Amerzone (também conhecido como Amerzone: The Explorer's Legacy, ) é um jogo eletrônico de aventura gráfica em primeira pessoa com elementos de ficção fantástica, publicado pela Microïds e desenvolvido por Benoît Sokal, que o baseou na história em quadrinhos L'Amerzone, publicada em 1986 como parte da série Inspector Canardo. O jogo foi lançado originalmente em 1999 para Microsoft Windows, Mac OS Classic e PlayStation, e relançado para iOS e Android em 2014 pela Anuman Interactive, empresa que adquiriu a Microïds em 2009. Um remake foi lançado em 24 de abril de 2025.

Assim como na HQ, o jogo narra a história do explorador francês Alexandre Valembois, que realiza uma expedição a um país fictício da América do Sul chamado Amerzone. Lá, ele descobre diversos animais fantásticos, incluindo uma espécie de aves brancas mágicas que dependem da intervenção humana para sobreviver. Essas criaturas se tornam ameaçadas quando um antigo amigo de Valembois transforma Amerzone em uma brutal ditadura, e o explorador parte em uma missão para salvá-las. No jogo, o jogador assume o papel de um jornalista que continua a missão de Valembois enquanto ele se encontra à beira da morte.

Amerzone recebeu críticas geralmente positivas. Foi elogiado por sua atmosfera e visual, que críticos descreveram como poéticos e oníricos; enquanto as críticas se concentraram no som, nos controles e no nível de dificuldade. Comercialmente, o jogo foi um sucesso, vendendo mais de 1 milhão de cópias em seu lançamento original. O cenário do jogo viria a se tornar a base da série Syberia e inspirou o nome da desenvolvedora cofundada por Sokal, a White Birds Productions.

Sinopse Ambientação thumb|left|Uma ilustração do jogo mostrando o ventousier. Os animais em Amerzone combinam traços fantásticos com criaturas da vida real O mundo de Amerzone entrelaça fatos e ficção. "Amerzone" é o nome de uma região fictícia na América do Sul, assim como do grande rio que a atravessa. O nome e a floresta tropical exuberante que compõe a região remetem à floresta Amazônica real. Valembois vive em um farol na fictícia península de Langrevin, localizada na região da Bretanha.Conforme indicado em uma carta enviada a Valembois pelo museu, encontrada no farol

O jogo mergulha ainda mais na fantasia à medida que o jogador adentra a região do Amerzone. O país abriga diversas plantas e animais exóticos, retratados por meio de ilustrações em aquarela no diário de exploração de Valembois. A flora é composta majoritariamente por plantas herbáceas, como a Orcochi, semelhante a uma orquídea. Já os animais tendem a lembrar espécies reais, mas com alterações bizarras: o ventousier lembra um musaranho, mas seu focinho se ramifica em apêndices com ventosas; o rinopotamo parece uma mistura de rinoceronte com hipopótamo (possivelmente um parente com chifre do Toxodon); a girafa palmípede, semelhante a uma girafa com pés palmados (talvez um camelídeo), atravessa os pântanos com facilidade.

thumb|Os Pássaros Brancos conferem ao jogo seu caráter poético e onírico Os Pássaros Brancos são o principal ponto de enredo do jogo. Eles nascem sem pernas e, por isso, passam a vida inteira planando sobre as correntes térmicas que emergem de um grande vulcão, alimentando-se de insetos voadores.Como afirmado na carta que Valembois entrega ao jornalista Suas asas continuam crescendo mesmo após o corpo atingir seu tamanho final, tornando-se desproporcionalmente longas. A área de voo limitada ameaça sua sobrevivência, assim como seu peculiar método reprodutivo: a cada três anos, é posto um único ovo gigantesco contendo múltiplos embriões. No entanto, os vapores do vulcão adoecem naturalmente os ovos, fazendo com que nasçam Pássaros Negros. Somente uma tribo indígena local, os Ovo-volahos, conhece o ritual necessário para “curar” os ovos e permitir que eclodam como Pássaros Brancos. A maioria dos habitantes do Amerzone acredita que os Pássaros Brancos são apenas um mito.

