A afasia (do grego ἀφασία, a (não / ausência) + fasia (falar), "sem fala") é um distúrbio na formulação e compreensão da linguagem. Uma alteração da função da linguagem, depois de ter sido adquirida de maneira normal e não causada por dificuldade intelectual. Também descrita como um distúrbio adquirido da linguagem causado por lesão cerebral que pode comprometer a leitura e a escrita, afetando significativamente a comunicação e a participação social do indivíduo.
Existe 3 fatores que determinam o tipo de afasia:
Fluência: Existem tipos de afasia no qual o paciente apresenta um discurso fluente, sem pausas nem alterações sintáticas, mas com paragramatismo, enquanto outras o paciente pode ter dificuldade de formar frases. Um exemplo disso é afasia transcortical motora; Compreensão: Existem tipos de afasia no qual o paciente consegue compreender o que é dito ou o que está escrito, enquanto outras o paciente não é capaz de entender o que é lido ou o que falam. Um exemplo disso é afasia transcortical sensorial; Repetição: Existem tipos de afasia que caracterizam na repetição no que é ouvido, enquanto outras o paciente não consegue repetir o que é dito. Um exemplo disso é a afasia de condução.
Nem todas as afasias são não fluentes, ou seja, existem pacientes (por exemplo com afasia de Wernicke) que apresentam um discurso fluente, sem pausas nem alterações sintácticas mas com paragramatismo.
Características Geralmente está relacionado a uma lesão ao lado esquerdo do cérebro em destros em áreas responsáveis pela compreensão da linguagem como a Área de Broca, Área de Wernicke, Giro supramarginal e Giro angular.
Caracteriza-se por dificuldade em se expressar verbalmente e compreender o que está sendo dito. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou "aquilo". Em alguns casos pode apresentar para um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da repetição da linguagem.
Causas thumb|Algumas áreas do cérebro envolvidas no processamento da linguagem:. Área de Broca (Azul), Área de Wernicke (Verde), Giro supramarginal (Amarelo), Giro angular (Laranja) , Córtex auditivo primário (Rosa)
Existem diversas possíveis causas para a afasia, dentre elas: Tumores cerebrais; Doenças degenerativas ou metabólicas; Lesão no Corpo caloso; Acidente Vascular Cerebral AVC (ou derrame); Doenças infecciosas (como a meningite); Acidentes com traumatismo cranioencefálico; Epilepsia; Uso de anti-dopaminérgicos. Malária cerebral. Traumatismo
Classificação As afasias são estudadas tanto pela neuropsicologia, pela medicina e pela linguística sendo o tratamento interdisciplinar.
A classificação das afasias faz-se através de provas de avaliação específica que avaliam normalmente a fluência do discurso, a capacidade de compreensão, repetição e nomeação. Estas alterações podem ocorrer ao nível fonético, sintático, semântico ou pragmático do processamento da linguagem. O clínico especialista na terapia com pacientes afásicos é o terapeuta da fala, ou fonoaudiólogo.
Segundo a neuropsicologia, distinguem-se dois grandes grupos de afasias, cada uma das suas variedades referindo-se a lesões cerebrais de localização precisa: o grupo das afasias de expressão e o grupo das afasias sensoriais ou de recepção.
Segundo a neuropsicologia, além da classificação das afasias em afasia fluente ou não fluente, podemos classificá-las em:
• Afasia de Expressão (motora, não fluente) caracteriza-se na dificuldade em produzir fala enquanto a compreensão da linguagem é pouco afetada. A fala do paciente geralmente é lenta e fragmentada. Embora o indivíduo saiba o que deseja comunicar, tem grandes dificuldades para expressar por meio da fala e da escrita.
• Afasia de recepção (sensorial, fluente): caracteriza-se pela dificuldade em compreender a linguagem, embora o paciente seja capaz de produzir fala. No entanto, a fala do paciente geralmente faz sentido apenas para o próprio paciente, sendo incompreensível para os outros.
