O movimento dos direitos dos homens (MRM) é uma ramificação do movimento dos homens. Em particular, o MRM é composto por uma variedade de grupos e indivíduos conhecidos como ativistas dos direitos dos homens (MRAs), que se concentram em questões sociais – como serviços governamentais específicos – que afetam negativamente ou, em alguns casos, discriminam estruturalmente homens e meninos. Entre os tópicos comuns discutidos no movimento dos direitos dos homens estão o direito de família, incluindo questões como custódia de filhos, pensão alimentícia e divisão de bens conjugais; reprodução; suicídio; violência doméstica contra homens; falsas acusações de estupro; circuncisão; educação; conscrição; redes de proteção social; e políticas de saúde. O movimento dos direitos dos homens originou-se a partir do movimento de libertação dos homens no início da década de 1970, sendo que ambos os grupos compõem parte do maior movimento dos homens.
Muitos estudiosos descrevem o movimento, ou partes dele, como uma reação contra o feminismo. Setores do movimento dos direitos dos homens têm sido descritos por alguns estudiosos e comentaristas como misóginos, – e, em alguns casos, como defensores da violência contra as mulheres. Em 2018, o Southern Poverty Law Center categorizou alguns grupos dos direitos dos homens como parte de uma ideologia de ódio sob o guarda-chuva da supremacia masculina, ao mesmo tempo em que afirmava que outros "se concentravam em queixas legítimas". Em 2024, a ONU Mulheres afirmou que os movimentos dos direitos dos homens, como um todo, são movimentos antidireitos.
História Precursores O termo "direitos dos homens" foi utilizado pelo menos já em fevereiro de 1856, quando apareceu na Putnam's Magazine. O autor estava respondendo à questão dos direitos das mulheres, denominando-o um "novo movimento para a reforma social e até para a revolução política", o qual o autor propôs contrapor com os direitos dos homens. Ernest Belfort Bax escreveu A Submissão Legal dos Homens em 1896, zombando do movimento dos direitos das mulheres como um esforço farsesco por parte das mulheres – o "sexo privilegiado" – para provar que estavam "oprimidas". Reimpresso como
Três organizações de direitos dos homens, vagamente conectadas, formaram-se na Áustria no período entreguerras. A Liga pelos Direitos dos Homens foi fundada em 1926 com o objetivo de "combater todos os excessos da emancipação feminina". Em 1927, a Liga Justitia pela Reforma do Direito de Família e a Liga Mundial Aequitas pelos Direitos dos Homens desmembraram-se da Liga pelos Direitos dos Homens. Os três grupos de direitos dos homens se opuseram à entrada das mulheres no mercado de trabalho e àquilo que viam como a influência corrosiva do movimento feminino nas instituições sociais e legais. Criticavam as leis de casamento e família, especialmente a exigência de pagar pensão para ex-esposas e para filhos ilegítimos, e defendiam o uso de testes sanguíneos para determinar a paternidade. Justitia e Aequitas publicaram seus próprios periódicos efêmeros, Jornal dos Defensores dos Direitos dos Homens e Autodefesa, nos quais expressavam suas opiniões fortemente influenciadas pelas obras de Heinrich Schurtz, Otto Weininger e Jörg Lanz von Liebenfels. As organizações deixaram de existir antes de 1939.
Separação do movimento de libertação dos homens thumb|upright|Warren Farrell, um defensor do movimento dos direitos dos homens
O movimento moderno dos direitos dos homens emergiu do movimento de libertação dos homens, que surgiu na primeira metade da década de 1970, quando estudiosos começaram a estudar as ideias e políticas feministas. Esses estudiosos reconheceram o poder institucional dos homens enquanto examinavam criticamente as consequências da masculinidade hegemônica, acreditando que tanto homens quanto mulheres sofriam em uma sociedade patriarcal. O movimento de libertação dos homens era liderado por psicólogos que argumentavam que a feminilidade e a masculinidade eram comportamentos socialmente construídos e não o resultado de genes. Eles tentavam equilibrar as duas ideias: que os homens eram responsáveis por oprimir as mulheres, mas também eram oprimidos por si mesmos devido aos papéis de gênero restritivos.
