O Athletic Club, popularmente conhecido como Athletic Bilbao ou simplesmente Athletic, é um clube de futebol profissional espanhol da cidade de Bilbau, País Basco. Compete na La Liga, a primeira divisão do sistema de ligas da Espanha, competição na qual tem oito títulos de campeão. O clube também tem vinte e quatro títulos de campeão da Copa Del Rey, a segunda competição espanhola em importância. Manda os seus jogos no estádio San Mamés, para mais de 53.000 espectadores. Fundado no dia 18 de julho de 1898. Pertence ao seleto grupos de clubes espanhóis que nunca foram rebaixados da La Liga, juntamente com Real Madrid e FC Barcelona.

O clube é conhecido como símbolo da identidade basca, por não contratar atletas não nascidos, não desenvolvidos ou sem ascendência no País Basco - compreendendo-se tanto a subdivisão espanhola denominada Comunidade Autónoma do País Basco como as subdivisões espanholas vizinhas da Navarra, também considerada uma região basca, e de La Rioja, parcialmente reconhecida como basca; bem como o chamado País Basco francês.HOFMAN, Gustavo (dezembro de 2008). Os forasteiros de San Mamés. Trivela n. 34. Trivela Comunicações, pp. 56-57 Nem sempre o Athletic admitiu somente jogadores bascos, uma vez que foi fundado por britânicos - daí o seu nome em inglês.

Durante a ditadura de Francisco Franco, que proibia o uso oficial de outra língua que não a castelhana na Espanha, o clube foi obrigado a mudar de nome para "Club Atlético de Bilbao". Como reação à opressão franquista, desenvolveu-se como representante do nacionalismo basco. O nome original, em inglês, voltou a ser utilizado imediatamente após o fim da proibição, depois da morte de Franco.

O mascote do clube é um leão. O clube também originou o Atlético de Madrid, que surgiu como uma filial da equipe basca na capital espanhola - daí também a similaridade nos nomes, escudos e camisas (com listras verticais alvirrubras).

História thumb|direita|220px|O time campeão da primeira Copa do Rei, em 1903. Na época, o Athletic ainda era alviazul. A equipe foi fundada por britânicos estabelecidos em Bilbau em virtude da industrialização da cidade - daí o nome em inglês do time - e por jovens da elite bilbaína que haviam voltado dos estudos na Grã-Bretanha.

A regra para apenas bascos surgiu como resposta às reclamações dos rivais Unión Ciclista de San Sebastián (atual Real Sociedad), Basconia e Racing de Irún (atual Real Irun), que só utilizavam jogadores da região e queixavam-se da presença britânica nas escalações do Athletic.

Antes de 1911, quando a regra para a exclusividade basca passou a existir, o Athletic chegou teve diversos jogadores não-espanhóis, especialmente britânicos. Alguns, inclusive, foram fundadores do time, dentre eles um avô de John Robert Mills, nascido em Vigo, na Galiza, filho de um inglês com uma basca e radicado desde 1969 no Brasil - onde destacou-se como historiador do SPAC e de Charles Miller, sem deixar de torcer com familiares pelo Athletic.

Em 2024, conquistou sua 24.ª Copa del Rey depois de vencer o Mallorca nos pênaltis na final.

Símbolos Escudo O distintivo dos Leones procurou fazer referências a significativos ícones de Bilbau e da região basca: nele estão contidos imagens referentes à Árvore de Guernica, que sobreviveu aos bombardeios de alemãs e italianos na cidade em meio à Guerra Civil Espanhola; à Igreja de Santo Antão; e à Ponte de mesmo nome, atravessada pelo rio Nervión, conhecido como estuário Bilbau em seu trecho final.

