O acidente na rodovia Waldir Canevari ocorreu na noite do dia 20 de fevereiro de 2025, envolvendo um ônibus que transportava estudantes da Universidade de Franca (Unifran) e uma carreta. A colisão aconteceu na rodovia Waldir Canevari (SP-355/330), entre os municípios de Nuporanga e São José da Bela Vista, na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, São Paulo, resultando na morte de 12 pessoas e outras 19 feridas.

O ônibus, que transportava 29 passageiros além do motorista, partiu de Franca com destino a São Joaquim da Barra. Já a carreta, conduzida por um único motorista, saiu de Onda Verde, São Paulo, rumo a Itaú de Minas, Minas Gerais. Este é o segundo acidente envolvendo a universidade, sendo o primeiro registrado em 8 de maio de 2002. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias da colisão.

Antecedentes O ônibus envolvido no acidente, conduzido por Eduardo Henrique Justino, pertence à empresa G Ramos Transportes e transportava 29 estudantes universitários da Universidade de Franca (Unifran), além do motorista. O destino era São Joaquim da Barra, onde os passageiros residiam. A carreta, conduzido por Evandro Rogério Leite, pertence à J4 Transportes Rodoviários, e seguia de Onda Verde, São Paulo, para Itaú de Minas, Minas Gerais.

A rota escolhida pelo ônibus passava pela Rodovia Waldir Canevari (SP-355/330), utilizada como alternativa à Rodovia Prefeito Fábio Talarico (SP-435), interditada desde novembro de 2024 para obras em uma ponte.

A interdição ocorreu no quilômetro 63,3 da Rodovia Prefeito Fábio Talarico, onde uma trinca em um dos pilares da ponte sobre o rio Salgado foi identificada, comprometendo a estrutura. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) explicou que o problema surgiu devido ao deslocamento de um talude na região, tornando necessária uma intervenção emergencial. O órgão indicou um trajeto alternativo para os motoristas que seguiam em direção a São Joaquim da Barra e Morro Agudo.

O DER informou que estava finalizando o projeto executivo para a obra na ponte, com previsão de abertura da licitação em março e início das intervenções logo em seguida, com um prazo estimado de conclusão entre quatro e seis meses.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) confirmou que o ônibus operava regularmente e estava com a vistoria em dia.

Acidente de 2002 Em 8 de maio de 2002, um acidente envolvendo estudantes da mesma universidade resultou na morte de 19 alunos e do motorista. O ônibus, que transportava 43 alunos da universidade, e viajava de Franca para Sacramento, Minas Gerais, saiu da pista e caiu em uma ribanceira de 25 metros na Rodovia Cândido Portinari, na altura de Rifaina, a aproximadamente 469 km da capital paulista. O trecho onde ocorreu a tragédia era conhecido por sua alta periculosidade. Relatos da época indicaram que o veículo perdeu o controle dos freios ao descer a serra, resultando no desastre. Outros 22 passageiros ficaram feridos.

O acidente mais recente marca o segundo evento trágico envolvendo estudantes da mesma universidade em pouco mais de duas décadas.

O acidente Por volta das 23h (GMT-3) do dia 20 de fevereiro de 2025, um ônibus que transportava estudantes da Universidade de Franca colidiu com uma carreta na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, entre os municípios de Nuporanga e São José da Bela Vista, no estado de São Paulo, com uma distância de cerca de 70 km.O acidente resultou na morte de 12 estudantes e deixou outros 19 feridos. Os motoristas dos dois veículos, identificados como Eduardo Henrique Justino e Evandro Rogério Leite, tiveram ferimentos leves. O impacto causou a destruição parcial da lateral do ônibus, espalhando destroços pela pista.

Testemunhas e resgate O Corpo de Bombeiros, em conjunto com a Polícia Rodoviária, Polícia Militar e Defesa Civil, foi acionado por volta das 22h55(GMT-3) para realizar o resgate das vítimas, concluindo os trabalhos por volta das 4h (GMT-3) do dia 21 de fevereiro, que durou por quase toda a madrugada. Testemunhas registraram imagens do momento, mostrando socorristas retirando macas das ambulâncias, enquanto passageiros, ainda desorientados, circulavam pelo local e tentavam ajudar na retirada de colegas pelas janelas do ônibus.