Personagens O jornalista: Personagem do jogador; um protagonista silencioso sem nome, rosto ou identidade clara. Tudo o que se sabe é que foi designado por seu empregador, a Mondial Magazine,Manual de Amerzone para entrevistar Valembois sobre o Amerzone.

Alexandre Valembois (voz de Michel Barbey): Nascido em 1904,Conforme declarado no diário de Valembois estudou história natural em Paris. Fascinado pela biologia do Amerzone, participa de uma expedição científica ao país entre 1932 e 1934. Lá, conhece os Pássaros Brancos e se apaixona por Yékoumani, uma jovem nativa. Quando retorna com um dos ovos dos Pássaros Brancos, a comunidade científica desacredita sua descoberta. Após a Segunda Guerra Mundial, torna-se professor de lycée. Quando o personagem do jogador o encontra em 1998, ele está exausto e atormentado pelos erros do passado, e só pensa em devolver o ovo ao Amerzone.

Antonio Alvarez (voz de Marc Moro): Nativo do Amerzone, conhece Valembois em 1929 enquanto estudava direito. Amante de sua terra natal, acompanha Valembois na expedição e permanece no país após o retorno do amigo à Europa. Desejando modernizar o Amerzone, lidera um golpe de Estado e torna-se ditador. O patriota idealista transforma-se em um líder cínico, corrompido pelo poder, e leva o país à ruína.

David Mackowski (voz de Luc Gentil): Um jesuíta que também acompanha Valembois na expedição, igualmente fascinado pelo Amerzone. Tenta converter os nativos ao catolicismo, o que se revela um erro. Assim como Valembois, em 1998 está tomado pelo arrependimento e tristeza pelo que se tornou o Amerzone sob o governo de Alvarez.Segundo carta de Mackowski para Valembois, encontrada no farol

Enredo O jogo tem início em 1998, com a entrevista do jornalista a Alexandre Valembois, mas grande parte da trama é composta de retrospectiva da expedição de Valembois ao Amerzone entre 1932 e 1934.

1932–1934: A expedição de Valembois miniatura|esquerda|Arte conceitual da jovem indígena Yékoumani, interesse amoroso de Valembois Alexandre Valembois, entusiasta de zoologia, convence o Museu Nacional de História Natural de Paris a financiar uma expedição ao Amerzone, com o objetivo de estudar sua flora e fauna exóticas. O museu aprova o projeto em 1932, e Valembois desenvolve uma embarcação chamada Hydraflot para percorrer a região. Ele parte em 22 de outubro daquele ano,As datas apresentadas são inconsistentes: o diário de Valembois afirma que ele partiu em outubro de 1932, mas uma carta indica junho, e uma fotografia datada de julho de 1932 também é encontrada. Segundo o guia Amerzone: Strategies & Secrets (p. 40), a data de outubro é a oficial e as demais são erros. acompanhado de Antonio Alvarez e do jesuíta David Mackowski. Após um incidente com um cachalote, que danifica a Hydraflot, eles completam a viagem a bordo de um navio baleeiro peruano.

Chegam ao Amerzone no dia de Natal e seguem até o antigo posto comercial de Puebla. Valembois começa a registrar e estudar a fauna local. No dia de Ano Novo, ouve relatos sobre os Pássaros Brancos contados por Luis Angel, e decide investigar, apesar do ceticismo geral. Contrata Angel como guia, mas este o abandona em 18 de fevereiro. Quatro dias depois, encontra uma tribo nativa — os Ovo-volahos —, mas hesita em estabelecer contato. Naquela noite, adoece gravemente e é cuidado por Yékoumani, uma jovem da tribo. Com o tempo, os dois se aproximam, e após se recuperar, Valembois passa a desenvolver engenhocas para auxiliar os indígenas.

Em 1.º de junho, um jovem retorna das montanhas com um grande ovo de Pássaro Branco, provando sua existência. Valembois participa de um ritual para garantir que o ovo produza uma ave saudável. No dia seguinte, promete a Yékoumani que voltará e parte rumo às montanhas. Após cruzar um pântano e um templo antigo, chega ao habitat vulcânico das aves em 18 de junho. Movido pelo desejo de reconhecimento científico, rouba um ovo e retorna a Puebla, traindo Yékoumani e sua tribo.