Na metade da década de 1970, esse movimento passou a focar na opressão dos homens e menos nos efeitos do sexismo sobre as mulheres. No final dos anos 1970, o movimento dividiu-se em duas vertentes opostas: o movimento dos homens pró-feministas e o movimento dos direitos dos homens antifeminista, que vê os homens como um grupo oprimido.
Na década de 1980, o movimento dos direitos dos homens passou a focar apenas nas maneiras pelas quais os papéis sexuais discriminavam os homens, em vez da opressão que causava em ambos os gêneros. O autor Herb Goldberg afirmou que os EUA eram uma "sociedade matriarcal" porque as mulheres têm o poder de transgredir os papéis de gênero e assumir papéis masculinos e femininos, enquanto os homens permanecem restritos ao papel puramente masculino. Reneé Blank e Sandra Slipp, em 1994, compilaram os testemunhos de homens que acreditavam ser vítimas de discriminação com base em seu sexo e raça. Isso ocorreu em uma época em que as mulheres ingressavam no mercado de trabalho e assumiam posições de gerência.
Uma grande preocupação do movimento dos direitos dos homens tem sido a questão dos direitos dos pais. Nas décadas de 1980 e 1990, os ativistas dos direitos dos homens se opuseram às mudanças sociais defendidas pelas feministas e defenderam a ordem de gênero patriarcal na família, nas escolas e no ambiente de trabalho. O sociólogo Michael Kimmel afirma que as críticas iniciais aos papéis de gênero "transformaram-se numa celebração de tudo que é masculino e numa quase obsessão com o próprio papel masculino tradicional".
Organizações
Uma das primeiras grandes organizações de direitos dos homens foi a Coalition of American Divorce Reform Elements, fundada por Richard Doyle em 1971, da qual a Men's Rights Association se desprendeu em 1973. A Free Men Inc. foi fundada em 1977 em Columbia, Maryland, dando origem a vários capítulos nos anos seguintes, que eventualmente se fundiram para formar a National Coalition of Free Men (conhecida, desde 2008, como National Coalition for Men). A Men's Rights, Inc. também foi formada em 1977,
; a Organização Nacional para Homens foi fundada em 1983, e a Fathers and Families foi constituída em 1994. No Reino Unido, um grupo dos direitos dos homens, autodenominado UK Men's Movement, começou a se organizar no início dos anos 1990. A Save Indian Family Foundation (SIFF) foi fundada em 2005 e, em 2010, afirmava ter mais de 30.000 membros.thumb|Protesto em Nova Delhi pelos direitos dos homens organizado pela Save Indian Family Foundation.
Grupos dos direitos dos homens se formaram em alguns países europeus durante períodos de mudança rumo ao conservadorismo e políticas que apoiam relações familiares e de gênero patriarcais. Nos Estados Unidos, o movimento dos direitos dos homens tem vínculos ideológicos com o neoconservadorismo. Ativistas dos direitos dos homens receberam apoio de lobbying de organizações conservadoras e seus argumentos foram amplamente divulgados na mídia neoconservadora.
Partidos políticos marginais que se concentram nos direitos dos homens foram formados, incluindo – mas não se limitando a – o australiano Non-Custodial Parents Party (Equal Parenting), o israelense Man's Rights in the Family Party, e o partido Justiça para Homens e Meninos no Reino Unido.
Presença online
O movimento dos direitos dos homens tornou-se mais vocal e organizado com o desenvolvimento da Internet, onde os ativistas tendem a se congregar. Os sites e fóruns dos direitos dos homens proliferaram na manosfera online.
Embora alguns desses grupos mantenham relações adversariais entre si, tendem a ser unidos em sua misoginia, na promoção da masculinidade e na oposição ao feminismo.