As vítimas foram encaminhadas para hospitais da região, incluindo a Santa Casa de São Joaquim da Barra e o Hospital São Geraldo, em Nuporanga, conforme informado pela Defesa Civil. Um dos feridos, com traumatismo craniano, foi transferido para a Santa Casa de Franca. Alguns pacientes receberam alta na manhã do dia 21, enquanto outros permaneceram internados, mas sem risco de morte.

Os motoristas dos veículos envolvidos sofreram apenas ferimentos leves. O condutor da carreta recebeu alta ainda na mesma semana, sendo preso por suspeita de ter provocado o acidente. A rodovia foi liberada por volta das 6h (GMT-3) do dia seguinte, após a remoção dos destroços e a limpeza da pista com o auxílio de um caminhão-pipa.

Os corpos das vítimas foram levados ao Instituto Médico Legal (IML) de São Joaquim da Barra, onde passaram por exames com o apoio de peritos de Franca e Ribeirão Preto antes de serem liberados para os velórios.

Vítimas As 12 vítimas fatais do acidente foram identificadas como:

Caio Felizardo da Silva: 26 anos; estudante de Psicologia. Flávia Mendes dos Santos: 24 anos; estudante de Química. Hugo dos Santos Aliberte Dias: 19 anos; estudante de Análise de sistemas. João Pedro de Oliveira dos Reis: 19 anos; estudante de Arquitetura. Juliana Neves Hespanhol: 20 anos; estudante de Administração. Otávio Costa Oliveira: 18 anos; estudante de ciência da computação. Lívia Tavares Luiz: 18 anos; estudante de Enfermagem. Mariana Anastácio de Oliveira: 24 anos; estudante de Biomedicina. Matheus Jesus Eugênio dos Santos: 19 anos; estudante de engenharia elétrica. Pedro Henrique Souza Saraiva: 17 anos; estudante de Computação. Raquel Laila Caldeira: 21 anos; estudante de Administração. Vinicius Nascimento dos Santos: 18 anos; estudante de Administração.

Investigações Após o acidente, o motorista da carreta, Evandro Rogério Leite, tentou se esconder em uma área de vegetação próxima à rodovia, temendo ser linchado. Segundo Marcos Coltri, advogado da J4 Transportes Rodoviários, empresa proprietária da carreta, o motorista relatou que, ao deixar o veículo, foi cercado por algumas pessoas que o ameaçaram. Com medo pela própria segurança, ele correu para um canavial e tentou entrar em contato com a polícia. O advogado afirmou que a atitude do motorista não configurou fuga, mas uma medida de proteção diante da situação:

O motorista da carreta teve a prisão em flagrante decretada por suspeita de omissão de socorro, tentativa de fuga, homicídio culposo e lesão corporal culposa. Foi levado a uma unidade de saúde em Franca sob escolta policial e permaneceu internado até receber alta. Segundo a polícia, um teste do bafômetro foi realizado e apresentou resultado negativo.

No dia 21 de fevereiro de 2025, após audiência de custódia, a Justiça converteu sua prisão em preventiva. Sua detenção ocorreu no dia 22 do mesmo mês, após a alta hospitalar, sendo encaminhado à cadeia pública de Santa Rosa de Viterbo no interior de São Paulo.

O motorista do ônibus, Eduardo Henrique de Andrade Justino, declarou às autoridades que tentou desviar da carreta, que estaria invadindo a faixa contrária, mas não conseguiu evitar a colisão. Ele relatou que ouviu gritos dos passageiros presos às ferragens e que, apesar de ficar preso ao volante, conseguiu se soltar e sair do veículo. Segundo seu depoimento, trafegava a aproximadamente 70 km/h no momento do impacto e não havia consumido substâncias proibidas ou bebidas alcoólicas.

