The Residents são um grupo de música de vanguarda e arte visual. Eles iniciaram seus trabalhos no início da década de 1970 e lançaram seu primeiro disco em 1974. São conhecidos pela sua música excêntrica e suas personalidades misteriosas.
Ao longo de seus mais de trinta anos de existência, os Residents sempre mantiveram suas vidas e música na obscuridade. Os membros da banda se recusam a dar entrevistas e nunca expuseram suas identidades, nem mesmo por nome ou por pseudônimos. Apresentações ao vivo e fotos os mostram sempre totalmente disfarçados. O disfarce mais conhecido e característico consiste em smokings, cartolas e máscaras de globos oculares. Apesar de geralmente consistirem em quatro membros, eles já se apresentaram estando em sete, onze ou mesmo uma única pessoa.
Eles justificam essa atitude por afirmarem que o artista produz seu trabalho da melhor forma possível sem a influência de uma audiência, e que ele deve ser julgado apenas por seu trabalho, e seu gênero, sua etnia e, principalmente, sua vida cotidiana, devem ser características irrelevantes para os ouvintes. Essa atitude vem da teoria da obscuridade de N. Senada, uma figura misteriosa que os Residents idolatram.
Eles possuem um grupo que os empresaria, conhecido como The Cryptic Corporation, inicialmente formado por Homer Flynn, Hardy Fox, Jay Clem, e John Kennedy - os dois últimos saíram na década de 1980 - em 1976. O grupo serve como porta-voz da banda, e é com os membros do grupo que as entrevistas são feitas - geralmente rebatendo as perguntas sobre as identidades dos membros da banda com respostas vagas e evasivas.
Muitas especulações foram feitas sobre quem são os Residents. Muitos afirmam que eles são, na verdade, os membros da Cryptic Corporation. William Poundstone, autor dos livros da série Grandes Segredos, afirmou que Fox e Flynn são os Residents; este é provavelmente o maior rumor entre os fãs. Outros afirmam que Flynn é o letrista e compositor. Muitos dizem que a voz de Flynn possui algumas semelhanças com a do vocalista dos Residents. A Cryptic Corporation admite que a arte gráfica das capas dos discos é feita por Flynn, sob o nome de Porno Graphics, um pseudônimo que sempre é grafado de formas diversas (por exemplo: Pore No Graphics), e que Fox é o "engenheiro de som". Fox, por sinal, já editou a versão em inglês deste artigo na Wikipedia para remover referências de sua identidade. Nolan Cook, que recentemente trabalhou com os Residents, negou em uma entrevista que Fox e Flynn sejam os Residents.
Muitos outros rumores surgiram ao longo dos anos. Alguns apontam que eles são desfigurados, e outros afirmam que eles possam ser músicos conhecidos, que querem manter anônimato ao fazerem experimentos musicais que poderiam desvirtuar suas carreiras. Há ainda quem afirme que eles são, na verdade, os Beatles.
História
Devido à natureza obscura da banda, relatar uma história precisa dos Residents é uma tarefa impossível. As informações aqui contidas são os detalhes mais plausíveis dos rumores que compõem a história mais provável do grupo.
Década de 1960
Os Residents são de Shreveport, Louisiana, aonde eles se conheceram no colégio na década de 1960, quando descobriram alguns gostos em comum, como James Brown e o livro The Catcher In The Rye de J.D. Salinger. Em 1966, os membros da banda partiram para o oeste, rumo à São Francisco, Califórnia. O caminhão com o qual iam quebrou em San Mateo, e eles decidiram permanecer por lá.
Durante sua estadia, o grupo passou a fazer experimentos com gravadores, fotografia e qualquer outra coisa relativa à "arte" que estivesse no alcance de suas mãos. Em 1969, seus experimentos eventualmente chegaram ao conhecimento do guitarrista inglês Philip Lithman e do misterioso N. Senada (que havia vindo da Baviera para visitar Lithman, mas que acabou permanecendo).Os dois europeus viriam a se tornar grandes influências para a banda. A técnica na guitarra de Lithman lhe proveu seu nome artístico, Snakefinger ("Dedo cobra").
O grupo conseguiu um equipamento de gravação precário e instrumentos e começou a gravar fitas, se recusando a deixarem suas quase completas faltas de conhecimento musical deterem seus objetivos. Uma de suas primeiras aparições em público foi no Longbranch em Berkeley, Califórnia.
Em 1971 o grupo enviou uma fita demo para Hal Halverstadt na Warner Brothers. Ele havia trabalho com Captain Beefheart, e ficou impressionado com o chamado "The Warner Bros. Album", apesar do mesmo ter sido rejeitado. A banda não havia incluído nome no remetente, e então a fita foi enviada de volta com a inscrição "Aos cuidados dos residentes". O nome da banda veio daí.
Década de 1970
A primeira apresentação sob o nome "The Residents" foi no Boarding House Club em São Francisco em 1971. No mesmo ano, outra fita foi completa, com o nome Baby Sex.
Em 1972 eles se mudaram para São Francisco e fundaram a Ralph Records. Através do selo, eles lançaram Santa Dog, com uma tiragem limitada 400 cópias. Santa Dog consistia em dois EP e um cartão de Natal. Esta fita foi enviada para algumas pessoas famosas, como Frank Zappa e Richard Nixon. Tornou-se um item raro, mas a pirataria facilitou a sua procura.
