O Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana (National Museum of African American History and Culture - NMAAHC), informalmente conhecido como Blacksonian, é um museu pertencente ao Instituto Smithsonian, localizado no National Mall, em Washington, D.C., Estados Unidos. Fundado em 2003, o museu inaugurou sua sede permanente em 2016, em uma cerimônia conduzida pelo presidente Barack Obama.

A ideia de criar um museu federal dedicado à história e à cultura afro-americana remonta a 1915, com a formação da , mas o movimento contemporâneo em prol dessa instituição começou a ganhar força na década de 1970. Após anos de esforços sem grandes avanços, em 1988 foi iniciado um processo legislativo que resultou na autorização para a criação do museu em 2003. A escolha do local foi feita em 2006, e o projeto arquitetônico desenvolvido pela equipe Freelon Group/AdjayeAssociates/ foi selecionado em 2009. A construção do edifício teve início em 2012, sendo concluída em 2016.

O NMAAHC é atualmente o maior museu do mundo dedicado à história e à cultura afro-americana. Em 2022, o museu recebeu 1.092.552 visitantes, tornando-se o segundo museu mais visitado do Instituto Smithsonian e o nos Estados Unidos. Sua coleção abrange mais de 40.000 itens, embora cerca de 3.500 objetos estejam em exibição. Com um edifício de 33.000 m² e 10 andares (sendo cinco acima e cinco abaixo do nível do solo), o museu e suas exposições têm recebido ampla aclamação da crítica.

Histórico

Esforços iniciais O conceito de um museu nacional dedicado à remonta à segunda década do século XX. Em 1915, veteranos afro-americanos do Exército da União se reuniram na , em Washington, D.C., para uma reunião e um desfile. Frustrados com a discriminação racial que ainda enfrentavam, formaram um comitê com o objetivo de construir um memorial para as diversas conquistas afro-americanas. Seus esforços foram recompensados em 1929, quando o presidente Herbert Hoover nomeou , Mary McLeod Bethune e outras dez pessoas para uma comissão encarregada de construir um “Edifício Memorial Nacional” que celebrasse as realizações afro-americanas nas artes e nas ciências. No entanto, o projeto não recebeu apoio do Congresso, e a arrecadação de fundos privados também fracassou. Embora propostas para a criação de um museu dedicado à história e cultura afro-americana tenham sido apresentadas no Congresso ao longo dos 40 anos seguintes, nenhuma delas obteve mais do que um apoio limitado.

As discussões sobre a criação de um museu retomaram força no Congresso no início da década de 1970. Em 1981, o Congresso aprovou uma carta federal para a criação de um em Wilberforce, Ohio. O museu, construído e financiado com recursos privados, foi inaugurado em 1987. Paralelamente, na mesma época, Tom Mack, presidente afro-americano da (uma empresa de ônibus de turismo), fundou o Conselho Nacional de Educação e Desenvolvimento Econômico (NCEED). Sua intenção era usar o NCEED para promover iniciativas de desenvolvimento econômico, educação e artes dentro da comunidade negra. Encorajado pela ação do Congresso em 1981, Mack passou a usar o NCEED para pressionar pela criação de um museu afro-americano independente em Washington, D.C., iniciando suas atividades nesse sentido em 1985. No entanto, Mack não colaborou com outras organizações culturais lideradas por afro-americanos, que também estavam buscando aumentar a representação dos afro-americanos nas coleções do Smithsonian e de outras instituições federais. miniaturadaimagem|O deputado Mickey Leland, um dos primeiros a apoiar a legislação federal para um museu de história negra Em 1985, Mack entrou em contato com o deputado , que se mostrou receptivo à ideia de um museu nacional voltado para a história afro-americana. Com o apoio de Leland, uma legislação foi proposta no Congresso. Em 1986, Leland patrocinou uma resolução não vinculante que defendia a criação de um museu afro-americano no National Mall, a qual foi aprovada pela Câmara dos Deputados. O crescente interesse do Congresso incentivou o Instituto Smithsonian a aprimorar suas apresentações sobre a história afro-americana. Em 1987, o Museu Nacional de História Americana patrocinou a importante exposição Field to Factory, que abordou a diáspora negra no Sul Profundo dos Estados Unidos na década de 1950.

O sucesso de Field to Factory motivou Mack a continuar sua busca pela criação de um museu. Entre 1987 e 1988, o NCEED iniciou uma campanha para angariar apoio entre os membros negros do Congresso, visando a aprovação de uma legislação para a criação de um museu nacional independente de história afro-americana em Washington, D.C. Contudo, o NCEED enfrentou forte oposição da Associação de Museus Afro-Americanos (AAMA), uma organização que representava pequenos museus locais dedicados à arte, cultura e história afro-americana. , presidente da AAMA e cofundador do (que se tornaria parte do Instituto Smithsonian em 1967), foi um dos principais opositores à iniciativa. Kinard argumentava que a criação de um grande museu nacional poderia desviar recursos de doadores e prejudicar os museus locais, que enfrentavam dificuldades para obter artefatos e formar equipes treinadas. Ele e a AAMA defendiam, em vez disso, a criação de um fundo de apoio para museus locais de história negra, com um investimento inicial de US$ 50 milhões.