As afasias de expressão compreendem essencialmente:
Afasia de Broca: Afasia causada por lesão ou danos na área de Broca, região descoberta por Paul Broca (1861), que desempenha papel fundamental na fala e na imitação e está localizada no hemisfério esquerdo do cérebro, este tipo de afasia se caracteriza por uma perturbação da expressão oral e escrita (dificuldade ou incapacidade de articular um discurso, de produzir linguagem eficientemente) e por uma alteração ligeira a moderada da compreensão que tende a melhorar. A característica marcante dessa afasia é discurso hesitante, tendência a repetir frases ou palavras, sintaxe e gramática desordenadas porém com compreensão verbal preservada em alto grau e estrutura desordenada de palavras individuais.
Afasia de Condução: Grande espectro de lesões que acometem as áreas subcorticais, principalmente o fascículo arqueado, que conecta as áreas de Broca (áreas 44 e 45 de Brodmann) e de Wernicke (Área 22). Causa dificuldade de propor respostas adequadas, embora a compreensão esteja pouco alterada. O sintoma principal é uma alteração do sistema fonológico que se exprime com prejuízo da repetição, da escrita quando ditada e da leitura em voz alta, da reprodução de ritmos e pela presença de parafasias na linguagem espontânea.
Afasia sensorial (receptiva) e Afasia de Wernicke: Causada por uma lesão na área de Wernicke, região responsável pela compreensão da fala descoberta no hemisfério esquerdo pelo neurologista alemão Carl Wernicke,são afasias fluentes, caracterizam-se por uma perturbação da compreensão do discurso, embora a fala esteja fluente, com poucas repetições espontâneas, havendo porém um uso não adequado das palavras. Afasia Anômica: É um distúrbio onde o paciente tem dificuldade em estabelecer a palavra correta para dizer ou escrever. A fala do indivíduo é fluente e gramaticalmente correta porém tem dificuldade de designar objetos dessa forma acabam usando palavras genéricas como “coisa” para se referir a um objeto ou descrever o objeto ao invés de falar o nome dele.É considerada uma forma de afasia comum e leve. Afasia Global: É um distúrbio no qual a pessoa não consegue falar e entender o que é dito. Além de não ser capaz de ler texto ou escrever. Afasia transcortical mista: É um distúrbio que consiste na “isolação” de áreas do cérebro (Broca, Werkicke e Fascículo Arqueado) de outras regiões, que são responsáveis pela produção e compreensão da fala, respectivamente, sendo ambas conectadas pelo fascículo arqueado, mas mantendo todas intactas. Com isso, o paciente não consegue falar ou escrever texto, além de compreender o que é dito ou lido, mas a capacidade de repetição é preservada. Afasia transcortical motora: É uma afasia resultante de um dano na parte anterior superior do lobo frontal no hemisfério responsável pela fala. O paciente acaba não conseguindo falar, mas sua capacidade de repetir e compreensão se mantém intacta. Afasia transcortical sensorial: É uma afasia que ocorre a partir de dano na região próxima da área de Wernicke, com isso, o paciente acaba conseguindo repetir e até falar frases que estejam estruturalmente corretas, mas não consegue compreender o que é dito, e portanto as respostas ficam desconexas. Afasia progressiva primária: É uma afasia de origem não lesional, sendo derivada de doenças neurodegenerativas. É caracterizada pela manifestação de linguagem alterada sem lesão que explique esse prejuízo. Ela é chamada de progressiva, pois piora com o agravamento ou aparecimento da doença.
Segundo o linguista Roman Jakobson, os distúrbios da fala podem afetar em graus diversos a capacidade de combinar e selecionar as unidades linguísticas.
