O Gabinete Tirard II foi o ministério formado por uma coligação da Esquerda Radical, sob a liderança de Pierre Tirard, entre 23 de fevereiro de 1889 e 14 de março de 1890. Foi o 27º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Floquet e sucedido pelo Gabinete Freycinet IV.
Contexto O homem forte do novo governo era Ernest Constans, que retornou ao Ministério do Interior com o objetivo direto de acabar com o boulangismo - embora fosse desprezado pelo Presidente da República, Sadi Carnot, e por Pierre Tirard, além de possuir uma reputação comprovada de corrupção. Os radicais estão em minoria no governo e a extrema-esquerda tem apenas uma posição no Ministério das Obras Públicas. Além disso, o governo parecia fraco em sua formação, particularmente com o discurso de investidura de Tirard, que foi lido com voz fraca e sem substância. Este ministério foi formado no auge da crise boulangista.
Apesar da aparente fraqueza, o gabinete anunciou seu desejo de "garantir a manutenção da ordem jurídica e o respeito devido à República", uma mensagem clara contra os boulangistas. No final de março, o governo acelerou a ofensiva contra Georges Boulanger, processando seus aliados pelo crime de "sociedade secreta", enquanto uma campanha de difamação foi lançada contra o general. No final daquele mês, o Conselho de Ministros publicou uma nota oficial posicionando-se a favor do processo contra Boulanger. Rumores de prisões foram lançados e o general fugiu para a Bélgica em 1º de abril. O governo manteve a pressão sobre os boulangistas, prendendo vários membros do movimento, inclusive sob acusações falsas. Em 14 de agosto, eles foram condenados à deportação para um recinto fortificado.
O governo aproveitou a dispersão dos boulangistas para recuperar terreno, recuperando o espaço público por meio de uma política estatuária e arquitetônica, bem como pela Exposição Universal de 1889, que foi um verdadeiro sucesso, inaugurando a Torre Eiffel. Um banquete foi organizado para os prefeitos em agosto, reunindo quase 12 mil deles em Paris. Para as eleições legislativas vindouras, o ministro da Justiça pede aos promotores que não intervenham em assuntos políticos e que monitorem o clero para que ele faça o mesmo. A pressão administrativa só aumentou, com o gabinete enviando fortes instruções aos funcionários públicos. Por exemplo, os professores não precisariam ser imparciais e deveriam apoiar o governo. Os tesoureiros-gerais também são lembrados de que são servidores leais da República.
Com a realização das eleições legislativas, entre setembro e outubro de 1889, o boulangismo teve seu pior resultado desde o início do movimento, elegendo apenas 29 representantes, enquanto os monarquistas foram poupados da pressão do governo e a centro-esquerda e os moderados (ou oportunistas) saíram fortalecidos. Tirard queria se retirar em novembro, entendendo seu governo como apenas uma transição para derrotar os boulangistas, mas Carnot solicitou sua permanência até o fim do período eleitoral, por volta de janeiro de 1890. Contudo, assim que Ernest Constans renunciou, aproveitando o primeiro pretexto disponível para sair, o gabinete ficou abalado. Em 14 de março de 1890, após ter sido derrotado pelo Senado francês numa questão de política aduaneira com o Império Otomano, Pierre Tirard decidiu apresentar sua renúncia ao Presidente da República. No dia seguinte, o Presidente encarregou Charles de Freycinet de compor um novo ministério.
Composição
Presidente da República: Sadi Carnot Presidente do Conselho de Ministros: Pierre Tirard Ministro dos Estrangeiros: Eugène Spuller Ministro da Justiça e Cultos: Marius Thévenet Ministro do Interior: Ernest Constans (1889-1890); Léon Bourgeois (1890) Ministro da Guerra: Charles de Freycinet Ministro das Finanças: Maurice Rouvier Ministro da Marinha e Colônias: Benjamin Jaurès (1889); Jules François Émile Krantz (1889); Édouard Barbey (1889-1890) Ministro da Instrução Pública e Belas Artes: Armand Fallières Ministro das Obras Públicas: Yves Guyot Ministro da Agricultura: Léopold Faye Ministro do Comércio e Indústria: Pierre Tirard
Realizações
Proibição aos prefeitos de receber petições de trabalhadores socialistas; Dissolução da "Liga dos Patriotas", grupo de extrema-direita francês; Aprovação do fim da imunidade parlamentar para os deputados boulangistas; Reforma dos cursos de Direito da França; Demissão de vários prefeitos boulangistas;
Bibliografia
JOLY, Bertrand. Aux origines du populisme: histoire du boulangisme. Paris: CNRS Éditions, 2022.
Referências