Além disso, havia críticas sobre o histórico de discriminação racial dentro do Smithsonian,Em 1989, o Smithsonian ainda se recusava a contratar negros para cargos importantes como curadores, pesquisadores e restauradores. o que gerava dúvidas sobre sua capacidade de administrar adequadamente um museu focado na história afro-americana.Um relatório interno do comitê de igualdade cultural do Smithsonian, divulgado em janeiro de 1989, observou sem rodeios que o Smithsonian tinha uma “ausência chocante de minorias em cargos administrativos e profissionais de nível sênior”. Muitos museus locais temiam que a criação de um museu nacional subordinado ao Smithsonian pudesse comprometer sua autonomia política, financeira e acadêmica, especialmente após décadas de luta pela independência em um contexto de governos locais predominantemente brancos e, muitas vezes, racistas. miniaturadaimagem|O deputado John Lewis, que defendeu a legislação para o museu após a morte do deputado Leland num acidente de avião em 1989 Em 1988, os deputados John Lewis e Mickey Leland apresentaram um novo projeto de lei propondo a criação de um museu independente de história afro-americana dentro da Smithsonian. Contudo, o projeto enfrentou significativa resistência no Congresso, principalmente devido às preocupações com os custos envolvidos. Para tentar viabilizar a proposta, os defensores do museu sugeriram uma solução de compromisso, propondo que o museu afro-americano compartilhasse o mesmo espaço com o museu dedicado à história dos nativos americanos, que também estava sendo discutido no Congresso. No entanto, essa alternativa não obteve apoio suficiente e o projeto de lei acabou sendo arquivado.

Em 1989, Lewis e Leland tentaram novamente, apresentando uma nova proposta. Mais uma vez, as questões orçamentárias impediram que o projeto avançasse. Entretanto, o Smithsonian estava começando a considerar a viabilidade de um museu dedicado à história afro-americana. Em 1988, um grupo ad hoc de acadêmicos afro-americanos, composto principalmente por especialistas do próprio Smithsonian, mas também de outras instituições, iniciou discussões informais sobre como seria um museu de história afro-americana. Durante essas discussões, o Secretário do Smithsonian, .,O Secretário é o funcionário de mais alto escalão do Smithsonian. sugeriu publicamente, em outubro de 1989, que apenas uma ala do Museu Nacional de História Americana fosse dedicada à cultura negra, uma proposta que gerou grande controvérsia.

Essas discussões levaram a uma abordagem mais formal por parte do Smithsonian. Em dezembro de 1989, o Smithsonian contratou a administradora de museus ,Brown foi diretor assistente de relações governamentais e comunitárias no Museu do Brooklyn, na cidade de Nova York. uma profissional respeitada nacionalmente, para realizar um estudo formal sobre a criação do museu. Seis meses depois, o relatório de Brown concluiu que o Smithsonian deveria formar um conselho consultivo de alto nível para conduzir um estudo mais detalhado sobre o assunto. O estudo destacou as divisões dentro da comunidade afro-americana em relação à criação de um museu nacional autônomo e à conveniência de dedicar um espaço específico dentro de uma instituição existente. Contudo, o estudo também defendeu com vigor a criação de um museu nacional de grande visibilidade, com um amplo mandato para documentar a experiência afro-americana nos Estados Unidos. Além disso, o relatório criticou a capacidade do Smithsonian de representar adequadamente a história e a cultura afro-americana sem a criação de uma instituição dedicada exclusivamente a esse tema, e sugeriu a necessidade de nomeações de afro-americanos para cargos de liderança no novo museu.

Em maio de 1990, o Smithsonian formou o conselho consultivo com 22 membros, presidido por .Na época, Campbell era o comissário de assuntos culturais da cidade de Nova York e o administrador de artes públicas afro-americano de mais alto escalão nos Estados Unidos. A criação desse conselho representou um avanço significativo no processo. Muitos membros do Conselho de Regentes do Smithsonian ainda questionavam a viabilidade do projeto, alegando que a "cultura e história afro-americana" eram conceitos indefiníveis e que não havia artefatos ou obras de arte de relevância nacional suficientes para justificar a criação de um museu independente. No entanto, em 6 de maio de 1991, após um ano de estudos, o conselho consultivo emitiu um relatório recomendando a criação de um museu nacional de história afro-americana, e o Conselho de Regentes do Smithsonian aprovou unanimemente a proposta.

Apesar do apoio do Conselho de Regentes, a solução adotada não previa um museu autônomo, mas sim a instalação de uma nova exibição permanente no Salão Leste do do Smithsonian. A proposta também incluía a manutenção do Museu Comunitário de Anacostia como uma instalação separada, além de garantir ao novo museu um conselho administrativo independente. Os regentes do Smithsonian também aprovaram a criação de um programa de concessão de subsídios para apoiar os museus afro-americanos locais, ajudando-os a expandir suas coleções e a treinar suas equipes.

Além disso, os regentes aprovaram um "projeto de identificação de coleções", com o objetivo de identificar doadores que estivessem dispostos a doar, vender ou emprestar itens para o novo museu, caso ele fosse implementado.

Esforços da década de 1990 Em setembro de 1991, o Conselho de Regentes do Smithsonian concordou em elaborar uma legislação para a criação de um museu dedicado à história e cultura afro-americana e apresentou um projeto ao Congresso em fevereiro de 1992. No entanto, o projeto enfrentou críticas, especialmente por parte de Tom Mack e outros defensores do museu, que consideraram o espaço proposto inadequado para abrigar a coleção planejada, por ser pequeno e estar localizado em um edifício antigo. Embora o projeto tenha sido aprovado nos comitês da Câmara e do Senado, ele não avançou, morrendo novamente no processo legislativo. Em 1994, o senador Jesse Helms bloqueou a legislação no plenário do Senado, citando preocupações fiscais e filosóficas, apesar de o projeto ter recebido apoio bipartidário.