Sintomas Os sintomas da afasia variam de acordo com a gravidade da lesão e do tipo de afasia porém uma lista não exaustiva de sintoma seria:
Discursos sem sentido: O paciente consegue pronunciar as palavras corretamente porém não há sentido no seu discurso e o paciente não tem ciência que sua fala é incompreensível para os outros (Sintoma da Afasia de Werneck). Dificuldade para falar: O paciente tem problemas para formar palavras ou frases completas. Dificuldade em encontrar palavras: O paciente sabe o que quer dizer, mas não encontra a palavra certa. Dificuldade em falar com a gramática correta Dificuldade em nomear objetos Prejuízo da repetição, da escrita quando ditada e da leitura em voz alta
Diagnóstico De acordo com o documento DSM-5 TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition), afasia - que é tratada como uma das possíveis causas de transtorno de fala - pode ser diagnosticado através dos seguintes critérios:
Dificuldade na compreensão e na comunicação; Habilidades linguísticas abaixo do que é esperado na idade atual; Os sintomas ocorrem no período inicial de desenvolvimento e; Dificuldades que não podem ser atribuídas a outra dificuldade sensitiva ou deficiência intelectual.
Existem alguns métodos para diagnosticar um paciente com afasia:
Testes Padronizada de Linguagem: São testes que auxiliam no diagnóstico da afasia geralmente é aplicado por fonoaudiólogos ou neuropsicólogos. A intenção do teste é identificar quais dos tipos de afasia o paciente possui, além da gravidade dos sintomas e determinar o quão cada aspectos específicos - como fala, compreensão, leitura ou escrita - estão afetados. O conteúdo dos testes geralmente está relacionado aos componentes linguísticos como compreensão e expressão, tanto oral como escrita, além de como a mensagem está sendo elaborada - se há sentido semântico, se a sintaxe está correta, e a complexidade da frase, da sentença e do discurso. Os testes são realizados para indicar o caminho para uma reabilitação eficaz. Existem alguns testes de avaliação de linguagem, alguns deles são: Boston Diagnostic Aphasia Examination (BDAE): Criado por Harold Goodglass e Edith Kaplan, em 1973, o BDAE é um conjunto de avaliações cuja intenção é verificar as possíveis perdas ocorridas após a lesão cerebral, como prejuízos de articulação, de fluência , as anomias, perdas de repetição, de fala encadeada, de gramática,de compreensão auditiva, de leitura oral e de compreensão da leitura.Após realizada esta bateria de testes o BDAE classifica o tipo de afasia desenvolvida. Western Aphasia Battery (WAB): Criado pelo Kertesz em 1979, e baseado no Boston Diagnostic Aphasia Examination (BDAE), o objetivo é examinar habilidades linguísticas (como fluência, leitura, conteúdo, repetição, nomear e encontra palabra) e não linguísticas (como desenhar e calcular) com o fim de determinar quais dos 8 tipos de afasia o paciente possui; Teste de Montreal-Toulouse de Avaliação da Linguagem (MTL): Criado em 1986, esse teste efetuada uma avaliação de componentes linguísticos, além de praxias verbais e não verbais, manipulação de objetos, identificação de partes do corpo, orientação espacial direita/esquerda e competências aritméticas.Nacionalmente, conhecido como Beta -86, foi traduzido para a sua versão em portugues na década de 80. Boston Naming Test: Criado em 2001 pelo Goodglass, Kaplan e Barresi, esse teste avalia a nomeação de objetos. A partir de uma lista de 60 itens, o examinador, começando com o 30º item, deve pedir para o paciente identificar o item, se ele não conseguir em 20 segundos, uma dica que consiste no primeiro fonema da palavra deve ser dado. Token Test: Criado em 1962 e posteriormente modificado em 1978 pelo Faglioni e De Renzi, esse teste avalia a compreensão da linguagem através de comandos progressivamente mais complexos. Normalmente consiste de 20 peças de plasticos de 2 tamanhos diferentes (grande e pequeno), duas formas (retangular e redonda) e 5 cores, e o paciente precisa executar cada comando utilizado essas peças.