esquerda|miniaturadaimagem|208x208px|Separação do Coco Babaçu miniaturadaimagem|Quebradeira de Coco Babaçu O extrativismo do babaçu no povoado Coxo de Dentro remonta a décadas anteriores e sempre esteve associado ao trabalho feminino. O coco era coletado manualmente pelas mulheres da comunidade, que extraíam as amêndoas para consumo próprio ou para venda a pequenos comerciantes locais. Apesar de ser uma atividade fundamental para a subsistência das famílias, o trabalho era realizado de forma informal e sem reconhecimento institucional.SENA, Jaqueline Valois Rios et al. Ascensão social da mulher jacobinense: de quebradeiras de coco babaçu a empreendedoras. Universidade do Estado da Bahia – UNEB, 2012.

Embora o extrativismo do babaçu seja mais comum nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, ele também integra a cultura agrícola de algumas regiões da Bahia. A escassez de estudos sobre essa prática no estado contribuiu para a invisibilidade histórica das mulheres envolvidas na atividade.

Formação da Unidade de Beneficiamento miniaturadaimagem|234x234px|Artesanato a base de Coco Babaçu Em 2010, um grupo de moradoras do povoado, com o apoio da Associação Comunitária dos Moradores e Agricultores do Cocho de Dentro (ACMACD), iniciou a criação de um empreendimento coletivo para o beneficiamento do coco babaçu. Por meio de parcerias com instituições como a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e a empresa Yamana Gold, foram adquiridos maquinários e um veículo para escoamento da produção. A partir desse processo, surgiu a Unidade de Beneficiamento do Coco Babaçu (UBCB).

Com o novo modelo de organização, o coco passou a ser transformado em produtos como óleo, leite vegetal, carvão, sabão artesanal, cosméticos, biojoias, ração animal e alimentos. Esses itens foram comercializados sob a marca “Bahia Babaçu”, agregando valor à produção local e aumentando a renda das mulheres envolvidas.

Organização feminina e impacto social A gestão da unidade de beneficiamento passou a contar com atuação ativa das mulheres da comunidade, mesmo com baixa escolaridade formal. Elas assumiram funções administrativas, como secretarias e tesoureiras da associação local.

O projeto também teve impacto na autoestima e na inserção social das trabalhadoras. Muitas passaram a frequentar serviços públicos, participar de debates comunitários e ocupar espaços sociais antes pouco acessíveis. Mesmo com limitações técnicas, como o funcionamento irregular de equipamentos, a produção continua com o apoio de mutirões realizados aos fins de semana.PAIVA, Fabrícia Pereira de Brito. Catálogo de entrevistas: histórias de mulheres quebradeiras de coco babaçu da comunidade do Coxo de Dentro, em Jacobina-BA. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em História) – Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas – Campus IV, Jacobina, 2023.

Inserção em movimentos sociais As quebradeiras de coco do Coxo de Dentro não estão formalmente vinculadas ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), mas compartilham objetivos semelhantes, como a defesa dos direitos territoriais, a valorização do trabalho feminino e a preservação dos modos de vida tradicionais.

Importância ecológica e econômica A atividade extrativista na região também tem dimensão ambiental. A palmeira babaçu (Orbignya speciosa) leva cerca de 12 anos para atingir maturidade reprodutiva. Por isso, o uso integral do coco e a preservação dos babaçuais são fundamentais para a continuidade da prática e da cultura local.

Produção acadêmica Em 2023, a estudante Fabrícia Pereira de Brito Paiva, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), elaborou um catálogo de entrevistas com mulheres quebradeiras de coco da comunidade. A pesquisa utilizou a história oral como metodologia central e buscou registrar as memórias, saberes e vivências das trabalhadoras rurais do Coxo de Dentro.

O estudo destaca o papel da universidade como ponte entre o conhecimento acadêmico e os saberes populares, contribuindo para o reconhecimento dessas mulheres como agentes de sua própria história.

Representações midiáticas A história das quebradeiras foi retratada em produções audiovisuais. O vídeo intitulado "As Quebradeiras de Coco do Coxo de Dentro", exibido na plataforma Globoplay, apresenta o cotidiano da coleta e do beneficiamento do coco. Como também, outro documentário, nomeado "As Quebradeiras de Coco Babaçu: Vozes Femininas da Resistência", disponível na plataforma YouTube, traz depoimentos das mulheres sobre os impactos do empreendimento em suas vidas.Globoplay. As Quebradeiras de Coco do Coxo de Dentro. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2025.

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