Os defensores dos direitos dos homens frequentemente utilizam a metáfora da pílula vermelha e pílula azul do filme The Matrix para se identificarem online; aqueles que aceitam a ideia de que os homens são as vítimas oprimidas de uma sociedade misândrica são ditos como tendo "tomado a pílula vermelha". O site de Paul Elam, A Voice for Men (AVFM), funciona como um ponto central de discussão e organização das questões dos direitos dos homens. Outros sites dedicados aos direitos dos homens são o Fathers Rights Foundation e o MGTOW.com (Homens Seguindo seu Próprio Caminho),
além de diversos fóruns no Reddit como o /r/MensRights e o /r/TheRedPill. Ideologia Muitos estudiosos consideram o movimento dos direitos dos homens uma reação ou como contramovimento em relação ao feminismo. O movimento dos direitos dos homens, em geral, incorpora pontos de vista que rejeitam as ideias feministas e pró-feministas. Os ativistas dos direitos dos homens afirmam que o feminismo ultrapassou seus objetivos originais e agora prejudica os homens. Os MRAs acreditam que os homens são vítimas do feminismo e das influências feminilizadoras na sociedade, e que entidades como as instituições públicas agora discriminam os homens.
Ativistas dos direitos dos homens argumentam que a sociedade historicamente beneficiou as mulheres e a feminilidade em detrimento dos homens – uma ideia denominada gincocentrismo. Os MRAs afirmam que o patriarcado é um mito feminista e que o feminismo cria vantagens injustas para as mulheres, fazendo com que os homens se tornem um grupo desfavorecido. Eles argumentam que os homens não são apenas oprimidos, mas também degradados e vilipendiados; essa ideia de misandria – ou ódio aos homens – é comumente usada pelos MRAs para refutar as acusações feministas de misoginia. O feminismo é retratado como tendo se degenerado de seu propósito original, que era ser um movimento por igualdade básica, para se tornar um instrumento de mulheres vindicativas e irracionais para adquirir poder e expressar seu ódio aos homens.
Os ativistas dos direitos dos homens contestam que os homens, como grupo, possuam poder institucional e privilegio masculino e acreditam que os homens são vitimizados em relação às mulheres, inclusive em relação a questões consideradas feministas, como violência doméstica, pornografia, prostituição e sexismo na mídia. O movimento está dividido entre aqueles que consideram o sexismo igualmente prejudicial para homens e mulheres e aqueles que veem os homens como desfavorecidos em relação às mulheres, que se beneficiariam do "privilegio feminino".
Grupos dos direitos dos homens geralmente rejeitam a noção de que o feminismo se interessa pelos problemas dos homens, e alguns ativistas dos direitos dos homens chegaram a ver o movimento feminino como uma conspiração para ocultar deliberadamente a discriminação contra os homens e promover o gincocentrismo.
Warren Farrell e Herb Goldberg argumentam que as mulheres detêm o verdadeiro poder na sociedade por meio de seus papéis como principais cuidadoras de filhos, e que o poder masculino é uma ilusão.
O sociólogo Michael Messner afirma que o movimento inicial dos direitos dos homens "apropria-se da linguagem simétrica dos papéis sexuais" empregada primeiro pelas feministas, o que implica um equilíbrio falso do poder institucional entre homens e mulheres. O estudioso de masculinidades Jonathan A. Allan descreveu o movimento dos direitos dos homens como um movimento reacionário definido por sua oposição às mulheres e ao feminismo, mas que ainda não formulou suas próprias teorias e metodologias fora do antifeminismo. Tópicos Os defensores dos direitos dos homens se preocupam com uma ampla variedade de questões, algumas das quais deram origem a seus próprios grupos ou movimentos, como o movimento dos direitos dos pais, preocupado especificamente com questões de divórcio e custódia de filhos. Alguns – se não todas – as questões dos direitos dos homens derivam dos papéis de gênero e, segundo o sociólogo Allan G. Johnson, do patriarcado.
Adoção