Na França, porém, sua descoberta é desacreditada. O museu o demite e ele passa a dar aulas em um lycée. Mais tarde, retira-se para um farol na Bretanha, mergulhado em culpa e saudade. Enquanto isso, Alvarez assume o poder no Amerzone por meio de um golpe de Estado e instala uma ditadura. Sem apoio institucional, Valembois constrói uma nova Hydraflot para devolver o ovo ao Amerzone, mas se dá conta de que está velho e fraco demais para a jornada.

1998: O jornalista

Em 1998, o jornalista (controlado pelo jogador) visita Valembois para uma entrevista. À beira da morte, o velho confia ao repórter a missão de devolver o ovo ao Amerzone e salvar os Pássaros Brancos. Entrega a ele uma carta e seu diário de expedição, e o jornalista parte na nova e melhorada Hydraflot, equipada com disquetes que alteram sua configuraçãoSegundo Amerzone: Strategies & Secrets, os disquetes encontrados foram enviados previamente por Valembois ao Amerzone. e um gancho de tração.

Na rota, o jornalista para para abastecer na mesma ilha onde Valembois enfrentou o cachalote. Um dispositivo sônico repele os animais, mas um deles se enreda em uma rede. O jornalista o liberta e encontra um disquete que transforma a Hydraflot em um helicóptero. Em Puebla, agora militarizada, encontra o envelhecido Mackowski, que revela que Yékoumani suicidou-se em 1935. Antes que possa ajudar, Mackowski é assassinado por ordem de Alvarez, e o jornalista é preso. Após escapar, ele segue rio acima.

Durante a jornada, encontra diversas espécies mencionadas no diário de Valembois. Após uma colisão com um búfalo de três chifres, a Hydraflot fica inutilizada, restando apenas o gancho. Usando-o, alcança a aldeia dos Ovo-volahos, quase morrendo ao se prender em um rinopotamo. Na aldeia, o ovo é purificado, e o jornalista obtém um novo disquete. Utilizando uma engenhoca antiga, sobe uma cachoeira.

Chega ao pântano, onde perde a Hydraflot e o ovo. Encontra um apito em uma palafita, que o permite montar uma girafa palmípede até recuperar o ovo. Depois, escala uma árvore gigante, cruza uma ponte de corda e chega ao templo descrito por Valembois, onde confronta Alvarez, agora fraco e decadente. O jornalista então voa em um asa-delta até a cratera do vulcão, onde finalmente coloca o ovo. Ele choca e liberta os Pássaros Brancos, cumprindo o último desejo de Valembois.

Jogabilidade miniatura|direita|O jogador observa o cenário panorâmico pré-renderizado em uma típica tela de Amerzone Amerzone é um jogo de aventura em primeira pessoa no estilo point-and-click. O jogador navega por telas panorâmicas fixas, podendo girar a câmera para observar o ambiente ao redor. Elementos interativos podem ser acionados com cliques do mouse. Para avançar na história, é necessário resolver enigmas, que podem envolver conversas com personagens ou o uso de objetos coletados ao longo da jornada. Alguns itens não têm função direta na resolução de puzzles, mas ajudam a aprofundar a narrativa — como o diário do explorador e a carta de Valembois.

O jogo possui também um elemento de gerenciamento de recursos, centrado na Hydraflot: o jogador deve estar atento à coleta de combustível e disquetes, essenciais para manter o funcionamento do veículo.

A versão lançada para dispositivos móveis modificou alguns aspectos da jogabilidade. Foi incluído um sistema de dicas opcionais, destinado a auxiliar jogadores em dificuldade, e certos puzzles foram redesenhados para reduzir o deslocamento repetitivo entre áreas. Como os dispositivos iOS utilizam tela sensível ao toque, os controles foram adaptados: objetos interativos são destacados com ícones, e a câmera pode ser controlada inclinando-se o aparelho.

Desenvolvimento miniatura|esquerda|Amerzone é baseado em uma história em quadrinhos de 1986 criada por Benoît Sokal, retratado aqui autografando uma HQ em uma convenção em 2010.

Pré-produção