O brasão de armas nacional da Arménia () foi adotado em 19 de abril de 1992 por resolução do Conselho Supremo da Arménia. Em 15 de junho de 2006, a Assembleia Nacional aprovou a lei sobre o brasão de armas de Estado da Arménia.

Ele consiste em uma águia e um leão a sustentar um escudo. O brasão combina símbolos novos e antigos. A águia e o leão são antigos símbolos arménios, remontando aos primeiros reinos arménios que existiram antes de Cristo. Estes símbolos encontram-se no Planalto Arménio desde tempos imemoriais. Várias dinastias arménias, como a artaxíada, a arsácida, a Bagratúnio e a rubênida, utilizaram esses símbolos como suas insígnias reais. Tal como outras repúblicas pós-soviéticas cujos símbolos não são anteriores à Revolução de Outubro, o emblema atual conservou um componente do emblema soviético, o Monte Ararate no escudo. Antes de 1992, a Arménia possuía um emblema semelhante aos das restantes repúblicas soviéticas.

História Brasão de armas da Primeira República da Arménia 200px|thumb

O atual brasão de armas arménio tem origem na criação da Primeira República da Arménia, em 1918. Nesse ano, foi adotada uma versão inicial do brasão. Os símbolos dessa versão anterior estavam dispostos em ordem ligeiramente diferente, e a águia e o leão tinham as línguas expostas, conferindo-lhes um aspeto mais ameaçador. Apenas o Monte Ararate — juntamente com o Pequeno Ararate — era representado, enquanto a Arca de Noé estava ausente. O brasão foi concebido pelo arquiteto e membro da Academia Imperial de Artes da Rússia Alexander Tamanian e pelo artista Hakob Kojoyan.

RSFS Transcaucasiana thumb|200px|O brasão de armas da RSFS Transcaucasiana, 1922–1936.

Em 1922, a Arménia foi incorporada à RSFS Transcaucasiana, juntamente com a Geórgia e o Azerbaijão. O brasão de armas da RSFS Transcaucasiana foi adotado pelo governo da república. Não se sabe ao certo quando ocorreu a sua adoção. O desenho incorporava elementos dos três principais grupos reunidos na RSFS Transcaucasiana — os arménios, azeris e georgianos — e, de forma incomum, apresentava lado a lado elementos da arte islâmica e do comunismo. A treliça da própria estrela remete ao antigo brasão de armas da Geórgia, utilizado entre 1918 e 1921 e novamente adotado entre 1991 e 2004; a lua crescente do calendário islâmico representa os azeris muçulmanos, sobre um fundo que representa o símbolo nacional dos arménios, o Monte Ararate.

Brasão soviético

thumb|200px|O brasão de armas da Arménia Soviética, 1922–1937. thumb|200x200px|O brasão de armas da Arménia Soviética e da República independente da Arménia, 1936–1992.

Em 1937, foi adotado um novo brasão. Assim como o brasão da primeira república independente, ele apresentava em destaque o Monte Ararate, juntamente com a foice e o martelo e a estrela vermelha soviéticos ao fundo. A inclusão do Monte Ararate suscitou objeções da Turquia, pois a montanha faz parte do seu território. O Kremlin teria respondido que, embora o símbolo turco fosse o crescente, isso certamente não significava que o país reivindicasse a Lua.Louis, Victor e Jennifer. The Complete Guide to the Soviet Union. Nova Iorque, 1976. p. 101. A União Soviética desintegrou-se em 1991, e a Arménia tornou-se uma república independente. Em 1992, foi adotada uma versão ligeiramente modificada do brasão da primeira república, que se mantém em uso desde então.

Simbolismo Escudo O escudo propriamente dito é composto por cinco elementos. No centro há uma representação do Monte Ararate, com a Arca de Noé sobre seu cume. Segundo a tradição, a arca teria finalmente ficado sobre a montanha após o grande dilúvio. O Ararate é considerado o símbolo nacional da Arménia e, por isso, assume importância central no brasão. Em redor do Monte Ararate encontram-se símbolos de antigas dinastias arménias.

