Amilcar Baiardi (Salvador, 1941) é um pesquisador, engenheiro agrônomo, DSc em economia e professor universitário brasileiro, natural de Salvador,Bahia. Destaca-se por sua produção acadêmica nas áreas de ciência, tecnologia e desenvolvimento rural, com forte atuação em políticas públicas, história das ciências e sociologia rural. Também é reconhecido por sua militância política durante o período de governos militares no Brasil, sendo um dos depoentes da Comissão Nacional da Verdade.

Formação acadêmica Graduou-se em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Realizou pós-graduação ''stricto sensu'' em Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural no Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas da OEA, em Bogotá (Colômbia). Obteve o título de mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e concluiu doutorado em Economia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com a tese "Inovação Tecnológica e Trabalho Assalariado na Agricultura Brasileira", sob orientação de Tamás Szmrecsányi. Realizou pós-doutorado em História das Ciências no Istituto e Museo di Storia della Scienza, em Florença (Itália).

Carreira acadêmica Foi pesquisador do Departamento de Economia Rural do Ministério da Agricultura, da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz da USP, do Departamento de Estudos e Pesquiss, DEP, da FINEP e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, CEPED, SEPLAN/BA. Como professor de ensino superior foi titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), além de professor colaborador em diversas instituições. Atualmente é professor da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), atuando nos programas de pós-graduação em Território, Ambiente e Sociedade. Também é professor colaborador nos programas de Ensino, Filosofia e História da Ciência da UFBA e da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), bem como no Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (PROFNIT). Lecionou como professor visitante na Universidade de Bolonha (Itália), Universidade de Aarhus (Dinamarca), e na Univerzita Palackého (República Tcheca), sendo ainda orientador na Universitat de Barcelona e na Università di Bologna. Foi bolsista de produtividade do CNPq entre 1987 e 2013, tendo atingido o nível de pesquisador I. Recebeu bolsa da CAPES (PVSN) em 2018-2019 junto à Universidade Federal Rural de Pernambuco. Coordena projetos de pesquisa sobre ciência, tecnologia e território, história das ciências agrárias, biotecnologia e desenvolvimento regional. Participa de comitês avaliadores da CAPES e de conselhos científicos de diversas sociedades nacionais e internacionais.

Produção científica e atuação profissional Possui mais de 600 publicações científicas de todos os tipos (artigos em periódicos, livros, capítulos de livros, trabalhos em eventos, artigos de divulgação científica etc. e dezenas de orientações de dissertações e teses em nível de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Parte significativa de sua produção está disponível na plataforma Academia.edu e no Google Acadêmico . Entre suas áreas de pesquisa estão:

Inovação tecnológica e impactos socioeconômicos; Políticas públicas e economia da tecnologia; História das ciências e história das ciências agrárias; Desenvolvimentos rural e territorial.

Foi consultor de instituições como a Superintendencia de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Fundação Joaquim Nabuco, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Coordenou e participou de estudos como o Plano de Desenvolvimento Regional da SUDENE, o projeto Biomas – Caatinga, e análises sobre o ICMS Ecológico na área de influência da Ferrovia Oeste-Leste.

Prêmios e distinções Prêmio Jabuti (1997), categoria Ciência e Tecnologia Membro titular fundador da Academia de Ciências da Bahia Membro da Academia Brasileira de Ciências Agronômicas; Membro legendário da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER)

Atuação política e memória Militante político nos anos 1960-70, Baiardi foi perseguido pela repressão política durante o regime militar e por seis vezes foi aprisionado, sendo que em uma delas permaneceu cumprindo pena por sentença da justiça militar. O renomado intelectual baiano Ildásio Tavares, em suas colunas no jornal Tribuna da Bahia, de 05/05 de 1998 e 23/06/1998, afirma que os interrogatórios aos quais foi submetido Amilcar Baiardi não levaram à prisão de nenhum militante/simpatizante dos movimentos que se opunham à didatuda. Segundo o Arquivo Público Nacional, Amilcar Baiardi foi monitordo pelo Serviço Nacional de Informação (SNI) de 1968 a 1987).  Em entrevista ao ''Jornal Grande Bahia'', relata a clandestinidade, a repressão às formas de organização estudantil e seu encontro com Dilma Rousseff e Carlos Araújo. Foi depoente da Comissão Milton Santos de Memória e Verdade da UFBA e da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, contribuindo com relatos sobre a atuação de grupos de resistência e a repressão sofrida por estudantes e professores.

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