Cores e uniforme O primeiro uniforme do time era alviazul: camisa divida ao meio em azul e branco, com calças e meias azuis. Era o uniforme do Blackburn Rovers, então o time mais vezes campeão da Copa da Inglaterra, recorde que só perderia depois da Primeira Guerra Mundial.O torneio mais antigo do planeta (2004). Anuário Placar 2003. São Paulo: Editora Abril, pp. 500-501

Em 1909, o encarregado de trazer ao Athletic os uniformes do Rovers não pôde fazê-lo. A viagem de regresso naval se daria a partir do porto da cidade de Southampton, levando o emissário ao improviso de levar no lugar os uniformes do clube dessa cidade: camisas com listras verticais alvirrubras e calças e meias na cor preta, desde então adotadas pelo Athletic. Curiosamente, a diferença entre as vestimentas dos bilbaínos com as do Atlético de Madrid (então Athletic Club de Madrid) surgiram aí: embora também adotasse a camisa alvirrubra do Southampton, a então filial madrilenha manteve os calções e meias azuis do Blackburn.

O Athletic foi uma das últimas grandes equipes a não possuir o logotipo de um patrocinador em seu uniforme. Em julho de 2008, entretanto, passou a estampar o logo da petrolífera Petronor, o que rendeu muita polêmica mesmo a empresa sendo da região basca. Antes, durante a temporada 2004-05, em sua participacão na Copa da UEFA, os uniformes chegaram a carregar a marca do Governo Basco, com a mensagem "Euskadi", que significa "Pátria Basca". A estampa na época não carregou a mesma polêmica, por ser em prol da região, em um apelo ao turismo no local.ESPINA, Ricardo (setembro de 2008). Tradição quebrada. Trivela n. 31. Trivela Comunicações, p. 10 Em maio de 2011, estreou seu novo segundo uniforme, nas cores da Ikurriña (a bandeira do País Basco), com o verde predominante.El 'verde Athletic' salta al campo, Elcorreo

Orgulho basco O Athletic é famoso por seu estatuto a restringir jogadores. O embrião da regra surgiu em 1911 e era bem mais rígido: por um tempo, foram aceitos apenas atletas da província de Biscaia; O estopim teria sido o uso, na Copa del Rey daquele ano, de britânicos que não residiam há tempo suficiente na Espanha.ITURRIAGA, Ángel (2017). MARTYNS. Diccionario de jugadores del Athletic Club. Logroño: Editorial Siníndice, p. 169ITURRIAGA, Ángel (2017). SLOOP. Diccionario de jugadores del Athletic Club. Logroño: Editorial Siníndice, p. 69 O Athletic até então costumava reforçar-se com futebolistas ingleses amadores, atraídos pela possibilidade de serem pagos para atuar por poucas semanas nas instâncias decisivas do torneio. Em 1911, a reclamação formal aberta pelos adversários acabou limitando a uma única partida os britânicos Hesloop e Martyns, ao passo que Andrew Veitch teve sua continuidade tolerada por já ter integrado o elenco vencedor da edição de 1910. Veitch seguiria jogando pelo Athletic até 1912 e se tornou o último inglês a jogar pelo clube.

Mesmo no início das restrições, o clube admitia biscaínos com origens estrangeiras. Foi o caso notadamente de Smith, campeão daquela Copa do Rei de 1911; ele nasceu na própria Bilbau como mestiço de bascos e ingleses - seu nome completo era Alejandro María Juan Francisco Smith Ybarra e dois irmãos seus trabalharam na arquitetura inicial do estádio de San Mamés, aberto em 1913.ITURRIAGA, Ángel (2017). SMITH. Diccionario de jugadores del Athletic Club. Logroño: Editorial Siníndice, p. 217 posteriormente, passou-se a aceitar jogadores de províncias bascas vizinhas. Um novo abrandamento veio mais tarde, com o clube admitindo estrangeiros desde que possuíssem origens bascas, como Vicente Biurrun, filho de bascos e nascido no Brasil.

