A história do sistema bancário, história bancária, ou simplesmente história dos bancos, começou por volta de 2000 a.C. na Assíria, Índia e Suméria com mercadores globais que davam empréstimos de grãos a fazendeiros e comerciantes que transportavam mercadorias entre cidades. Mais tarde, na Grécia Antiga e durante o Império Romano, credores estabelecidos em templos davam empréstimos, enquanto aceitavam depósitos e realizavam a troca de dinheiro. A arqueologia desse período na China e Índia antigas também mostra evidências de empréstimos de dinheiro.

Muitos estudiosos traçam as raízes históricas do sistema bancário moderno na Itália medieval e renascentista, particularmente nas cidades ricas de Florença, Veneza e Gênova. As famílias Bardi e Peruzzi dominaram o sistema bancário na Florença do século XIV, estabelecendo filiais em muitas outras partes da Europa.Hoggson, N. F. (1926) Banking Through the Ages, Nova Iorque, Dodd, Mead & Company. O banco italiano mais famoso foi o Banco Médici, fundado por João de Bicci de Médici em 1397.Goldthwaite, R. A. Banks, Places and Entrepreneurs in Renaissance Florence, (1995) O banco mais antigo ainda em existência é o Banca Monte dei Paschi di Siena, com sede em Siena, Itália, que opera continuamente desde 1472. Até o final de 2002, o banco mais antigo ainda em operação era o Banco di Napoli, com sede em Nápoles, que operava desde 1463.

O desenvolvimento do sistema bancário se espalhou do norte da Itália por todo o Sacro Império Romano, e nos séculos XV e XVI para o norte da Europa. Isso foi seguido por uma série de inovações importantes que ocorreram em Amsterdã durante a República dos Países Baixos no século XVII, e em Londres desde o século XVIII. Durante o século XX, os desenvolvimentos em telecomunicações e computação causaram grandes mudanças nas operações dos bancos e permitiram que os bancos aumentassem drasticamente em tamanho e distribuição geográfica. A crise financeira de 2007–2008 causou muitas falências bancárias, incluindo alguns dos maiores bancos do mundo, e provocou muito debate sobre a regulamentação bancária.

Antecedentes

A mudança da dependência da caça e coleta de alimentos para práticas agrícolas, iniciada em algum momento depois de 12 mil a.C., resultou em maior estabilidade das relações econômicas. Tais mudanças começaram há aproximadamente 10 mil anos no Crescente Fértil, há cerca de 9.500 anos no norte da China, há cerca de 5.500 anos no México e há aproximadamente 4.500 anos nas partes orientais dos Estados Unidos.Veja:

Monetário Grãos e gado para alimentação compunham as antigas formas de dinheiro, e foram usados por volta de 9000 a.C. como duas das primeiras mercadorias para fins de escambo.

As obsidianas estavam sendo distribuídas na Anatólia como matéria-prima para ferramentas da Idade da Pedra desde cerca de 12.500 a.C., e o comércio organizado dela ocorreu durante o nono milênio a.C.Gourgaud, A., Cauvin, M. C., Gratuze, B., Arnaud, N., Poupeau, G., Poidevin, J. L., & Chataigner, C. (1998). L’Obsidienne au Proche Et Moyen Orient: Du Volcan à l’Outil. British Archaeological Reports, Oxford, pp. 325-350. A Sardenha era um dos quatro principais locais de obtenção de depósitos de obsidiana no Mediterrâneo; esse tipo de comércio foi substituído durante o terceiro milênio a.C. pelo comércio de cobre e prata.

