Milton Machado Mourão (Bom Sucesso, 8 de janeiro 1920 - 9 de dezembro de 2012) foi um médico pioneiro da endoscopia no estado de Minas Gerais. Ele foi responsável por introduzir o gastroscópio semiflexível no Brasil, precursor do endoscópio moderno, revolucionando os diagnósticos gastroenterológicos no país.
Biografia Desde cedo, demonstrou interesse pela medicina, concluindo o ensino secundário em São João del Rei antes de se mudar para Belo Horizonte para cursar a Faculdade de Medicina.
Após a graduação, especializou-se nos Estados Unidos, e atuou, inicialmente, nos hospitais Sea View, em Nova York, e White Memorial, em Los Angeles. Neste período, trabalhou diretamente com Rudolf Schindler, considerado o "pai da gastroscopia moderna" por ter desenvolvido o primeiro gastroscópio semiflexível, instrumento que revolucionou os diagnósticos e tratamentos gastroenterológicos. Milton tornou-se o primeiro assistente dele, após a saída de Peter Salisbury, que abriu seu próprio consultório em Hollywood.
Durante sua colaboração com Schindler, Milton escreve artigos com o médico alemão. Sua experiência internacional permitiu que ele dominasse técnicas inovadoras que, anos depois, ajudariam a transformar o cenário da gastroenterologia no Brasil.
A relação entre os médicos se torna estreita a ponto de, em 1958, Schindler aceitar o convite de Milton Mourão para vir ao Brasil integrar o corpo docente da Universidade de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O alemão aceitou o convite e lecionou na instituição por dois anos, período em que aprimorou seu domínio do português e contribuiu para a disseminação da gastroenterologia no Brasil. No entanto, precisou retornar aos Estados Unidos em 1960 devido ao agravamento da saúde de sua esposa, Gabriele.
Paralelamente a sua atuação na medicina, Mourão consolidava sua vida pessoal. Em 23 de dezembro de 1950, Milton Mourão casou-se com Gilda Falci, enfermeira e instrumentista do Hospital São José, filha da Antonio Falci, da Casa Falci. Gilda teve papel fundamental no apoio das iniciativas do marido, incluindo a construção do Hospital Santa Mônica e na sua atuação como integrante e presidente do Conselho do América Futebol Clube.
O casal estabeleceu residência em Belo Horizonte, em uma casa modernista projetada pelos arquitetos Walter Machado, Jefferson Lodi e Suzy de Mello. Localizada na Avenida Bias Fortes, a residência preserva o estilo da época, caracterizado por teto abobadado e integração entre os espaços. Foi nesse lar que criaram seus sete filhos.
Em 1957, Milton Mourão idealizou e fundou o Hospital Santa Mônica, atualmente conhecido como Hospital Belo Horizonte. Como diretor presidente entre o começo de 1957 e o final de 1971 e posteriormente chefe do Departamento de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva até 1977, ele consolidou sua influência na medicina mineira. Seu trabalho foi amplamente reconhecido. Em 1990, recebeu uma homenagem no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sendo reconhecido como o "Primeiro Endoscopista Gástrico do Brasil", por iniciativa do cirurgião Daher Cutait.
Além de sua destacada atuação na medicina, Milton Mourão também deixou sua marca no América MG, onde exerceu a função de Presidente do Conselho Deliberativo na década de 1970. Permaneceu ativo no clube até o seu falecimento em 2012. Foi, também, eleito membro honorário da Academia Mineira de Medicina e recebeu os títulos de Cidadão Honorário de Belo Horizonte (2001) e Cidadão Honorário de Coronel Xavier Chaves (2010), em reconhecimento à sua contribuição para a saúde e o desenvolvimento comunitário em Minas Gerais.
Categoria:Naturais de Bom Sucesso (Minas Gerais) Categoria:Médicos brasileiros do século XX