Atualmente, o Athletic aceita jogadores sem ancestralidade basca, espanhóis ou não, porém precisam ter sido educados na cultura basca ou formados em clubes bascos. Nem sempre, contudo, essas mudanças foram progressivamente abrangentes: após ter se reforçado com nascidos até mesmo no exterior entre as décadas de 1920 e de 1940, em meados da década de 1950 o Athletic chegou a novamente restringir-se somente a quem houvesse nascido na província de Biscaia, empecilho para que aceitasse Miguel Jones, potencial primeiro negro dos Leones; embora crescido em Bilbau desde os cinco anos de idade, ele nascera na Guiné Equatorial, então Guiné Espanhola. Passou um mês sob treinamentos em 1956 e, embora aprovado pelo treinador Ferdinand Daučík, ainda relembrava em 2011 que "aquela era uma etapa muito distinta da atual. Os jogadores do Athletic não tinham que ser do País Basco. Tinham que ser biscaínos".

Nunca houve mesma restrição a treinadores: o próprio Daučík era eslovaco. Além de espanhóis não-bascos como Luis Fernández (naturalizado francês) e Ernesto Valverde, o Athletic teve técnicos até mesmo húngaros (Lippo Hertzka, década de 1920), brasileiros (Martim Francisco, também na de 1950), austríacos (Helmut Senekowitsch, na de 1970), alemães (Jupp Heynckes, na de 1990), sérvios (Milorad Pavić e Dragoslav Milorad Stepanivić, respectivamente na de 1960 e de 1990) e argentinos (Marcelo Bielsa e Eduardo Berizzo, ambos na década de 2010). Treinadores britânicos, comuns nos primórdios, continuaram utilizados ao longo do século XX: Frederick Pentland e Ralph Kirby na década de 1920, William Garbutt e Henry John Bagge na década de 1940, Ronnie Allen na de 1960 e Howard Kendall na de 1980.

Quanto a jogadores, o novo relaxamento gradual da restrição permitiu que alguns não-nascidos nas províncias bascas defendessem o time caso fossem criados na região, a exemplo de Ernesto Valverde.ITURRIAGA, Ángel (2017). VALVERDE. Diccionario de jugadores del Athletic Club. Logroño: Editorial Siníndice, p. 239 Alguns deles, como Luis de la Fuente e Santiago Ezquerro, são nascidos na província de La Rioja, por vezes considerada como basca, embora não unanimemente. Na via inversa, também propiciou que nascidos na região, mas com origens em outras partes da Espanha, jogassem pelo Athletic. Um exemplo é o de Javier Clemente, nascido na cidade basca de Barakaldo, mas filho de migrantes espanhóis não-bascos. Ele veio a assimilar-se como culturalmente basco ao crescer sob a influência do nacionalismo local e tornou-se ícone do Athletic como jogador e, sobretudo, como treinador, função na qual comandou elenco que encerrou em 1983 um considerável jejum de 27 anos em La Liga - na até então mais longa sequência sem títulos do clube nessa competição. Posteriormente, veio a treinar a própria seleção basca.

O relaxamento também permitiu que jogadores sem origens nem mesmo espanholas jogassem pelo Athletic, desde que nascidos na região ou criados na cultura basca: em 2015, Iñaki Williams, filho de pai ganês, mãe liberiana e nascido em Bilbau, tornou-se o primeiro negro a marcar um gol pelo Athletic. Recebeu um nome basco dos pais em retribuição ao acolhimento que sentiram e, em referência a ele, o presidente do Partido Nacionalista Basco declarou que "prefiro um negro que fale basco a um branco que o ignore".MIRANDA, Jéssica (2007). Euskal harrotasuna. Corner n. 4. São Paulo: Editora Corner, pp. 62-63 Antes de Williams, a equipe já havia integrado um afro, em 2009 - Jonás Ramalho, natural de Barakaldo e mestiço de mãe basca e de pai angolano. Em 2019, foi contratado Kenan Kodro, jogador da seleção bósnia nascido e criado no País Basco enquanto seu pai, Meho Kodro, defendia exatamente a rival Real Sociedad, clube de formação da contratação. Posteriormente, foi promovido Nico Williams, irmão de Iñaki e nascido em Pamplona, na região basca da Navarra, onde os irmãos se criaram. Como jogador do clube, Nico venceu a Eurocopa 2024, marcando o primeiro gol da final, e a Copa do Mundo FIFA de 2026, na qual forneceu assistência para o gol do título.