Na parte inferior esquerda do escudo há duas águias olhando uma para a outra, simbolizando a extensão do território arménio durante o governo da Dinastia artaxíada, que reinou do século II a.C. até o início da era cristã. Na parte superior esquerda há um leão com uma cruz, emblema da Dinastia Bagratúnio, que governou durante a Idade Média, entre os séculos IX e XI. Sob essa dinastia, a Arménia floresceu culturalmente, fazendo da sua capital, Ani, um dos centros culturais, sociais e comerciais mais importantes de sua época. O reino Bagratúnio foi destruído pelo avanço do Império Bizantino e pelas conquistas da dinastia seljúcida no século XI.

Na parte superior direita encontra-se uma águia bicéfala, emblema da primeira dinastia a governar a Arménia cristã, a dinastia arsácida, que reinou do século I até 428. Tiridates III tornou a Arménia o primeiro país a adotar o cristianismo como religião oficial, em 301. Na parte inferior direita há um leão com uma cruz, emblema da dinastia rubênida. Essa dinastia reinou no Reino Armênio da Cilícia, Estado que se expandiu e prosperou durante os séculos XII e XIII, até ser finalmente conquistado pelos mamelucos em 1375.

Águia e leão A águia sustenta o escudo no lado esquerdo do brasão, enquanto o leão o sustenta no lado direito. A águia era o símbolo da Dinastia artaxíada e, posteriormente, da dinastia arsácida da Arménia. Ela sustenta o quartel artaxíada do escudo. O leão, por sua vez, era símbolo da Dinastia Bagratúnio e, depois, da Dinastia rubênida. Ele sustenta o quartel rubênida do escudo. A águia e o leão constituem um tema comum nas civilizações do Planalto Armênio e foram representados ao longo de várias dinastias arménias.

Ambos os animais foram escolhidos pela sua força, coragem, paciência, sabedoria e nobreza no reino animal.

Sobre o símbolo atribuído aos arsácidas no brasão da República da Arménia (águia bicéfala) Desde 1920, o símbolo da águia bicéfala no escudo do brasão da República da Arménia é atribuído à dinastia arsácida. Apesar da ausência de evidências diretas, uma análise comparativa dos materiais pictográficos, cronísticos e de baixos-relevos disponíveis permite concluir que a águia bicéfala poderia estar relacionada à Arménia arsácida, com a diferença de que o símbolo no brasão da Arménia não representa a própria dinastia arsácida, mas sua época e fama, constituindo uma síntese da águia bicéfala dos Mamicônios com a mesma águia da Igreja Arménia estabelecida pelos arsácidas.

Cinco elementos vitais Fonte:

A espada representa o poder e a força da nação, rompendo as correntes da opressão. A corrente quebrada representa o esforço desenvolvido pela nação para conquistar a liberdade e a independência. As espigas de trigo representam a natureza laboriosa do povo arménio. A pena representa o patrimônio intelectual e cultural do povo arménio, como uma pena de escrever. A fita representa as cores da bandeira da Arménia: azul, o céu; laranja, a coragem (Arca de Noé); vermelho, as 1,5 milhão de mortes no genocídio.

Uso O brasão de armas da Arménia constitui o motivo central do selo presidencial e também é utilizado nas unidades monetárias denominadas dram e nas ordens e medalhas da Arménia.

Ver também Emblema da República Socialista Soviética da Armênia Bandeira da Arménia

Ligações externas "Armenia: Coat of arms" em Flags of the World

Armenica.org – valores simbólicos e informações sobre a bandeira e o brasão de armas da Arménia National Coat of Arms of the Republic of Armenia – sítio oficial Atlas of Conflicts: Examples of Old Armenian Heraldry

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