Manutenção de registros thumb|Relato detalhado de matérias-primas e dias de trabalho para uma oficina de cestaria. Argila, c. 2040 a.C. (Ur III)

Objetos usados ​​para manutenção de registros, as bullae ou tokens (fichas de argila) foram recuperados em escavações no Antigo Oriente Próximo, datados de um período que começou em 8000 a.C. e terminou em 1500 a.C., como registros da contabilidade de produtos agrícolas. A partir do final do quarto milênio, símbolos mnemônicos passaram a ser usados ​​por membros dos templos e palácios para registrar estoques de produtos. Por volta de 3200 a.C começaram a ser feitos tipos de registros contábeis para trocas comerciais de pagamentos. O Código de Hamurabi, escrito em uma tábua de argila por volta de 1700 a.C., descreve a regulamentação da atividade bancária nessa civilização; embora ainda rudimentar, o sistema bancário estava suficientemente desenvolvido para justificar leis que governavam as operações bancárias. Mais tarde, durante o Império Aquemênida (depois de 646 a.C.),MA Dandamaev – A Political History of the Achaemenid Empire BRILL, 1989. Acessado em 15 de dezembro de 2024. mais evidências são encontradas de práticas bancárias na região da Mesopotâmia.Veja:

Estrutura Por volta do quinto milênio a.C. foram desenvolvidos na Suméria assentamentos em torno de um templo central, como em Eridu. Nesse período, as pessoas começaram a construir e viver em cidades, fornecendo uma estrutura para a construção de instituições e estabelecimentos. Tell Brak e Uruque foram os dois primeiros assentamentos urbanos.Veja:

Primeiras formas de banco

Ásia

Mesopotâmia e Pérsia

Acredita-se que a atividade bancária (ou quase bancária) tenha começado como atividade arcaica por volta do final do quarto milênio a.C.N Luhmann – Risk: A Sociological Theory Transaction Publishers, 2005 (p. 181) até o terceiro milênio a.C.naissance de la banque universalis.fr Accessed 15 September 2018 Antes do reinado de Sargão da Acádia (2335–2280 aC), a ocorrência de comércio era restrita aos limites internos de cada cidade-estado da Babilônia e ao templo localizado no centro da atividade econômica; na época, o comércio para cidadãos externos à cidade era proibido.Referências secundárias: 1; 2; 3; 4

Na Babilônia de 2000 a.C., as pessoas que depositavam ouro eram obrigadas a pagar quantias de até um sexagésimo do total depositado. Sabe-se que tanto os palácios quanto os templos forneciam empréstimos e emissões a partir da riqueza que possuíam — os palácios, em menor grau. Tais empréstimos tipicamente envolviam a emissão de grãos-sementes, com reembolso da colheita. Esses acordos sociais básicos eram documentados em tábuas de argila, com um acordo sobre o acúmulo de juros. O hábito de depositar e armazenar riquezas em templos continuou pelo menos até 209 a.C., como evidenciado pelo saque ou pilhagem do ouro e prata do templo de Aine em Ecbátana, na Média, por Antíoco III.Veja:

Mais informações vêm do código encomendado por Hamurabi, rei da Babilônia, –1750 aC. A Lei 100 estipulava que o pagamento de um empréstimo por um devedor a um credor deveria ser feito de acordo com um cronograma com uma data de vencimento especificada em termos contratuais escritos. A Lei 122 estipulava que um depositante de ouro, prata ou outra propriedade deveria apresentar todos os artigos e um contrato de fiança assinado a um notário antes de depositar os artigos com um banqueiro, e a Lei 123 estipulava que um banqueiro era exonerado de qualquer responsabilidade de um contrato de fiança se o notário negasse a existência do contrato. A Lei 124 estipulava que um depositante com um contrato de fiança autenticado em cartório tinha o direito de resgatar a totalidade de seu depósito, e a Lei 125 estipulava que o banqueiro era responsável pela reposição dos depósitos roubados enquanto estivessem em sua posse.

Registros cuneiformes da casa de Egibi da BabilôniaOJ Thatcher – The Library of Original Sources: Volume I (The Ancient World) The Minerva Group, Inc., 30 June 2004 translated by – TG Pinches Retrieved 10 July 2012 descrevem a ocorrencia de atividades financeirasRN Frye – Handbuch der Altertumswissenschaft, Part 3, Volume 7 C.H.Beck, 1984 Retrieved 10 July 2012 dessa família em algum momento depois de 1000 a.C., terminado em algum momento durante o reinado de Dario I. Esses registros sugerem uma "casa de empréstimo",R Rollinger, C Ulf, K Schnegg – Commerce and Monetary Systems in the Ancient World: Means of Transmission and Cultural Interaction : Proceedings of the Fifth Annual Symposium of the Assyrian and Babylonian Intellectual Heritage Project, Held in Innsbruck, Austria, 3–8 October 2002 M Silver – Modern Ancients Franz Steiner Verlag, 2004 Retrieved 10 July 2012 uma família envolvida em "atividades bancárias profissionais..."MA Dandamaev, VG Lukonin, PL Kohl – The Culture And Social Institutions Of Ancient Iran Cambridge University Press, 11 November 2004 Retrieved 10 July 2012 e atividades econômicas semelhantes aos bancos de depósito modernos. Outra interpretação é que as atividades da família são melhor descritas como empreendedorismo em vez de atividades bancárias.Gwendolyn Leick (ed.) – The Babylonian world C Wunsch – The Egibi Family Routledge 2007 Retrieved 10 July 2012 A família Murashu aparentemente participou do fornecimento de crédito.Veja:

Anatólia

A partir do quarto milênio, os antigos assentamentos agrícolas na Anatólia iniciaram atividades administrativas.Veja:

O templo de Ártemis em Éfeso era o maior depósito da Ásia. Um tesouro de potes datado de 600 a.C. foi encontrado em escavações pelo Museu Britânico em 1904.The British Museum Acessado em 14 de fevereiro de 2025. Durante o tempo da cessação da Primeira Guerra Mitridática, toda a dívida mantida na época foi anulada pelo conselho. É registrado que Marco Antônio teria roubado os depósitos em algumas ocasiões. O templo serviu como depósito para Aristóteles, César, Dião Crisóstomo, Plauto, Plutarco, Estrabão e Xenofonte.Veja:

secondary – The British Museum Retrieved 3 June 2012

O templo de Apolo em Dídimos foi construído em algum momento do século VI. Uma grande soma de ouro foi depositada no tesouro na época pelo rei Creso.The British Museum Retrieved 16 June 2012

Índia

Na Índia antiga, há evidências de empréstimos durante o período védico (começando em 1750 a.C.). Posteriormente, durante a dinastia Máuria (321–185 a.C.), um instrumento chamado ādeśa foi usado para emitir ordem a um banqueiro para que ele pagasse o dinheiro da nota a uma terceira pessoa, o que corresponde à definição de uma letra de câmbio como a entendemos hoje. Durante o período budista, houve uso considerável desses instrumentos. Comerciantes em grandes cidades davam cartas de crédito uns aos outros.Veja:

China Na China antiga, a moeda local se desenvolveu a partir da dinastia Chin (221–206 a.C.) com a criação de moedas padronizadas que permitiram um comércio mais fácil pelo país e levaram ao desenvolvimento de cartas de crédito. Essas cartas eram emitidas por comerciantes que agiam de maneiras que hoje entenderíamos como bancos.

Antigo Egito

De acordo com John Muir, havia dois tipos de bancos operando no Egito, o real e privado. Os documentos feitos para mostrar o depósito de impostos eram conhecidos como registros peptoken.

Grécia Após as Guerras Médicas, as cidades-estados gregas produziram um governo e uma cultura suficientemente organizados para o nascimento de uma cidadania privada e, portanto, uma sociedade capitalista embrionária, permitindo a separação da riqueza da propriedade exclusiva do Estado para a possibilidade de propriedade pelo indivíduo.R W Bulliet, P K Crossley, D R Headrick, S W Hirsch, L L Johnson – The Earth and Its Peoples: A Global History, Volume 1 Cengage Learning, 1 January 2010 Retrieved 8 June 2012