas/Mapuera Isolados KatawixiTI Jacareúba/KatawixiIsolados Korubo / CaceteirosTI Vale do Javari Isolados MakuTI Rio TeáIsolados Mengra Mrari / kayapóTI MenkragnotiIsolados PirititiTI PirititiIsolados Piriutiti TI Waimiri AtroariIsolados Pituiaro / KayapóTI Kayapó Isolados Masko / Masho-PiroTI Mamoadate KakataiboKawahiva Isolado do MuquiiTI Uru-Eu-Wau-WauKoruboTI Arara do Rio Branco, TI Alto TarauacáKugapakoriParakanãTI Arara do Rio BrancoParquenahuaPiaroa / Wöthüha PisaboNantiMatisTI Alto TarauacáMastanahuaMassaco IsoladosTI MassacoMurunahuaRikbaktsaTI EscondidoSuruwaháTI Arara do Rio BrancoTotobiegosode Uru-Eu-Wau-WauTI Araribóia, TI Alto Turiaçu, e TI Caru Wapishana Peru - MorunahuaXinane IsoladosTI Alto TarauacáYanomamiTI Arara do Rio BrancoYoraZo’éTI Arara do Rio Branco
Indígenas de recente contato: Kanamari, Marubo, Matis, Mayoruna, Kaxinawá, Ashaninka, Kulina, Jamamadi, Jarawara, Kanamanti, Banawá, Guajajara, Wai-Wai, Hixkariana, Tiriyó.
Ligações externas
A presença de isolados na Amazônia Vídeo da Survival International A presença de isolados na Amazônia Vídeo da BBC
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