Em 1973, foi produzido com um gravador de 4 canais mono o primeiro disco. Meet The Residents foi lançado oficialmente em abril de 1974. Foi feito com um limitado orçamento - provido por eles mesmos - e sem muitas ambições. A capa trazia os rostos dos Beatles rabiscados, sendo a primeira manifestação do ódio que os Residents sempre afirmaram ter pelo grupo inglês.
Nesse período, a banda adotou a "Teoria da Obscuridade" de N. Senada, que afirma que o artista só consegue produzir arte pura quando as expectativas e influências do mundo exterior são ignoradas.
Além do disco em si, foram produzidos 4000 mini-LPs com algumas músicas do disco, distribuidas gratuitamente para promover o álbum. Todavia, as vendagens do disco foram medíocres.
A banda então voltou sua atenção a outro projeto, um filme longa-metragem, Vileness Fats, no qual trabalharam intensamente durante quatro anos, mas que viria a ser abandonado. Cópias de versões inacabadas podem ser encontradas extra-oficialmente.
Em 1974, os Residents fizeram seu primeiro grande ato de extravagância, ao gravarem Not Available, um disco feito com o intuito de não ser lançado. O disco permaneceu guardado, e os fãs só tiveram notícia de sua existência nas informações do terceiro disco, Third Reich And Roll, um ataque direto ao nazismo, constituído de clássicos do rock 'n' roll bizarramente alterados. Um filme com o mesmo nome e conceito começaria a ser feito, mas seria deixado de lado por anos.
O visto de Snakefinger expirou, e ele teve que retornar à Inglaterra, onde se dedicou à sua banda, Chilli Willi And The Red Hot Peppers, mas acabaria voltando aos EUA em definitivo e se juntou aos Residents. Sua presença ao vivo era marcante e trouxe mais dinamismo para os shows. Juntos, eles fizeram uma versão excêntrica de Satisfaction dos Rolling Stones e lançaram-na como single. A música fez um certo sucesso dentro dos circuitos underground.
Após outro single, os discos da banda começaram a ser vendidos, mas bem lentamente.
Nessa época, a Cryptic Corporation foi fundada. Além de servir como porta-voz, o grupo passou a trabalhar em meios de melhorar as vendas, incluindo catálogos por correio (que também ofereciam camisetas e outros produtos, além dos discos).
Em 1977, foi lançado Fingerprice, um disco triplo com baixíssima tiragem e que é atualmente item de colecionador.
Por catálogo, Meet The Residents foi relançado, agora remasterizado em stereo, nova arte gráfica. Também foi lançado mais um single, The Beatles Play The Residents, The Residents Play The Beatles. Foi nessa época que os Residents obtiveram alguma atenção da mídia, que na época estava voltando sua atenção para a new wave. Os Residents não eram new wave, mas seu som incomum, cheio de sintetizadores, acabou sendo considerado como tal. John Peel, lendário radicalista britânico, também descobriu os Residents.
Em 1978, foi lançado o EP Duck Stab, mais tarde relançado como Duck Stab /Buster And Glen.
Também em '78, foi fundado o fã-clube W.E.I.R.D. (We Endorse Immediate Resident Deification).
Ainda em '78, Snakefinger lançou um single pela Ralph Records, The Spot/Smelly Tongues, sendo o primeiro lançamento que não era dos Residents.
Em outubro de 1979, foi lançado Eskimo, um disco conceitual sobre os esquimós. de sonoridade perturbadora e sombria, que na capa trazia os Residents pela primeira vez usando suas máscaras de globos oculares.
Com a intuição de lançar outras bandas, a Ralph Records lançou a coletânea Subterranean Modern, aonde quatro bandas da Bay Area eram apresentadas - uma delas era o próprio The Residents - cada uma fazendo uma versão de (I Left My Heart) In San Francisco. As outras bandas apresentadas era Chrome, Tuxedo Moon e MX-80 Sound. A Ralph Records lançaria outros artistas, mais tarde: Yello, Renaldo And The Loaf, Art Bears e o próprio Snakefinger.
A banda lançou Diskomo, uma coletânea de versões disco de vários temas de Eskimo.
O projeto do filme The Third Reich And Roll foi retomado. No início da década de 1980, os videoclipes começaram a ganhar popularidade, e os Residents já haviam certa experiência no assunto - sendo, inclusive, considerados por alguns como os criadores do mesmo. Com o diretor Graham Whifler, eles produziram vídeos para Snakefinger, MX-80 Sound, Tuxedo Moon, Renaldo And The Loaf e para eles mesmos. Foram produzidos os vídeos Hello Skinny e One Minute Movies, um vídeo que consiste em quatro clipes de músicas do mais recente disco dos Residents na época, The Commercial Album.
The Commercial Album trazia como temática a afirmativa de que as músicas pop americanas, se descontadas suas repetições e refrões, são reduzidas a um mero minuto de música realmente "boa". Como um minuto é a duração em média de jingles, os Residents afirmaram que "Jingles são a música da América". O disco, então, consistia em quarenta músicas de um minuto.
Década de 1980
O início da década de 1980 também foi a época para várias apresentações ao vivo experimentais. Como muito da música dos Residents era, basicamente, experimentos em estúdio, a migração das músicas para o palco foi algo difícil para a banda. Para facilitar as coisas eles usaram teclados da companhia Emu-Systems, que permitia tocar ao vivo usando samples.
Em 1981, eles lançaram Mark Of The Mole, primeira parte de uma trilogia que conta a história de dois povos de duas cidades que vivem uma guerra. A segunda parte da trilogia, Tunes Of Two Cities (1982) trazia vários experimentos com os teclados da Emu-Systems.