Testemunhas que auxiliaram no local relataram à polícia que a carreta transitava de forma irregular antes do acidente. O advogado da J4 Transportes afirmou que o motorista relatou ter perdido o controle do veículo ao sair da pista e, ao tentar retornar, acabou invadindo a faixa contrária, resultando na colisão.

Durante depoimento, o motorista da carreta afirmou que havia percorrido cerca de 200 km antes do acidente, fazendo uma parada para descanso e alimentação. Ele declarou ainda que perdeu o controle do veículo ao passar por um desnível na pista e que trafegava entre 40 e 60 km/h.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Nuporanga, com perícias conduzidas pelo Instituto de Criminalística. Laudos técnicos estão em fase de elaboração para determinar as circunstâncias exatas do acidente.

Velórios e sepultamentos Em 22 de fevereiro de 2025, foram realizados dois velórios para as vítimas do acidente. Um deles ocorreu no Velório Municipal, reservado aos familiares de uma das vítimas, enquanto outro, no salão do Lions Clube, que foi aberto ao público e reuniu homenagens para 11 vítimas que começaram às 6h (GMT-3).

Os sepultamentos, que aconteceram no Cemitério Municipal, tiveram início às 9h (GMT-3) e foram encerrados às 12h (GMT-3), seguindo a programação da administração local, com cada funeral sendo realizado separadamente, logo nas primeiras horas da manhã.

Matheus Jesus Eugênio, de 19 anos, foi o primeiro a ser enterrado, por volta das 9h (GMT-3). Cerca de uma hora depois, ocorreram as cerimônias de despedida de Raquel Laila Caldeira, Mariana Anastácio de Oliveira e Vinicius Nascimento dos Santos, todos com 18 anos.

Por volta das 11h (GMT-3), foram sepultados João Pedro Oliveira dos Reis, de 19 anos, Caio Felizardo da Silva, de 26 anos, e Pedro Henrique Souza Saraiva, de 17 anos.

As demais vítimas foram enterradas até o meio-dia. Entre elas estavam Lívia Tavares Luiz, de 23 anos, Hugo dos Santos Aliberte Dias, de 19 anos, Juliana Neves Hespanhol, de 20 anos, Otávio Oliveira, de 18 anos, e Flávia Mendes dos Santos, de 24 anos.

Reações A Universidade de Franca (Unifran) decretou luto oficial de três dias em homenagem aos estudantes que perderam a vida no acidente e suspendeu as atividades acadêmicas no dia 21 de fevereiro. Em comunicado, a instituição expressou solidariedade às famílias e à comunidade acadêmica:

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas também decretou luto oficial de três dias e manifestou seu pesar pelo ocorrido:

O Governo de São Paulo informou que acompanha as investigações sobre as circunstâncias do acidente e que oferecerá apoio às famílias das vítimas.

O prefeito de São Joaquim da Barra – onde as vítimas moravam – Wagner José Schmidt, decretou luto oficial de três dias e a suspensão de todas as atividades esportivas, culturais e educacionais promovidas pelos órgãos públicos municipais durante esse período. A prefeitura do município publicou uma mensagem de condolências nas redes sociais, com a seguinte declaração:

O prefeito de Franca – onde está localizado a Universidade de Franca – Alexandre Ferreira (MDB) também expressou suas condolências e desejou força às famílias das vítimas:

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) confirmou a morte da estudante Lívia Tavares Luiz, estudante do 3° ano de enfermagem, por meio de uma nota de pesar divulgada nas redes sociais:

A Atlética Fulminante, da Unifran, também lamentou a morte de Lívia:

A Universidade Federal do Rio Grande lamentou o acidente em nota:

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota de pesar:

A Prefeitura de Santa Adélia divulgou uma nota lamentando o acidente nas redes sociais:

A Prefeitura de Nuporanga também divulgou uma nota de pesar:

A deputada estadual de São Paulo Delegada Graciela (PL) publicou uma nota de pesar em suas redes sociais com o seguinte texto:

Durante a sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo no dia 21 de fevereiro, o deputado estadual de São Paulo Guilherme Cortez (PSOL), que presidia os trabalhos, solicitou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente e destacou a urgência de medidas para prevenir novas tragédias: